November 7, 2005

A Europa da exclusão

A TV sueca não cansa de mostrar as cenas de guerra urbana que se espalham pelo território francês há mais de uma semana. Mostram carros queimados, pessoas desesperadas, políticos sérios mandando a polícia baixar o pau e assistentes sociais dizendo o que os revoltosos realmente querem: trabalho, respeito, aceitação, integração, cidadania.

Enquanto isso, sento e espero que a mídia sueca some dois mais dois e chegue à conclusão de que esse espetáculo de violência urbana motivada por preconceito pode acontecer aqui também. Os ingredientes são os mesmos, discriminação e a desesperança de quem mora nos subúrbios das grandes cidades daqui (Estocolmo, Malmö e Gotemburgo). Na última sexta-feira, finalmente, meu jornal escreveu em seu editorial:

“Quando as economias européias ficam pra trás, o desemprego cresce e o consumo diminui, os que estão na base da hierarquia social sofrem mais. As crianças e jovens que vêem seus pais de fora do mercado de trabalho não acreditam que eles próprios terão destino diferente ou que jamais deixarão esses mal-falados subúrbios. Para eles existe apenas as ruas, as gangues, o crime e o vício.

Para alguns deles, no entanto, abre-se uma outra saída: a crença e dedicação por uma Causa. É nesse meio que jovens são recrutados para pegar um ônibus ou um trem de metrô com uma mochila cheia de explosivos. O desespero das pessoas que moram na Europa sem se sentir parte dela ajuda a proliferar o islamismo radical.

Dessa forma unem-se subúrbios franceses, mesquitas inglesas, assassinos holandeses e estudantes de vôo sauditas com ódio dos EUA. Até as áreas habitadas por imigrantes na Suécia têm problemas semelhantes, lá também existe uma desesperança para com a sociedade. Em setembro último o prédio da polícia no bairro de Ronna, em Södertälje (região cheíssima de imigrantes ao sul de Estocolmo) foi alvo de tiros. (Já escrevi sobre isso aqui)

Na Suécia, no entanto, não se vê a miséria absurda que os imigrantes franceses vivem. Os estrangeiros/novos suecos vivem em prédios enormes, as áreas onde moram não chegam nem perto do idílio típico nativo, a criminalidade é grande, a polícia já chega baixando o cacete, mas, ainda assim, o clima aqui é diferente. Talvez porque o sistema social salve da sargeta quem não tem nada.

Mas isso não basta. Dinheiro é ótimo, mas esperança em uma vida interessante e decente é ainda melhor. Na minha opinião, o grande problema é que a Suécia ainda não acordou pros pequenos detalhes. O fato de gente com nome estrangeiro (leia-se árabe) ou pele escura não conseguir viver da mesma forma que qualquer outra pessoa nascida e criada aqui, por exemplo. É árabe ou africano, estudou aqui e quer trabalho? Muda de nome porque com nome árabe, você não chega nem à entrevista preliminar.

Se chama Mohammed e quer alugar um apartamento? Boa sorte no mercado negro, meu chapa. No mercado aberto, regulado por empresas públicas locais ou escritórios particulares, você só consegue um lugar em listas de espera que podem demorar anoooos, ou simplesmente não consegue sequer deixar seu nome. O cara da imobiliária diz logo que não há apartamentos pra alugar na área nobre da cidade. (Quando, 15 minutos depois, um sueco com nome comum liga, recebe três ou quatro opções de apartamentos na mesma área).

A matéria está aqui (apenas em sueco).

Aí vocês dizem: “Ihhh, lá vem a Maria com essa chatice de preconceito novamente”. É, pois é. É chato mesmo. Aliás, chato foi para o embaixador do Peru (esse aí da foto acima), que foi barrado num restaurante chique de Estocolmo quando tentava tomar um drinque com colegas de trabalho. Os guardinhas disseram que o local estava cheio, quando os peruanos podiam ver pelas enormes janelas frontais que isso não era verdade. Enquanto discutiam, cerca de dez pessoas passaram por eles, todos de aparência escandinava, e foram curtir seu fim de noite. O embaixador disse que vai se queixar ao departamento de relações exteriores sueco.

A palavra em sueco do dia é förbannad, danada, furiosa.

Filed under: Europa & Escandinávia,Jornal,Vida de imigrante — Maria Fabriani @ 16:15

25 Responses to “A Europa da exclusão”

  1. Mary Says:

    Hej Martinja och tack fr din kommentar. Nej, jag blev inte sur med din frra kommentar, jag tyckte att det var roligt att ngon svensk som frstr portugisiska hittade till min sida och fann tid att lsa och kommentera. Jag vill snaraste tacka dig fr dina synpunkter, dem r vrdefulla fr mig som knner bara den norrlndska realiteten.

    Jag hller helt och hllet med dig nr du sger att alla mste samarbeta fr att kunna f bukt med diskrimineringsproblemen. Det r det som jag tycker det r bra med Sverige: hr kan man tminstone diskutera sdana saker. Tack fr att du skrev och fr att du lnkade Montanha-Russa i din blogg. Det var schyst. Om du behver hjlp med dina studier i portugisiska r det bara att sga till. Ha det! :c)

    Obrigada pelo link, mari. :c)

  2. mari Says:

    como venho aqui mais uma vez e sempre gosto do que leio, reolvi te linkar no meu blog, ta?

    hope u don mind…

    concordo 100% com sua opinio acerca do preconceito.

  3. Martinja Says:

    Ol outra vez :)

    Tack fr att du gav feedback p min kommentar. Visste inte att du var brasilianare, dum som man r tog jag frgivet att du var portugis.

    Hoppas att du inte tog illa upp nr jag skrev det jag skrev. Sjlvklart finns hr mycket problem vad gller “nya svenskar” och deras mte med en ny kultur och ett samhlle uppbyggt p ett annat vis. Och precis som du sger s finns det diskriminering p alla hll gentemot de som socialt sett har det svrare. Och det r verkligen beklagligt att man inte fr ett jobb eller en lgenhet p g a sitt ursprung, och d framfrallt ens namn eftersom mnga inte ens bryr sig om att ta steget frbi en anskan d de kanske ser att personen i frga har ett annat ursprung n svenskt. Jag sjlv har faktiskt aldrig uppfattat mig som diskriminerad p ngot sdant vis. Tycker det r jttetrkigt att det blivit s fr dig. :(

    Problemet kan inte endast lsas av “en sida” utan alla mste nog hjlpa till fr att kunna komma fram till en kompromiss. Och s smningom (kanske i drmmarnas vrld kan man tycka) f bort all form av diskriminering. Det ligger svl p var gemene man men ocks hos vra politiker och chefer att se till att det skall vara “lika fr alla”.

    Och kanske kan man tycka att det som hnder i Frankrike r fel. Att man borde kunna lsa det p ett annat stt. Men ibland behvs det bara en droppe fr att bgaren skall rinna ver. Det har hnt frr och lr hnda igen. Mnniskan r sdan.

    / Martinja

  4. Mary Says:

    Fee, respondo da mesma forma que respondi s meninas aqui em baixo: como saber quem comeou esse carrossel infeliz de discriminao? Os europeus que no aceitam os imigrantes ou os imigrantes que no querem se “europeizar”? No tenho as respostas, mas por outro lado no quero me apressar a pr a culpa em um ou no outro.

    Malhorei sim, helo, valeu! :c)

    Hej Martinja och tack fr din kommentar. Frst vill jag sga att jag inte kommer frn Portugal utan frn Brasilien.

    Du skriver att “mnga invandrare ‘skapar’ sin egen situation hr” och att “precis som alla andra fr man kmpa fr det man vill ha och r man bara arbetsam och rlig mot sig sjlv och alla andra s brukar det g bra.”

    Frst och frmst vill jag hlla med dig nr du sger att mnga invandrare skapar sjlv sitt utanfrskap. Det argumentet kan du hitta lngre ner i ngra av mina svar hr p “kommentarboxen”.

    Dremot vill jag bestmt sga att det rcker inte bara att vara arbetsam och rlig fr att det ska g bra. Hr handlar mycket om mjligheter, chanser, som mnga invandrare inte fr enbart pga deras ursprung.

    Jag sjlv har frskt f mnga jobb och trots att jag r mycket arbetsam och mycket rlig (och kompetent) fick jag inte ens en chans att komma p en intervju. Tnk p att realiteten kan vara mer komplicerad n du tror.

    Philipe, eu no acho que o apoio financeiro que a Sucia d s pessoas necessitadas possa ser klassificado como esmola. O nvel de vida dos imigrantes daqui infinitamente superior ao dos imigrantes franceses, no se pode comparar. Mas eu concordo, como at escrevi no meu post, que apenas esse dinheiro, no basta.

  5. Phillipe Says:

    E eu venho aqui depois de muito tempo pq sabia q vc estaria descendo o pau.
    O problema maior da Europa no conseguir integrar os seus imigrantes, eles vo ser sempre os diferentes, os excludos. nomximo, o que esses pases fazem, como a Sucia, dar esmolas para essas pessoas, como habitao, alimentao etc. mas o q adianta isso, se o mais importante como ser permitido se integrar na sociedade no acontece? A d no que deu. Ser q isso so acontecer na Frana? claro q no.

  6. Martinja Says:

    Para Montanha russa; no sei falas muito sueco mas prefiro escrever em sueco:

    Jag bor sjlv ocks i Sverige och nrmare bestmt i Malm. Hr finns, precis som du skrev, mycket segregation. Och visst finns det mycket likheter med det som hnder i Frankrike och kanske skulle en sdan situation ven kunna uppst hr.

    Dremot kan jag tycka att - i Sveriges situation d - att mnga invandrare “skapar” sin egen situation hr. Jag r sjlv s att sga “invandrare” hr. Visserligen andra generationens, men har nd (t ex) ett utlndskt namn och det kan ju upplevas som negativt - finns egentligen inte ngon som vet “hur pass mycket invandrare jag r”.

    Men precis som alla andra fr man kmpa fr det man vill ha och r man bara arbetssam och rlig mot sig sjlv och alla andra s brukar det g bra. Jag har aldrig upplevt ngra problem. Har jobb och lgenhet och bor i ett helt ok omrde.

    Men mnga invandrare isolerar sig sjlva. Lr sig inte ens sprket ordentligt. Och hur lngt kommer man nr man inte ens kan prata med mnniskorna i det landet man bor i. Mnga har inte ens koll p sina egna barn. Lter de gra mycket, ingen koll p dem i skolan heller. Mnga (muslimer oftast d) tillter inte sina dttrar att gra ngot och frbjuder en hel del.

    Visst kan man skylla mycket p svenskarna men s hr r det p mnga stllen. Inte minst i Portugal faktiskt. Man kan nog inte se det svart eller vitt bara. Alla lika, alla olika.

  7. helo Says:

    vim matar as saudades do melhor blog ever !!!! beijos
    melhorou da enxaqueca?

  8. Fee Says:

    Eu no posso dar pitaco na estrutura da Sucia no que diz respeito imigrao e/ou a vida de imigrantes e descendentes de imigrantes por a, mas pelo o tempinho que morei na Blgica, por todos os textos que eu venho lendo para terminar minha monografia e pela conversa que tive com alguns imigrantes rabes, a soluo que eu vejo dentro da Europa o fechamento das fronteiras, eu sei que isso esbarra no problema da sociedade velha, mas se continuar sendo fcil imigrar para um pas europeu (principalmente os continentais) e estabelecer uma vida l sem nem sequer dominar o idioma local (como acontece muito na Blgica), os guetos continuaro surgindo, o preconceito s ir crescer e as chances de uma vida decente ir se tornar cada vez mais utpico.
    Bjoks

  9. Mary Says:

    Concordo, Lu, depois desse au todo a situaco dos imigrantes ou dos filhos de imigrantes ficar ainda mais difcil. Infelizmente.

    Infelizmente, crau, acho que voc tem razo num ponto: o Sarkozy vai ser eleito nas prximas eleies pra algum posto importante, impulsionado pelas aes de agora. E isso reflete a situaco geral da Europa, onde os governos de muitos pases se voltam perigosamente para a extrema direita. At na Sucia os socialdemocratas devem perder as prximas eleies para os moderados, partido de direita. Fico triste s de pensar.

    Tet, concordo com voc em gnero, nmero e grau. Quando os imigrantes deixam de ser imigrantes? Aqui na Sucia exatamente a mesma coisa. Nasceu aqui de pais imigrantes? Voc pode at ter passaporte e cidadania suecos mas ser SEMPRE visto como imigrante de segunda geraco. At mesmo no jargo oficial do governo, que faz uma classificaco dos cidados para fins estatsticos, escreve que o fulano imigrante de segunda geraco, apesar de fulano ter nascido e crescido na Sucia. Um absurdo.

  10. Tereza (Bruxelas) Says:

    O pior, Maricota, que no caso da Frana, nao se trata de imigrantes. Esse pessoal que est quebrando tudo ai, nasceu na Frana, a cultura deles a francesa mas mesmo assim eles continuam sendo considerados como estrangeiros. Vao ser estrangeiros at que geraao?

    Se fosse so m vontade dos europeus de reconhecerem imigrantes como cidados seria bom. Mas pior. Eles nao aceitam que filhos de imigrantes que nasceram na Frana e vivem l, sejam europeus.

    Outra coisa: onde mora esse povo? No que eles chamam “cits”. Quer dizer: os ricos de um lado, no lado bonito da cidade, e os pobres de outro, nas “cits”. Depois ficam admirados quando d no que d.

  11. Crau Says:

    complicado.

    Tiro no p e xixi na sala

    “E sabe o que essas revoltas em Paris vo conseguir? Inflamar as tenses sociais, a balcanizao da Frana .

    Guetos, divises e dios - dios que vo criando um cunho cultural e tnico, uma guinada perigosa rumo a um obscurantismo que no tem nada a ver com a Frana que eu aprendi a amar.

    O francs mdio, hoje, de direita. E de direita num mau sentido, no de direita como eu me considero de direita hehehe. Direita xenfoba, direita que se v forada a apreender o mundo com base em conceitos como raa, que se v forada a defender certas bandeiras que destoam do seu nvel scio-cultural e de sua herana poltica. Tudo isso por se sentir vagamente - e em momento como o atual, claramente - ameaada.

    A classe mdia francesa se sente ameaada por essa imigrao mal-assimilada, culturalmente assertiva e socialmente marginalizada.

    Parntese: complicado voc emigrar e ser culturalmente assertivo. O respeito diversidade cultural no pode estar acima das regras bsicas do pas. Do laicismo, por exemplo. Da igualdade entre homens e mulheres, por exemplo. Se voc muda pra um pas, tem que respeitar as regras bsicas de l, mesmo que voc no concorde com elas, que sua herana seja outra.

    Voc pode ter o hbito culturalmente arraigado de fazer xixi na sala. Ok, eu sou uma liberal e respeito o teu direito de viver como bem entender. Agora, se voc vem morar ou trabalhar na minha casa, na minha casa no se faz xixi na sala. Simples assim. Independente do quanto eu respeite as diferenas, no posso admitir que se faa xixi na minha sala. Admitir que se fizesse xixi na minha sala seria ME desrespeitar.

    A vem voc insistir que tem o direito de fazer xixi na minha sala porque, na cidadezinha de onde voc vem, todo mundo faz xixi na sala desde tempos imemoriais. E que alm de poder morar na minha casa, voc pode fazer xixi na minha sala porque o meu tatarav - que eu nem sei direito quem foi - um dia ocupou a tua cidadezinha. E que por isso eu vou ter que me acostumar e conviver com o xixi na minha sala.
    You get the picture?

    Agora, amplia isso pra vida diria de um pas e imagina a confuso. Difcil existir algo mais complexo. Diversidade cultural, fronteiras entre o pblico e o privado, at onde assimilar e at onde impor as regras bsicas de organizao social do pas: assunto que eu queria muito estudar a fundo. Quem sabe um doutorado hehehe?

    Voltando vaca fria - fumegante, no caso - : essas revoltas vo ajudar a eleger o Sarkozy em 2007. um tiro no p que as banlieus esto dando, vo por mim. O Sarkozy no o Giuliani e a situao da Frana muito mais delicada e nuanada: ‘tolerncia zero’ l no vai funcionar”.

    457 bisous!!!

  12. Daniela Says:

    Pra Ana Maria, a discriminao no Brasil no social :)

  13. Luciana Bordallo Misura Says:

    A situacao em Paris e horrivel mas e mesmo o reflexo de como a Franca e outros paises europeus vem tratando os imigrantes. Exclusao social a esse ponto so gera violencia mesmo, porque os excluidos nao sentem que tem nada a perder. Como voces ja falaram aqui, sempre tem os aproveitadores, gente que entra na confusao por outros motivos e acaba piorando tudo - o que eu acho que esta acontecendo nesse caso. Mas espero que o governo leve essas medidas em frente e nao esteja so falando o que vai fazer pra colocar panos quentes. O pior e que depois que a poeira baixar, mesmo que se tomem providencias legais, a desconfianca dos nativos so vai aumentar.

    E tambem vou ficar torcendo pro embaixador peruano.

  14. Mary Says:

    Marina, Inezoca, Pururuquinha e Karenin, depois de ler seus comentrios uma pergunta pulou na minha cabea: o que veio primeiro, o ovo ou a galinha? O que aconteceu primeiro, a necessidade de uma vida melhor por parte dos imigrantes ou a necessidade de mo-de-obra barata do europeu? A m vontade de se integrar de alguns imigrantes ou a m vontade dos europeus de reconhecerem imigrantes como cidados?

    No tenho a resposta para essas perguntas e, em parte, concordo que necessrio que haja um mnimo de desejo de adaptao por parte dos estrangeiros para que a vida no fique totalmente impossvel de ser vivida. Aprender a lngua, por exemplo, condio fundamental para se sentir “em casa”, deixar de ser turista no prprio pas, poder entender (e criticar) a sociedade em que se vive.

    Mas, ao mesmo tempo, tenho contato com europeus que se negam terminantemente a aceitar que uma pessoa “morena” ou que fale a lngua do pas com muito sotaque, ou mesmo nascida aqui de pais estrangeiros, seja reconhecida como europia - ou parte da sociedade de forma completa. Acho que existem dificuldades dos dois lados, como vocs disseram, mas no estou preparada a condenar completamente as aes dos imigrantes franceses.

    Claro, h uma diferena enooorme entre os imigrantes trabalhadores que perderam seus carros e sua credibilidade frente aos franceses nativos depois dessa loucura toda. E existem tambm as gangues criminosas que se aproveitam da confuso para botar pra quebrar. Isso, pra mim, deplorvel. Mas acredito que s assim, no extremo, que os governos europeus acordaro, como a Pururuquinha escreveu.

    Principalmente o governo francs precisa acordar, depois das mortes de mes e crianas de origem africana em Paris. Ontem noite escutei no noticirio que o De Villepain vai lanar um pacote de ajuda aos moradores dos banlieus, com ajuda financeira para manter os estudantes na escola e investimentos para garantir a universidade de quem timo aluno apesar de se chamar Muhammed. Isso j deveria ter sido feito h anos.

    No mais, Ka, acho que voc deveria escrever sim sobre isso l no Duralex, ainda mais porque voc est no olho do furaco e tem uma viso mais enbasada do ponto de vista econmico. Manda ver. :c)

    Pode crer, Mauro, sinto a mesma coisa. :c/

  15. Karenin Says:

    PS> queridoca, tinha at pensado em fazer um post sobre o assunto, mas j que levantaste a bola por aqui, deixo o palco para a troca por aqui, e tambm pra no ficar parecendo plgio, hohohoho. Beijocas de novo!

  16. Karenin Says:

    MAricota, acho que seus pontos so relevantes, sim, j que aqui na Frana existe um preconceito velado, e no somente por origem, mas por qual escola frequentou, nome de famlia. Digamos que o frans elitista e hierrquico. Mas, acho que vale ver a situao por outro ngulo tambm. O esforo da integrao deve acontecer de ambos os lados. FAlo do que vejo aqui na Frana e at tomo as palavras da noiva do Manfred (nosso amigo holands), que de origem ivoariana e muulmana. Ela mesma diz que na famlia dela no h esforo, principalmente pela ala masculina, de se integrar: seu pai tem 4 mulheres, 26 filhos -os quais ele no pode sustentar - e que se no fosse pelo estado francs, o qual ajudou economicamente seus estudos, ela hoje no teria chegado onde chegou: estudou, fez faculdade e tem trabalho. Ento, Maricota, acho que tem que se olhar para a balbrdia com certas ressalvas. Para eles sim mais difcil do que para um francs que se chama Alain ou Jean Pierre e que estudou em alguma escola de ponta, mas com trabalho, honestidade e comprometimento, o estado prov e ajuda financeiramente. Ter emprego caindo do cu no tem pra ningum no momento, j que a crise econmica atinge a todos. No mais, ao meu ver, no d pra defender nem entender quem queima carros de gente honesta e trabalhadora. Isso est gerando uma raiva e dio por parte de gente que nunca teve nada contra ningum e esse tiro vai acabar saindo pela culatra. O ministro do interior (Nicolas Sarkozy) tem grande responsabilidade nisso tudo, j que veio a pblico emitir opinio pejorativa sobre quem habita nos “banilieus”. Ainda assim, a reao de quem se sentiu ofendido desproporcional e acabou por tirar-lhes a oportunidade de trazer o debate tona. Para se ter uma idia, ontem mesmo 4 incendirios foram denunciados pelas prprias comunidades. Eu opto pelo caminho da paz e da conversa. Mesmo que demore, que encha o saco, que canse. Porque o que acontece agora s aumentar qualquer preconceito j existente. Nem te conto as reaes que ando escutando por aqui, do gnero “tem que mandar esse povo de volta de onde vieram para apreciarem o que tem…” Enfim, o debate longo, mas paz, sempre paz. Beijocas, beijocas

  17. Pururuca do Brejo Says:

    Maria,

    a situao dos estrangeiros parece que fica sempre para depois, para quando houver tempo e ningum quer saber. Agora, com esses conflitos, as coisas ficam no p que esto: Confusas, sem solues rpidas, s muita teoria do Chirac de que a paz tem que ser devolvida aos cidados bl, bl, bl. Ai, que saco. E ontem j comeou a confuso na Alemanha e Blgica. Imagina se todos se revoltam? Na tv, aqui, disse que so pessoas que fincam razes, que no se adaptam cultura local, no se adaptam ao pas. Bom, sem conseguir emprego, sem dinheiro, sem ter onde estudar o idioma, fica mesmo difcil, no?
    S mesmo imigrante para sentir na pele o que tudo isso quer dizer.
    Vamos aguardar e torcer para que tudo termine bem.
    Beijos

  18. Mauro Says:

    Hmm. Por essas e outras no tenho muita esperana na raa humana no. A gente d um passo para a frente e dois para trs. Acho que a gente vai explodir o planeta antes de que aprender a conviver uns com os outros. :-/

  19. Inezoca Says:

    Adoooooro essa polmica, Maria! Desce o pau que eu t contigo!!!

    Eu no sou Me Din, mas j havia feito essa previso da situao que est acontecendo (agora no s na Frana, mas ja comeou na Alemanha tambm)
    Isso o que eu chamo de “panela de presso”…
    Eles foram chegando ha 15, 20 anos atrs e no se integraram devidamente (por culpa deles ou do govrno…que na poca no estava interessado era s ignor-los e tudo bem)
    Acontece que eles foram se multiplicando entre eles… e vcs sabem que se multiplicam meeesmo. Foram criando turmas, gangues, getos e hoje so um exercito que no tem o que fazer, esto completamente aparte da sociedade… e eu no acho que a coisa seja to simples assim pra se resolver no. Eu temo por maiores e piores consequncias para ambos os lados…

    Quanto ao meu caso aqui na Sucia… eu acho que acertei na profisso: Cozinheira de escola!! Tenho trabalhado pra dedu!!! Amem!!!
    beijos a todas

  20. marina(suecia) Says:

    Mas eu acho que os dois lados tem culpa nisso, obviamente no 50/50, s que no d para negar que muitas das colnias estrangeiras tambm no fazem tanta fora assim para se integralizar. Pode ser o chileno que s se relaciona com hispnicos, ou o rabe que acha mais fcil o contato de quem entende a cultura dele, ou at mesmo o britnico que tenta aprender sueco mas os nativos insistem em falar em ingls com eles por ser “status”.

    Concordo que a coisa t preta para mim, estrangeira, e que no fundo eles colocam todo mundo no meio dos svartskalle ( assim que se escreve?)… mas tbm tem muita gente com pura m vontade e, a religio muulmana est na vista de todos, especialmente dos fanticos que tentam conquistar jovens desesperanosos para disfarar a prpria incompetncia social

  21. Mary Says:

    Com certeza, Joao, deve ser mesmo muito humilhante. Ainda mais quando voc mdico/enfermeira/engenheiro etc, e quando consegue trabalho como motorista de taxi/nibus ou faxineira. E eu tambm li que o ndice de desemprego em Rinkeby um absurdo. No sei se 40%, mas algo nesse estilo, infelizmente. :c/

    Os guardinhas chamaram a polcia, Marcia de Souza, e disseram que o embaixador estava sendo “difcil”. O embaixador, por sua vez, fez uma reclamaco oficial na polcia contra discriminaco. Tomara que ele vena.

    valeu, beijocas, Dani. :c)

    Ana Maria, aqui o seguinte: voc no branco de olhos azuis (ou castanhos) ou no fala sueco perfeitamente (o que quer dizer sem qualquer sotaque), no entra. Simplesmente. No entra. barrado. A discriminaco enorme e tudo se baseia em como as pessoas so (cor da pele etc) ou como falam (com sotaque, ou outras linguas associadas com o terceiro mundo). O embaixador, aos nossos olhos, evidentemente rico e bem tratado. Isso porque ns, latino-americanos, sabemos qual a diferenca. Alguns suecos estpidos acham que tudo a mesma coisa. peruano, fala espanhol, fala sueco com sotaque, baixinho, meio moreno, pode esquecer. No entra mesmo.

  22. Ana Maria Says:

    Mary, no entendi muito bem o incidente com o embaixador peruano. Pensei que a discriminao na Sucia tivesse a ver com classe social, como no Brasil. Pelo visto, est ligada cor da pele. O homem tem cara de rico, bem-nascido. Se bobear, fala vrios idiomas.

  23. Daniela Says:

    Pois Mary, preconceito um assunto chato porque as pessoas imaginam que, se ningum tocar no assunto, a gente fingir que a coisa no existe, melhor.

    incmodo ser lembrado que alguns so privlegiados e outros no, especialmente se voc est no primeiro grupo.

    No tive tempo de ler/ver jornais esses dias. S agora compreendi o teor do que est acontecendo na Frana.

    Adorei o post, obrigada! :)

  24. Marcia de Souza Says:

    Coisa horrvel mesmo, esses ataques. E sim, podem tranquilamente acontecer em qualquer lugar. E esse incidente do embaixador do Per algo revoltante, ele deve prestar queixa e fazer o maior bafaf. E imagine se ele tivesse cara de ndio, como boa parte da poplulao peruana! Ah, postei. bjs,

  25. joao Says:

    Pois e…em estocolmo ja ouvi falar que em rynkeby o indice de desemprego e 40% maior que e outras areas da cidade. Muita gente la vive de bidrag e isso acalma um pouco a tensao social. Mas deve ser muito humilhante viver assim… :(

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