February 11, 2006

A minha, a sua, a nossa liberdade

Gostaria de escrever desapaixonada e objetivamente sobre democracia, sobre liberdade e de como é difícil, por exemplo, saber o que deixar e o que apagar na caixa de comentários de um blog. Pessoalmente, gosto de idéias diferentes, mas espero que essas idéias sejam apresentadas com respeito e de forma clara, sem ataques pessoais. Quando me preparava para começar a escrever, reparei que meu urso teclava freneticamente ao meu lado. Dei uma espiada e vi que o que ele formulava era exatamente o que eu gostaria de ter escrito. Tem a ver com democracia, direitos individuais e, acima de tudo, a liberdade do dono do espaço em determinar quem ou o quê será publicado. Afinal, isso é a essência da liberdade de expressão.

“The possibility to comment on someones blog is a privilege granted by the blog owner, it has nothing to do with democracy. The principle is simple, the blog / domain owner decides what she /he wants to display.
If comments are offensive, crude, rude or considered spam the owner has full right to delete, omit or even edit the comments.

Personally I don’t even see the reason for indignation if one is not allowed to comment on another persons webspace. If you want to express yourself freely, start your own blog.
Even better Start your own blog and allow comments open for anyone if that is your idea of freedom of speech.”

I love this man. :c)

Ainda sobre liberdade de expressão: o partido neo-naz**ta sueco Sverige Demokraterna publicou na homepage do seu site as caricaturas dinamarquesas de Maomé. Ouvi no rádio ontem de manhã que a polícia secreta sueca (incrivelmente chamada Säpo) e o Departamento de Relações Exteriores do país contactaram o serviço de hospedagem do site e mandaram tirar o site do ar, o que foi feito imediatamente.

Update :: Uma pesquisa de opinião realizada pelo jornal dinamarquês Jyllands-Posten mostrou que o partido de extrema direita Danskt Folkeparti receberia 17,8% dos votos populares depois da confusão das caricaturas de Maomé. Caso as eleições parlamentares fossem hoje o partido de Pia Kjärsgaard alcançaria 32 mandatos/cadeiras no parlamento dinamarquês, o que representa um aumento de 8 mandatos com relação ao resultado das eleições passadas. (Fonte, Dagens Nyheter, em sueco.)

A palavra em sueco do dia é yttrandefrihet, liberdade de expressão.

Filed under: Europa & Escandinávia,Jornal,Pra frente é que se anda — Maria Fabriani @ 13:39

7 Responses to “A minha, a sua, a nossa liberdade”

  1. Ana Maria Says:

    Mister Urso Polar mandou bem aí nos comentários. :-)

  2. Cátia Says:

    Oi Maria. Eu acho que entendi bem sua dificuldade de falar “desapaixonadamente” sobre democracia e liberdade. Também tenho essa dificuldade, apesar de tentar tanto relevar, respeitar, entender. Entender, principalmente, que as pessoas têm formas muito diferentes de se expressar. Mas é sem dúvida, muito difícil. Sobretudo nesse caso dos comentários. Se expressar pela escrita é muito delicado. A primeira vez que li seu último post, fiquei meio triste por sentir uma generalização negativa do retrato do dinamarquês “normal” que você apresentou, que não representa o dinamarquês normal que eu conheço, mas a mentalidade “direitista” que, infelizmente, está no poder. Foi difícil me distanciar para entender a crítica. Apesar de achar que não consegui me distanciar o bastante, gostei de ler o post (várias vezes) pra ter uma visão de fora, tanto sobre o assunto como sobre a Dinamarca.

    By the way, go Urso! :) Jeg er enig med dig!

    Beijos pros dois!

  3. Ana Lucia Says:

    Mary, esse debate todo tá dando muito pano pra manga e acho que o barril de pólvora está para estourar faz tempo. Eu tive uma amiga brasileira, filha de mãe dinamarquesa que foi casada com um iraniano, e há dez anos atrás quando fui visitá-los na Dinamarca a situação dos muçulmanos já estava difícil. Eu acho muito complicado dizer que as leis que estão sendo estudadas na França para fechar as fronteiras para a imigração (principalmente das antigas colônias) seja justificável pela simples situação econômica da França. Esse é o discurso do Le Pen que diz que se faltam empregos em solo francês, a culpa é dos estrangeiros.

    Sinceramente, o que me deixa boquiaberta nesses debates é a forma como o brasileiro se enxerga no meio dessa balbúrdia. Sim, porque o brasileiro, mesmo morando fora do país, mesmo sendo minoria não se enxerga como minoria, como imigrante, mas percebe o muçulmano que vive na Europa desde que era bebê como imigrante. Esquecem que essas pessoas que vieram ou que os pais vieram da Argélia, do Marrocos e de outros tantos países da África negra foram colonizados pelos franceses e que falam francês desde bebês. Muitos vieram para servir de mão-de-obra barata quando era necessário.

    Quando houve aqueles conflitos nos banlieues na França, eu fiquei boquiaberta lendo um blog de uma brasileira com nível de estudos elevados, que se encontra na França não por méritos profissionais, mas porque casou com um francês, chamar os supostos imigrantes (que nem imigrantes são pois nasceram em solo francês) de escória. Esse povo além de ser de direita, não tem espelho em casa, esqueceram de onde vieram e porque se encontram onde estão.
    Isso dito, Mary, queria dizer que a revista Veja não tem nenhuma credibilidade para ser citada como fonte quando se trata desse assunto debatido por você, porque simplesmente o jornalista que escreve na Veja conhece tanto o Islã quanto eu conheço a culinária australiana. Agora mesmo o Lula tá visitando o Benim, país que tem ligacões há séculos com o Brasil, e as matérias que foram publicadas são de dar vergonha. Muito idiota vai ler aquilo e vai sair por aí repetindo. Desculpe se eu me empolguei, mas perdi o debate lá embaixo. Beijocas.

  4. Mr Urso Polar Says:

    A fact often overlooked in the debate is that migration is absolutely necessary for the progress of society. Sweden would still have been a backwards farm/forst country with imerial dreams if it had not been for the imigrants.
    It is too simple to blame unemployment or other economical factors on imigrants.
    That only adds to the common fear of the unknown that we humans still carry.

  5. Mary Says:

    Não é, Ana Maria??? :c)))

    Cátia, como escrevi no seu blog, você tem toda a razão de ficar triste com minha generalização, que foi mesmo exagerada. De fato, minha experiência em Dinamarca é o que leio nos jornais suecos, o que, devo dizer, não é lá muito elogiosa. Você pode comentar muitíssimo melhor do que eu. Valeu pelo seu comentário cordial. Beijocas,

    Ana Lucia, o que dizer quando você já disse tudo e tão bem? Só me resta concordar. Beijocas.

    Mr Urso Polar, my love, you are the best! :c))) Pözz på dig!

  6. Maura Says:

    Maria,

    Posso copiar o texto do Urso e colocar no Diário de Lisboa? Dando crédito claro.

    Por causa de um post bobo sobre Brokeback Mountain, acabei não tendo mais opção a não ser fechar a caixa de comentários.

    Beijo.

  7. lia Says:

    Maria

    Sou uma carioca exilada, como você. Exilada, sim, pois se é amoroso, politico ou cultural dá no mesmo, se o nosso país nos tivesse dado
    oportunidades seriam nosso maridos que se mudariam e estariamos curtindo o fim de tarde no Leblon. Bem; se o “blues” for muito grande, dê uma volta em Paris. Vida cultural, sol, tempo melhor do que o daí, e uns vinhos especiais. Allez, venha rafraîchir teu francês.
    Moro em Sceaux, a seis km de Paris, e esta cidade tem vínculos com a Suécia, aqui se casaram Désirée Clary e o general francês Bernadotte, que originou a sua atual turminha real (desculpe sou definitivamente anti monarquista). Se quiser infos sobre a verdadeira crise das banlieues, escreva-me. Sou franco brasileira, estudante de cinema na Sorbonne e adorei o seu blog/ Bisous Lia

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