July 22, 2009

Maldita bricolage!

Pela primeira vez na minha vida me lancei às dores e às delícias de fazer pequenas reparações na minha casa. Nada muito avançado, marque bem, apenas retirar o papel de parede com mais de 30 anos de idade das paredes da sala de TV, decidir o que colocar no lugar e depois fazê-lo. Um bocadinho de bricolage nunca fez mal a ninguém, certo?

Errado. Erradíssimo. Marinheiros de primeiríssima viagem, meu urso e eu nos lançamos à reforma de corpo e alma. Assim que Max foi tirar sua sonequinha da tarde cobrimos o chão com papel protetor e nos lançamos à tarefa de retirar o papel de parede das paredes. Assim, dito dessa forma, parece coisa simples, straightforward.

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Horas depois, quando Max acordou e nós paramos de trabalhar, estávamos exaustos. Se por um lado boa parte do papel de parede havia sido retirado, por outro lado meu pulso estava pedindo arrego. Horas arrancando, com a ajuda de espátulas afiadas, um papel de parede coladíssimo, não é brincadeira.

Retiramos grande parte do papel, mas ainda falta um bocado. Fomos à loja de produtos de obra pedir auxílio. Será que existiria um método mais fácil de retirar o papel de parede sem precisar ficar maneta? Sim, disse o rapaz entendido. Basta passar cola de papel de parede por cima, cobrir com um plástico e deixar de um dia pro outro.

A idéia me pareceu um tanto quanto idiota: passar cola de papel de parede para descolar papel de parede é meio suspeito, concordam? Mas, mais ou menos desesperados, fizemos isso ontem. Hoje fomos ver e, de fato, nos lugares onde a cola permaneceu molhada, pode-se retirar os restos do papel facilmente. O único problema é que esses lugares são raros. Raríssimos.

A conclusão é: deveríamos ter colocado muito mais cola nas paredes. Para evitar a derrota completa, meu urso - um rapaz arretado - está lá, lutando com os restos do maldito papel de parede. Eu já desisti. Depois do primeiro dia em que precisei de massagem no meu braço direito e anti-inflamatório pra poder dormir, cheguei à conclusão de que trabalho manual intenso e repetitivo não é a minha.

Uma dica pra você que quer redecorar sua casa, mudar de ares, pintar tudo novo ou fazer como os suecos e apostar em papel de parede: contrate um pintor.

A palavra em sueco do dia é tapet, papel de parede.

Filed under: De bem com a vida,Vidinha — Maria Fabriani @ 14:11

July 15, 2009

Viva!

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E hoje é o meu aniversário. Trinta e oito primaveras. And counting. :)

Filed under: Aniversários — Maria Fabriani @ 04:13

July 14, 2009

A princesa, o nerd e o bebê

Hoje é aniversário da princesa Victoria, que um dia será rainha da Suécia. Sempre escrevo sobre o aniversário dela por várias razões: 1) porque flirto descaradamente com um lado kitsch meu que adora príncipes e princesas, 2) porque lembro da minha avó querida que não tinha vergonha dessa paixão pela realeza (e por isso não a chamava de kistch), 3) porque Victoria é uma moça interessante e bonita, 4) porque ela divide a data com ninguém menos do que o late Ingemar Bergman e, finalmente, 5) porque ela faz aniversário um dia antes de mim (hint, hint.) :)

Mas esse ano tem mais uma razão: ela, finalmente, ficou noiva do namorado, Daniel Westling, com quem está amasiada há sete anos (a Suécia é uma sociedade moderna, pode crê) e com quem se casará em 2010. O anúncio aconteceu em fevereiro; ambos muito bonitos e felizes, sentados numa sala lindíssima do castelo. Ele de terno azul marinho, sorriso meio estranho, pele amarelada. Ela lindíssima, com um vestido espetacular de seda azul, um broche de brilhantes e o anel, singelo e bonito (milhares de quilates, claro).

Aí, dias depois do anúncio, o drama: a coroa solta um press release com a informação de que o noivo sofreu uma transplante de rim. O donador foi o pai. A causa do transplante foi um defeito congênito porém, atenção, não hereditário. Quer dizer, a linhagem real está assegurada. Aí, quando os herdeiros vierem, Victoria cumprirá seu papel de representar mais um lado do povo sueco. Isso porque ela será mãe “tarde”, depois dos 33 anos (ela nasceu em 1977).

Segundo o Socialstyrelsen, que é o órgão regulador da saúde pública e welfare nativos, a idade média das mulheres que têm seu primeiro filho por aqui é atualmente 28 anos. Isso é uma cifra média. Nas cidades grandes, tipo Estocolmo e Gotemburgo, grande parte das mães de primeira-viagem têm 35 anos ou mais.

Aliás, falando em estatística, meu mega-super-hiper-geek urso descobriu uma home page fantástica chamada Wolfram Alfa, em que informações sobre países podem ser comparadas automaticamente. Digitei lá “Brazil natality vs Sweden natality” e o resultado está aqui. Resuminho: nascem anualmente no Brasil 3.04 milhões de crianças, enquanto na Suécia vêm ao mundo 92 143 crianças todos os anos (estimativas para 2008). Além de informações socioeconômicas, o site responde ainda a perguntas sobre cultura e mídia, lugares e geografia, astronomia, matemática, web e computer systems, datas e até mesmo química.

A palavra em sueco do dia é bäbis, bebê.

Filed under: De bem com a vida,Eu ♥ a Suécia,Variedades — Maria Fabriani @ 05:00

July 11, 2009

Barack Obama é o bicho!

Terminei de ler o livro de memórias de Barack Obama , “Dreams from My father”. O que achei? O livro é excelente, interessantérrimo como seu autor. Acho, no entanto, que o título não faz justiça ao conteúdo. Pra mim, o livro deveria ter um título que envolvesse a palavra “descoberta”. Isso porque Barack se descobre continuamente nos mais variados papéis que a sociedade exige que ele cumpra. Como Barry pros avós maternos (brancos), e com quem morou grande parte da vida, como negro nos EUA, como Barack pra comunidade carente do South Side em Chicago e, finalmente, como o filho pródigo que retorna à casa, quando ele visita o Quênia e a família paterna.

O livro cobre a infância de Barack nos EUA e na Indonésia (correndo descalço com os amigos da escola por plantações de arroz), sua adolescência entre amigos ricos (e quase sempre brancos) numa escola exclusiva no Havaí, e parte de sua vida adulta em Chicago, onde ele trabalhou como organizador, uma espécie de trabalho social em que a pessoa é contratada por uma ONG para mobilizar a comunidade com o intuito de conseguir melhorias locais. (Uma das coisas que mais o impressina em Chicago são as famílias compostas de mães e filhos, sem pais.) Aí, depois disso tudo, vem o capítulo da África, em que Barack foi visitar sua família paterna e, mais uma vez, descobrir quem ele é de verdade.

No meio dessas viagens todas está um homem com uma mãe branca (foto, sempre presente, a “única constante” na vida dele) e um pai africano, ausente, que ele nunca encontrou a não ser por uma vez, aos 11 anos de idade. A família materna deu à Barack uma metade do quebra-cabeça. A outra metade, ele tentou descobrir por conta própria, indo trabalhar numa área pobre de Chicago, onde a maioria da população é negra. E, depois, com a viagem ao Quênia, onde o resto das peças do quebra-cabeça se encaixaram. (Obviamente não é tão simples assim, o cara ainda é novo e muitas outras peças do quebra-cabeça dele ainda não foram descobertas. Generalizo com a melhor das intenções).

Fiquei empolgada quando reparei, depois das primeiras páginas, que o livro é muito bem escrito. As histórias vêm uma atrás da outra, as lembranças, os acontecimentos, as decisões e, principalmente, as elucubrações de Barack, durante o processo de autoconhecimento. Tudo bem escrito, ritmado, bonito. Leio sempre à noite, antes de dormir, pra relaxar. O que geralmente acontece é que vou ficando com sono e acabo dormindo. Com esse livro, no entanto, não consegui relaxar. As histórias eram simplesmente boas demais.

Vou contar uma coisa pra vocês: esse cara é bom demais. Só não digo que ele é perfeito porque ele fuma. Sinceramente, não é todos os dias em que a maior potência do planeta tem como presidente um homem capaz de se perguntar quem ele é, um cara que se interessa pelo sentido das coisas, enfim, uma pessoa com consciência. Um homem com uma vida interessantíssima, cheia de acontecimentos e obstáculos e, claro, cheia de conquistas. Tomara que ele sobreviva - literalmente - às pressões do cargo que assumiu.

PS.: Hoje no noticiário daqui só dá Obama em sua visita à África, depois da reunião do G8 na Itália. Vi um monte de gente nas ruas de Ghana, o primeiro país visitado por ele, todos felizes de ver o primeiro presidente americano com descendência africana. Emocionante.

A palavra em sueco do dia só pode ser hopp, esperança.

Filed under: Livros — Maria Fabriani @ 11:47

July 1, 2009

“Lar,”

Lar

Preciso dizer? Compre. Vale a pena.

Filed under: Livros — Maria Fabriani @ 05:41
 

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