September 7, 2004

Você não é bem-vindo

svenskar.jpg
Da esquerda pra direita: Fredrik Dahlström, Hakim Chebchoub, Rebin Solevani e Linus Larsson

Ontem meu jornal mostrou uma matéria fantástica: contratou quatro repórteres jovens, dois suecos com nomes bem comuns, e dois com nome e aparência árabe. Os quatro procuraram 366 empregos para os quais apresentaram méritos idênticos. O método é simples: em pares (um sueco e outro com nome estrangeiro) os rapazes ligavam para saber de empregos anunciados nos jornais e no site do banco de empregos. Quando o “imigrante” ligava, todas as vagas estavam preenchidas. O sueco ligava então 20 minutos depois e conseguia uma entrevista na hora. Trata-se de uma série de reportagens do DN para analisar as pessoas impedidas de entrar (na sociedade, no mercado de trabalho etc). Em sueco faz mais sentido, são “De Utestängda”.

Exemplo das conversas por telefone, quando os rapazes ligavam para as empresas perguntando sobre a possibilidade de mandar o currículo:

Rebin Solevani, que fala sueco com um leve sotaque:
Repórter — Oi, meu nome é Rebin Solevani e estou interessado no trabalho de cabeleireiro. Gostaria de saber se ele ainda está disponível?
Homem — Já tenho muitas pessoas que querem o trabalho, de forma que vou esperar. Terei de encontrar com muitos interessados…
Repórter — Ok, então pelo menos eu já sei.
Homem — Obrigada, até logo.

Linus Larsson, sueco, ligando para o mesmo salão de cabeleireiro e falando com a mesma pessoa:
Repórter — Olá, meu nome é Linus Larsson. Estou ligando a respeito do trabalho que vi anunciado. Vocês estão procurando um cabeleireiro?
Homem — Sim, estamos.
Repórter — O trabalho ainda está disponível?
(Linus tem oportunidade de falar sobre sua experiência anterior - praticamente a mesma de Rebin)
Homem — Como é mesmo o seu sobrenome?
Repórter — Larsson.
Homem — Larsson, claro! Nós poderíamos nos encontrar pra uma entrevista, claro.

Quando o jornal ligou para o responsável pelo salão e o confrontou com o diálogo acima, ele disse que “não tinha nada a ver com o fato de Rebin ser imigrante”. Essa é apenas uma das desculpas utilizadas pelos empresários citados na reportagem. A maioria disse estar muito estressada e por isso sem tempo para julgar de forma melhor os currículos dos aplicantes. A mesma coisa aconteceu com Hakim Chebchoub, mesmo ele sendo sueco de nascimento e falando a língua sem qualquer sotaque. Basta que ele diga seu nome para que qualquer tipo de interesse do empresário acabe.


Amany Abdelsaid tem 25 anos, é casada e tem dois filhos

É por isso que a reportagem de hoje tem como título: “Eles mudaram de nome para conseguir um emprego”. Na matéria conta-se a história de Amany, que passou a se chamar Anna para conseguir trabalhar. Ela é telefonista especializada em um tipo de sistema eletrônico sueco e não foi contratada quando a empresa em que estava fazendo estágio anunciou três vagas de telefonista. Uma colega de curso dela entrou numa vaga e outras duas moças, sem preparo especializado e com formação apenas ginasial, foram contratadas para as duas outras vagas. Ah, detalhe: as três moças são suecas. Amany acha que sua não-contratação apesar de sua óbvia competência se deve ao fato dela usar xale/véu.

O pior não é isso. Avni Dervishi, imigrante do Kosovo, tem um masters em Política Européia e Ciência Política, conseguido em uma universidade sueca, além de experiência de trabalho nas Nações Unidas - mas nenhum emprego. Quando resolve tentar um trabalho menos ambicioso, a desculpa é que ele é mais qualificado do que o exigido. Ele pensa em mudar de nome, mas acha difícil. Diz que seria como perder ainda mais uma identidade já difusa. Mas o pior mesmo é o que disse a sobrinha dele: “Por quê preciso estudar agora para entrar pra universidade? Você tem uma formação ótima e não consegue emprego.” A sobrinha de Avni Dervishi tem 10 anos.

Você, que já me lê há algum tempo, deve estar achando que ando me repetindo demais, que estou obcecada com essa história de discriminação. É, pode ser. Mas, se você estivesse no meu lugar, aposto que estaria preocupada(o) também. Acho importante mostrar isso aqui porque essa série de reportagens é uma vitória. Uma vitória contra todos aqueles - suecos ou não - que dizem que não há discriminação na Suécia, apenas choramingação de imigrante mimado.

O fato de um dos mais respeitados órgãos de imprensa sueca - realmente mainstream - estar provando por A mais B que discriminação realmente acontece diariamente na democrática Suécia está espantando muitos cidadãos. A série de matérias foi acompanhada por pesquisadores, que dela tiraram conclusões de base científica. Hoje a ministra da integração aplaudiu a iniciativa, até porque os resultados das matérias mostram que não é apenas o governo que deve fazer alguma coisa pra melhorar a situação dos imigrantes, mas a sociedade como um todo.

Filed under: Vida de imigrante — Maria Fabriani @ 09:47

34 Responses to “Você não é bem-vindo”

  1. Mary Says:

    Manoel, acho que Canad e EUA esto anos luz frente da Europa nesse ponto. Tudo bem, o racismo existe e horrvel e tal, mas l pelo menos voc no jogado pra escanteio logo de cara. As pessoas pelo menos julgam os seus mritos no importando se voc fala ingls com um leve sotaque ou no. Pelo menos isso que eu acho. Talvez esteja errada, sei l.

    Obrigada pela visita, ziney.

  2. ziney Says:

    Parabns pelo seu trabalho. Continue assim fomentando a criatividade e o bom humor. Se voc quiser, d uma passadinha no meu humilde blog, deixe seu comentrio e d sua nota. Abraos…

  3. Manoel Carlos Says:

    Isto na Sucia, cone da tolerncia.
    O que podemos imaginar e esperar nos demais pases do Hemisfrio Norte?

  4. Mary Says:

    Alzoca, Stefan nasceu na Califrnia mas se mudou pra c aos cinco anos. Ele fala ingls com sotaque sueco (muito engracado). Ele sueco. Mesmo com nome holands, ele sueco e ningum coloca isso em questo. A, h mais uma coisa “engracada”: ser imigrante da Frana ou da Alemanha ou dos EUA uma coisa bem diferente de ser um imigrante da frica. BEM DIFERENTE. O status outro. duro, mas verdade. :c/ E no, respondendo a sua pergunta, gracas a Deus Stefan nunca teve problema algum (at porque visualmente ele um sueco perfeito).

  5. al. Says:

    No Fabrizoca, vc est obcecada no… a sua realidade ora bolotas!! Caramba, quanta discriminao Fabri. No entendo pq considerar sueca uma pessoa que nasceu a e fala perfeitamente sueco s pq seus pais no o so. Me lembra at (uia!) o Hitler. No era ele que pregava a “pureza” das raas?! Parece um crculo onde s os “genuinamente” suecos fazem parte. Os que no so podem at fazer, mas do lado de fora.
    O Stefan americano isso?! Ele j teve problemas??
    Beijos!!!!!

  6. Mary Says:

    Maria Van Dijk, discordo totalmente de voc, mas respeito suas opinies. Beijo.

  7. Maria van Dijk Says:

    Eu sei, Mary, que no so apenas as antigas geraes que querem usar o tal do vu, mas as mais novas, que, nascendo e vivendo uma vida inteira j em Frana, defendem o seu uso, o que no deixa de ser estranho, porque mais esclarecidas que seus pais e avs. O que prova que no esto to integradas assim em Frana, mas muito influenciadas pela religio dos seus familiares. Esta semana vi uma reportagem em que o jornalista interrogava algumas dessas jovens que defendiam o uso do vu e muitas o usavam no como convico, mas como provocao cultura e lei francesas. Algumas chegavam ao cmulo de afirmar que o homem superior mulher, sim, e que esta deve obedecer-lhe, e coisas por a fora, todos ns sabemos o que a religio muulmana defende. Ora estas afirmaes no so meras diferenas antropolgicas ou culturais. Se assim fosse, o que os Talibs ou outra religio afim defendem, e s para citar um exemplo bem simplista, est tudo certo, e vale ento tudo, at espancar mulher at morte s porque mostrou um pedao da mo ( e assim mesmo, no estou a exagerar, no ), em nome da diferena e do respeito que temos que ter pela cultura e religio dos outros….. Como pode haver compreenso perante uma monstruosidade destas, por exemplo ? Por isso, Mary, reitero o que disse no outro comentrio. Precisamente em nome do bom senso e da evoluo de muitos princpios, pelos quais, ns tambm, ocidentais, j passmos, e que hoje nem queremos recordar porque at nos causa arrepios…..E tambm em nome de religio, de Deus, de dogmas, de certezas que se provaram tudo menos certas.

    Maria van Dijk

  8. Mary Says:

    Maria Van Dijk, concordo em parte com o que voc escreveu sobre a proibico do vu na Frana, mas como no estou muito inteirada sobre o assunto prefiro calar-me.

    No entanto, no posso deixar de dizer que discordo de quando escreves: “Apetece ser primria e dizer que vo ento para os seus pases onde podero livremente agir de acordo com a sua religio…..Mas claro que no o fazem, porque nunca tero o nvel de vida, a segurana social e outras, que tm na Europa.”

    Olha, no acho que seja por a, at porque a maioria das mulheres que tiveram de tirar o vu so moas, meninas em idade escolar, que j nasceram na Frana. O pas delas a Frana e elas tm direito de viver em seu prprio pas, mesmo sendo filhas de pais estrangeiros e por mais que faam parte de uma religio diferente.

  9. Maria van Dijk Says:

    Tenho andado muito ocupada, mas hoje resolvi dar aqui uma passada. Mary, nunca demais falar-se desses problemas. Depois de ler todos os cometrios, vou fazer um pouco de advogada do diabo. Mesmo condenando esses preconceitos contra emigrantes, e voc j me conhece um pouco, e sabe que assim, achei, por exemplo, a lei francesa de proibio do vu e outras manifestaes religiosas em Frana, muito boa. A Frana um Estado laico, no tem que permitir essa imposio de cinco milhes de muulmanos, que o nmero impressionante que a Frana comporta neste momento a viverem l. Afinal de contas, se algum se atrevesse a andar de cabea destapada, de mini saia, de maquilhagem na cara, s para citar alguns exemplos, em qualquer desses pases ditos muulmanos, seria logo preso, apedrejado ou condenado morte. Porque eles tm que impr os seus costumes em outros pases que no o seu ? Apetece ser primria e dizer que vo ento para os seus pases onde podero livremente agir de acordo com a sua religio…..Mas claro que no o fazem, porque nunca tero o nvel de vida, a segurana social e outras, que tm na Europa.
    Em relao ao protecionismo que h na Europa em geral em relao ao mercado de trabalho, em detrimento dos emigrantes, o que deveria valer mesmo seriam as qualificaes de cada um, claro, independentemente da nacionalidade. No acho que os ingleses tenham essa mente to aberta como refere…..at me espantei em ler isso, porque uma realidade que conheo bem. E preconceito haver sempre, li aqui comentrios de brasileiros que sofrem com ele no seu prprio pas. Quando isso acontece no seu prprio pas, at que na Europa no assim to mau……..

    Maria van Dijk

  10. Mary Says:

    Hahaha, pode crer, Joo Pedro. Ningum em s conscincia larga tudo e vai viver num outro pas. Eu ainda me pergunto onde estava com a cabeca. Mas olha, dia aps dia, acho que na minha loucura toda, fiz tudo cer-ti-nho.

    Eldora, antes de tudo, acho um absurdo vocs no receberam nada quando estiverem trabalhando. Est comprovado que ningum treina sueco trabalhando pesado. O interessante, no entanto, o estabelecimento de contatos. Isso sim MUITO BOM. Tenha isso em mente. Hoje, quando gostaria de ter um contato em uma dessas casas de repouso de velhinhos para me candidatar a um emprego de vero, no tenho. Pense nisso.

    Sobre o seu professor: no vou contestar o que ele disse porque acho que cada um pode ter o entendimento que desejar. A realidade de cada um diferente. Voc vai construir a sua tambm. Gostaria apenas que voc sugerisse a ele a leitura dos artigos, que podem ser acessados na Internet aqui.

    L, entre muitas outras coisas, h estatsticas da Statistika Centralbyrn que dizem o seguinte: “Arbetslsheten r betydligt hgre bland utlandsfdda n bland infdda svenskar. Enligt SCB:s arbetskraftsunderskning var 4,4 procent av de infdda mellan 16 och 64 r arbetslsa det frsta halvret 2003, medan hela 11,5 procent av de utlandsfdda i samma ldersgrupp var utan jobb.”

    (Traduco: O desemprego significativamente maior entre pessoas nascidas fora da Sucia do que entre suecos. De acordo com a pesquisa de fora de trabalho do SCB (Statistiska Centralbyrn), 4,4% dos suecos de na faixa etria de 16 a 64 anos esto desempregados, enquanto o nmero de estrangeiros pertencentes a mesma faixa etria sem trabalho chega a 11,5%”.)

    Tomara que seu professor entenda que mesmo quem quer trabalhar, encontra as portas fechadas.

  11. Eldora Says:

    Gente eu tenho pouco tempo de Suecia, estou terminando o SFI, temos debatido bastante este tema em sala de aula juntamente com os professores e uma representante da arbetsfrmedling. Bem pra resumir, o curso que estou fazendo e um modelo novo de SFI, no qual estudamos 8 horas por dia, e no final do Curso (SFI C para o D) temos que comecar a fazer uma pratica no mercado de trabalho, essa pratica e obrigatoria e deve ser em algo bem simples, porque nao temos ainda um vocabulario muito bom, eles dizem que essa pratica nos sera muito util pois poderemos nos acostumar com o idioma fora da sala de aula, adquirimos experiencia e bla bla bla e talvez um emprego (o que nao e de meu interece pois pretendo estudar mais alguns anos) o fato e que nossa pratica e obrigatoria e nao ha a menor possibilidade de receber nenhuma ajuda de custo, nos ficaremos na pratica nas semanas pares e em sala de aula nas semanas impares, eu ainda nao comecei a minha que sera naquelas casas que cuidam dos velhinhos, mas tenho uma amiga Turca que comecou a pratica num supermercado COOP, e que haviam 4 suecos e ela, TODOS recebiam ajuda de custo menos quem??? Bem fora as outras coisas, ela disse que nao conseguiu praticar o idioma (esse e o objetivo da pratica) que so trabalhou e muito pesado. Foram muitas as reclamacoes, estou na maior duvida se faco ou nao as tais praticas, sabe gente nao quero me sentir explorada porque afinal de contas eu ficarei 8 horas trabalhando sem receber nadinha, apenas uma promessa de trabalho, mas como nao tenho muitos amigos suecos, creio que seria uma boa oportunidade de trabalhar o idioma fora da escola. Pra finalizar, eu tenho um professor de SFI Arabe, que diz que 85% dos extrangeros na Suecia estao empregados e que o mal dos imigrantes e que muitos sentam e esperam cair do ceu, que preconceito ha, aqui em toda parte do mundo, mas que nos devemos fazer nossa parte. Bem pessoas meu ponto de vista ainda e imparcial, mas espero ter um parecer la pra semana que vem.

    Abracos a Todos

  12. Joao Pedro Says:

    Isso t claro como gua. A pessoa que deixa seu pas e vai pra outro para viver, na maioria dos casos, por falta de opo no seu pas.Razes financeiras, polticas, religiosas, enfim, uma razo muito forte. Ningum em s conscincia abandona sua terra pra trabalhar/viver em outra.
    Esse fato j gera uma discriminao, o pas que recebe os caras j discrimina pq pensa “se ele est aqui pq o pas dele uma droga” e, a partir da, vale tudo.

  13. Mary Says:

    Ana Maria, ter eles no tem no um trao nico, que os identifica como iraquianos, mas pra quem os v sempre (e aqui na Sucia cheio), d pra perceber sim. Sabe o que impressionante? A diferenca entre iraquianos e iranianos. Esses ltimos geralmente so muito bonitos. As mulheres so LINDAS. Com sobrancelhas trabalhadssimas, peles de pssego, uma coisa. Tenho uma colega de curso que nasceu em Teer, apesar de ter crescido em Estocolmo. Ela uma das moas mais lindas que j vi na vida. Tem uns olhos amendoados que so uma coisa! :c)

    Wagner, vocs escreveu tudo: a unio mesmo apenas no papel, terica. Infelizmente.

    Marie, eu tambm sinto vergonha de ser brasileira quando uma pessoa como voc escreve sobre sua experincia e sobre essa entrevista. Nossa, d vontade de bater numa pessoa que pergunta se seu cabelo era alisado. O que isso!!!!!! Concordo quando voc diz: que sente “MUITA vergonha de fazer parte de um pas que no aceita a prpria imagem no espelho e quer fingir que tem cara europia.” isso a. Eu tambm.

    O que dizer mais? isso a, Phillipe.

    Meire, seja bem-vinda ao Montanha-Russa. No sei se aqui pior do que a, sinceramente, espero que no…. :c)

    Ah, Tereza, exatamente isso que eu me pergunto quando leio por exemplo, o comentrio da Marie, a de baixo. Isso sim um absurdo! NUNCA um sueco seria discriminado por ter cabelo encaracolado! Imagina!!!!!!!!!

    , herivelton, lamentvel mesmo que esse tipo de comportamento seja ainda regra por aqui. Ainda mais porque no Brasil isso que voc descreveu ocorre mesmo, damos inclusive mais valor a um estrangeiro do que a um outro brasileiro - o que, pra mim, tambm est errado.

    H legislaco sim, Alessandra. Estou, inclusive, estudando leis agora na faculdade, e j marque no meu livro de leis os pargrafos da lei contra racismo. Na verdade, a lei boa (segundo informaces da imprensa - ainda me falta experincia para julgar). O problema que difcil processar um caso de racismo. preciso tantas evidncias, provas, testemunhas, que quase sempre o imbecil no preso. Infelizmente.

    Com certeza, Mauro. Mas pelo menos a h, segundo imagino, uma maior capacidade de enxergar a possibilidade da pessoa, seja ela latino, afro-american etc, que so inclusive chamados para entrevistas (at porque se no o forem podem processar algum e ganhar milhes). Mas aqui, com um processo judicirio que no chega aos ps do americano, nego num t nem a se descrimina. Ningum tem como provar que ele fez isso. Ela pode dizer, como fizeram os empresrios na matria, que estava estressado. Simples assim.

    Ana, quanto mais sofisticado o pas, mais sofisticado o tipo de racismo, como mostrado no caso dos seus professores (e, agora, colegas de trabalho). Nunca sofri com o racismo explcito, at porque sou confundida normalmente com qualquer mulher sueca. Mas o racismo escondido, aquele que no diz nada e que me nega uma entrevista de emprego, ou que quando num milagre topa me dar uma chance de entrevista e a se sai com a prola: “se eu no te chamar no porque voc imigrante, viu?” e coisas do tipo.. isso sim tambm racismo e me atinge direto.

    , Pururuca queridoca, no mole no. :c/ Beijo.

    , Ktia, aqui tambm tem essa diferenciaco: h empresas que tm imigrantes entre seus trabalhadores mas jamais, JAMAIS, em posices de lideranca.

    J, essa a grande pergunta que a maioria da populaco sueca se faz e faz ao governo. Por qu tanta gente entrando pra viver no nosso pas. O lance que a Sucia assinou um acordo com outros pases europeus no qual aceita uma cota de exilados por ano. Alm disso, h uma tradico sueca de receber quem est em necessidade de proteco (longa histria com Naces Unidas etc). O lance que politicamente e legalmente, a Sucia sim um pas PERFEITO. O lance que o povo no acompanhou a evoluco legislativa sueca e ainda se pergunta o que todas essas pessoas escuras “svartskallar” esto fazendo aqui.

  14. J Says:

    Muito bom seu post Mary …
    Incrivel que, com a quantidade de imigrantes existentes na Suecia, isso exista. A consequencia disso daqui algum tempo pode ser sombria….

    Afinal, pq eles aceitam tantos imigrantes?

  15. Katia Says:

    Mary,
    Nao acho que vc esteja sendo repetitiva. Isso parte da sua vida ai na Sucia, e a gente que vem aqui te visitar pra saber das coisas que acontecem ai e que te afetam.

    Todo imigrante sabe a penosa liao de procurar emprego e dar de cara com as portas fechadas. As coisas aqui nao sao tao ruins pra arrumar emprego, mas tambem nao nenhuma maravilha. Pelo que eu vejo diariamente, isso acontece mesmo. Pode ver que o “higher management” das empresas composta de nativos e brancos. Nao importa muito que voce seja nativo, mas ser branco quase que imperativo.

    Anyway, a gente comea nesse tpico e nao para nunca! muita coisa, da pra ficar de queixo caido, n?

    Um beijo!

  16. Pururuca do Brejo Says:

    Mary:

    Acredita que pensei nisso (que voc estava obcecada), mas isso apenas porque EU NO ESCREVO mais sobre os hbitos do povo daqui, ou sobre preconceitos. Sabe como , baixava logo a patrulha do blog falando umas abobrinhas… eu prefiro deixar passar. Omisso? Pode ser, mas, pelo menos por enquanto, no quero me aborrecer.

    Eu mesma sent na pele o preconceito para arrumar emprego. O anncio saa de manh no jornal. Eu ligava logo as 9h e SEMPRE “j foi preenchida a vaga”. Eu ficava P da vida porque sabia que era pelo meu sotaque brasileiro (eles pensam logo que voc est ilegal etc). fogo.

    Beijos

  17. Ana Lucia Says:

    Mary, tenho adorado a forma inteligente como voc tratado esse tema. Nao acho que voc pessoalmente se sinta discriminada, mas como jornalista de formaao voc tenta botar o dedo na ferida, ver atras das aparncias, atras da cortina ” oficial “. Pelo o que leio aqui voc esta integrada na sociedade sueca, casada com um sueco e tambm FALA sueco, o que fundamental (no meu ponto de vista), pois se a gente nao fala e nao compreende a lingua, e nao l os jornais e assiste os noticiarios na lingua do pais onde estamos, fica dificil de ter uma visao de dentro. Seria como vir a Qubec e passar o tempo falando ingls em vez de francs, toda as sutileza e as particularidades de uma cultura passam atravs da lingua… Olha eu nunca fui discriminada ada aqui. Nunca ningum saiu de perto de mim, ou me mandou pastar por ser imigrante, em alguns casos at fui mais privilegiada que certos quebequenses. Mas volta e meia eu ouo umas prolas…Outro dia um professor que leu a minha tese me enviou um email falando de uns indios que vinham em Montreal…uma delas era Araujo e ele pensou que fosse minha parente…:-), outro dia um professor imbecil me perguntou se agora que eu tinha terminado o doutorado eu ia voltar para o meu pais…(eu t aqui faz cinco anos e sou cidada canadense). E por ai vai… e eu tenho conscincia que existem certas zonas que sao mais ou menos proibidas, entre outras entrar para o funcionalismo publico federal ou estadual, ser deputado ou vereador…O corpo de professores das universidades repleto de francofonos apesar da imigraao, os apresentadores da tv e outros sao todos branquinhos e francofonos. Isso, assim como a situaao da reportagem sueca uma realidade, baseada em fatos reais e em pesquisas, nao se trata de conversa de botequim ou de piupiuzinho de comadre. O legal que quando voc escreve esses posts, nao esta fazendo uma autobiografia e choramingando, ao contrario esta fazendo jornalismo, informando e alertando as pessoas para uma realidade cache.
    Enfim, uma coisa certa esses jornalistas tem um grande senso de humor ! Acho que o humor ainda a chave do negocio. Beijos e desculpe a longueur do comentario !

  18. Mauro Says:

    Que coisa mais feia, hein? Preconceito fogo.

    Tenho quase certeza que a mesma coisa aconteceria aqui nos EUA, se eles repetissem o experimento.

  19. Alessandra Says:

    Que post brbaro! Adorei! Se vc est obcecada por assuntos ligados discriminao de estrangeiro, ento somos duas. Esse meu assunto preferido aqui no seu blog. Adorei saber que um jornal *mainstream* se preocupou em fazer uma reportagem dessas. Ento at a *perfeita* Sucia deixa desejar… Talvez essa exposio do problema possa produzir uma discusso mais sria a respeito do assunto. Vc tem conhecimento se h legislao proibindo esse tipo de discriminao em ofertas de trabalho? enforado? Beijos.

  20. herivelton Says:

    Boa tarde, entro novamente nesse blog para me informa acerca de tudo que acontece na Sucia e, para a minha surpresa, um dos povos mais cultos do planeta (seno o mais culto)tambm mostra-se intolerante com estrangeiros. necessrio acrescentarmos aos suecos que quando eles ou qualquer outro estrangeiro vm passar frias ou at trabalhar no Brasil, buscamos compreend-los e at ajud-los no que for possvel. Assim, lamentvel esse tipo de comportamento social. Herivelton, vila velha, E.S

  21. Tereza (Bruxelas) Says:

    Que raiva esse tipo de coisa. Eu acho que um dia vou morrer do coraao porque me sinto na pele de qualquer estrangeiro. Me do ainda mais quando os atacados sao de uma origem menos prezada por certos europeus que a minha. Putz, que mundo esse onde a gente vive, hein?

  22. Meire Says:

    Cara Maria!
    Boa Tarde!
    Sou Meire, brasileira na Italia!
    Nas minhas caminhadas pelos blogs encontrei o teu.
    Li o artigo de hoje..e sem cometarios n…
    Imagino que a deve ser ainda pior que aqui na Italia.
    Um abrao
    Meire

  23. Phillipe Says:

    Nossa, j tem um tempo que no vinha aqui. J tem muita coisa pra ler!
    J t mais do q n hora dos europeus e nesse caso os suecos, de abrirem a cabea e acabar com essa xenofobia, pois, por mais que o governo tenha necessidade de mo-de-obra e facilite,assim, a entrada de imigrantes, a sociedade como um todo ainda no percebeu,que,existe muita gente competente independentemente de seu sotaque,de sua origem… Deve se permitir que a pessoa faa parte da sociedade como qualquer sueco, nao porque fala sem sotaque,mas porque assim como qualquer sueco, os imigrantes tm os mesmos direitos e devem se rrespeitados da mesma forma, inclusive, as suas diferenas.

  24. Marie LaStrange Says:

    Parabns pela iniciativa do jornal de publicar essa matria mais do que necessria. preciso mais do que desinformao para achar que no h discriminao; na verdade a inteno de tapar o sol com a peneira e perpetuar uma situao “cmoda” para quem d emprego na Sucia.

    Discriminao social, racial, sexual uma noo to arraigada na cabecinha humana que no se d ao luxo de pertencer a essa ou aquela idiossincrasia especfica. Simplesmente existe em qualquer parte do globo terrestre. Aqui, num pas eminentemente pardo, no consegui vaga de recepcionistas bilnge, mesmo tendo um ingls e uma formao cultural bem acima da mdia das demais canditatas. Adivinha a razo? Eu no tinha cara de top model e nem nasci loira de olho azul. Porque, ao contrrio do tipo de discriminao sueca, que busca manter o seu povo apenas no mercado de trabalho, AQUI ns discriminamos a ns mesmos! Sim, porque a menina loira que foi contratada em meu lugar no nos representa fisicamente (mas quem disse que a funo dela era essa? nem mesmo precisa falar ingls direito, basta ser decorativa e passar uma imagem “limpa” da empresa). A moa que me entrevistou perguntou coisas esdrxulas do tipo “o seu cabelo alisado ou assim mesmo?”. Sa da entrevista me sentindo humilhada e com MUITA vergonha de fazer parte de um pas que no aceita a prpria imagem no espelho e quer fingir que tem cara europia. Talvez seja por isso que eu esteja indo morar na Europa e ser dona de casa. Me desencantei com o “mercado de trabalho”, prefiro cuidar da minha famlia.

  25. Wagner Says:

    Mary,
    morei por pouco tempo na Holanda (Amsterdam), mas pude constatar que num dos pases mais tolerantes da Europa ocorre o mesmo - ainda que se faa parte de um dos pases membros da Comunidade Europia. Se algum com passaporte portugus quiser disputar uma vaga com um holands (mesmo que o portugus tenha melhor qualificao) a vaga ser invariavelmente do nativo. E depois, eles sempre alegam que imprescindvel falar fluentemente o holands. Os imigrantes s conseguem mesmo trabalhos “menores”, que os holandeses no querem mais fazer.
    Eu me pergunto: por que permitem imigrao ou entrada de membros da Comunidade se no lhes do condies dignas de viver no pas? Certamente, proibir a entrada dessas pessoas (como em outros pases) no seria a soluo, mas no oferecer meios de “sobrevivncia” decente acaba dando no mesmo.
    Essa coisa de perda da identidade me parece uma bobagem: ningum quer roubar o lugar de ningum, apenas viver de uma forma melhor. De que adianta um “mundo globalizado” em que as pessoas no estejam integradas? A Europa “se unificou” apenas no papel, na prtica as coisas so bem diferentes…

  26. Ana Maria Says:

    Mary, que matria excelente, hein !
    Claro que existe discriminao. Infelizmente o ser humano igualito em qualquer parte do mundo.
    Mas me conta uma coisa: no post anterior vc fala que o motorista do nibus parecia ser do Iraque. Como vc identifica um cidado de origem iraquiana ?? Eles tm alguma caracterstica que os distinguem de um turco, de um saudita, de um libans ?

  27. Mary Says:

    Hahaha, Sam, c das minhas. Eu tenho uma coleco respeitvel de recortes de jornal sobre imigraco, integraco etc. Comecei em janeiro desse ano e s faz crescer, crescer e crescer. Muitos dos artigos a que fiz referncia aqui eu tenho recortados. :c) Beijoca. (E escreva sim sobre os seus artigos. T curiosa pra saber como que isso a na Blgica).

    Marcinha, eles j tiveram mais do que uma geraco pra aprender, uma vez que os primeiros imigrantes chegaram aqui na dcada de 60 (isso sem falar nos que vieram nos sculos anteriores, claro). O lance fazer como os ingleses: abrir a cabeca pro novo sem medo, deixar de ser provinciano e protecionista. At porque o mercado de trabalho sueco precisa de gente nova e competente. O problema que eles se negam a entender que uma pessoa pode ser competente mesmo quando tem um sotaque. Beijocas pra voc (ADOREI sua foto com Martin em roupa de safari! :c)

    Luciana, tenho a impresso de que no h um pas europeu que se salve. Tento a toda custa no ser pessimista. Mas s vezes difcil.

    Airton, pode copiar no tem problema nenhum. Obrigada por dar a fonte!

    Karenin, sabe que eu acho essa coisa de “perder a identidade” por causa dos muculmanos uma balela? Os muculmanos no querem transformar a Sucia ou a Holanda em estados islmicos (como os lderes de extrema direita gostam de propagandear). O que essas pessoas querem (e a fao referncia s pessoas normais, no a terroristas, claro) simplesmente viver em paz com sua religio/cultura dentro da Sucia que , alis, o pas deles tambm. O que acontece que pessoas nascidas e criadas aqui se sentem estrangeiros, renegados, intrusos. Os suecos mais extremistas entram numa de que todo mundo tem que ser assimilado, falar sueco sem sotaque, gostar de encher a cara e ser tmido e sem graca. ISSO que o verdadeiro fascismo.

  28. KArenin Says:

    MAry, eu no sei como na Sucia, mas eu sinto realmente que h na Europa de hoje, uma resistncia/discriminao, principalmente quando morei na Holanda. Eu sinto que l, a discriminao vem do medo da perda da identidade holandesa: os imigrantes rabes, maioria muulmanos, so exatamente o oposto do que a sociedade holandesa : liberal. O falecido Pim Fortuyn, o radical de direita que foi assassinado, pregava que em um pas de 16 milhes de habitantes e com uma populao rabe crescente viva sob constante ameaa de perder suas caractersticas se a integrao no fosse obrigatria. Eu entendo a preocupao holandesa e, de uma certa forma, a sueca. o que de forma alguma deveria se traduzir em discriminao, como muito bem evidenciado pela reportagem com a qual vc nos brindou. Acho que a maneira essa, apontar o problema e lutar para que a sociedade seja mais tolerante, de ambos os lados, dos nativos e dos imigrantes. E acho que talvez a Sucia, apesar de evidenciada discriminao, est, ao menos, anos luz frente que outros pases, simplesmente por abrir o dilogo, colocar o assunto na mesa. Beijim, brigadim pelo super post querida, e int.

  29. Airton Says:

    Maria,vc me desculpe,mas estou me aproveitando dos seus artigos,eu os copio e colo no meu EUDORA e envio para amigos,para que tenham uma viso do que a SUCIA.
    lgico que coloco o endero do seu blog.
    PS. adoro a sua risada

  30. Luciana Says:

    Tratamento idem aqui na Italia, mas com o agravante que temos um governo que ganhou as eleioes fazendo propaganda contra os estrangeiros, ou, politicamente correto italiana: extracomunitarios (EEC alien). Acho que vai precisar mais do que uma geraao para que as coisas melhorem (talvez). Ando meio pessimista quando ao tratamento dado aos estrangeiros.

  31. Marcia-UK Says:

    Oi Mary, o que me preocupa saber quanto tempo vai levar para que a sociedade sueca passe a aceitar os imigrantes no mercado de trabalho. Um ano, uma dcada, uma gerao? Espero que a partir dessa prova, o governo passe a incentivar a integrao desses dois mundos, que tm muito a ganhar um com o outro.

    Beijos queridoca!
    da Marcia

  32. samanta Says:

    Marizoca,

    Juntei uns recortes de jornal semana passada exatamente sobre esse mesmo assunto. Se der tempo essa semana, vou colocar.
    Esse tipo de coisa tambm me deixa completamente arrasada. No tem como a gente deixar passar em branco!!!
    O que eu achei maravihoso foi a iniciativa do jornal. Esto de parabens!!!

    beijo grande

  33. Galeria de Espelhos Says:

    Ventos da excluso

    Estava passeando pelos blogs prediletos at que esbarrei no da Maria, que mora na Sucia mas no perde sua identidade brasileira.

    Se a civilizao fosse comprimida em quatro estaes em que estaes estaramos? Vero quando o calor abundante e a v…

  34. :: Montanha-Russa 4.3 :: » Democracia racial? Fala srio. Says:

    […] Leia mais sobre esse assunto nos meus posts antigos: A Europa da excluso, Que coragem!, Sem drama, Mais 20 anos pela frente, Voc no bem-vindo, Notcias do Primeiro Mundo V e finalmente Racismo na Escandinvia. […]

 

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