November 18, 2007

Selvagem

Li a entrevista de Sean Penn concedida ao jornalista Nicholas Wennö do meu jornal e fiquei irritada. Não, não tenho nada contra o ator/diretor que, aliás, considero um dos poucos artistas de Hollywood com alguma coisa na cabeça além de cabelo. Mais do que isso, Penn tem é guts. É feio-charmoso e bacana, inteligente, engajado. Gosto dele. Mas aí li que ele dirigiu o filme “Into the Wild”, baseado no livro homônimo de Jon Krakauer. O filme está sendo/será/foi mostrado no Stockholm International Film Festival.

Li esse livro em 1998, em Nova York, onde passei um mês maravilhoso durante minhas primeiras férias de trabalho. Naquela época era repórter da Internet World e consegui passar trinta dias na Big Apple afiando meu inglês. Morei num quarto de estudante no Upper East Side e tive algumas das experiências mais bacanas da minha vida. Fui a um musical e odiei, chorei quando ouvi uma banda no Cotton Club no Harlem, testemunhei in loco o caso Clinton-Lewinsky, vi o Spike Lee no Madison Squire Garden durante um jogo de basquete entre o Indiana Pacers e o NY Knicks que assisti com um italiano gay e maluco, fui a um balé no Lincoln Center com váááários mineiros de Bêagá, assisti “As Good As it Gets”, “Titanic” e “Wag the Dog”, gastei uma fortuna em presentes pro meu irmão na lojinha do Museu de História Natural, passeei todos os dias pelo Central Park, fui a Nova Jersey comprar rip-offs num outlet e voltei pro Rio penniless.

Foi ótimo!

E o primeiríssimo livro em inglês que li, deitada na cama do meu quarto de estudante em Nova York, ouvindo as sirenes das ambulâncias onipresentes, foi justamente um exemplar de “Into the Wild”, que havia comprado na Barnes & Nobles one block away from my home e onde sempre dava uma passada ao sair do metrô, depois de um dia inteiro de aula de inglês, ministrada num edifício ao lado do World Trade Center. Fiquei impressionadíssima com a história de Chris McCandless, de 22 anos, que em abril de 1992, entra sozinho numa reserva natural do Alasca pra nunca mais sair. Ele tinha resolvido viver de forma simples, citava Thoreau e a filosofia de volta à natureza, aos básicos, à vida simples, de Russeau.

Fiquei irritada porque, quando me mudei pra Suécia, o “Into the Wild” foi um dos livros que eu doei e que, por isso, não me acompanhou até aqui. E eu queria reler a saga de McCandless. Afinal, apesar de não ser adepta de Thoreau, eu vivo, de fato, na tundra. (Update: não me aguentei e comprei o livro novamente. Vou me dar de natal. Nessa altura do campeonato, todas as desculpas valeriam. Hohoho)

A palavra em sueco do dia é obygd, lugar selvagem (= wilderness).

Filed under: Jornal,Livros,Saudade,Vidinha — Maria Fabriani @ 07:29

5 Responses to “Selvagem”

  1. Patrick Says:

    Oi Maria, tudo bom? Belo de relato. Coincidentemente, eu tenho o mesmo plano, passar um mês de férias estudanto inglês e conhecendo Nova Iorque. Você poderia dar a dica da hospedagem e do lugar onde fez o curso?

  2. Naluh Says:

    Esse livro é facílimo de achar aqui. Se vc quiser, eu mando para vc. Me avisa!
    Beijo e queijo!

  3. Ana Flavia Says:

    Boa dica! Amanha vou na biblioteca pegar esse livro. Fiquei curiosa! Sera que o filme esta a altura do livro? Sempre tenho os meus receios com relacao a filmes baseados em livros…muitas vezes deixam a desejar…

    Beijocas, AF

  4. Margot Abirato Says:

    :o) Comecei a ler e pensei: não será possível que a Maria tenha ficado brava com o SEan Penn, não com ele! :o) Valeu pela dica dupla, vou tentar um dia, ler o livro também. Ah, e a foto do sol nascente está assim, linda. Beijo.

  5. Maria Lídia Says:

    Maria:

    Vejo seu blog há mais de uma ano, quase que diariamente.
    Parabéns também pelo Max.
    Você já leu “A terra dos meninos pelados”?…é de Graciliano Ramos.
    Quando Max estiver grandinho irá gostar.
    Eu li em menos de 2 horas na própria FNAC da Av. Paulista, enquanto esperava o resultado de um exame da minha filha.
    Se você quiser, posso mandar para você.
    Um abraço.
    Ah, sou farmacêutica-bioquímica e tenho 52 anos.
    Lídia.

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