March 29, 2008

Enjoy the silence

O título acima é o nome de uma música do Depeche Mode que vem sendo usada na campanha de marketing de uma empresa de telefonia daqui. Gosto muito quando a popculture espelha a minha vida, e foi exatamente isso que aconteceu. De repente me dei conta de que andava pela casa ou pela rua cantarolando “Words like violence/Break the silence/Come crashing in/Into my little world”. As palavras se encaixam como uma luva.

No mais, o que dizer? The juices are running again. Uma vez por semana me aboleto no sofá pra não perder um minuto sequer de “Barnmorskorna”, em português “Parteiras”, programa que mostra a rotina de algumas dessas professionais que têm como trabalho ajudar mulheres a dar a luz. Ah, se eu pudesse tolerar cortes sangrentos, gente rasgada e sofrendo, bem que eu voltaria pra universidade (pela terceira vez) e me formaria como parteira.

Não perco o programa porque me faz voltar ao meu parto, como foi e tudo mais. Pois é, ainda estou nessa. Pra certas coisas, sou uma slow learner. Hehehe. O momento em que tiraram Max de dentro de mim e ele chorou. Acho que inclusive é necessário psicologicamente falando revisitar o que pra mim foi uma surpresa total, apesar de anunciada. Eu me lembro de tudo, de cada detalhe. E quero lembrar de mais e nunca mais esquecer.

Acabei de ler ontem “Kidnappad Hjärna”, em português “Cérebro seqüestrado”, um livro sobre o consumo de drogas e como é difícil deixar de tomá-las. Tem de tudo, tabaco, álcool, cocaína, heroína e anfetamina. Uma das coisas mais interessantes: o padrão de intoxicação escandinavo (beber até cair nos finais de semana) propicia o alcoolismo, ao contrário do consumo moderado e diário de álcool, como acontece na França e na Itália, por exemplo.

No mais: Vows are spoken, to be broken. Feelings are intense, words are trivial. Pleasures remain, so does the pain. Words are meaningless and forgettable.

All I ever wanted, all I ever needed, is here in my arms.
Words are very unnecessary, they can only do harm.

A palavra em sueco do dia é tystnad, silêncio.

Filed under: Cinema e televisão,Livros,Max e a maternidade,Vidinha — Maria Fabriani @ 09:50

March 14, 2008

Sete meses!


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As palavras em sueco do dia são sju månader, sete meses.

Filed under: Aniversários,Conquistas,De bem com a vida,Max e a maternidade — Maria Fabriani @ 06:29

March 7, 2008

Irritada comigo mesma


Imagem: Walter Martin & Paloma Muñoz

Tinha planejado escrever um post sobre a falta de posts. Ia escrever que sinto que sou um pouco como o Orhan Pamuk, que quando recebeu o Nobel de literatura disse em seu discurso, “I write because I am angry at all of you, angry at everyone.” Ia escrever sobre ter notado que o fato de estar tão satisfeita com tudo na minha vida atual prejudica, nesse momento, minha capacidade de criar textos interessantes. Estou, simplesmente, feliz demais.

Mas aí o dia de ontem aconteceu. Era pra ser um dia legal. Curso sobre como trabalhar com mulheres e crianças que vivem em relações familiares violentas. Como éramos muitas para apenas um carro do trabalho, disse que poderia dirigir o meu próprio carro. Aí, são pedro mandou ver. Neve, pistas escorregadias e vento. Essas três coisas combinadas propiciam a criação do temido fenômeno chamado pelos nativos como snörök, literalmente fumaça de neve.

Dirigir foi um suplício. Me senti na pista de patinação no gelo do Barra Shopping nos anos 80, com algumas diferenças: não estava me divertindo com minhas amigas de colégio, mas ao volante de um veículo pesando uma tonelada, com mais três vidas a bordo e, pior, enxergava quase nada à minha frente. Dirigi o caminho todo até em casa como um caracol avançando lentamente, uma Dr. Magoo sem óculos; nativos histéricos atrás de mim, fazendo sinal com os faróis, sim porque não sei se mencionei que isso tudo aconteceu à noite? Pois é.

Cheguei em casa sem problemas, mas estava exausta. Durante esse ordeal todo entendi que, de fato, há certas coisas que eu não posso fazer. Não simplesmente porque não sou boa em realizá-las, mas porque minha reação de estresse não é saudável. E, nesse momento, me senti limitada. Fiquei com raiva de mim mesma por achar um absurdo o fenômeno da fumaça de neve acontecer (quando é coisa comum aqui no inverno) e pelo fato de eu ainda não ter me acostumado com ele.

E eu não gosto de me sentir limitada. Não gosto de ter coisas que simplesmente sou obrigada a deixar de fazer porque não sou competente o suficiente emocionalmente para aguentar o rojão. Fico com raiva de ter sentido tanto medo, de ter me reduzido a uma menininha amedrontada, de ter pensado em ligar pro meu urso e pedir pra ele vir me buscar. Fico com raiva de ter me acomodado e não ter dirigido mais o carro no inverno, como eu deveria ter feito, pra me sentir segura quando precisar encarar o volante em condições adversas.

E isso tudo depois de ter passado o dia inteiro discutindo feminismo!

A palavra em sueco do dia é förbannad, furiosa(o).

Filed under: Elucubrações,Irritação e ironia,Trabalho — Maria Fabriani @ 02:41
 

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