September 3, 2011

O pulso ainda pulsa

Fomos ao Rio no verão daqui (inverno de lá). Max conheceu a cidade em que a mãe nasceu e viveu durante 29 anos, o avô (com quem antes apenas havia falado no Skype) e a praia de ipanema (se jogava, de roupa e tudo, na água, não aguentava esperar e nunca mais queria sair da água, nem mesmo quando os lábios ficavam azuis de frio). Tomou sorvete, bebeu água de côco (e não gostou), brincou na areia e até fez amigos cariocas. Falou português também, quando precisou. Visitamos o jardim botânico três vezes, brincamos e tomamos muito suco de fruta.

Andamos pelas ruas do Rio, os três. Na verdade, essa era uma necessidade minha; de sair andando, vendo as coisas, ouvindo os barulhos (altíssimos), sentindo os cheiros (fortíssimos) das ruas do Rio. Andamos muito, até que descobri que minha família não tinha essa necessidade. Então passamos a andar de ônibus, de metrô e de táxi. Às vezes os motoristas de táxi ou os passageiros dos ônibus comentavam sobre Max, que nunca parava de falar em sueco e comentar o que via. “Que língua ele fala?”, “Quantos anos ele tem?”, “Só três? E já fala uma língua estrangeira?” Hohoho.

Nos sentimos muito seguros no Rio. Nenhum problema. E, no final, o tal do aperto no coração aconteceu, como era de se esperar, mas inesperadamente (?) fiquei feliz em voltar pra “casa”. Aqui também estava tudo bem, mas uma família de porcos-espinho tinha se instalado no jardim e achou muito estranho ter que dividir o espaço com seres tão grandes e barulhentos. Trouxemos pouquíssimas coisas, mais livros em português, pequenas lembrancinhas, uns dois ou três presentinhos. O que mais aconteceu nessa viagem foi reencontrar pessoas amadas. E chega.

Aqui, mudei de emprego. Estou adorando.

No entanto: não me sinto mais livre o suficiente para escrever aqui. Tenho a sensação de que escrevo sobre o que está bem perto de mim, o que necessariamente é influenciado, por exemplo, pelo meu trabalho. E o meu trabalho não pode ser comentado, a não ser em termos gerais, sem detalhes específicos. E eu não sou boa em generalizações - ou, eu não gosto de generalizações. O texto fica fraco, vago, sem interesse. Gosto de detalhe, gosto de casos específicos, gosto de dizer o que penso sobre um determinado assunto. Ainda não sei como resolverei esse dilema (talvez um blog sem assinatura?), mas tenho pena por ter perdido a possibilidade de ser mais aberta sobre o que penso.

E eu completei 40 anos no Rio. Ainda não sinto crise alguma. Acho que ela deve vir quando eu completar 50. E Max completou quatro anos. Os quatro anos mais intensivos da minha vida. Minha impressão é que meu filho sempre esteve comigo. Que ele e eu dividimos tudo não há quatro anos mas há quarenta.

12 Responses to “O pulso ainda pulsa”

  1. Marcos Says:

    Maria, adorei estar com voces!! Beijos já com saudades!!

  2. helo Says:

    Maria, gostei muito de ter noticias suas! Mesmo se vc der 1 tempo aqui, adoraria “manter o contato” e quem sabe 1 dia te encontrar (dá 1 pulo aqui!!!). beijo grande, Helô

  3. Marcia Says:

    Querida Maria,
    Como esperei por esse post!!! :) Morri de rir com o “já fala outra língua”.
    Hoje vi uma coisa que achei a cara do Max. Não resisti e comprei. Depois eu coloco no correio.
    Por sua causa, coloquei a Colombo na minha lista de TO DO pro Brasil.
    Beijos!

  4. Delma Says:

    Oi Maria

    Sempre apareci aqui para ver se vc escreve. Mesmo que espaçado, nao deixe de escrever…
    O Max deve ter chamado bastante a atenção das pessoas… rs

    Um beijao e tudo de bom

  5. Letícia Says:

    Maria, eu leio seu blog há um bom tempinho já e nunca comentei. Eu tou aprendendo sueco (só por querer aprender, mesmo, sem intenções de ir morar aí nem nada) e adoro seus posts sobre a cultura local, dicas de livros etc. :) Espero que você não deixe de escrever, eu sentiria falta.

  6. Maria Says:

    Beijo, Marcos!

    Helo, se formos a Londres pode deixar que te dou um toque. :)

    Querida Marcia, vocês têm que ir à Colombo no forte de Copacabana. É um espetáculo sentar lá, vendo a orla de copacabana inteira, ouvindo o mar e tomando café da manhã… Uma delícia! (sobre o presente, queridoca, fico até sem graca!)

    Obrigada, Delma e Letícia, sempre que puder quero escrever aqui sim. Só não sei como. :)

  7. Mayra Says:

    O sonho foi ótimo: estava na Suécia e fui te fazer uma visita, vc me mostrava as fotos do seu casamento :)

    Quem diria? Tantos posts sobre o medo de não conseguir emprego na Suécia, agora até arranjou outro!

    Bom, se este foi um “post ligeiro”, espero q venham mais.

    Um beijão,

    Mayra.

  8. Tereza (Bruxelas) Says:

    Como eu te entendo, Mary. Meu dilema é o mesmo. Porisso fui parando de escrever no blog, aos poucos, mesmo se escrevo muito pra mim mesma. Mas não publico. Não tenho mais necessidade disso. Conheci muita gente legal através dos blogs mas agora a coisa evoluiu pra mim. Ainda leio alguns blogs e gosto, mas também vi a mudança acontecer com todos os blogueiros. Enfim, é a evolução, é a vida.
    Bjs

  9. Felicia Says:

    Que bom ter notícias suas! Felicidades!

  10. Sula Carvalho Says:

    Que delicia voces se divertindo no Brasil. Eu conto os dias para levar o meu filhote para conhecer a terrinha tambem.

    P.S:Voce sabia que antes de me mudar para a Suecia li seu blog INTEIRINHO!? Eu nao sou nenhuma “stalker” mas aprendi e ainda aprendo muito com suas experiencias. Eu falo sempre pro meu sambo: “A moca de Boden… fez assim ou assado”.

    P.S.S: Feliz aniversario!

  11. Maria Lídia Says:

    Maria, boa noite.

    Não deixe o blog…mesmo que escreva pouco. Se precisa ser reservada em relação ao seu trabalho, tudo bem…mas, não suma!
    Um abraço.

  12. MªAlice Says:

    Que legal a descrição da sua viagem! Continue contando as histórias do Max, suas adoráveis “elucubrações” (eeee palavrinha que é um palavrão) como mãe, já que os assuntos do trabalho não podem ser divulgados…
    Bjs

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