Maldita bricolage!
Pela primeira vez na minha vida me lancei às dores e às delícias de fazer pequenas reparações na minha casa. Nada muito avançado, marque bem, apenas retirar o papel de parede com mais de 30 anos de idade das paredes da sala de TV, decidir o que colocar no lugar e depois fazê-lo. Um bocadinho de bricolage nunca fez mal a ninguém, certo?
Errado. Erradíssimo. Marinheiros de primeiríssima viagem, meu urso e eu nos lançamos à reforma de corpo e alma. Assim que Max foi tirar sua sonequinha da tarde cobrimos o chão com papel protetor e nos lançamos à tarefa de retirar o papel de parede das paredes. Assim, dito dessa forma, parece coisa simples, straightforward.


Horas depois, quando Max acordou e nós paramos de trabalhar, estávamos exaustos. Se por um lado boa parte do papel de parede havia sido retirado, por outro lado meu pulso estava pedindo arrego. Horas arrancando, com a ajuda de espátulas afiadas, um papel de parede coladíssimo, não é brincadeira.
Retiramos grande parte do papel, mas ainda falta um bocado. Fomos à loja de produtos de obra pedir auxílio. Será que existiria um método mais fácil de retirar o papel de parede sem precisar ficar maneta? Sim, disse o rapaz entendido. Basta passar cola de papel de parede por cima, cobrir com um plástico e deixar de um dia pro outro.
A idéia me pareceu um tanto quanto idiota: passar cola de papel de parede para descolar papel de parede é meio suspeito, concordam? Mas, mais ou menos desesperados, fizemos isso ontem. Hoje fomos ver e, de fato, nos lugares onde a cola permaneceu molhada, pode-se retirar os restos do papel facilmente. O único problema é que esses lugares são raros. Raríssimos.
A conclusão é: deveríamos ter colocado muito mais cola nas paredes. Para evitar a derrota completa, meu urso - um rapaz arretado - está lá, lutando com os restos do maldito papel de parede. Eu já desisti. Depois do primeiro dia em que precisei de massagem no meu braço direito e anti-inflamatório pra poder dormir, cheguei à conclusão de que trabalho manual intenso e repetitivo não é a minha.
Uma dica pra você que quer redecorar sua casa, mudar de ares, pintar tudo novo ou fazer como os suecos e apostar em papel de parede: contrate um pintor.
A palavra em sueco do dia é tapet, papel de parede.
Terminei de ler o livro de memórias de
No meio dessas viagens todas está um homem com uma mãe branca (foto, sempre presente, a “única constante” na vida dele) e um pai africano, ausente, que ele nunca encontrou a não ser por uma vez, aos 11 anos de idade. A família materna deu à Barack uma metade do quebra-cabeça. A outra metade, ele tentou descobrir por conta própria, indo trabalhar numa área pobre de Chicago, onde a maioria da população é negra. E, depois, com a viagem ao Quênia, onde o resto das peças do quebra-cabeça se encaixaram. (Obviamente não é tão simples assim, o cara ainda é novo e muitas outras peças do quebra-cabeça dele ainda não foram descobertas. Generalizo com a melhor das intenções).
