Chatô e o trabalho
Estou me divertindo muitÃssimo com o livro do Fernando Morais, “Chatô, rei do Brasil” (obrigada, Ka!). Leio agora sobre a conspiração que envolveu a eleição de 1930, além da revolução, com Chatô apoiando Getúlio Vargas. É muito interessante reafirmar o que nós, soldados-rasos da imprensa brasileira, já sabÃamos: o jornalismo brasileiro nasceu de necessidades polÃticas. Nada mais. Essa coisa de reportar o que acontece, é puro romantismo.
Confesso que sempre fiz pirraça contra esse livro - visto que o estou lendo dez anos depois de seu lançamento! A explicação é simples: a obra era o livro de cabeceira dos meus colegas de turma na ECO, Escola de Comunicação da U.F.R.J., o que me fez, por rebeldia, nunca querer tocar num volume. A galera da ECO, a maioria gente muito boa, era ainda assim fundamentalmente diferente de mim (vários fatores que não vêm ao caso aqui).
Mudando de assunto: Li um artigo de opinião no meu jornal de hoje dizendo que a lei sueca de proteção aos empregados, o sonho dourado de qualquer paÃs socialista, está ajudando a enterrar o paÃs numa recessão serÃssima. A situação é complicada. É difÃcil demitir uma pessoa com emprego fixo, o que, aliás, é muito positivo. O problema é quando essa pessoa está de saco cheio de trabalho dela e não tem coragem de pedir demissão porque aà perde todos os direitos trabalhistas, sem contar na dificuldade de encontrar um outro trabalho fixo.
A taxa de desemprego bateu os 5,6% em 2005, o que é muito para um paÃs pequenino como a Suécia. Ninguém contrata, poucos são os que investem. Empresas suecas, como Electrolux, demitem seus trabalhadores aqui e se instalam em paÃses onde a mão-de-obra é mais barata e os impostos menores. O Banco Central sueco, totalmente independente do governo, resolveu baixar ainda mais a taxa de juros para tentar acelerar a economia. Sem muito sucesso.
É grande o número de pessoas que ficam “doentes” por conta dessa paralisia. A palavra está entre aspas porque na verdade as pessoas ficam é deprimidas com a situação que não muda e sentem-se impotentes para alterar sua vida de forma decisiva. Aà é que aparece um fenômeno muito sueco, o chamado sjukskrivning, ou quando a pessoa vai ao médico pedir para ficar em casa por estar “doente”. Essa “doença” pode ser corporal (gripe, perna quebrada etc) ou mental (desânimo, depressão, ansiedade). O problema aqui é que são governo e empregadores que arcam com as despesas desse processo, o que causa um ônus terrÃvel para ambos os lados.
Há uma tentativa dos partidos de esquerda, especialmente o partido verde, de dar um ano livre, durante o qual a pessoa receberia apenas uma parcela de seu salário e poderia tirar folga ou tentar iniciar seu próprio negócio. Nesse meio tempo, o trabalho dela seria feito por um estagiário. Isso ajudaria a quem precisa mudar de ares e também a quem está à margem do mercado de trabalho. Mas esse projeto, assim como tantos outros, é financiado pelo governo, o que limita seu alcance.
Em comparação com o mercado de trabalho do Brasil, o único que conheço, o mercado de trabalho sueco parece um muro altÃssimo e intransponÃvel para quem não tem os contatos certos. Quem está dentro do terreno protegido pelo muro, está seguro, mas morre de chatice e depressão - porque mudanças não são admitidas, em nome da segurança! A quem está do lado de fora simplesmente não é permitida a entrada, porque as empresas não estão a fim de pagar impostos exorbitantes ao governo por cada pessoa empregada.
A Dinamarca, paÃs-irmão, tem um mercado de trabalho semelhante ao americano (e ao brasileiro). É mais fácil perder o emprego, mas também muitÃssimo mais fácil achar outro. Por outro lado, trata-se de um mundo muito mais selvagem. Quantas são as pessoas com mais de 55 anos que conseguem empregos decentes no Brasil? E nós, imigrantes, como é que ficamos? Sim porque tenho a impressão de que a situação dos imigrantes na Dinamarca não é melhor do que aqui do outro lado do Öresund… Ou será que é?
A palavra em sueco do dia é arbete, trabalho.

August 9th, 2005 at 08:13
Acho que a solução, Leia, ou a chave do problema, é descobrir o que realmente te faz feliz na vida e apostar nisso. Mesmo que seu standard de vida caia, mesmo que sua vida mude completamente. Mas essa receita, claro, é um bocado amarga.
August 8th, 2005 at 22:00
Tatatata
Aqui e aí os mesmos desvios.Agora que estou aposentada penso que é melhor morrer de tédio do que de fome,mas enquanto trabalhava passei um cortado pra ter e pra não ter a doença profissional que você menciona.Agora mesmo tenho uma amiga que não está suportando o trabalho,falta e falta(funionalismo público).Tenho um personal raliner do meu blog que é inteligentíssimo e está a zero.
Uma única solução seria cortar todos os supérfluos da sociedade(Akim Bey).Vou elaborar mais.
Atenciosamente
August 1st, 2005 at 14:47
Mauro, não sabia que você foi livreiro! que legal! sabe que esse sempre foi um dos meus sonhos? Olha, com relacão ao seu comentário, concordo que menos protecão e mais concorrência é a saída. O sistema europeu de wellfare é ótimo, mas chega um ponto em que os privilégios precisam ser diminuídos em nome da agilidade econômica.
August 1st, 2005 at 01:13
Mary, onde você escreveu “A palavra está entre parênteses”, não seria “entre aspas”?
Sobre o assunto “muita proteção X pouca proteção ao trabalhador”, eu acho que menos proteção, apesar de criar competição, ainda é preferível.
Por exemplo, no Brasil tem o lance da licensa maternidade. Eu já vi mulheres serem recusadas por meus chefes para uma vaga, simplesmente por estarem numa faixa etária em que ainda poderiam ter filhos (claro que a desculpa oficial foi outra).
Eu mesmo, quando tive uma livraria, estaria funhecado se contratasse uma mulher para ajudar na loja e ela ficasse grávida, eu simplesmente não teria condições de pagar o salário dela por alguns meses, além do de um substituto enquanto ela estivesse fora. Felizmente não tive que passar pela situação de ter que tomar essa decisão (de empregar uma mulher ou não).
Esse é o tipo de proteção ao trabalhador que acaba tendo um efeito negativo, por ser muito pesada para o empregador.
Outro exemplo: tenho um amigo grego que me contou que na Grécia metade da população trabalha para o governo, com segurança de emprego, não podendo ser mandada embora. Isso criou uma máquina burocrática enorme e travada, onde não se consegue que nada seja feito pois ninguém quer fazer nada (e não precisa, porque não tem como ser mandado embora mesmo).
Acho que a segurança e os direitos trabalhistas tem que ficar num patamar aceitável, que dê alguma proteção mas não demais. Senão vira zona e acaba criando efeitos como o que você descreveu.
July 28th, 2005 at 06:05
Ka, você quebrou mesmo um paradigma ao me presentear com o livro - o que, aliás, eu te agradeco muitíssimo. :c) Sobre o resto do comentário: uma das coisas que mais me irritam aqui é isso, as massa de gente que se agarra aos empregos (que não gostam) e não dão lugar à nova geracão. Aqui aposentam-se todos, homens e mulheres, aos 65 anos. Na França, acho, o Chirac já aumentou pra 67. E, segundo os estudiosos suecos, a situacão do wellfaire somente se resolveria se os trabalhadores daqui pedissem pensão apenas depois dos 70. :c/
Aqui também há essa legislação, Flavia, mas quando acontece é dificílimo provar a discriminacão. Uma vergonha. Como você disse, está difícil em todos os cantos conseguir um emprego bacana. :c/
Exatamente isso que acontece aqui, Ana Lucia. A enoooorme geracão dos nascidos nos anos 40 está comecando agora, a partir de 2005, a entrar em pensão, o que pode significar necessidade de trabalhadores mais novos, mas isso é relativo. O setor público, representado pelas kommuns suecas (tipo prefeitura), já disse que näo vai mais empregar tanta gente como fazia antes, porque os cofres estão vazios. A iniciativa privada não é capaz de absorver toda essa mão de obra que sai dos fornos das universidades. Resultado: um mar de universitários com diplomas chiquérrimos, cheios de dívidas de empréstimos estudantis pra pagar e que não conseguem emprego algum. Uma lástima.
Com certeza, Ana Maria, com certeza.
Ahhhhhhhhhh, Cynthia!!!! Lamark é o cara do “uso e desuso” e das girafas! Ahhhhhhhhhhhh! Claro que eu aprendi sobre ele sim… mas foi a muuuuuuito tempo atrás, viu? HOHOHOH Valeu. :c)
July 28th, 2005 at 01:47
Oi, Maria! Desculpe estar com-ple-ta-men-te off-topic, mas é que me parece que temos um problema de (con)fuso horário… E quando estou indo com a farinha, vocês já voltaram com o angu! =D
Lamarck (com K) foi aquele que dizia que as girafinhas nasceriam de pescoço comprido, se seus pais tivessem uma especial predileção pelas tenras folhinhas das copas das árvores… =D Você pode não estar lembrada, mas acho que todos nós vimos SIM essa história no colégio… A tal teoria do “Uso e Desuso”.
Depois, ele foi completamente esculhambado, quando as idéias de Darwin tornaram-se correntes.
Mas ao que se sabe hoje em dia, parece que suas idéias NÃO estavam assim tãããããão completamente erradas… Pelo menos não em todos os níveis (bioquímicos, moleculares)…
Como aliás, bem prova o seu DNA… hohohohoho =D
Sobre o tópico de hoje, pimenta pura esse negócio de jornalismo x política… Principalmente no momento que estamos vivendo aqui no Brasil…
Eu também ainda não li este livro; mas pelo jeito, um dia vou ter de…
July 28th, 2005 at 01:09
Maricota, muita gentileza sua em comparar o mercado de trabalho dinamarquês com o brasileiro. Não sou uma especialista em Dinamarca, mas o meu ex ficava de cabelo em pé com a selvageria do nosso capitalismo tupininquim. O Estado lá, se não é nenhuma swedish mother, não deixa de ser uma mãe muitíssimo mais generosa que a nossa. Beijocas.
July 27th, 2005 at 23:32
Mary no Québec a situação é meio parecida com a da Suécia, mas os sindicatos são muito fortes. A minha reação em relação a isso é meio dúbia…porque de um lado as pessoas da geração que chamam de baby-boomers (pós-guerra) ganharam empregos estáveis com uma formação bem inferior, enquanto hoje a gente faz Ph. D. e passa o tempo matando cachorro a grito, pois uma vaga permanente numa universidade por exemplo é difícil, e no caso do Québec a preferência pelos brancos e francófonos no funcionalismo público é gritante…e como tudo é público pode esquecer. Não li o Chatô até hoje, por pura birra pois na época todo mundo lia. E o tal filme do Guilherme Fontes ? Ainda não saiu ? Enfim…beijocas e até loguinho.
July 27th, 2005 at 21:39
Pois eh, aqui realmente eles TEM que aceitar estrangeiros por que senao eles podem ser processados por discriminacao. Mas acho que arranjar emprego em qq lugar do mundo esta dificil hoje em dia. Ja fui aa entrevistas que tinham 50+ pessoas competindo pra tal vaga. Logicamente nao estou comparando com o Brasil que temos 5000 pessoas pra 50 vagas (por exemplo para concurso publico). E voltando ao mercado americano, aqui dependendo da empresa e dificil vc perder o emprego justamente por causa dos processos. As vezes a gente tem alguem trabalhando conosco que nao tem a minima idea por que eles estao ali ou o que fazer, mas eles nao sao despedidos por que a empresa tem medo de ser processada. Da um desanimo tem vezes… Eu dei uma checada agora na taxa de desemprego que rh relativamente baixa se comparada pelo tamanho da Suecia e dos States (5%). Incrivel, acho que eu nunca iria imaginar uma coisa dessas.
July 27th, 2005 at 20:58
MAricota, essa questão é tão complexa que ‘e dif’icil nao somente saber por onde começar, mas saaber onde parar. O governo como provedor social está sim enfrentando v’arios dilemase cito dois: a população envelhece e vive mais, a concorrência de países com força de trabalho mais barata e que vem ficando cada vez mais especializada. Fora a população, que resiste em abdicar de privilégios mas também sofre as consequências desse sistema ultra-social, como apontado por vc. Eu não conheço a resposta e creio que seria muita pretensão de qualquer um querer provê-la, já que não existe uma unica fórmula e muito menos uma que seja simples. MAs, é fato que os países de alta carga social terão sim que repensar seus modelos e implementar reformas. A idade para acessar os benefícios à previdência são uma forma, e países como a França e Holanda (dois casos que conheço) vêm subindo a idade para a aposentadoria. Do lado dos empregados, não sei se o sistema americano ‘e tão “violento” assim. Talvez não seja o melhor, mas aparentemente, ele funciona melhor. Nâo é à toa que é esse pa´~is a maior economia do mundo, ou seria? Final das contas, falei, falei, mas nao disse muita coisa. Exatamenteo que todos os pontos levantados por vc implicam, em muita mastubarçao mentao e pouca ou nenhuma respota. E, nossa, não sabia que havia quebrado paradigmas te enviando Chatô!!! hohohohohoho Beijocas, beijocas
July 27th, 2005 at 18:08
Simone, que barra pesada hein? O seu comentário me faz acreditar no inacreditável: que ainda há lugares piores de se conseguir um trabalho do que a Suécia ou o Brasil…
Exatamente, Marcia de Souza, não escrevi no post porque não escrevo mais nada muito particular, mas tive problemas seríssimos para entrar no mercado de trabalho carioca, exatamente por não ter contatos das grandes redacões. Trabalhar n’O globo ou no JB era um sonho que permaneceu um sonho… Pelo que entendi do seu comentário e do da Simone, é que a situacão não é mole pra ninguém. Me faz tremer nas bases para quando eu sair da faculdade com um diploma na mão e um mundo de portas fechadas pela frente… :c/
Exatamente, Eduardo, a cifra é muitíssimo maior, mas o governo está fazendo um esforco enorme para esconder essas pessoas que, como eu, procuram outros caminhos para não ficarem “öppet arbetslösa”. Uma vergonha mesmo. :c/
Flavia, selvagem sim, impossível jamais. A diferenca entre Suécia e EUA já comeca no início do seu comentário “Bom, eu trabalho na area de hotelaria, entao vou comentar sobre essa area. Somos contratados por contratos de 1 ano e meio e depois tem a opcao de renovar o contrato tbem.. A diferenca é que aqui vocë não encontraria emprego algum. E se encontrasse, não seria considerada, por ser “estrangeira”. por isso é que eu digo, mil vezes a selvageria americana do que a “seguranca” sueca.
Já tô percebendo isso, Joäo Bosco… :c(
Pode crer, Fer. Um homem feroz que não via mal algum em colocar seus jornais a servico da coronelada (que o financiava de forma aberta e sem vergonha). Uma coisa. Mas eu ainda estou gostando… :c)
July 27th, 2005 at 17:46
Eu ganhei esse livro em 96 e li ate a metade. Parei e deixei pra la. Enquanto estava lendo, me deu uma gastura da politica e politicagem….Tanta mandacao e manipulacao me cansou a beleza. O pioneiro do nosso jornalismo foi um ‘coronel’…. beijos!
July 27th, 2005 at 17:45
oi mary
infelizmente creio que a tendencia é essa de maior flexibilização do emprego. mais dias menos dia o mercado vai impor isso a todos. quanto ao livro chatô o rei do brasil quando terminar de ler, vais perceber que muitos dos vicios politicos que temos hoje foram factóides criados por assis chateaubriant.
July 27th, 2005 at 16:52
Oi Mary, tudo bem?
Nossa, com certeza 5+% na Suecia e um numero imenso por causa do tamanho do pais. Bom, aqui nos States e mais que selvagem… Nem sei como descrever. Bom, eu trabalho na area de hotelaria, entao vou comentar sobre essa area. Somos contratados por contratos de 1 ano e meio e depois tem a opcao de renovar o contrato tbem. Mas em hoteis nao se espera ficar la por mais que 3 anos, rotatividade e muito alta. Ja meu marido trabalha com computador e ele nao tem um contrato. O trabalho dele e fixo ate qdo ele cansar, ele esta la fazem 3 anos, mas tem gente que esta na empresa por 10-15 anos. Que agora estao querendo se mandar de la, pois uma empresa maior comprou a companhia, ai ja viu ne, eles viraram so um numero…
Bjos, Flavia
July 27th, 2005 at 16:38
Oi Maria!
Essa sifra de 5,6% é somente os que se encontram em “öppen arbetslöshet”, quer dizer totalmente desempregados sem qualquer ocupacão (cursinhos provisorios, práticas de trabalho, etc, arranjadas pela oficina de trabalho - Arbetsförmedlingen). O índice real de desemprego deve ser bem maior. Já ouvi a sifra 10 % ser mencionada. E me parece que a cada vez menos, pessoas são empregadas pelo método convencional. Na empresa aonde trabalho, duas vezes nos últimos dois anos foram empregados pessoas que já tinham contato dentro da empresa. Apesar das vagas, terem sido anunciadas publicamente e várias pessoas terem sido entrevistadas, já se sabia quem iria ser contratado(a). Realmente uma vergonha! Vi há algum tempo um artigo no Aftonbladet que talvez seja uma indicacão de que essa situacão irá perdurar. Aqui está o link: http://www.aftonbladet.se/vss/kultur/story/0,2789,649132,00.html
Um abraco!
July 27th, 2005 at 15:49
Mary, eu não concordo completamente com a sua descriçao do mercado de trabalho brasileiro. Para mim sempre me pareceu um muro altíssimo e intransponível para quem não tem os contatos certos (ou seja, igualzinho ao sueco). Eu tenho certeza que lá eu não conseguiria emprego como eu consegui com a certa facilidade aqui, em firmas multinacionais - daqui eu me refiro a Inglaterra e Irlanda. Lá no Brasil eu só trabalhei em lojas (detestei, um desses empregos durou apenas 3 dias), como professora de inglês (freelance, ou seja sem carteira assinada) e no Anhembi ( funcionária pública com CLT, ou seja, eles podiam me mandar embora, como realmente mandaram vários dos meus colegas depois que eu saí). Sei que cada caso é um caso, mas minha irmã, por exemplo, após vários meses procurando um emprego, só conseguiu um estágio de seis meses, pelo qual ela ganha 500 reais mais transporte - sem carteira assinada, claro. E lá não tem essa mordomia sueca ( depressão? You are joking…)mas devo dizer que acho a idéia do Partido Verde bem-intencionada, só não sei se seria prática. A Holanda parece ter um meio termo interresante, não é um mercado fechado como o sueco nem tão selvagem como o inglês/irlandês, mas ainda assim é difícil achar emprego lá
July 27th, 2005 at 15:44
Mari,
a situação aqui na bota não é tão diferente da sueca. Aqui as regras para um contrato de trabalho por tempo indeterminado são super rigorosas (a demissão só permitida com justa causa, os impostos são altíssimos), e quem está dentro morre de medo de sair. A diferença é que os italianos simplesmente empurram com a barriga e não se deprimem por um emprego insatisfatório. Como diz meu irmão trabalho é trabalho, emprego é emprego.
A maioria das empresas só contrata por tempo determinado. Contratos de 1 ano que podem ser renovados por mais 1 ano e depois, ciao.
Já os profissionais liberais (que em teoria deveriam ser autônomos, fazer seus próprios horários) são obrigados a trabalhar 12, 14 horas por dia, finais de semana, no início não ganhar nada, sem direito a férias, décimo-terceiro, nada. A lei proíbe que eles sejam contratados com “carteira assinada”. Eu que o diga…
É muita proteção de um lado e nenhuma proteção do outro.
Não sei quanto é a taxa de desemprego aqui, mas certamente é muito maior que a taxa sueca. Meu marido diz que a Itália não é um país em decadência, é já decaído (e ele é italiano d.o.c.)…
Beijinhos,
Simone.