O boicote
É muito engraçado: quando recomeço a escrever aqui, parece que abrem-se as porteiras da minha cachola e várias idéias pululam, tentando chamar minha atenção, tipo assim, “me escreva! me escreva!”. O problema é que na sua maioria essas idéias são apenas pequenas pedrinhas de pensamento, coisas que ando matutando há tempos mas não sei como desenvolver. Mas, como estou atualmente me jogando de cabeça nisso aqui, lá vai.
Gosto de esporte - principalmente daquele praticado pelos outros e ao qual possa assistir aconchegada no meu sofá - mas essa coisa da olimpíada chinesa me tira do sério. Há semanas meu jornal escreve uma série de reportagens sobre as mudanças que os chineses estão tendo que enfrentar pelo “bem maior”, a coisa do desenvolvimento etc e tal. E é um tal de famílias sendo forçadas a deixar suas casas habitadas a decênios, gente sofrendo, criança chorando, famílias separadas pela mão inclemente do partido.
Sem falar nos jornalistas aprisionados por criticarem o regime, aquela coisa feita de homens para homens. Isso, aliás, me provoca deveras: repare bem nas imagens das reuniões dos parlamentos de China, Rússia, Irã etc. Só tem homem. Isso é um dos maiores absurdos da face da terra. Aí você vai ver quem são os agraciados dos prêmios humanitários europeus, só dá mulher iraniana, paquistani, vietnamesa. Não há então como negar que vontade de mudar existe, só que as mulheres desses países têm uma dificuldade imensa de penetrar o establishment político e econômico local.
Mas, voltando à vaca fria: vou boicotar as olimpíadas. Não, vocês não me veríam mesmo desfilando sob a bandeira brasileira no estádio estranhão de Pequim, mas meu sofá vai ter uma chance de recuperação durante as duas semanas dos jogos. Meu boicote será facilitado pelo fato de eu trabalhar muito e de passar o resto do meus momentos livres com Max, além do horário ingrato dedicado às competições por conta do fuso horário. Porém: boicote ou não, torcerei intensivamente e à distância pelo vôlei brasileiro.
A palavra em sueco do dia é bojkott, boicote.

July 29th, 2008 at 09:22
Maria,
eu bem queria boicotar as olimpíadas… mas é mais forte do que eu… hehehehe…
já estou aqui ansiosa pra os jogos começarem pra ver se consigo ver algo do Brasil na TV
beijos!
July 29th, 2008 at 11:58
Mercia, há que haver coragem e resistência!
Mas boa sorte na procura do Brasil na TV. Algo me diz que você vai precisar.
July 29th, 2008 at 20:02
Maria, a respeito do post anterior, queria lhe recomendar (não sei se já leu?) Garcia Marquez, especialmente um que estou re-lendo agora, el amor en los tiempos del cólera. Eu lí há um bom tempo e então não tinha me deliciado com a prosa tão, tão, como dizer, gostosa de ler. Eu quis ler de novo antes de ver o filme, que segundo ouvi não faz jus ao livro… mas quero ver mesmo assim.
abs
July 29th, 2008 at 22:06
Maria, é muito gostoso ler seu blog com novos posts. No post anterior você pedia dica de um livro, aí vai a minha: D. Flor e seus dois maridos, de Jorge Amado. Não sei se você já leu, mas vale a intenção, é muito bom. Abraços!
July 29th, 2008 at 22:35
Eu já boicoto as Olimpíadas faz muitos anos (talvez 2 décadas? Nossa estou velho). Não existe mais nada do conceito original das provas serem disputadas por atletas amadores, então não vejo mais sentido em acompanhar.
July 30th, 2008 at 05:15
Oi, Maria, já li Garcia Marquez sim, mas foi há muito tempo. Talvez seja a hora de relê-lo? Bacana a dica, obrigada!
Ah, Jorge Amado é sempre uma boa dica, Lilian. Já li vááários dele. O que gostei mais foi “Mar Morto”. Esse da dona flor eu nunca li. Valeu!
Pois é, Mauro, eu não sou muito boa em boicotes. Mas nessa eu realmente vou fazê-lo.
July 31st, 2008 at 01:45
Que bom você voltou!
Quanto à China, não aguento mais os jogos antes deles começarem. Chance mesmo de medalha de ouro para o Brasil se conta nos dedos de uma mão, de presidente. Mesmo assim fazem um carnaval desproporcional, um saco.
July 31st, 2008 at 19:31
Oi de novo! Só para dizer que me deixou feliz coincidir com você no “Meu Livro Preferido de Jorge Amado”.
August 1st, 2008 at 14:40
Hehehe, querido Marcus, que bom que voltei a encontrar tempo pra escrever pra poder receber os seus comentários tão bacanas.
Valeu!
Hahaha, tá vendo, Roger!? “Mar Morto” é liiiindo. Sempre adorei.