November 28, 2010

O que dizer?

O que dizer sobre o que está acontecendo no Rio? O que dizer?

A palavra em sueco do dia é krig, guerra.

Filed under: Elucubrações — Maria Fabriani @ 19:11

November 14, 2010

É campeão, é campeão!

Há duas semanas fomos ao ambulatório para o controle dos três anos de Max. Ele continua maior do que a média, tanto em altura (1 metro) quanto em peso (17 quilos), mas a enfermeira disse que está ótimo porque peso e altura estão aumentando paralelamente.

Ela testou a fala também. Max ainda fala meio enrolado, engole algumas letras, tipo “s” no início das palavras (suecas), troca “f” por “p” etc. Quando ele fala português, no entanto, a dicção é ótima. Mas a enfermeira só queria saber se ele compreendia o que era, se respondia cognitivamente de forma adequada às perguntas dela.

Então mostrou um cartão com uma imagem de uma macã e perguntou o que era aquilo. Max nem pensou, “macã”, disse ele em sueco, e assim foi em todos os cartões, “carro”, “pá”, “lápis” etc. Aí a enfermeira perguntou o que se podia fazer com aquelas coisas e Max, mais do que depressa, foi dizendo um monte de verbos, tudo o que podia-se fazer com uma macã, por exemplo, “lavar, cortar, comer”, e assim por diante.

A enfermeira escreveu no papel dela que ele estava ótimo, com compreensão excelente. Eu, orgulhosíssima ao lado, quase saí gritando “é campeão, é campeão!”

Passei semanas relatando isso a todos os meus conhecidos, estivessem eles interessados ou não. Agora é a vez do blog. :)

A palavra em sueco do dia é underbar, maravilhoso.

Filed under: Max e a maternidade,Vidinha — Maria Fabriani @ 08:07

November 8, 2010

O pulso ainda pulsa

Pois é. Aquela neve da semana passada derreteu. Mas já nevou novamente, e agora é pra valer. Essa não derrete mais. A foto acima é da varanda. Hoje é um daqueles dias que os nativos chamam de perfeito dia de inverno. Sol, sem vento, temperatura mais ou menos cinco abaixo de zero.

Estou lendo Kafka, O processo. Paralelamente iniciei os trabalhos para justificar minha ausência em ambos os turnos das eleições presidenciais. Estava preparadíssima para escrever um post amarguinho, ironizando a burocracia brasileira. Tinha até o título: “A vida imita a arte”, clichê necessário quando se lê o livro de Kafka e se tenta resolver um lance burocrático quando se mora a 1 000 quilômetros da capital nativa.

Mas, eis que entro em contato com a embaixada do Brasil em Estocolmo, e recebo emails ótimos, educadíssimos e diretos, sem problemas. Estou agradecida e contente. Vou agora preencher o formulário, copiar os muitos comprovantes de residência, tirar cópias da minha identidade e título de eleitor e enviar tudo em carta registrada pra embaixada.

Dedos cruzados.

E aqui na Suécia a história se repete. Na cidade de Malmö, no extremo sul sueco (perto da Dinamarca), um doido andou atirando em pessoas com aparência estrangeira. Uma moça morreu, ironicamente, a única que não era imigrante ou filha de imigrantes. Mas ela se encontrava num carro com um rapaz de aparência estrangeira. Ele ficou ferido gravemente mas se salvou. Ela não resistiu.

Ontem veio a notícia que a polícia local prendeu um suspeito, um rapaz nativo, solitário como todos os doidos parecem ser, fixado em armas e com medo que os imigrantes “tomem conta do país”. O pai dá entrevista prum jornal e diz que o rapaz é um atirador muito competente, com mira perfeita. Leio isso e me lembro do que li sobre o início da década de 90, quando John Ausonius, também conhecido como “lasermannen” fez a mesmíssima coisa em Estocolmo.

A história se repete porque naquela época, assim como agora, o clima político tinha endurecido depois de anos de recessão econômica. Foi nos anos 90 que o partido Ny demokrati, de extrema direita xenofóbica, ganhou assentos no parlamento sueco. Ausonius, como qualquer doido que se preze, sentiu o clima e partiu pro ataque. Escrevi sobre isso aqui, depois de ter lido o fascinante livro “Lasermannen” escrito pelo jornalista Gellert Tamas.

Vamos ver se a polícia pegou o homem certo, até porque só porque a polícia é sueca não há garantias de que a ação seja correta. Minha dúvida tem bases sólidas: na semana passada os moradores da segunda maior cidade nativa, Gotemburgo, acordaram sabendo que estavam sobre ameaça de bomba. A polícia deu coletiva de imprensa e disse ter certeza de que se tratava de uma ameaça concreta. Derrubaram a porta de uma família de origem árabe, e aos gritos no meio da noite, prenderam o pai por ameaça de terrorismo na frente dos filhos apavorados.

No final, parece que o pai de família tinha conversado com um outro no telefone e dito que estava com uma dor de cabeça tão violenta que a sensação era que a cabeça ia explodir. Bastou isso.

Dos dois incidentes tiro as seguintes conclusões: não viajarei a Malmö tão cedo e nunca mais comentarei minhas muito frequentes dores de cabeça com meus pais ou amigos quando no telefone.

A palavra em sueco dia é orättvisa, injustiça.

Filed under: Notícias do primeiro mundo,Vidinha — Maria Fabriani @ 11:23
 

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