June 1, 2010

“Ship to Gaza”

“Ship to Gaza”. Não se fala de outra coisa.

O comboio de navios com ajuda humanitária com destino à Gaza e que foram abordados em águas internacionais pelo exército israelense. Muitos suecos viajavam em vários navios. O docente Mattias Gardell, um dos responsáveis pela ação, e a mulher dele, Edda Manga, que estavam no navio Mavi Marmara quando os israelenses atacaram e mataram 10 pessoas, ainda estão desaparecidos.

Ontem milhares de suecos saíram às ruas do país inteiro pra protestar contra a agressão israelense. Políticos querem que a Suécia mande buscar o embaixador do país em Israel. Ninguém compreende a brutalidade israelense. Muitos ponderam que o fato do exército ter abordado os navios em águas internacionais é suficiente para qualificar a ação israelense como pirataria.

O escritor Henning Mankell, a médica Viktoria Strand, o parlamentar do partido verde sueco Mehmed Kaplan, o artista Dror Feiler e o organizador do projeto “Ship to Gaza” Saman Ali, todos viajando no navio Sofia, foram apresentados com duas escolhas: ou concordavam em ser extraditados ou seriam presos a espera de julgamento. As informacões que chegam aos jornais é que Mankell, Strand e Kaplan teriam sido conduzidos para o aeroporto Gurion para transporte.

O que aconteceu com os outros dois ninguém sabe. O governo israelense não dá qualquer informação. Provavelmente eles estão fazendo companhia a outros quatro suecos enjaulados na prisão de Beersheba: Ulf Carmesund, teólogo e secretário internacional da Broderskapsrörelsen (grupo cristão dentro do partido social-democrata); Henry Ascher, pediatra e cientista especializado em saúde de imigrantes/refugiados; Kimberly Soto Aguayo, membro dos grupos de apoio à Palestina na Suécia e Amil Sarsour, líder de uma organização de ajuda a imigrantes na cidade de Uppsala. Todos viajavam no navio Sfendoni.

O departamento de assuntos exteriores da Suécia está em Israel pra apurar a situação dos suecos desaparecidos e os que estão na prisão. O ministro sueco de relações exteriores, Carl Bildt, um cara meio chato, disse que não é hora de mandar o embaixador nativo voltar a Estocolmo. O negócio é colocar pressão no governo israelense para que a situação não piore ainda mais.

Aqui o link da página “Ship to Gaza”. Incrivelmente, tem uma versão em português.

A palavra em sueco do dia é bedrövelse, não tem tradução exata, mas pode ser lido como aflição, angústia, pesar, desgraça, miséria, dificuldade ou luto.

3 Responses to ““Ship to Gaza””

  1. Carla Abramovich Says:

    Oi Maria, leio o seu blog há muito tempo e vez ou outra comento por aqui. O “navio pacifista” com “ajuda humanitária” poderia ter usado os mesmos canais usados pela cruz vermelha ou memso tendo aportado no porto de Ashdod como Israel sugeriu nao? Que tipo de pacifista ou humanista iria fazer questao de nao parar diante de uma blitz? Se eu decidir me aproximar o Irã ali pelas águas do Golfo Pérsico, numa embarcação israelense, quais são as chances eu tenho de sair vivo desse meu ato humanitário?
    Nao acredito que nenhum sueco vá perecer em alguma prisao em Beer Sheva até a suposta brasileira já está a caminho de casa; ( da forma que ela escolheu é é óbvio, pq anonimamente nao teria graça). De qqr forma melhor estar preso em Israel do q no Ira, no Yemen ou na Coréia do Norte, tenho certeza absoluta de q os suecos assim como todas as pessoas de bem q estavam naquele barco voltarao para casa sao e salvos.
    Algum post sobre o navio da Coréia do Sul recentemente afundado pela Coréia do Norte?
    http://www.mfa.gov.il/MFA/Government/Communiques/2010/Increased_humanitarian_aid_Gaza_after_IDF_operation_Jan_2009

    Pacifistas? Eu tenho minhas dúvidas:
    http://www.memri.org/clip/en/0/0/0/0/0/0/2489.htm
    Muito cedo pra julgar, me lembra o caso da brasileira (Paula Oliveira) supostamente atacada por xenófobos na Suíça.
    Mas o tempo dirá, eu como sempre sinto muito pelas vidas estupidamente perdidas por vivermos em mundo estúpido onde pessoas nao se toleram e sao preconceituosas;

    Beijo grande;

  2. Sula Carvalho Says:

    É, a situação está feia. O ato do governo de Israel é realmente injustificável. Mas, estive algumas vezes em Israel, de navio, e sempre tínhamos problemas no porto pois é a forma mais fácil de entrada de armamento no país. Enquanto estive lá, não aconteceu uma, mas duas vezes de armas serem encontradas em embarcações comerciais vindas de outros países islâmicos, a segurança deles é apertadíssima e os caras não estão de brincadeira. Mas só mesmo estando em Israel para ver que as ações do governo não necessariamente representam a opinião do seu povo, que só quer paz, está cansado de guerra e não tem nada a ver com as brutais decisões do governo.

    Sula (leitora silenciosa do seu blog ha muito tempo)

  3. Maria Lídia Says:

    Eu tento gostar desse povo, mas, quando lembro dos ataques a Sabra e Shatila não há como não gostar dos palestinos…não mesmo. :-(

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