Um anjo em minha mesa
Li no jornal de ontem que a escritora neozelandesa Janet Frame morreu. Foi ela quem escreveu “Um Anjo em minha mesa”. O livro, que faz parte de uma autobiografia escrita em forma de trilogia, virou filme nas refinadas mãos da Jane Campion, a mesma criadora do maravilhoso “O Piano”.
Me lembro com carinho do filme “Um Anjo em minha mesa”, apesar de nunca ter lido o livro. Acho a atriz Kerry Fox (uma versão mais rude da lindíssima Cate Blanchett) um verdadeiro achado. Foi ela quem interpretou Janet Frame. O cabelo vermelho alvoroçado é simplesmente maravilhoso.
Quando li a notícia da morte da autora, vários flashes do filme me vieram à cabeça, e olha que eu sou daquelas que esquece todos os filmes que assiste. Esqueço tudo, mas esse filme ficou. Depois da morte de duas irmãs - ambas morreram afogadas - ela foi internada no hospício Seacliff onde passou oito anos e quase sofreu uma lobotomia.
O médico não fez a cirurgia porque leu no jornal no último minuto que o primeiro livro de Janet havia ganho um prêmio para escritores iniciantes. Lembro de muitas partes do filme, como campos verdes da Nova Zelândia (nada a ver com O Senhor dos Anéis), mas principalmente de quando ela tentou dar aulas e, muito tímida e insegura, saiu correndo da sala de aula.
Mas o mais bonito do filme é mostrar a brutalidade das pessoas (professores, médicos etc) que não viam a delicadeza de alma da Janet e a julgavam apenas pelo que era evidente: uma pessoa com um certo desequilíbrio psicológico e uma timidez quase patológica. Lindo, lindo, lindo.
Matéria sobre a morte de Janet Frame no New York Times. (Em inglês)
Veja a matéria que li ontem de manhã. (Em sueco - Dagens Nyheter)
Leia mais sobre a trilogia autobiográfica de Janet Frame. (Em inglês, Amazon.com)
Site do filme “Um anjo em minha mesa”. (Em inglês, IMDB)
