November 30, 2008

Primeiro advento e música!

Li, há anos, uma matéria sobre o início da carreira de alguns autores. Esqueci todos, mas a forma como que a escritora inglesa P.D. James começou a escrever me chamou a atenção. Ela começou a escrever depois dos 30, à noite, depois de um dia cheio de trabalho, filhos, casa, marido. Olha, isso é que é energia. Eu mal consigo me arrastar pra cama, quando mais escrever sequer um post meia-boca. Mas também, a diferença básica entre nós duas é que ela é uma escritora. Já eu, já fui blogueira. Hoje, nem isso.

(Estou num fim-de-semana de auto-comiserasão louco. Um porre. Deixa pra lá.)

Feliz primeiro advento a quem acredita e àqueles que não o fazem, uma boa semana. Aliás, uma dica: se passar na sua televisão, não perca: um documentário chamado “El Sistema”, que conta a história de um programa que ensina música clássica às crianças menos favorecidas da Venezuela há três décadas. Um dos frutos internacionalmente conhecidos é o maestro (liiiiiiiiiiiiiindo) Gustavo Dudamel, que atualmente é regente da sinfonia de Gotemburgo, Suécia.

Mais sobre o advento em 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007.

Matéria da BBC sobre o sistema venezuelano, em inglês.

A palavra em sueco do dia é konst, arte.

Filed under: Cinema e televisão,Vidinha — Maria Fabriani @ 21:36

November 10, 2008

Bitch!

Tava andando pelos meus favoritos pra ver se achava alguma coisa interessante pra escrever aqui. Aí, como sempre, fui parar no meu jornal e vi essa pérola: “Bli bitchig och gå ner i vikt” (mais ou menos: “Se torne uma ‘bitch’ e emagreça”). Cuma? Todos os meus sentidos levaram um choque e comecei a ler o artigo imeadiatamente.

Trata-se do método Stahre (ou, em sueco “Stahremetoden”) desenvolvido pela terapeuta sueca Lisbeth Stahre. Ela diz que as mulheres pagam um preço altíssimo pela tradição de dar prioridade às necessidades dos outros em detrimento das suas próprias necessidades. Obesidade é uma conseqüência dessa tradição.

Lisbeth Stahre diz o óbvio: obesidade não tem a ver apenas com comida, mas com estresse, sentimentos negativos e uma imagem negativa de si mesma. O tal do círculo destrutivo que é tão difícil de ser quebrado. O método Stahre inclui coisinhas lógicas e difíceis como aprender a dizer “não” e a reconhecer seus limites.

O programa, também chamado Cognitive Eating Control Therapy, combina métodos pedagógicos com KBT (iniciais em sueco para terapia cognitiva) e mindfulness, um método semelhante à meditação em que os praticantes são estimulados a se concentrarem no presente e desligar as amarguras do passado ou as preocupações com o futuro.

Tem também terapia em grupo, receitas de pratos com baixo teor glicêmico e ensinamentos sobre porções de comida, já que muitas pessoas obesas perdem a noção do que é uma porção normal. Tudo perfeito, mas e a coisa de soltar os bichos e emagracer? Disso o artigo não fala mais. Um pena. É essa a parte que mais me interessou.

Na verdade, tenho horror de ser gorda, não gosto, não quero. Tenho horror das limitações que essa condição me traz. Fico chateada de me sentir fora dos padrões. Mas, ao mesmo tempo, tem uma coisinha aqui dentro de mim que susurra: “Imagina se os padrões estiverem errados?”

Leio, avidamente, a literatura afirmativa que fortalece as “mulheres grandes” (em inglês “big women”, um eufemismo típico americano que não sei se aceito ou rejeito, até porque não sou tão “big” como elas lá nos EUA), e tento tento tento encontrar o meu grupo, where I belong.

E o mais interessante é que nem sei ainda se sou gregária ao ponto de precisar achar um grupo onde pertença. Isso, na verdade, é uma grandíssima utopia. Quase o tempo todo tenho a impressão de ser singular, de uma forma espontânea. Ou, pelo menos, gostaria de ser assim.

Ah, viver. Como é que eu vou saber se estou sendo justa colocando minhas necessidades à frente das dos outros? Vale fazer isso quando se tem uma criança de 15 meses grudada em você (ou você grudada na criança, hehehe). Vou rodar minha saia com quem? Em cima de quem? E quando vou saber que é melhor parar? Quem é que diz: “Vai, Maria, ser bitch na vida!”?

A palavra em sueco do dia é ragata, mulher raivosa (hehehe, adoro)

Filed under: Jornal,Vidinha — Maria Fabriani @ 08:41
 

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