July 30, 2007

Passagens

Quem me conhece sabe que passar a ferro nunca foi um dos meus passatempos prediletos. Aliás, a verdade é que minha aversão é tanta que costumo dizer que a atividade vai contra minhas mais profundas convicções religiosas (que incluem, entre outras, tratar ao próximo como gostaria de ser tratada; não judiar de animais e crianças; viver, na medida do possível, uma vida independente; respeitar os pontos fracos dos amigos e inimigos (esse é difícil); além de nunca desperdiçar meu tempo e energia elétrica com atividades inúteis e repetitivas).

Afinal, qual o problema em se dormir com um lençol amassadinho? Não fazemos isso todas as noites, depois da “inauguração” da roupa de cama, no dia em que trocamos? E sou contra passar roupa também. Tudo bem que fica-se mais bem apresentado, como minha avó dizia (aliás, parabéns, vó, onde quer que você esteja, pelo aniversário ontem!), mas minha aversão consegue me convencer que ninguém vai se importar com minhas roupas mais do que eu mesma, então, a decisão é pretty simple: o ferro quase nunca sai do armário.

Mas nesses últimos dias ele não apenas tem saído do armário como, pior, tem permanecido do lado de fora. A coisa é que com a chegada de Max, há que haver uma certa medida de cuidados. As roupinhas, tanto as usadas como as novas, precisam ser lavadas e algumas, infelizmente, passadas. Isso porque o meu pobre cérebro pode até aceitar que eu saia por aí meio amarrotada, mas meu filho não merece ficar com assaduras por conta do lençol engruvinhado em que dormirá boa parte do dia (e, esperemos, da noite).

Então, estamos vivendo dias de glória para esse aparelho desagradável e com o qual não sinto a menor intimidade. O lado bom da história é que essa necessidade de se passar a ferro deve sumir dentro em breve, quando Max ultrapassar a fase crítica de recém-nascido e eu conquistar uma certa rotina. Isso porque se tem uma coisa que caracteriza os suecos é sua praticidade. São poucas as roupas de crianças (e de adultos) daqui que precisam ser passadas a ferro hoje em dia (tudo bem que todas são fabricadas na China, na Índia ou em Bangladesh, mas isso é uma outra discussão).

E eu agradeço encarecidamente a possibilidade iminente de voltar à minha vida pacata (ainda que amassadinha).

Mudando de assunto. Acabei de saber: Ingmar Bergman morreu em casa, aos 89 anos. :(
BBC. Le Monde. El país. Corriere della sera.

A palavra em sueco do dia é järn, ferro (tanto o de passar roupa quanto a substância química)

Filed under: De bem com a vida,Eu ♥ a Suécia,Gravidez,Vidinha — Maria Fabriani @ 11:05

18 Responses to “Passagens”

  1. Julia Says:

    Eu ODEIO passar roupas, eu odeio tanto que nao consigo passar direito - se passo de um lado, eu amasso o outro…
    Eu até desenvolvi uma técnica para pendurar a roupa bem esticadinha na corda só para nao amassar.
    Aqui eu não passo nada! saimos charmosamente amarrotados a maior parte das vezes. hahahaha

    Eu soube do Bergman, deu no DN e agora as 6 da manhã (Rio) na Globo News.

    mil beijos

    Julia

  2. Tereza (Bruxelas) Says:

    Morreu ele e um grande ator francês, Michel Serrault :o( Os jornais franceses só falam dos dois, hoje.
    Sobra a passarem de roupa, Maricota, eu também nao gosto disso. Pago uma moça pra passar a roupa da gente. Mas quando eu tenho que passar, só passo de um lado.
    Mas passar roupa nao é nada ao lado de fazer compras de supermercado e de preparar comida. Eu detesto, abomino, fico doente só de pensar em ir ao supermercado. Tanto que vou quase todo dia pois, como nao gosto do lugar, entro e saio logo, com apenas o que precisamos pra o jantar. Se bem que, pra mim, pior do que ir pro supermercado ainda é cozinhar. Quem vem comer na minha casa jà sabe: só sai spaguetti com molho de tomate e queijo ralado. Nada de mais complicado do que isso, senão eu tenho uma crise nervosa. Sério!
    Eu também tive essa “passadeira” quando tive meus bbs. PEnsava como você: eu sim, meus fiotes nao. Mas agora tento comprar o que é mais fàcil de passar no ferro. Quem foi o doido que inventou esses trabalhos, hein?
    Bjs, Maricota !
    Tt

  3. Karen Says:

    Olá novamente.

    Imaginei que o seu bebê já havia nascido devido ao seu sumisso por esses dias.
    Fiquei ansiosa, não sei por que, pra contar que há 9 dias eu me descobri grávida (de 9 semanas e 3 dias na ocasião) de 10 semanas e 5 dias. Destiny is playing tricks with me.
    Foi uma surpresa imensa, eu nem desconfiava. Sempre tive problemas com o meu ‘period’ e dessa vez não parecia estar havendo nada de diferente… mas estava. O legal é que a minha versão de urso está super feliz, o que me permitiu ainda mais ficar feliz também. E agora, mais do que nunca, vou empenhar toda a minha atenção na leitura dos seus posts anteriores, assim como a literaturas com o tema “pais e filhos”. Toda informação nesse momento é indispensável, I think. Isn’t it?

    bEijOs, muita sorte e tranquilidade nos próximos dias.

  4. Ana Lucia Says:

    Mary, com o advento da maquina de secar roupa, eu nao vejo necessidade de passar nada. Duas vezes por ano eu tenho um ataque de desocupaçao e passo tudo que lavei. Passar lençois, nem lembro o que é isso. Acho que passagem de roupa é resquicio daqueles bons tempos que as empregadas domésticas serviam até copo d’agua. No Benim, no lugar onde eu fiquei tinha um cozinheiro/empregado (la os serviços sao feitos por homens). Ele lavava a minha roupa e passava…até as camisetas mais chulezentas que eu levei na viagem, mas as roupas eram secadas na corda…No Benim eles tinham uma técnica pra lavar aquelas tunicas enormes…passavam com goma marcando bem as dobras…qdo a pessoa vestia, a roupa era cheia de dobras como se tivesse saido do plastico…e isso era chique porque indicava que a roupa era nova, usada pela primeira vez (quando na verdade nao era).
    Beijao !

  5. Per Says:

    Olá Maria!

    Você sempre tem algo interessante a nos contar e por vezes me leva a lembrar o tempo em que morei aí na Suécia. Durante três anos nunca passei nada, aliás, nem ferro de passar eu tinha. Eu levava minhas roupas na lavanderia e após a secagem estavam perfeitas para o uso. Agora, já aqui no Brasil, nos damos ao luxo de ter empregada que passa tudo. Mas já foi “pior”…uma época os mordomos passavam até jornais.
    Isso mesmo Maria, seja prática, seja você mesma.
    Estamos torcendo muito pelo grande dia!

  6. Ana Maria Says:

    D-e-t-e-s-t-o passar roupa, mas eu passo. Tudo, menos sair por aí amassada. Acho que a minha vaidade é maior que a preguiça. ;-)

  7. Michele Says:

    Também detesto passar roupa. Na adolescência, para ajudar em casa, passava roupa, de vez em quando, o que odiava. Lavar louça ou passar o aspirador, tudo bem, mas passar roupa é o fim. Faz séculos que não passo mais e obrigada à minha mãe por isso. Acho que é muito tempo desperdiçado em uma atividade inútil, afinal a roupa vai amassar mesmo.
    Bem, que tudo corra bem na chegada do Max.
    Beijos

  8. Renata Says:

    Oi Mary,
    Eu detesto passar roupa também! Nos meses que eu fiquei na Austrália as roupas iam se acumulando até eu não ter mais nada pra usar, um horror. Aqui no Brasil as roupas ainda precisam ser passadas mas temos a facilidades das nossas ajudantes, né Mary? Eu queria tanto ter levado a Lenir comigo(hahaha!).
    Beijo

  9. Marcos Vieira Says:

    Passar…….um suplício, mas às vezes tem que ser feito. como serviços domésticos. Morar sozinho deve ser uns “deus nos acuda”.

  10. Maria Says:

    Julia, isso é que é, uma família harmoniosamente amassada :)

    Tetê, eu gosto de supermercado, mas só quando tenho tempo e não estou exausta de trabalho. Aí não quero nem chegar perto! :)

    Parabéns, Karen! Muita saúde pra você e pro seu bebê :)

    Hohoho, essa é ótima, Ana Lucia. Eu, conforme os costumes do Benin, sou uma esculachada então. :)

    Exatamente, Per. As secadoras daqui são ótimas exatamente por esticarem tudo. Só que aqui em casa só tenho lavadora (o que já é um luxo), por isso preciso passar algumas coisinhas. :)

    hahaha, Ana Maria, a minha vaidade nunca ultrapassará meu “senso de conforto” (leia-se preguiça). :)

    Pois é, Michele, concordo. :)

    Hehehe, , quem me dera ter uma ajudante! :)

    Morar sozinho é ótimo, Marcos Vieira, o problema são os afazeres domésticos.

  11. Marcus Gusmão Says:

    Maria,
    Não sou cinéfilo mas vi os principais filmes de Bergman e ele, apesar de universal, construiu a imagem de adolescente que eu tinha da Suécia: vermelha, sufocante e angustiante.
    Aproveitei seus links da repercussão e inclui no registro do site http://www.dimas.ba.gov.br.

  12. Pururuca do Brejo Says:

    Mariiiiiiiiiiiiia!
    Eu AMO passar roupa (e adoro o ritual da máquina de lavar roupa, adoro lavar e passar roupa!)! Louça não é comigo, mas a roupa sim. E eu passo meus lençóis! Eu sei que logo na primeira noite amassam, mas eu adoro deitar numa cama esticadinha!
    Acho que vou pra tua casa de novo ser tua doméstica por um ano. Como pagamento aceito sua salada deliciosa e aquele sorvete sueco divinoooo!
    Beijoooooooo!
    Max! Titia está ansiosa a sua espera!

  13. Bia Badaud Says:

    Querida, parabéns pelo Max, estou daqui vibrando com vocês, tá?
    Muitos beijos, carinhos, sorrisos e um abraço apertado!
    :-)

  14. Maria Alice Says:

    Maria, um truque para camisetas, camisas e blusas não ficarem amassadas (quer sejam passadas depois, ou não). Pendurar em cabide de plástico para secar, em vez de prender no varal com grampos.
    E tb existem cabidinhos para roupinhas de bebê…

    Bjs!

  15. Maria Says:

    :) Pois é, Marcus Gusmão, o Bergman construiu a imagem da Suécia de muita gente…

    Hahaha, até parece, Pururuquéti! lembre-se de quem é a desempregada de nós duas… :) O problema é que eu daria uma péssima empregada.

    Obrigada, Bia! :)

    Eu já faço isso, Maria Alice, é o meu jeito de evitar o ferro! :)

  16. carola Says:

    voltar aa vida vida pacata? hahahahaha
    adoro bergman e to na torcida por voce.
    :)

  17. Maria Says:

    Hehehe, não te disse, carola, que ainda estou em denial? Hohoho. Beijocas e obrigada.

  18. Mauro Says:

    Mas pera aí, não entendi… já nasceu o Max ou não?

    Também detesto passar roupa, e faz tantos anos que não passo que já até perdi a conta. Dobramos a roupa assim que sai da secadora, então elas não amassam… :-)

    E você não tem que respeitar os pontos fracos do inimigo, tem que atacá-los! Que raios de estrategista de araque é você? :-P

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