December 15, 2004

Sem drama

ssa coisa de universidade é ótima mesmo. Fico feliz em acordar todos os dias e saber que tenho algo produtivo pra fazer com a minha vida. No entanto, o fato de estar fazendo universidade aqui não assegura em nada minha condição profissinal futura. Em bom português: mesmo com diploma sueco, ainda corro um risco muito grande (maior do que minhas colegas de turma) de ficar desempregada depois de formada.

Não, não é drama dessa vez não. O Statistiska Centralbyrån (SCB), o IBGE daqui, divulgou na semana passada uma pesquisa que só confirma meus medos mais profundos: Um terço dos imigrantes com educação superior não consegue arrumar um emprego. Já dentre aqueles que trabalham, 20% têm um emprego que não corresponde ao nível de sua formação formal (médicos iraquianos e arquitetos iranianos que dirigem taxi pelas ruas de Estocolmo, por exemplo). A situação é ainda pior se você for homem com raízes na África ou mulher vinda da Ásia.

Uma das razões dessa disparidade é, segundo o SCB, a falta por parte dos imigrantes de uma rede de contatos, que facilita na hora de conseguir entrevistas de empregos, dicas quentes de vagas etc. Um nome não-sueco e um background estrangeiro (leia-se vivido em algum país não-europeu ou não-americano) também são razões para a dificuldade de encontrar um trabalho condizente com a sua competência, segundo o SCB. (Já escrevi sobre isso aqui).

Aí você pensa: ah, mas essa galera deve falar um sueco péssimo, né? Nem sempre. Dois terços dos imigrantes ouvidos para a pesquisa dizem poder acompanhar uma discussão em sueco sem problemas. Eles podem, inclusive, apresentar trabalhos, argumentar e escrever em sueco. A metade dos imigrantes podia fazer a mesma coisa também em inglês. Pra vocês que lêem em sueco, o relatório está aqui.

E hoje o Kanal 5 mostra o último episódio de Friends. Nunca fui fanática pela série, mas sempre gostei de assistir às maluquices deles. Meus favoritos são, disparados, Joey e Phoebe. Eles são o máximo, num tem pra ninguém. Mas, confesso, sempre tive uma quedinha pelo Chandler. Hohoho.

Filed under: Vida de imigrante — Maria Fabriani @ 09:31

17 Responses to “Sem drama”

  1. Mary Says:

    isso a, Tom. Eu tambm fao isso. At pouco tempo atrs sempre entregava meus trabalhos/provas em pastinhas de plstico transparente (era a nica da turma de 90 que o fazia). O problema que teve uma professora que no devolveu minha pastinha no final, e descobri que todos tiram o trabalho da pastinha pra poder corrigir direito. Ento agora s entrego papel mesmo. Mas, mesmo assim, coloco um logo da universidade na pgina de rosto. Todas as minhas colegas acham o mximo… hehehe.

  2. Tom Taborda Says:

    E uma regrinha que sempre segui: nos trabalhos para a faculdade, esquecer que ‘trabalho de colgio’, mas imaginar que para ser publicado, ou apresentado _____ (preencha com onde gostaria que fosse publicado) e fazer um trabalho profissional, para o mercado, e no ‘para o colgio’.

    Bjs

  3. Mary Says:

    Pode crer, Tom, o mais importante na faculdade, depois do conhecimento, lgico, so os contatos estabelecidos.

  4. Tom Taborda Says:

    Diploma no garantia de emprego, sobretudo na rea de formao, em nenhum lugar do mundo.

    claro que existem diplomas de maior peso: Harvard, MIT, Sorbonne, Johns Hopkins. Mas uma lista restrita. E de acesso ainda mais restrito.

    Ento, devemos fazer faculdade? Claro que sim (fiz duas: Medicina e Jornalismo) pois, alm do conhecimento (sempre se sai aprendendo algo, por pior que seja), na faculdade que se faz a rede de QI, vamos fazendo contatos, sabendo quem quem na rea. Contatos que sero fundamentais com o diploma na mo.

  5. Mary Says:

    Ana Maria, seria timo se pudesse fazer isso e, vips-vaps, meu problema desaparecesse. :c) Alm do que, como disse a Marcia de Souza no comentrio acima, o sobrenome do meu urso holands. No ajuda muito no…

    Marcia de Souza, eu no mudo meu nome no. Sei l, acho estranho essa coisa de se transformar numa outra pessoa quando se casa… Mas vamos ver, essa ainda uma questo em aberto na minha vida.

    Nossa senhora, Ana Lcia, e eu achando que o Canad era um exemplo em integraco! :c/

  6. Ana Lucia Says:

    Mary do cu, os tais 20 % de imigrantes que trabalham num emprego que nao correspondem ao nivel de formaao at que nao sao tao ruins assim. Aqui no Qubec, tem nao somente imigrantes nessa situaao, mas quebequenses ” puros ” tambm. Mas um tero que nao arruma emprego du tout… brabo. Podia te contar algumas experincias que tenho visto mas vou te economizar ! Quanto a ti, continue na luta, apesar de nao ver a realidade cor de rosa, tenho plena confiana que tu s uma guria brilhante e que tu vais ter o teu lugar ao sol na sociedade sueca. Beijao

  7. Marcia de Souza Says:

    Bom pelo nome nem se voce se casasse ajudaria muito, voce se tornaria a Sra Pieksma, ou seja, um perfeito sobrenome holandes, hohoho. Mas talvez ajude mais do que um que soe latino ,sei la…sei que o meu nome eu nao mudo mais!

  8. Ana Maria Says:

    Maria, eu ia dizer que tambm tenho uma quedinha pelo Ross, mas melhor dizer tombo logo de uma vez.
    Quanto ao emprego, adote o sobrenome do Stefan, pinte os cabelos de louro sueco, compre umas botas peludas e falar sueco bem eu acho que vc j faz isso no seu dia-a-dia. Entonces est resolvido o problema. :-))

  9. Mary Says:

    Concordo, Maria de Souza, o importante mostrar a competncia sim. O problema que aqui, quando se fala sueco com sotaque ou o seu nome algo diferente do que eles estao acostumados, nem entrevista de emprego voc consegue. Se CV vai direto pro lixo.

    Oi Eduardo, nunca fiz uma pesquisa extansa sobre a possibilidade dos socionomer por aqui, mas, respondendo sua pergunta, sim eu estou disposta a me mudar sim para conseguir trabalhar. Tomara que quando eu me formar, em dois anos e meio mais ou menos, possa encontrar um mercado de trabalho um pouco melhor, ainda mais com os 40-talistas saindo pra se aposentar. Continuo estudando e cruzando os dedos.

    Ah no, Cido, querido, Ross?????? Blgrth!!!! :c/ Hohoho.

    verdade samanta. Tem um rapaz na minha turma que veio da Somlia e ele, se no tivesse j trabalhado muito por aqui (ele veio pra Sucia crianca) teria srios problemas.

    Hohoho, tem razo, nanda hohoho. O nico problema que no sou muito boa com matemtica.

    Acho que sim, Alessandra, as coisas devem sim melhorar com o tempo. Tenho a impresso que precisa-se de duas geraces (cerca de 40 anos) para que a situaco melhore de vez, como hoje em UK.

  10. Alessandra Says:

    Sera que esse contexto muda com o tempo? Em UK algumas areas estao preferindo contratar estrangeiros pelo valor da mao de obra, mas tambem nao sei quais estrangeiros, levando em consideracao que tem americanos, australianos e outros “english speakers” e imigram para la.
    Friends, eu acho dificil escolher 1 ou 2, todos eles tem algo que eu gosto, ou me indentifico ou indetifico algum amigo querido, a Monica por exemplo e iguaizinha minha melhor amiga.

  11. nanda Says:

    O negcio ser formado em estatstica… a no tem perigo de ficar sem emprego na sucia.
    hehehehe
    bjus

  12. luciana Says:

    bom lembrar que no brasil tambem tem muitos advogados vendendo cachorro quente na rua. em eu sou apaixonada pelo ROSS hohohhoho

  13. samanta Says:

    Oi Mary,

    Putz, realidade dura essa. Mas bola pra frente, at mesmo porque pra voc vai ser muito mais facil fazer uma agenda com contatos do que muitos dos outros imigrantes. Triste dizer isso, mas se voc no usa leno na cabea e no tem a pele mais escura, suas chances aumentam. Dificil mesmo vai ser pros outros estudantes estrangeiros que vo se formar com voc.

    Sobre o Friends, eu tb vou de Phoebe e Chandler. Alias, mas Phoebe do que Chandler! ;)

  14. Cido Says:

    , Mary, infelizmente os nmeros por aqui no so muito diferentes, mas temos que pensar positivo e dar o melhor da gente, que o que vc est fazendo! ;)
    Os meus favoritos tbm so a Phoebe (Smelly cat, smelly cat… hohoho) e o Joey (how you doing), mas minha quedinha pelo Ross. ;)
    Smacks

  15. Eduardo Says:

    Oi Maria!

    Pois , a situao no esta fcil para ningum, (ndice de desemprego aqui na Sucia quase 8%) ainda menos para ns, imigrantes. A respeito da sua escolha profissional, voc j pesquisou se o mercado de trabalho favorvel para socionomer a no norte ou voc tem planos de mudana aps concludo o curso?
    Um abrao!

  16. Marcia de Souza Says:

    Entao o “QI” rola ai tambem…mas olha Mary, eu entendo que voce tenha essa preocupacao, mas o negocio e voce mostrar sua competencia, sempre. Infelizmente eu vi que nos nao podemos nos dar ao luxo de errar. Ou mesmo de viver as custas do governo. Se voce inventa de tirar aquelas licencas longas de doenca, ja vao dizer” olha ela la, vivendo as cusatas do governo”! E se voce ja esta se sobressaindo no curso, e sempre um bom sinal! Continue fazendo sua voz ser ouvida, um dia a responderao. Bjs,

  17. :: Montanha-Russa 4.3 :: » Democracia racial? Fala srio. Says:

    […] Leia mais sobre esse assunto nos meus posts antigos: A Europa da excluso, Que coragem!, Sem drama, Mais 20 anos pela frente, Voc no bem-vindo, Notcias do Primeiro Mundo V e finalmente Racismo na Escandinvia. […]

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