Como vocês todos sabem (a menos que tenham passado o final de semana numa ilha deserta), um rapaz sueco de origem iraquiana se matou no coração de Estocolmo, a poucos metros da rua mais movimentada da capital, Drottninggatan. Foi o primeiro homem-bomba a agir em solo escandinavo. Duas pessoas se feriram, mas nada grave.
A explosão foi relativamente pequena, explicaram os especialistas. O rapaz, ao que parece, planejava se explodir num local muito mais populoso, na estação central ou no meio da drottninggatan, mas parece que uma das bombas explodiu antes do tempo. O carro dele, estacionado há metros dali, também explodiu.
Agora começam as especulações. A Suécia já foi palco de uma ação terrorista: o grupo Baader-Meinhof explodiu a embaixada da Alemanha Oriental em Estocolmo em abril de 1975. Mas dessa vez as coisas são diferentes. O rapaz que se explodiu completaria 30 anos ontem, era casado, tinha duas filhas e morava num apartamento na pequena cidade de Tranås, no interior sueco.
Os britânicos informaram à polícia secreta sueca, cujo nome é, pasmem, Säpo (pronuncia-se séépo) que estavam investigando o rapaz. A razão é que ele morou em Luton, perto de Londres, e estudou na mesma universidade dos rapazes que se explodiram no ônibus e no metrô da capital britânica em 2005.
Ontem na TV, representantes da comunidade muçulmana estavam muito preocupados com a repercussão do ato terrorista. O ambiente, já complicado para quem tem raiz árabe, vai ficar ainda pior. Não se sabe ainda o quanto pior, mas melhor é que não vai ficar.
Os suecos ainda não estão acreditando que isso aconteceu aqui. A minha impressão é que alguns nativos têm dificuldade de aceitar que o país não é mais homogêneo, que as coisas mudaram. E mudaram mesmo. Desde o início da guerra do Iraque, em 2001, a Suécia recebeu mais refugiados iraquianos do que qualquer outro país do mundo. Se não me engano, a colônia iraquiana já completou 50 mil pessoas (muitíssimo mais do que os EUA inteirinho.)
Imagina como é que vai ser a vida dessas pessoas a partir de agora?
A palavra em sueco do dia é självmordsbombare, homem-bomba (mais ou menos).