Então, essa coisa de ser crítica comigo mesma é muito trabalhoso. Exige muita energia e trabalho pra melhorar uma coisa que, na realidade, já é boa, na sua maioria, ok, e, às vezes, até ótima. Quem me acompanha no meu blog de livros sabe que ando lendo menos ficção atualmente. Estou numa fase de estudos. Tenho a sensação de que preciso aprender a reconhecer que sou uma pessoa-mãe-amiga-mulher legal, por vezes até bem legal.
Li “I trygghetsnarkomanernas land: Sverige och det nationella paniksyndromet” ou “No país dos viciados em segurança: a Suécia e a síndrome nacional do pânico”, do psiquiatra David Eberhard, e aprendi que meu medo é um fato comum, aceito e encorajado socialmente. Li “I huvudet på en mamma” ou “Na cabeça de uma mãe”, da jornalista Hanne Kjöller, e aprendi que meu pânico pelo resultado da equação Max+perigos é um fato comum, aceito e encorajado socialmente.
Aí parei pra pensar (quando finalmente tive tempo, agora, durante meus dias de folga) e reparei como estava amedrontada, com tudo e todos. Cada situação era uma ameaça, um problema a ser resolvido, tragédias a serem evitadas. Minha vida, que é muito feliz, estava ficando limitadíssima, o que é um fato muito impressionante, se levarmos em conta que sempre fui muito pra frentex e pouco medrosa. Cadê a minha ousadia de que tanto me orgulhava?
Ela está aqui no meu peito, perto do meu coração, junto à tudo que descobri sobre mim nesses 37 anos e que guardo com muito amor e cuidado. Mas a Maria Ousada andava sumida, de férias, ausente. Pra resgatá-la, comecei então a me informar. Meu próximo passo depois dos livros acima é saber mais sobre duas teorias desenvolvidas por Donald Winnicott, pediatra e psicanalista britânico (1896-1971). O que me interessa particularmente são: Holding Environment e Good-Enough Mother.
O Holding Environment pode ser descrito como um ambiente tanto físico como psíquico em que o bebê é protegido sem saber que é protegido. Aqui é crucial que a mãe esteja presente quando necessário para poder interpretar as necessidades do filho. E aí entra o conceito da Good-Enough Mother. Além de estar presente e interpretar, essa mãe, que é boa o suficiente, precisa interpretar direito as necessidades do filho e adaptar, então, suas respostas às necessidades da criança.
Tenho uma série de questionamentos à essas teorias, mas principalmente à da mãe-boa-o-suficiente: Uma delas: ela foi criada por um homem burguês rico, branco e europeu, nascido no século 19. Outra: como mãe (quase) quero acreditar que as mães são especiais, quer dizer mais especiais do que os pais. Mas na verdade, não sei se acredito nisso. Aqui em casa foi assim: fiquei em casa até Max completar quatro meses. Quando consegui um emprego, meu urso tirou licença paternidade e ficou com Max até ele completar um ano, quer dizer, muito mais tempo do que eu.
Hoje Max é, acredito, saudavelmente apegado à mim e ao pai, de forma bem igual. Aqui me resguardo: essa sensação pode, claro, ser uma ilusão. Sabe-se lá o que meu filho vai achar disso tudo quando ele virar adolescente. Mas, sinceramente, até o presente momento, sinto um gut feeling que estamos, eu e meu urso, fazendo tudo certinho - ou, mais provavelmente, menos erradinho. Só o tempo dirá. Me pergunte novamente em 2021.
A palavra em sueco do dia é tillräcklig, suficiente.