April 22, 2013

Greve de fome


Foto Håkan Zerpe, Norrbottens Kuriren.

Há quatro dias refugiados do Afeganistão fazem greve de fome na frente do órgão de imigração sueco, Migrationsverket, aqui na minha cidade. Eles estão na Suécia há cerca de dois anos, alguns mais do que isso, e não querem voltar ao Afeganistão. Eles dizem que a situação em seu país de origem é violenta, que muitos civis morrem por conta de bombas detonadas pelos talibãs. Greve de fome. Ontem os refugiados começaram a passar mal. Uma ambulância veio e quis levar um deles pro hospital. Ele não foi. Os refugiados dormem na rua, ao léu, debaixo de cobertores. A temperatura na primavera do norte sueco pode chegar aos dez graus abaixo de zero no meio da noite. Greve de fome. Ninguém quer voltar pro seu país de origem, onde cresceram, onde têm familiares e amigos, onde conhecem a língua, os costumes. Onde podem ler com facilidade os códigos sociais, onde é mais fácil de ser feliz. Não querem voltar. Não querem voltar porque não querem ser mortos por uma bomba talibã. Preferem morrer aqui, de fome.

A palavra em sueco do dia é hungerstrejk, greve de fome.

3 Responses to “Greve de fome”

  1. Anelise Says:

    Maria,

    Esse é um assunto que me toca particularmente porque desde que cheguei aqui na Italia trato jornalisticamente temas ligados à imigraçao e, em especial, refugiados. A Italia é o unico pais europeu a nao ter uma lei organica sobre asilo politico. Em teoria obedece a Convençao de Genebra, mas na pratica os centros que acolhem os refugiados sao “pseudo prisoes”. Como a Suécia lida com esse problema? Fiquei curiosa.

  2. Maria Says:

    Anelise, aqui os refugiados são colocados ao equivalente a dormitórios - prédios grandes, com muitos quartos, salas e cozinhas conjuntas. Muitas famílias dividindo quartos, muita gente mesmo, principalmente agora, com a crise da Síria. A polícia muitas vezes precisa ir nesses prédios para garantir a ordem porque é muita gente sobre tensão. No sul da Suécia houve vários incidentes com extremistas neonazistas que invadiram esses locais ou picharam as paredes com a suástica nazista.
    Quando os refugiados chegam aqui e até que seja tomada uma decisão sobre se eles ficarão ou serão mandados embora, eles moram nesses locais, administrados pelo órgão de imigração daqui, a tal da Migrationsverket. Apesar de ser complicado morar tanta gente junta, gente diferente, principalmente sírios, da Somália e do Afeganistão, esses locais são verdadeiros paraísos em comparação com os locais italianos e gregos.
    Há muitas histórias sobre refugiados que vieram parar aqui depois de passarem por campos italianos ou gregos e que sofreram violências horríveis. Um rapaz afegão foi violentado na Itália e fugiu pra Suécia. Quando recebeu a decisão que seria mandado embora, tentou se matar. Isso porque a Suécia aplica a regra de Dublin (Regolamento Dublino II), segundo o qual os refugiados que pedem asilo aqui mas já ficaram em outro país europeu antes da Suécia são obrigados a voltar pro primeiro país europeu e lá pedir asilo.
    Se não me engano, a Suécia parou extradições para os campos de imigrantes da Itália (principalmente os que ficam na ilha de Lampeduza) e da Grécia porque a segurança e integridade física dos refugiados não podia ser garantida. Mas não sei se ainda é assim agora.

  3. Maria Lídia Says:

    Aqui no Brasil a coisa não é diferente: compatriotas moram nas ruas e muitos sem-teto são queimados vivos enquanto dormem sob marquizes. Eles não precisam fazer greve de fome, pois já convivem com a fome há eras.
    O atual governo apóia a corrupção em suas ações de omitirem-se às cassas de mensaleiros, mudança no Código Penal e demais providências.
    A presidente apregoa nos países onde visita que o Brasil é próspero…crianças nas ruas viraram epidemia. Menores matam e não são punidos, pois são considerados “dimenor” e a única punição é recolher os mini meliantes à Fundação Casa e devolverem em seguida para as ruas onde tornam a delinquir.
    Os políticos estão cada vez mais ricos e mais cínicos.
    Aqui o crack e o funk dominam as “paradas”.
    Com certeza os refugiados daí estão melhores que se estivessem aqui. ;-(

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