October 11, 2011

O mistério dos números primos

Bernhard Riemann

Estou nesse exato momento assistindo a um documentário intitulado “O mistério dos números primos”. Gosto muito de ver documentários sobre astronomia, física, química, mas especialmente matemática. Gosto de ver gente apaixonada por números. Gosto da dedicação dos cientistas, gosto que essas pessoas (homens na sua maioria) dedicam a vida a resolver um problema. Gosto que os problemas são muito maiores do que os números. Gosto que há uma necessidade de encontrar algum tipo de explicação… para tudo. A theory for everything.

A sensação que tenho é que no final acaba-se por se falar não em números, mas em vida, sentido, natureza e a possível existência de mistérios ocultos que expliquem a vida. Gosto de pensar em matemática como uma linguagem. Ao mesmo tempo, adoro já ter passado por escola e universidade e não precisar mais estudar matemática. Vamos ver como é que vai ser quando Max precisar ajuda com dever de casa (!!!).

Enfin, mes infants, quando se fala por exemplo em Euler e sobre a hipótese de Riemann, (chave para a compreensão dos números primos), fala-se não apenas da teoria dos números primos, mas imagina-se que talvez os números primos tenham uma razão de ser e estejam conectados à beleza universal, uma espécie de forma perfeita. Existe coisa mais interessante?

Nunca gostei de matemática. Quer dizer, gostei, mas só até quando conseguia resolver os problemas. Quando começava a falhar, o que acontecia sempre, ia me dando um desespero muito grande, uma sensação de incompetência que me deixava inconformada. Mas gosto de matemática quando apresentada como “arte”, como teoria de ordem do universo.

Esse documentário que estou assistindo, já meio antigo, é japonês e não tão bom. Gosto muito de assistir aos documentários da BBC, série Horizon, apresentados por Marcus du Sautoy, que é professor “for the Public Understanding of Science” e professor de matemática na universidade de Oxford. Os documentários dele são bacanérrimos. Veja aqui uma página dele na BBC.

Filed under: De bem com a vida,Elucubrações,Vidinha — Maria Fabriani @ 19:31

6 Responses to “O mistério dos números primos”

  1. Mayra Teixeira Says:

    Pude conviver com matemática de várias formas e acredite, a que nos forçam a aprender na escola é a forma mais imbecil possível.

    Odeio a maneira que o homem tem de pegar algo bacana e transformar num lixo. Na escola eu odiava estudar, mas depois que comecei a procurar as coisas por conta própria, descobri como o saber é prazeroso.

  2. Rita Says:

    Compartilho de seu entusiasmo e concordo com a Mayra - a escola é grande culpada em muita desilusão com a matemática por aí. Pode ser lindo, artístico, fascinante. Mas muitas vezes é chato e desestimulante.

    Bj
    rita

  3. Flavio Says:

    Outro dia ouvi um físico em uma palestra (brilhante) falar sobre os números primos na natureza. Ele falou sobre o ciclo de 17 anos que a cigarra leva em estado de pupa debaixo da terra. O número 17, primo, não é casual, é mais uma inteligência evolutiva. Um ciclo em número primo significa que as possibilidades de coincidir com outros ciclos, ou seja, potenciais predadores, ficam reduzidas. Então as cigarras saem, cantam até morrer, soltinhas, sem ninguém pra encher muito o saco. A matemática pode ser muito bonita nessas horas.

  4. Maria Fabriani Says:

    Exatamente minha experiência, Mayra e Rita.

    Que interessante, Flavio!

  5. Paulo Cesar Bezerra Says:

    Cara Maria:
    Cheguei ao Montanha numa busca “arvore de línguas” Google pois queria saber da ligação Grego/Latim. Estas duas línguas, e as suas descendentes, são responsáveis pela guarda de quase todo conhecimento gerado e documentado pela humanidade. O uso destas linguagens na fixação de informações do passado nos faz ver que a discussão do “Ser ou não Ser” no “O Sofista” de Platão, do “ser ou não ser” de Shakespeare em “Hamlet”, do “0” e “1” de George Boole em “The Laws of Tought” nos leva ao “bit”, o famoso “binary digit”.
    Se você gosta dos “mistérios da humanidade pense”: todas essas informações estavam gravadas em livros que são lidos pelos nossos olhos mas os arquivos de computadores não.
    A pergunta é: alguma copia dos arquivos do Montana vão existir em 2061? O Max pode garantir por alguns anos. Os papiros dos “Elementos” de Euclides jé têm mais de 2000 anos.

    Um abração. Muito obrigado pela informação sobre a “arvore de línguas” mas …, qual é mesmo a ligação entre o Latim e o Grego?

  6. Paulo Cesar Bezerra Says:

    Cara Maria:
    Acho que dá para sentir que eu gostei demais do Montanha Russa.
    Antes de falar de números primos e “A theory for everything” gostaria de fazer duas observações: 1)”As duas últimas árvores desse jardim da palavra humana (uhhhmmm, cafona isso, hein?) …” lembra dessa sua frase? Acho linda, minha cara! 2) Um pouco do “How to be alone”, sugiro que leia “Há momentos” de Clarice Lispector. Sou suspeito de gostar desse poema porque quando lí a primeira vez foi junto com a minha neta Clarice.

    Falando primeiro o assunto “A theory for everything”.Apesar de ser agnóstico cito Santo Agostinho em “Confissões”: “O que fazia Deus antes da criação do mundo?” Livro XI cap 12.

    - Mas eu digo, meu Deus , que sois o Criador de tudo o que foi criado. Se pelo nome de “céu e terra”… antes de criardes o céu e a terra, não fazíeis coisa alguma.

    Acho um belo exemplo para os homens das ciências que querem explicar tudo e, tudo que sabem é fruto única e exclusivamente das observações feitas com os seus parcos cinco sentidos e, ou, de extensões deles.

    Números primos. Que tal “polinômios primitivos”? Não são divisíveis por outro polinômio qualquer. A teoria de polinômios primitivos é usada na detecção e correção de erros em comunicação digital bem como na geração de números pseudo-aleatórios em criptografia. Faz quase 40 anos que trabalhei com isso. Me lembro muito pouco. Mas, é muito legal.

    Um abração, cuide do Montanha e muito sucesso.

    PS: O vídeo do “How to be alone” está maravilhoso. Acho que vou enviar para a minha neta.

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