October 10, 2008

J.M.G. Le Clèzio

Mais um escritor laureado com o Nobel de literatura do qual tinha apenas ouvido falar mas nunca cheguei a ler. Nem mesmo quando me meti a ler francês no original. Mas dei uma olhada na cobertura do prêmio do meu jornal, e gostei do que li. A cobertura, como acontece na maioria das vezes em que o Nobel vai pra um escritor desconhecido do grande público, fala mais do escritor do que de sua obra.

Lá está que le Clèzio nasceu em Nice de mãe francesa e pai franco-mauriciano (sei lá como se diz, a família tem raízes nas Ilhas Maurícius), que viajou o mundo todo, que morou um tempo com índios na América do Sul (e com os quais descobriu mais uma “dimensão espiritual”, seja lá isso o que for), que tem uma filha nascida nos anos 60 com sua primeira mulher, que é polonesa, e um outro filho com sua segunda mulher, que é marroquina.

Tem também sobre os livros dele. Um dos mais citados é ”O Africano”, um romance com traços autobiográficos. Conta a história, em forma romanceada, do pai de Le Clèzio, que se mandou pra Nigéria quando ele ainda era um menino e lá ficou, durante a segunda guerra mundial. Le Clèzio, durante essa época, vivia na França, com a mãe. Só reviu o pai aos oito anos de idade. Está lá que Le Clèzio é muito influenciado pelo Camus, e aí eu já gostei.

Mesmo assim. Ainda teria preferido ver uma mulher recebendo a medalha do rei Carlos Gustavo. E, claro, de preferência, uma mulher sulamericana.

Olha, que bonito…
“L’Africain”, pour Clézio, J. M. G. le
“J’ai longtemps rêvé que ma mère était noire. Je m’étais inventé une histoire, un passé, pour fuir la réalité à mon retour d’Afrique, dans ce pays, dans cette ville où je ne connaissais personne, où j’étais devenu un étranger. Puis j’ai découvert, lorsque mon père, à l’âge de la retraite, est revenu vivre avec nous en France, que c’était lui l’Africain. Cela a été difficile à admettre. Il m’a fallu retourner en arrière, recommencer, essayer de comprendre. En souvenir de cela, j’ai écrit ce petit livre.”

A palavra em sueco do dia é längtan, saudade (mais ou menos).

Filed under: Eu ♥ a Suécia,Livros — Maria Fabriani @ 13:49
 

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