May 24, 2002

Racismo na Escandinávia

Depois de um oportuno e-mail do Tom Taborda, achei que esse era uma assunto interessante. O Tom me mandou um link com o site feito por uma americana que está vivendo há um ano em Copenhagen e escreveu textinhos curtos e interessantes sobre as esquisitices dos dinamarqueses. E uma das características que ela notou é que os dinamarqueses são bastante “restritos” no que diz respeito às diferencas. Segundo a americana, vive-se na Dinamarca sob o moto “We are open to anyone exactly like us”.
Tom perguntou sobre as diferencas e semelhancas entre Dinamarca e Suécia e achei que seria um assunto interessante pra tratar aqui, já que muita gente me pergunta como é viver em um país tão diferente. Bom, a Suécia tem uma política de aceitacão de refugiados e imigrantes muito eficiente e que dá todo o tipo de apoio a quem vem pra cá por pura falta de opcão de morar em seu próprio país. Os refugiados têm escola, moradia, assistência médica de graca além e ajuda monetária do estado.
Além do que, a própria sociedade sueca é mais tolerante quanto às diferencas. É claro que há extremos racistas, mas não chegam nem perto à Dinamarca. O pessoal mais barra-pesada contra os imigrantes fica em Malmö, cidade que, aliás, já foi dinamarquesa, mas que foi anexada pela Suécia por meio de uma guerra (link em sueco, sorry. A Suécia lutou com Dinamarca, Rússia, Polônia e Alemanha, entre outros, várias vezes de 1500 até 1800. Veja aqui um texto em inglês, mas o ponto de vista é dinamarquês!). Mas esses problemas em Malmö são locais e de modo algum se espalham pela Suécia inteira.
Mas essa questão de diferencas de política de refugiados entre Suécia e Dinamarca está pegando fogo aqui. É que esta semana, a líder do partido de direita Folkpartiet dinamarquês, Pia Kjaersgaard, uma política importante do governo daquele país, está ameacando fechar a Öresundsbron, ponte que une os dois países. A causa: a ministra da integracão sueca, Mona Sahlin, vem criticando o extremismo dinamarquês no que diz respeito à imigracão. Estou seguindo a discussão pelos jornais e está ficando cada vez mais quente.


Dinamarca: vamos fechar a ponte entre os dois países
Hoje, sexta, um dos jornais que eu leio aqui, o NSD – Norrländska Socialdemokraten, publicou uma página de opinião sobre o conflito. Achei interessante. Veja só: a jornalista que escreve a coluna, Josefine Elfström, diz que a crítica da ministra Mona Shalin não foi desproporcional, como protestou Pia Kjaersgaard. O problema todo é que a Dinamarca está para assumir a lideranca da Comunidade Européia agora no verão (inverno aí no Brasil) e teme-se que essa questão momentosa dos refugiados na Europa receba um tratamento extremista. A Suécia lidera o bloco de nacões-membros da CE que não estão alinhados à política intolerante dinamarquesa. A Suécia, governada por socialistas, é totalmente contra essa demonizacão dos refugiados e tem uma política sólida que oferece apoio de todas as formas a quem é obrigado a deixar seu país.
A Josefine continua: “A líder do partido de direita Folkpartiet, Pia Kjaersgaard, escreveu em sua carta da semana: Se eles querem transformar Estocolmo, Gotemburgo e Malmö em uma Beirute escandinava, com guerra de clãs, assassinatos por honra e estupros em massa, então que deixe eles fazerem isso. Podemos sempre colocar uma barreira na ponte de Öresund”.
Essa cacatua infeliz faz referência a um crime que de fato aconteceu recentemente na Suécia – um pai de origem Curda matou com um tiro na cabeca a filha, nascida na Turquia (eu acho) mas criada desde bebê na Suécia e que só queria namorar rapazes suecos e não quem a família mandasse. O nome dela era Fadime e o crime levantou grandes discussões em todo o país porque a família da Fadime já vivia na Suécia havia mais de 20 anos e, no entanto, esse pai nunca aprendeu sueco. Ele está sendo julgado agora com a ajuda de um tradutor, só pra vocês terem uma idéia. Depois de mais de 20 anos morando aqui. O cara vai ser mandado de volta para seu país de origem. Mas também não tem essa de “estupros em massa”. Isso é papo de direitista ensandecido.
A Josefine afirma: “Todos os refugiados na Dinamarca precisam fazer um exame de saúde antes de requisitarem asilo, porque o servico de saúde público não cobre as doencas pré-existentes. Na Suécia o sistema de saúde público não faz diferenciacão entre doencas pré-existentes e novas. Todo mundo tem direito a cuidado médico.” E continua: “Não podemos dizer que a nossa política de integracão é perfeita. Não é. Mas sem dúvida alguma todos os partidos suecos têm uma visão mais humanitária do problema”. E têm mesmo, porque até o Lars Leijonborg, líder do Folkpartiet sueco - equivalente ao partido da dinamarquesa enlouquecida - condena o tratamento conferido pelo estado dinamarquês aos refugiados.

Filed under: Europa & Escandinávia,Irritação e ironia,Vida de imigrante — Maria Fabriani @ 12:42

One Response to “Racismo na Escandinávia”

  1. :: Montanha-Russa 4.3 :: » Democracia racial? Fala srio. Says:

    […] Leia mais sobre esse assunto nos meus posts antigos: A Europa da excluso, Que coragem!, Sem drama, Mais 20 anos pela frente, Voc no bem-vindo, Notcias do Primeiro Mundo V e finalmente Racismo na Escandinvia. […]

 

Bad Behavior has blocked 1775 access attempts in the last 7 days.