November 1, 2003

Sobre livros

Terminei de ler o “Five Quarters of the Orange” (Joanne Harris) ontem e tenho que dizer que gostei muito. Adorei a coisa da mãe escrever um diário em seu livro de receitas. Ela faz confissões entre listas de ingredientes e modos de fazer. Muito bom. É uma literatura mais feminina, devo dizer. Mas a história propriamente dita - o que aconteceu com uma família numa cidadezinha do Vale do Loire na França durante a Segunda Guerra Mundial - é interessante para homens também. Acho que vou comprar mais livros da Joanne Harris. Além de Chocolat, alguém já leu mais algum que valha a pena?
Ontem à noite comecei a ler “Lasermannen : En Berättelse Om Sverige”. O título pode ser traduzido como: “O homem do laser - uma história sobre a Suécia”. Peguei o livro às 23hs e não consegui mais largar. Fui dormir tardíssimo. O livro é, na verdade, uma reportagem-livro do jornalista Gellert Tamas na qual ele reconstrói a Suécia de 1991-92, quando John Ausonius matou um homem e feriu outros dez com sua arma com mira a laser. Todos os homens feridos eram imigrantes. Detalhe: Ausonios era ele próprio filho de imigrantes. O livro é fenomenal.
Tamas constrói a narrativa perfeitamente, dando todos os detalhes importantes de background de cada participante da trama, desde Ausonius, cuja mãe era alemã e o pai suíço, até as vítimas (imigrantes da Eritréia, do Irã etc), como fugiram de seus países e seus planos em ter uma vida melhor na Suécia, passando por políticos que à época construíram mais um partido político de extrema-direita e conseguiram inclusive assentos no parlamento.
Além de contar uma história eletrizante de uma mente que enlouquece aos poucos no meio da pacífica Suécia, Tamas constrói um cenário social interessantíssimo, de como seu país funciona. Estou encantada. O livro me lembra muito “A Sangue Frio” de Truman Capote (que meu pai me emprestou anos atrás). Alguém aqui leu? É simplesmente M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O.
UPDATE => Tem até um brasileiro entre as vítimas do “Homem do laser” sueco. Herbeson Vieira da Costa, de São Bernardo dos Campos, foi a quarta vítima do maluco em Estocolmo. Ele foi atingido por três tiros mas conseguiu sobreviver (pelo menos até a página 121, onde parei de ler ontem à noite)

Filed under: Livros — Maria Fabriani @ 12:50

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