July 28, 2008

Exigente

Tô passando por uma dificuldade enorme de encontrar livros que goste de ler. Não pode ter qualquer referência a crianças (principalmente meninos) que sofrem, são mortos, têm fome (emocional ou física), são seqüestrados ou coisas que o valha. Não quero ler sobre sofrimento desemfreado, aquela coisa tão crua que me dá angústia. Também não estou interessada em ler ficção metida a besta ou romances que investigam novas formas em detrimento do conteúdo.

O que quero tem que ser leve sem ser leviano, simples sem ser simplório, concentrado sem ser curto e grosso. Quero que o livro que escolher me resgate da minha realidade rame-rame mas, ao mesmo tempo, me faça pensar. Que me surpreenda, me deixe de queixo caído, me inspire, me dê algo em troca das horas investidas lendo as páginas do livro. Se um livro me garantir apenas uma dessas coisas listadas aí em cima já estou feliz.

Tava pensando em investigar Jenny Diski mais uma vez. Mas como já li tudo não-ficção dela, achei melhor não prosseguir (medo de uma possível decepção). Um dos últimos livros que li e que me deixou feliz da vida foi um do Dennis Lehane, “Shutter Island”. Fui tentá-lo novamente e me deparei com “Gone, baby, gone”. Li, lá em 2006, antes da minha vida mudar. Agora voltei aos clássicos, como Truman Capote (ótimo) e Tolstoi, por segurança.

Dois livros da Doris Lessing (ambos da série Martha Quest), um da Toni Morrison, e um da Virginia Woolf esperam para serem lidos. Ganhei de Cristina, mulher do meu pai e mãe do meu irmão, um em português, escrito por um argentino, que também está à espera. Nesse momento leio “O perfume”, e já estou meio de saco cheio. Sabe-se lá o por quê. Talvez pela esquisitisse geral do livro, talvez pela gouchisse geral da leitora.

Na verdade, tô achando é que estou de saco cheio de ler em sueco. Acho que vou começar a requisitar livros em português na minha biblioteca local. Alguma dica?

A palavra em sueco do dia é krävande, exigente.

Filed under: Livros,Variedades,Vidinha — Maria Fabriani @ 12:35

16 Responses to “Exigente”

  1. Mauro Says:

    Eu também estou meio sem saco de ler qualquer livro… até não muito tempo atrás eu lia (quase) qualquer coisa, mas hoje em dia se o livro não prende a minha atenção logo, desisto. Esquisito.

    Não tenho nenhuma recomendação que eu ache que você vá gostar, infelizmente. :-|

  2. Maria Fabriani Says:

    Pois é, Mauro, vocë é como o meu urso, só gosta de fantasy, né? E será que essa canseira tem a ver com a idade? :(

  3. Elaine Says:

    Mas de toda forma se vc não souber sobre o que escrever, filosofe um bocado, porque é sempre bonito quando vc escreve.

  4. Amanda Says:

    Li recentemente “O Físico”, de Noah Gordon, e “A Sombra do Vento”, de Carlos Ruiz Zafon. Amei os dois…

  5. Tereza (Bruxelas) Says:

    Sobre minha viagem, thanks, Mary, espero poder aproveitar bem este ano, porque da outra vez (em 2006) eu tava doente e sem gosto pra muita coisa. Deve ser porisso que tô com tanta saudade do pessuar de lá :o))
    Nem posso te aconselhar sobre leitura. Eu tô sofrendo do mesmo “mal” e o único livro que consigo ler, aos pouquinhos, é “Anticancer” de David Servan-Schreiber (porque três pessoas ao meu redor descobriram que estão com câncer (eu hein?). Toc, toc, toc, na madeira, “isola” três vezes.
    Quanto à escrita… eu acho que sei o que é isso, mas nunca tive blog antes de ter filho, então nao sei se sei bem o que você está sentindo. Mas deve ser as prioridades que mudaral, né nao?

  6. Marcita Says:

    Maria, quem sou eu para indicar um livro? Mas o farei, de qualquer maneira:
    1) Ensaio sobre a cegueira, José Saramago
    2) Mary Poppins (Por que não?)
    3) As Horas
    4) A Festa de Babete
    5) A Fogueira das Vaidades
    6) Timbuktu
    7) Diário de Viagem (Albert Camus)
    8) Esperando Godot.
    Tirando Mary Poppins, que ficou no Brasil, tenho todos aqui. Se quiser, te empresto.

  7. Flavio Cafiero Says:

    Fá, estou lendo e relendo Machado de Assis, aproveitando o centenário da morte. Tá valendo a pena e com esse vc não vai sofrer. Li Cees Noteboon, holandês, e gostei. Em português, leitura boa para a geração 80 é Mãos de cavalo de Daniel Galera. Tb li o Caio Fernando Abreu, de quem nunca tinha lido nada e gostei. Mas esse é mais punk. Por causa do teatro li tb muito Shakespeare esse ano. uma visitada em Hamlet, Romeu e Julieta e Sonho de Uma noite sempre vale a pena. E se não estiver a fim de ler, ESCREVA. Vc escreve tão bem! Bj

  8. Maria Fabriani Says:

    Obrigada, Elaine, tenho certeza que você está exagerando, mas mesmo assim, obrigada. :)

    Valeu, Amanda. Já tentei ler um do Zafon e deixei no meio. Mas acho que foi porque eu tô é chata, não por culpa dele. Valeu.

    Tetê, queridoca, ler coisa sobre doença NEM PENSAR! Hohoho. Beijocas e boa viagem! :)

    Marcita, que boas dicas! Sabe eu eu nunca li Saramago? Nos comunicaremos quando eu terminar de ler os livros da minha lista. Valeu! :)

    Flavio, querido, quanta dica boa. Esse Daniel Galera eu nunca ouvi falar. Caio Fernando Abreu eu já li e gostei, mas li quando eu é quem estava punk. Agora nem pensar. De Shakespeare li Romeu e Julieta há séculos, mas acho os outros muito difícil pra Maria de agora. Machado pode ser uma boa. Estou tão pra lá de baguidá que nem sabia do centenário. :0

  9. Angela Says:

    Oi Maria,
    Eu adorei Catedral do Mar :o) , de Ildefonso Falcones. Nao consegui parar de ler! E, o livro é que nem o título do seu blog: uma Montanha Russa :o) A mim me surpreendeu e me deixou de queixo caído :o))) E, aprendi várias coisas da época medieval que eu nao sabia: o livro mostra um lado cruel, mas também um lado tao, tao, tao bonito! Eu amei :o)
    Bjs,
    Angela

  10. Eline Says:

    Olá, Maria!
    Que engracado, vim visitar o seu blog a procura de dicas de livros e me deparo com um pedido de dicas!
    Eis as minhas dicas para você:
    - Oscar Wilde: The Importance of Being Earnest
    - Douglas Adams: Guia do Mochileiro das Galáxias
    - Marjane Satrapi: Persepolis (a autora, iraniana, relata sua vida em forma de quadrinhos)
    - Anne Fadiman: Ex-Libris

    Divirta-se com as leituras! =)

  11. Maria Fabriani Says:

    Oi Angela, esse autor eu nunca ouvi falar! Interessante. Obrigada pela dica.

    Oi Eline, os dois primeiros eu conheço. O Douglas Adamas eu começei a ler e desisti, achei meio chato (mas gostei do filme). O Oscar Wilde é um clássico e pode ser uma boa pedida.. Essa Marjane Satrapi eu acho que já ouvi falar, ainda mais contando a história em quadrinhos… Mas posso estar enganada. O último eu nunca ouvi falar. Bacana mesmo suas dicas, obrigada!

  12. maria Says:

    Olá Maria!

    Esta é a segunda vez que comento! A primeira foi quando o seu filho nasceu, falta menos de quinze dias para fazer um ano.
    Ele está lindo, um “rapagão” como se diz aqui em Portugal e é claro que uma criança quando chega nos faz mudar as prioridades.
    Também não sei se é da idade (quase 49) mas o que sei é cada vez me interessa menos encarar a violência gratuita, a injustiça social, sei lá. E se me “ausento” por uns dias desse mundo cruel que persiste, mesmo que eu não o queira ver, logo me apercebo que não adianta fazer de conta que tudo está bem. O difícil mesmo é aprender a viver sem me angustiar e levando aos outros (família, amigos, colegas de trabalho, vizinhos, …) um pouco de paz e de serviço também.
    Tendo nascido e crescido em Angola (Áfica)e sem lá pisar vai para 30 anos, não deixo nunca de me interessar pelo País, pela cultura, pelas pessoas, pelo que de bom vai acontecendo por lá.
    E porque as dicas valem o que valem, atrevo-me a recomendar Autores Angolanos, que escrevem em Português (a Língua Oficial) e que eu pessoalmente adoro:

    Manuel Rui - “Quem me dera ser Onda”

    José Eduardo Agualusa - “Um Estrangeiro em Goa” ou “As Mulheres do meu Pai”

    Pepetela - “A Parábola do Cágado Velho” ou “Lueji - O Nascimento de Um Império” ou “O Desejo de Kianda”

    Ondjaki - “Quantas Madrugadas tem a Noite” ou “Os miúdos da minha rua”

    Qualquer um deles eu recomendo. Pepetela e Agualusa são autores mais do que reconhecidos no Mundo Lusófono e Agualusa está traduzido em vários Países Angol-Saxónicos.

    Já Ondjaki, da geração pós-independência de Angola, tem sido uma descoberta maravilhosa.

    Bem, e para terminar este comento que já vai longo, refiro ainda Mia Couto, autor moçambicano que reinventou a Língua Portuguesa.

    Boas Leituras e tudo de bom.
    Maria, em Portugal

  13. Roger Says:

    Oi Maria!

    Faz tempo que não passava por aqui… Não por falta de vontade, mas porque você estava escrevendo menos (ou eu tinha essa impressão). Gostei de poder ler tantos posts novos. :)

    Minha dica (só comecei a ler, OK?, não posso garantir nada, mas estou gostando muito): um romance leve, engraçado, diferente, fresco, “adrenaline-powered” (segundo um crítico) e novo (algumas das coisas que você queria, acho): The Brief Wondrous Life of Oscar Wao, de Junot Díaz.

    Parabéns, e um beijo! :)

  14. Maria Fabriani Says:

    Mariam que show de dicas, obrigada! O Mia Couto eu já conhecia, até publiquei aqui no blog uma carta que ele escreveu acho que pro Bush e que é uma das melhores coisas que eu já li na minha vida. Obrigadíssima pelas dicas todas. Vou sem dúvidar tentar experimentar alguns. Valeu! :)

    Roger, acho que temos um gosto literário similar, então estou quase comprando esse daí, mas queria ler em português, será que não tem não? Valeu!

  15. Roger Says:

    Oi Maria! Eu também acho!

    Já li mais da metade e estou achando o livro bem legal. E é bom no original inglês, porque tem muitas frases em espanhol, muito spanglish, já que é a história de uns imigrantes da República Dominicana em Nova York. Não achei o livro traduzido ao português ainda. No site da Livraria Cultura só tem o anterior, Drowned, Afogado, pela Record, que eu não li. Pode ler, talvez já tenha lido, contos dele na New Yorker, para ver se gosta do estilo.

    Beijos e boas leituras!

  16. Maria Fabriani Says:

    Valeu pela dica mais uma vez, Roger. Vou ver sim.

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