July 17, 2005

Londres

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Sétimo dia, 14 de julho
Saímos da estaçao de trem de Bournemouth rumo à Londres na quinta-feira, dia 14, cedinho. Durante a viagem, muito agradável, atravessamos o verdadeiro English Countryside, o que por si só já foi uma maravilha. Muitos cottages, vaquinhas, carneirinhos, campos verdes. Às dez em ponto da manha chegamos à estaçao de Waterloo.

Passamos por baixo do prédio da Shell (que definitivamente estraga a paisagem) e demos de cara com o London Eye e, do outro lado do Tamisa, as Casas do Parlamento e o Big Ben. Foi uma emoçao. Nao porque sempre tenha querido ver essa paisagem (well, uma parte de mim queria sim) mas por razoes mais pessoais que nao discutirei aqui.

Nessa hora, nao sabia pra onde olhava, se pro Big Ben, se pras Casas do Parlamento ou se pro London Eye, que é uma senhora roda gigante. Comentei sobre o tempo? Pois é, durante toda essa viagem, tanto em Bournemouth quanto em Londres, o sol brilhou de manha até a noite, de forma insistente e intensa. Em bom portugues: estava um calor de lascar côco a viagem toda.

Mas voltando: antes de entrar no London Eye, passamos por uma revista mais ou menos minuciosa nas nossas bolsas e por detectores de metal. Tudo verificado, entramos na nossa cúpula ovalada com ar-refrigerado. Foi uma viagem dentro da viagem. Londres cresceu à nossa frente: vimos a Catedral de St.Paul, o British Museum, o Tamisa dividindo a cidade ao meio como uma cobra verde-musgo. E, lá em baixo, os nativos, também chamados de Londoners.

Sim porque se tem uma coisa que eu gosto de observar quando viajo, além dos monumentos e das paisagens, sao os nativos. Me senti completamente a vontade em Londres. Nas ruas, fala-se todas as linguas e é relativamente raro escutar inglês. Sao muitos os orientais (japoneses e coreanos) e os indianos. Mas escuta-se também muito francês, holandês, português (muuuuito), húngaro (meu urso sabe como é) etc etc etc.

As saias das meninas inglesas estao curtíssimas, cortadas logo abaixo da bunda. Os rapazes parecem fazer questao de mostrar sua rebeldia por intermédio de cabelos cuidadosamente desarrumados e reforçados com gel (como o rapaz que nos vendeu os ingressos pra Torre de Londres, que mais parecia um porco-espinho muito bonitinho).

Bom, logo depois, atravessamos a ponte em frente ao Big Ben e nos dirigimos para o Palácio de Buckingham para ver a troca da guarda. Antes, porém, passamos pelo lindíssimo parque St. James. Nativos dando de comer aos patos, flores, gramados impecáveis, carvalhos mais do que centenários, uma coisa de looooouuuuuco.

Mas continuamos em frente, porque queríamos estar lá já que era na quinta-feira ao meio-dia que a Inglaterra pararia em honra aos mortos nos ataques terroristas do dia 7. Assim como nós, uma multidao teve a mesma idéia. Foi uma doidera encontrar um lugar ao sol, literalmente, pra ver os guardas com seus chapéus de pele de urso (coitado dos ursos e dos guardas, porque estava quente pra cacilda).

Mas, encontramos lugares, eu e Stefan, grudados nas grades do Palácio, M&M mais atrás. Eu e meu urso nos divertíamos escutando a duas adolescentes italianas, Julia e Isabella, que conversavam aos berros e faziam graça de absolutamente tudo. Quando a banda oficial deu o toque inicial para os dois minutos de silêncio, Julia perguntou a Isabella qual a música que eles tocariam naquele momento. Isabella, rápida como uma bala, respondeu: “La cucaracha”. Sem comentários.

Antes do meio-dia, porém, todo o staff do Palácio saiu de seus escritórios e, enfileirados na frente do castelo, prestaram seu respeito aos mortos. A rainha também estava lá, mas eu nao vi. O calor estava tao forte que um senhor (ou senhora - nao deu pra ver de longe), sentado no monumento circular da Rainha Victória, em frente ao palácio, teve de ser retirado de ambulância.

Depois disso, nos sentamos no Parque Green, e comemos nossos sanduíches, que Marcinha havia preparado com tanto cuidado. Já meio exaustos (eu, pelo menos), seguimos em frente, pra procurar um metrô, que nos levaria ao British Museum. Pois é, andamos sim de metrô mesmo depois das bombas. Nao foi uma escolha, mas uma necessidade. Londres é enoooorme, e as atraçoes estao espalhadas para todos os lados, de forma que é imprescindível ter um meio de transporte barato e rápido.

Aqui, vale uma confissao: fiquei com muito medo de andar de metrô. Muito mesmo. Estava aflita o tempo todo: olhava desconfiada para tudo e todos, principalmente para homens/rapazes de aparência árabe viajando sozinhos. Logo eu, pensei, logo eu que detesto racismo, que acho a discriminaçao um dos atos de violência velada (ou nao) mais terríveis que existe, logo eu! Fiquei imediatamente com raiva dos idiotas que se explodiram no metrô e no ônibus em Londres, assim como os que fizeram/fazem o mesmo na Turquia, em Israel, no Iraque, no Afeganistao ou na Espanha.

Nao vou analisar profundamente o radicalismo islâmico, até porque nao tenho capacidade para tanto. Além do mais, pelo que li na imprensa britânica nesses dias, todos os líderes religiosos muçulmanos condenaram os ataques. Vi, inclusive, um desses líderes ser confrontado fisicamente na TV por extremistas londrinos. Já disse e repito: tenho horror a extremismo, seja ele muçulmano, sionista, cristao/católico ou qualquer outro.

Voltando: os vagoes de metrô estavam ainda mais sufocantes do que as ruas. E cheios. Cheiíssimos. Mas sobrevivemos. Logo estávamos no British Museum. Vimos a coleçao do Egito (aquela roubada no país pelos exploradores britânicos dos séculos passados e que o governo egípcio quer de volta), livros armazenados na biblioteca real, arte greco-romana, estátuas impressionantes, cabeças bizantinas (eu acho), budas, e muito, muito mais. A sala de leitura do museu é, por si só, uma maravilha.

Saímos dali direto pro hotel. No caminho, passamos pela Tavistock Square, ainda fechada pela polícia. Foi lá que explodiu o ônibus número 30. Uma hora depois, de banho tomado e meio famintos, saímos novamente. Passamos pela estaçao de King’s Cross, onde uma das bombas explodiu. Foi tocante ver as flores deixadas num pequeno espaço criado para as homenagens. Uma bandeira verde, com uma bola vermelha me chamou atençao (veja foto no link acima). Nela, estava escrito que o Corao nao defende atos extremos como aquele.

Mais emocionante ainda foi ver os cartazes, espalhados por toda Londres, com fotos das pessoas que provavelmente foram mortas nos ataques, mas que ainda sao dadas como desaparecidas (por falta de identificaçao). Como Marcinha descreveu bem, deu um nó na garganta mesmo.

No final do dia, fomos para o Covent Garden. ADOREI. Lojinhas alternativas, restaurantes bacanas, feirinha, livraria Banana, bares, shows. Assistimos a um artista de rua sentados na calçada, comemos uma pizza, e fomos pro hotel, dormir.

Oitavo dia, 15 de julho

Meu aniversário! Acordamos tarde, ganhei presente de M&M com cartao lindo, nos vestimos, tomamos café e nos mandamos. Nossa primeira parada foi a Torre de Londres, onde passamos a manha e boa parte da tarde. Seguimos um Yeoman, que conta a história da Torre de forma interessante e engraçada para um mar de turistas; vimos as jóias da coroa (diamantes, rubis, safiras e opalas indianas e africanas) e nos divertimos com os corvos reais. A Torre Branca, onde ficam as armas, armaduras e a capela onde os condenados a morte passavam sua última noite vivos, dentre eles rainhas e reis, é visita obrigatória.

Depois de um almoço (= sanduíche de atum), comemos um pedaço de torta de chocolate belga (estava um sonho), cantamos parabéns, e nos dirigimos para um dos bairros mais chiques de Londres, Kensington, para visitar o Museu de Ciências e ver a exposiçao do The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy. Saímos de lá quando o museu já estava fechando (e eu ainda estava falando com meu pai no celular). Logo depois, M&M ainda acharam energia e simpatia para nos levar pra visitar a Harrod’s. Nao comprei nada, mas quase pirei no departamento de louças e artigos pra casa.

Depois disso, pegamos o metrô novamente e fomos direto para Waterloo, aguardar o trem para Bournemouth, que saiu pontualmente às 20h5min. Duas horas depois, muito cansados, chegamos em casa. Queria dizer aqui, em público, meu MUITO OBRIGADA, à M&M, que foram companheiros de viagem excelentes, e que sem mesmo precisar ir a Londres, se prontificaram a ir conosco. Dear M&M, thank you very much for all these days. I thank you for your generosity, patience and friendship. Now we wait you in Sweden again!

Fotos novas!

A palavra em sueco do dia é engelska, inglês.

Filed under: Inglaterra — Maria Fabriani @ 10:22

14 Responses to “Londres”

  1. Mary Says:

    :c))) do meu também, Luciana!

  2. luciana Says:

    Ahhhhhhhhhh (grito enorme)… a minha cidade do coração :-)

  3. Mary Says:

    Obrigada, Ana Lucia! Beijocas!

    Obrigada, Flavia! E parabéns pra você também! :c)

  4. Flavia Says:

    Oi Maria, antes de mais nada Parabens atrasados… Como tbem foi o meu aniversario, eu e meu marido passamos o final de semana fora e so voltamos hoje. Mas parabens mesmo, parece que o seu anviersario e a lua-de-mel, tudo emendado foi demais. Vi as fotos e li os seus posts todos, da vontade de estar la tbem.

    Tudo de bom e que tenha varios desses momentos lindos na sua vida!

    Beijinhos!

  5. Ana Lucia Says:

    Parabéns atrasado pelo niver Mary, que pelo jeito foi maravilhoso. Muitas felicidades e muitas viagens maravilhosasa assim. Apesar dos atentados nada nesse mundo consegue tirar a beleza de Londres. Beijao !

  6. Mary Says:

    Karenin, nao estou lendo nadinha de nada… :c))) Mas já já isso vai mudar…

    ÔÔôô, Patty, obrigada queridoca! Vou lá agora! Beijocas e obrigada pelo email! :c)))

    Ouvi sim, querida Pururuquinha, maluquéti! Já te respondi! Um beijo enorme!!!! :c)

    Ah, Marcia de Souza, você tem que ir visitar! Ainda mais morando tao perto! Nao pode perder! :c)

    Obrigada, Cilene, sou jornalista sim mas nao trabalho como tal aqui nao. E, sim, como voce disse, é bem complicado ser jornalista aqui sim. Obrigada pela visita! :c)

    Marcia Kawabe, voce tem que vir visitar a Inglaterra. Realmente vale a pena. É o maior barato! :c)

    Ana Maria, acredite se quiser, mas estou com alergia a sol. Ok? O pouco da minha pele que fica exposta a sol muito forte (direto), fica vermelho e comeca a coçar. Agora, veja se eu posso com isso? E, para constar, nunca gostei nem me dei bem com o verao carioca. Sempre passei mal, quase desmaiei em várias ocasioes. Um saco!

  7. Ana Maria Says:

    Mary, deixo aqui meus parabéns pra você, ainda que atrasadíssimos. Muitas felicidades, aproveite a vida. Beijo grande.
    Agora me diga: como uma carioca pode estranhar tanto o calor europeu ? A temperatura aí chegou algum dia aos 42ºC do nosso senegalesco verão ?

  8. Marcia kawabe Says:

    Oi Mary!

    Acompanhei toda sua lua-de-mel na Inglaterra e adorei, especialmente a visita a Londres. Eu não conheço Londres, mas já vi alguns programas na tv onde eles mostram a visita a Torre de Londres com os guias vestidos a carater e contando estórias bem legais de acontecimentos passados lá, e sempre tive vontade de conhecer; com seu relato então, fiquei com mais vontade ainda!

    Bjs

  9. cilene Says:

    Voltei…vc e jornalista? trabalha na Suecia na sua profissao??? o ruim de ser jornalista..e que trabalhar em paises de lingua tao complicada como Suecia e Noruega e muito dificil…as vezes me sinto tao mal com isso…bom feliz aniversario atrasado…e ja li sobre sua vaigem a Londres…

  10. Marcia de Souza Says:

    Mas essa foto tá show de bola mesmo! Sabe que eu nunca entrei na Tower of London? Um sacrilégio, eu sei, mas eu sempre achei muito caro,fui adiando, adiando, até que fui embora sem conhecê-la por dentro! Fica para a próxima.
    Sim, Londres é uma babel, com alguns enclaves distintamente brazucas (o comecinho da Oxford Street, por exemplo). Fico feliz que tenha aproveitado bem a visita, e o negócio é não ter medo, pois é isso que os terroristas querem. Esse realmente foi um aniversário para entrar na história! Bjs,

  11. Pururuca do Brejo Says:

    Maria querida,
    eu deixei recado na secretária da Marcia, você não ouviu?
    Beijos

  12. Patricia Says:

    MARY, agora já conheco Londres todinha!! srrss
    Deixei um post em sua homenagem também pelo seu aniversário! Tudibom.
    Välkommen hem!

  13. Karenin Says:

    PS> e venho aqui sempre checar qual livro está lendo! :o ) Beijooooo

  14. Karenin Says:

    Ooooi maricota!!! De volta em csa depois de um banho londrino! Com direito a comemoração de aniversário. Espero que tenha recebido meu mail felicitando-te no dia! Bom saber que tanta coisa bacana tem acontecido pra vc, não? E, sempre tem um gostinho bom voltar em casa depois de merecidas férias, não? Beijocas pra vc!

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