February 28, 2008

Olha o doce aí!

Montanha-Russa
6 anos!

Filed under: Aniversários,Conquistas,De bem com a vida,Rebinboca da Parafuseta — Maria Fabriani @ 06:20

February 27, 2008

Amanhã

Amanhã é legal.
Amanhã é importante.
Amanhã tem comemoração.
Quem acertar o que é ganha um doce.

A palavra em sueco do dia é imorgon, amanhã.

Filed under: Aniversários,Conquistas,De bem com a vida,Rebinboca da Parafuseta — Maria Fabriani @ 07:54

February 23, 2008

Relatório da semana

Ôôôôô semaninha pesada. Sábado passado fomos pela primeira vez em seis meses ao ambulatório porque Max não estava bem. Tinha dores não definidas nem localizadas, chorava e nós não sabíamos o que era. Eu achava que era torcicolo, porque Max não olhava pro lado direito, só pro esquerdo. Mas pode criança tão pequena ter torcicolo? Tudo bem que ele dorme como uma minhoquinha enroscada, mas será?

Bom, teve uma hora lá em que entrei levemente em pânico, porque achei que podia ser um tipo de miningite lateral. Acabou que o plantonista, muito gente boa, depois de examinar tudo, disse que podia sim ser dor no pescoço. Contribuiu pro diagnóstico o fato de Max ter dado um berro daqueles de macho quando o cara massageou o pescocinho dele. Quase morri de pena. No domingo, quando eu ainda estava me recuperando do susto, Max já estava bem, pronto pra outra.

E Max agora tem dois dentes nascidos e que coçam uma enormidade. Meus dedos viraram o mordedor oficial (sim porque os três comprados não dão conta do recado, só a mamãe é macia o suficiente) e meu querido filhinho fofo da silva quase extrai sangue de sua amada mãe todos os dias. Aliás, outra novidade: quarta-feira, eu no meio de uma reunião semanal importante, toca o celular. Vejo que é meu urso, ligando de casa. Atendo correndo, já saindo da sala depois de me desculpar trocentas vezes. O coração na boca.

Eu: “O que é que foi?”
Urso: “Está ocupada?”
Eu: “Hoje é quarta-feira…”
Urso: “Ahh, a sua reunião! Desculpe!”
Eu: “Não tem problema! Está tudo bem com Max!?”
Urso: “Está tudo bem sim, desculpa ter ligado, mas é que eu queria contar que Max está falando ‘papai’”
Eu: “Hãã? Papai?”
Urso: “É”
Eu: “E ‘mamãe’ ele fala também?”

Fala. Quer dizer, “fala”, entre aspas mesmo porque estamos nos primeiros estágios da articulação de sílabas. O vocabulário de Max atualmente é composto de gritinhos de alegria, risos, choro e as novidades: Ba….ba, Ma….ma. Confesso que chorei a primeira vez que ouvi ele fazer esse ensaio de “mamãe”. Mas o melhor da festa mesmo é que Max olha pra mim quando “fala” ma….ma. E eu me vejo cada vez mais descendo no poço do ridículo da maternidade.

Aí a semana passou assim, vapt-vupt, muito trabalho, amém etc e tal.

Estou frustradíssima no que diz respeito aos livros que tenho escolhido pra ler. Parei no meio de “The Emperor’s Children”, de Claire Messud, e comecei “Världens mått” (“A Medida do Mundo”) de Daniel Kehlmann. Também emperrei no meio da viagem de Alexander von Humboldt ao Amazonas. Mas me nego a desistir desse também. Se bem que ainda não desisti da Claire Messud completamente. Vamos ver se eu recupero o interesse qualquer dia desses.

No jornal as coisas andam interessantes. Urso de outro pro Brasil, Cuba sem Fidel, independência do Kosovo, revolta na Sérvia, os nativos começam a notar que a China não é essa maravilha toda depois que o Spielberg deixou o cargo de consultor artístico das olimpíadas, e uma coluna do jornalista Nathan Shachar, ex-correspondente na América Latina do meu jornal, em que ele escreve sobre o que eu já tinha reparado: a mídia sueca não está nem aí pra América Latina, apesar de 200 empresas suecas estarem estabelicidas no Brasil, por exemplo. Somos, de fato, o continente esquecido.

E hoje, na TV nativa, tem filmaço chorôrô sueco: “Den bästa av mödrar” (tradução literal: “A melhor das mães”, veja a foto acima). O enredo é simples: menino finlandês vem pra Suécia neutra pra evitar a segunda guerra mundial. Não conto mais nada que é pra não estragar a experiência. Mas note duas coisas em especial: a locação onde o filme foi rodado e, se você conseguir parar de chorar, repare na jóia que é a interpretação de Maria Lundqvist, a mãe do título. Uma cooooooisa.

A palavra em sueco do dia é babbla, balbuciar.

February 18, 2008

Trabalho!

Meu contrato foi prolongado até setembro!
Num tô nem acreditando.
Mas é verdade, É VERDADE! :)

A palavra em sueco do dia é förlängning, prolongamento.

Filed under: Conquistas,De bem com a vida,Trabalho — Maria Fabriani @ 09:08

February 15, 2008

Sexo frágil, não foge à luta

Ai, meu padinciçoromãobatista, que dificuldade. Estive perto de passar uma descompostura em duas pessoas hoje. Duas! Falando sério, deveria ser proibido vir trabalhar em certos dias do mês. Se é que vocês me entendem. Se os homens tivessem esse tipo de, digamos, dificuldade mensal, tenho certeza de que se instituiria um fim de semana de três, quatro ou cinco dias, dependendo da necessidade.
A sorte é que vou pra casa daqui a pouco e lá tenho meu urso e meu Max.

E as idiotas todas que se explodam.

E hoje não tem palavra em sueco.

Blé.

Filed under: Irritação e ironia,Vidinha — Maria Fabriani @ 14:46

February 14, 2008

Seis meses!

Max de todos os jeitos: feliz da vida, sentado!

Mãe! Mãe! Sentadinho na cadeira "nova" Se preparando pra sair Posando pra câmera Hehehe

A palavra em sueco do dia é glädje, alegria.

Filed under: Aniversários,Conquistas,De bem com a vida,Max e a maternidade — Maria Fabriani @ 05:26

February 12, 2008

De tudo um pouco

Cortei meu cabelo. E, por enquanto, eu e ele estamos de mau. Ele se revolta, cai no rosto como há muitos anos não fazia. Eu tento ser paciente, ainda mais agora que sou mãe e preciso dessa qualidade como nunca. Reconduzo as madeixas rebeldes pra seus lugares de origem, tento fazer festinha, acalmar. Às vezes dá, outras não. Aí é cabelo pra tudo quanto é lado. Max olhou, olhou, e veio me dar um beijo/lambidinha. Então está tudo bem. Meu urso achou ótimo. Ainda não me decidi se ele está sendo simpático ou se está falando a verdade. I chose to believe that it is the later.

Agora está ficando claro muito mais cedo. Quando saio de casa pra ir pro trabalho dá pra enxergar tudo, o céu é cor de laranja e rosa, uma glória. Aí dá pra ver as caras dos meus companheiros de caminhada, como eu os chamo. São cinco os mais freqüentes. Dois militares: um de bicicleta que quase não vejo porque ele é rápido no pedal (mesmo sobre a neve) e um baixinho, gordinho e barbudo. Esse último tem cara de ser gente boníssima, daqueles gordos sempre de bom humor (pra agradar todo mundo por conta da inerente falta de auto-estima). Mas, sei lá, vai ver o cara é um déspota e eu nem sei.

Tem três senhoras. Uma que trabalha perto da minha casa. Quando nos cruzamos perto de onde moro sei que estou atrasada. A outra, que mora perto de mim e anda na mesma direção que eu, tem os cabelos esvoaçantes, faça neve ou faça nuvem (chuva e sol eu não vejo já tem alguns meses) e invariavelmente me passa. É uma rapidez digna do Road Runner, aquela ema (?) rapidíssima do desenho do coiote. Tento me consolar, penso que ela teve a vida inteira de invernos rigorosíssimos pra treinar, enquanto eu tive 29 anos de treino em malemolência, o que faz o ato de andar um exercício pouco aerodinâmico – ainda mais sobre gelo.

E a última senhora é a Monica, que eu conheço dos meus tempos de estudos de sueco e, mais recentemente, quando estagiei na minha escola no outono de 2006. Sempre nos passamos, todos os dias. Volta e meia não a vejo e aí sei que estamos adiantadas ou atrasadas uma com relação a outra. Sempre que nos cruzamos dou o “god morgon” (foneticamente: “gumorron”) e ela responde. Mas, um dia, eu ainda quero ultrapassar a senhora de cabelos esvoaçantes. Simplesmente há que haver justiça e eu tenho que ganhar. A vocês que acham que competir é feio, scusi.

Aliás, num sábado fomos à cidade e tinha uma feirinha com barraquinhas e quinquilharias. Mesmo depois de seis anos e meio ainda não consigo entender o por quê de se fazer uma feirinha no meio de fevereiro, no ápice do inverno. Os nativos dizem que é isso que é interessante, o frio extremo, comprar casacos, meias quentes, tomar chá quente/café etc. Eu ainda não descobri o fascínio, sinceramente. Mas, vida de interior é assim: quando tem feirinha, vamos ver porque é novidade. E nesse dia não compramos nada porque só tinha mesmo quinquilharia mas provei pra mim mesma que sou uma criatura popular.

Em meia hora de andança, Max empacotado no carrinho, eu enroscada no meu casaco que custou quase a mesma coisa que o meu sofá e meu urso com calor, encontrei quatro pessoas conhecidas. Três alunos de sueco que conheci durante o estágio e a capo di tutti capi, a chefona do meu trabalho. Ela olhou, deu boa tarde, comentou sobre Max (“Como é bonito!”) e se foi.

Quantas pessoas conhecidas meu urso encontrou? Uma. Hohoho.

A palavra em sueco do dia é populär, popular.

Filed under: De bem com a vida,Vidinha — Maria Fabriani @ 08:22

February 6, 2008

Sorry, Hillary

Pois é. Ontem foi a super tuesday e ao que tudo indica, Hillary Clinton se saiu melhor do que o esperado (ela ganhou na Califórnia). Isso se considerado o apoio que Barack Obama tem recebido de estrelas de Hollywood e da classe média americana. Acredite se quiser, mas até o governo de direita sueco apoia Obama. É o que eu (quase) sempre digo: You simply gotta love Sweden, é ou não é?

O primeiro-ministro nativo, o moderado Fredrik Reinfeldt, deu entrevistas ontem dizendo que apoiava o candidato democrata porque a política que ele defende é semelhante à política dele (Reinfeldt). Das duas, uma: ou os moderados suecos estão mais pra centro-esquerda do que direita, ou a centro-esquerda americana é bem conservadora.

Particularmente estou divididinha da silva. Minha impressão é que Hillary é competente, forte, decidida. Caso pudesse, votaria por ela por essas qualidades e, claro, pelo fato dela ser uma mulher (pode parecer idiotia, mas acredito que está na hora de uma mulher ocupar o mais importante cargo político-econômico do mundo). Mas, como escrevi, trata-se de um non-educated guess.

Meu outro palpite é que Barack Obama é um cara legal, jovem, e por ser negro, tem uma visão de mundo diferente, e que, por isso mesmo, pode vir a ser um dos presidentes mais democratas que os EUA já tiveram. Li a matéria de hoje do meu jornal em que a correspondende do jornal na África foi até o interior do confuso Quênia pra entrevistar Sarah Hussein Obama, 86 anos (foto acima), avó de Barack Obama.

Não posso deixar de enxergar as eleições americanas e ambos os candidatos democratas (sim porque, o republicano eu nem considero) com esses olhos de colonizada com os quais nasci e com os quais hei de morrer. E aí preciso escolher Obama. Isso porque acredito sinceramente que quem tem uma avó assim, simplesmente não pode ser gente ruim.

E àqueles que se perguntam: “Por que essa criatura está tão interessada nas eleições americanas?” Minha resposta é: o mundo é globalizado, cara pálida. Um espirro da economia americana representa uma pneumonia na economia mundial. Eu vivo no mundo. E eu preciso trabalhar.

A palavra em sueco do dia é farmor, avó por parte de pai.

Filed under: Eu ♥ a Suécia,Jornal,Notícias do primeiro mundo — Maria Fabriani @ 13:14

February 5, 2008

Surpresa matutina

Surpresa matutina

A matéria é uma resenha do livro “Água Viva”, que ganhou versão sueca e o nome “Levande vatten”, que é uma tradução literal do título em português. Pelo que pude apurar são três os livros da Clarice traduzidos pro sueco: “A hora da estrela” (meu favorito), “Água viva” e “A paixão segundo G.H”. A repórter, Sara Gordan, elogia muito o livro, e enfatiza a linguagem da Clarice, nem sempre linear, nem sempre lógica, mas sempre sempre sempre genial.

A palavra em sueco do dia é mirakel, milagre.

Filed under: De bem com a vida,Eu ♥ a Suécia,Vidinha — Maria Fabriani @ 07:06

February 3, 2008

Na carne

Como começar a escrever sobre uma decisão burocrática e protecionista de um clube multinacional de elite e que denigre a imagem de um país de terceiro mundo frente à comunidade internacional? Não sei. Pensei muito anteontem, quando li a notícia no jornal. Não encontrei resposta. Tentei desopilar, esquecer. Mas, por alguma razão que me escapa à consciência, não consegui. Então simplesmente me sentei aqui a cinco segundos atrás e comecei a digitar.

A coisa é essa: a comunidade européia decidiu essa semana banir a importação de carne brasileira para a Europa. Segundo um artigo no caderno de economia do meu jornal, o negócio de exportação de carne do Brasil pra Europa movimenta anualmente 27 bilhões de coroas suecas, o que equivale a mais ou menos 5 bilhões de dólares. A Suécia, que importa muita carne do Brasil, já conta com um aumento de 40% do preço da carne bovina de primeira.

O lance é que a comunidade européia começou essa semana a achar um problema sério o fato da carne brasileira não poder ser identificada. Isto é, não diz na etiqueta de onde a carne vem, de que fazenda exatamente. Os brasileiros respondem dizendo que há problemas logísticos para cumprir a exigência: as cabeças de gado do Brasil são mais de 180 milhões (mais ou menos uma pra cada habitante), o que torna impossível, ou pelo menos muito difícil, o cumprimento da exigência européia.

Os europeus, com um poder de compra espetacular, exigem que isso seja feito. E dizem que sem isso não se pode ter certeza da qualidade da carne ou se há problemas sanitários, como a doença da vaca louca, por exemplo. O argumento, é plausível porém oportunista, já que nunca tivemos casos da doença de Creutzfeldt-Jakob no Brasil. Tanto é que até um político da direita sueca ficou revoltado. Não com a difamação do Brasil – isso já seria pedir demais – mas com o fato de os suecos agora terão de comprar carne 40% mais cara.

Aí, no final do artigo, lê-se a verdade nua e crua: a decisão de banir a carne brasileira é o resultado de um lobby fortíssimo dos fazendeiros irlandeses, que querem o mercado da carne todinho pra eles.

Na verdade, eu pouco me importo com a queda de faturamento dos produtores de carne/criadores de gado brasileiros, que já têm, como sabemos, os bolsos repletos de doletas. Mas uma coisa me provocou quando li essa notícia. Alguma coisa sobre protecionismo, sobre ganância, sobre levar vantagem por meios anti-éticos. Fiquei chateada. Fiquei sim. Será complexo de terceiro mundo? É, pode ser.

Ou não.

A palavra em sueco do dia é undanflykt, desculpa esfarrapada.

Filed under: Europa & Escandinávia,Irritação e ironia,Jornal — Maria Fabriani @ 07:39
 

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