October 22, 2011

Tudo bem

Estou em pé, na cozinha, ouço rádio (P1) e faço panquecas como todos os sábados (se não faço tenho uma insurreição nas mãos). Meu urso na sala, meio assistindo TV, meio brincando com o tablet que ganhou de aniversário. Max anda de um lado pro outro, fala o tempo todo, conta histórias de canhões que explodem, me oferece peixe (de papel) pra comer, pergunta se as panquecas estão prontas, faz quebra-cabeça do filme “Cars” e joga o ursinho preferido no chão pra demonstrar que ele - o urso - não pode voar. E eu reparo que isso é vida, e vida boa. Estou feliz.

E hoje nevou.

Filed under: De bem com a vida,Eu ♥ a Suécia,Vidinha — Maria Fabriani @ 16:27

October 14, 2011

Falando em ficar sozinha…

Meu urso está fazendo sauna na casa do vizinho. Max dorme. Com um olho assisto a um documentário, algo sobre o sistema solar. Com o outro estou fazendo o que me é costumeiro quando saboreio minha solidão: planejo compras de livros. Sei que soa meio lame, mas a possibilidade de comprar e ler livros interessantes me dá um prazer incrível. O problema é que às vezes até essa atividade bacana pode ser um pouco demais. Ainda mais quando acaba-se de receber um pacote de livros encomendados na semana passada. Ainda mais quando trabalha-se apenas 75% - e recebe-se apenas 75% do salário. Ainda mais quando resolve-se contratar uma empresa pra limpar a casa a cada duas semanas (mais do que isso é impossivelmente caro). Ainda mais - e principalmente - porque quero evitar excessos.

O que estou lendo agora? Ah, nada glamouroso. Trata-se de “Physician”, de Noah Gordon. Na verdade, é uma releitura. O mais bacana é que eu e meu urso estávamos conversando no outro dia (na verdade, durante nossas férias no Rio no verão). Não sei porque entramos nessa de lembrar de um livro que gostamos muito. Eu lembrei desse do Noah Gordon, mas tinha esquecido do título e do autor. Só lembrava da história que me impressionou quando o li há quase 20 anos (antes de urso, Suécia e Max acontecerem). E não é que meu urso sabia exatamente que livro era, disse que também tinha lido e chegamos à conclusão que lemos mais ou menos na mesma época? Ora vejam só.

Filed under: De bem com a vida,Elucubrações,Livros — Maria Fabriani @ 20:32

October 13, 2011

“How to be alone”

Adoro! Adoro porque me dá um alento. Porque sinto uma falta danada de ficar sozinha. Ao mesmo tempo em que tenho plena consciência que sinto isso porque sei que a solidão é escolhida e temporária.

Filed under: De bem com a vida,Elucubrações,Vidinha — Maria Fabriani @ 20:03

October 12, 2011

Já?

O ar está frio, o vento mais cortante do que o normal. Parece que daqui a pouco teremos neve.

Filed under: Europa & Escandinávia,Variedades,Vida de imigrante — Maria Fabriani @ 20:02

October 11, 2011

O mistério dos números primos

Bernhard Riemann

Estou nesse exato momento assistindo a um documentário intitulado “O mistério dos números primos”. Gosto muito de ver documentários sobre astronomia, física, química, mas especialmente matemática. Gosto de ver gente apaixonada por números. Gosto da dedicação dos cientistas, gosto que essas pessoas (homens na sua maioria) dedicam a vida a resolver um problema. Gosto que os problemas são muito maiores do que os números. Gosto que há uma necessidade de encontrar algum tipo de explicação… para tudo. A theory for everything.

A sensação que tenho é que no final acaba-se por se falar não em números, mas em vida, sentido, natureza e a possível existência de mistérios ocultos que expliquem a vida. Gosto de pensar em matemática como uma linguagem. Ao mesmo tempo, adoro já ter passado por escola e universidade e não precisar mais estudar matemática. Vamos ver como é que vai ser quando Max precisar ajuda com dever de casa (!!!).

Enfin, mes infants, quando se fala por exemplo em Euler e sobre a hipótese de Riemann, (chave para a compreensão dos números primos), fala-se não apenas da teoria dos números primos, mas imagina-se que talvez os números primos tenham uma razão de ser e estejam conectados à beleza universal, uma espécie de forma perfeita. Existe coisa mais interessante?

Nunca gostei de matemática. Quer dizer, gostei, mas só até quando conseguia resolver os problemas. Quando começava a falhar, o que acontecia sempre, ia me dando um desespero muito grande, uma sensação de incompetência que me deixava inconformada. Mas gosto de matemática quando apresentada como “arte”, como teoria de ordem do universo.

Esse documentário que estou assistindo, já meio antigo, é japonês e não tão bom. Gosto muito de assistir aos documentários da BBC, série Horizon, apresentados por Marcus du Sautoy, que é professor “for the Public Understanding of Science” e professor de matemática na universidade de Oxford. Os documentários dele são bacanérrimos. Veja aqui uma página dele na BBC.

Filed under: De bem com a vida,Elucubrações,Vidinha — Maria Fabriani @ 19:31

October 9, 2011

“Corrupção” à la Suède

O assunto da semana é que o líder do partido socialdemocrata sueco, Håkan Juholt [rôôkan iuurrôlt] foi pego com a boca na botija: há anos ele recebe indevidamente ajuda financeira para pagar um apartamento em Estocolmo. Isso é comum, já que os parlamentares vêm de todos os cantos e precisam morar na capital onde é praticamente impossível conseguir um apartamento e, além do mais, são obrigados a manter suas casas/apartamentos nas suas cidades natais.

Juholt diz que não estava a par das regras, mas ninguém acredita. Ele é parlamentar desde 1996. Ele recebeu mais ou menos 200 000 coroas (cerca 60 000 reais) a mais. Ele já pagou tudo de volta. Apesar disso, parece que a confiança dos nativos por ele e pelo partido ficou abalada. O que não ajuda dos socialdemocratas, que já estão na oposição há seis anos.

Mas Juholt não é o primeiro líder socialdemocrata a ter problemas com regras: a outra líder dos socialdemocratas, Mona Sahlin, foi acusada de corrupção nos anos 90. O que ela tinha feito? Ah, ela comprou um chocolate Toblerone com o cartão de crédito do parlamento. Quando o partido de direita Moderaterna subiu ao poder, chamou uma série de pessoas para ocupar cargos ministeriais. Vários caíram antes de sequer tomar posse. A razão: alguns não pagavam o imposto da televisão, outros tinha babás sem carteira assinada.

Fico sempre enternecida com os casos de “corrupção” suecos! É ou não é uma gracinha?

October 6, 2011

Poeta ganha o nobel de literatura


O poeta sueco Tomas Tranströmer. Foto: DN.se

O poeta sueco Tomas Tranströmer (foto), 80 anos, ganhou o Nobel de literatura desse ano. Ele é o oitavo sueco a ser escolhido. Os últimos nativos a ganharem o prêmio, Eyvind Johnson (que vem de Boden!) e Harry Martinson, dividiram a honra em 1974. Naquela época a escolha da academia sueca foi muito criticada por se tratar de dois escritores suecos e desconhecidos do grande público. Além do mais, eles eram membros da academia que os escolheu, o que causou um certo desconforto.

Com Tranströmer a coisa é bem diferente. Ele é uma unanimidade na Suécia e nos países nórdicos. Ele é considerado fácil de ler e já foi traduzido para dezenas de idiomas (mas no Brasil, infelizmente, a obra dele ainda não existe). Além de poeta, ele é psicólogo e trabalhou muitos anos numa cadeia em Estocolmo. Ele é casado desde 1958 com Monica. O casal tem duas filhas. Em 1990 Tranströmer sofreu um derrame e perdeu quase toda a capacidade de falar. Mas ele continuou a escrever e a tocar piano (queria ser músico).

Li alguns poemas dele online (os livros estão todos esgotados) e achei fascinante como ele descreve o que está dentro de mim/na minha cabeça sem nunca ter me encontrado. Gosto que ele fala da vida emocional e espiritual com uma linguagem que inclui referências da natureza. Isso o faz tipicamente sueco, mas o fato dele escrever sobre as coisas mais básicas do ser humano (vida, morte, amor, medos, angústias etc), faz com que ele soe universal.

Pessoalmente, adorei que tenha sido um poeta, apesar de ter sido, na minha opinião, i poeta errado (tsc, tsc).

Filed under: Eu ♥ a Suécia,Europa & Escandinávia,Livros — Maria Fabriani @ 20:44

October 2, 2011

Noruega

Estávamos no Rio, mais precisamente no shopping Leblon, minha segunda casa carioca. Dia 22 de julho. Meu urso conferia as novas pelo celular graças à free wifi zone do shopping. A notícia da explosão em Oslo e depois do massacre na ilha de Utöya. Eu pensei, cheia de preconceito: vai ficar ainda mais difícil ser árabe na escandinávia. Logo depois, a divulgação da foto do suspeito, ABB, cujo nome não escrevo aqui pra não chamar a atenção de quem googla sobre isso na internet. Um rapaz lindo, tipicamente norueguês. Ficamos meio que em estado de choque.

Já na Suécia, três dias depois, não se falava em outra coisa. Todos chocados. Ninguém podia prever que a extrema direita, conservadora até o último fio de cabelo, pudesse fazer uma loucura dessas. O serviço secreto norueguês (assim como o sueco) dizia-se estar sem condições de prever ataques de extremistas solitários. Malucos completos, como esse ABB parece ser, que agem completamente desconectados de tudo e todos. Entrevistaram o pai do rapaz, que mora na Espanha, se não me engano. A vergonha dele enorme (a mãe não entrevistaram, interessantemente).

Mas o que realmente me tocou nessa história toda foi como a Noruega como país tomou conta dos que sobreviveram e da memória dos que não tiveram a mesma sorte. Vi na TV que todas as velas acesas pelas vítimas da tragédia seriam recolhidas e reaproveitadas para fazer novas velas em memória dos mortos. Que todos os ursinhos de pelúcia deixados na ilha onde dezenas de jovens morreram assassinados, seriam recolhidos e depois mostrados num memorial ainda a ser construído. O mar de flores deixado por quem queria homenagear os mortos seria de alguma forma preservado.

Aí, pensei: está aí a diferença entre primeiro mundo e o resto. Não sei ao certo o que me fez pensar nisso, nem sei se é verdade ou se tem algum tipo de conexão com a realidade política e cultural de Noruega e, por exemplo, do Brasil. Mas quando vi como os noruegueses pretendiam tomar conta das manifestações de carinho e saudade de um povo, achei instintivamente que uma diferença básica existe. Se bem que, pra falar a verdade, não saberia dizer qual essa diferença seria.

Dias depois, fizeram um concerto em Oslo, com artistas famosos daqui, poesia e música. Leram também todos os nomes das 77 vítimas da pior tragédia que a Noruega sofreu desde a invasão alemã durante a segunda guerra mundial. No meio dessa incrivelmente delicada cerimônia que assisti pela TV (assim como milhares de suecos), um grito desesperado. Uma pessoa - ficamos sabendo depois quando uma repórter visivelmente abalada contou - não aguentou o tranco e se desesperou quando viu a foto de um parente (filho/filha) no telão do teatro. E aí pensei: somos diferentes, porém muito iguais. No fundo, no fundo, muito iguais.

Filed under: Europa & Escandinávia,Notícias do primeiro mundo — Maria Fabriani @ 08:04

October 1, 2011

Sábado à noite

Sentada no sofá. Hoje comprei um pequeno netbook, daqueles que são pouco maiores que um livro. O meu é lindinho, preto e verde. A idéia é poder escrever quando der vontade, no único tempo livre que tenho: à noite, no sofá. Vamos ver se vai dar. Vamos ver se sai alguma coisa digna de ser publicada.

Na TV vejo um programa chato sobre magia. Não gosto de mágicos, nunca gostei (que eu me lembre, talvez meu pai vá dizer que não é verdade) mas o que me lembro é de achar essa coisa de mágica meio passé. Os caras (invariavelmente são homens) sempre suados, acho que nervosos, morrendo de medo que o número não dê certo.

E eu fico ali, vendo aquela joça, achando tudo ridículo, lencinhos aparecendo de um lado pra outro, flores de papel crepom, serrotes, ajudantes com trajes ultrajantemente decotados, tudo meio, si lá, decadente. Vou ficando nervosa com o cara, coitado, já pensou de der tudo errado? Ai, não aguentaria a vergonha. Ia ter que mudar de canal, como sempre faço quando o âncora do jornal chama uma matéria que não vem, ou cujo som está defeituoso.

Mas eu continuo assistindo ao programa porque meu urso gosta (claro, somente por causa disso, porque sou uma pessoa solidária e porque posso sentar aqui do lado e escrever isso - na melhor tentativa de ser espirituosa - no meu netbook). Meu urso esclarece que o que ele gosta não é a mágica em si, claro, mas tentar descobrir como o cara conseguiu pull it off. Claro.

Amanhã quero escrever sobre a Noruega. Vamos ver se vai rolar.

Filed under: De bem com a vida — Maria Fabriani @ 20:14
 

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