November 9, 2007

Ironia

Achei engraçado o Marcus avisar que a Suécia é, mais uma vez, o país mais justo e igualitário no que diz respeito aos direitos de homens e de mulheres, segundo o ranking de igualdade entre os sexos elaborado pelo Fórum Econômico Mundial. O Brasil está lá na vexaminosa classificação de número 78.

A comicidade se deve a uma matéria que li no meu jornal de hoje. A história é a seguinte: na Suécia existe um órgão público chamado JämO (ou jämställdhetsombudsman), que é o ombudsman para a igualdade dos sexos. Vocês sabem o que é um ombudsman, certo? Pois é, vocês todos que sabem o que é já falavam sueco inadvertidamente, porque trata-se de uma palavra nativa.

Pra quem não sabe, não tem estresse. Tá lá no Aurélio: Ombudsman. “Nos países de democracia avançada como, p. ex., a Suécia, funcionário do governo que investiga as queixas dos cidadãos contra os órgãos da administração pública. 2.P. ext. Pessoa encarregada de observar e criticar as lacunas de uma empresa, colocando-se no ponto de vista do público.”

Pois então, esse órgão trabalha, principalmente, para a igualdade dos salários entre mulheres e homens. Aqui, assim como em todo o mundo, ainda existem mulheres que, com as mesmas qualificações que seus colegas do sexo masculino, ganham menos no final do mês. Aí acontece o que não poderia: o chefe do JämO sai e a chefa que o substitui recebe menos do que ele.

Ann-Marie Bergström (foto à esquerda) recebe 62 mil coroas por mês (o equivalente a mais ou menos 9 mil dólares) enquanto Claes Borgström (à direita) recebia 74.900 coroas (mais ou menos 11 mil dólares). Pra realizar o mesmo trabalho.

A expressão em sueco do dia é skenet bedrar, as aparências enganam.

November 8, 2007

Boden, 7:30 da manhã

A palavra em sueco do dia é gryning, amanhecer.

Filed under: Eu ♥ a Suécia,Europa & Escandinávia,Vidinha — Maria Fabriani @ 14:30

November 6, 2007

Na web

Estou às voltas com as entranhas do Montanha. É que desde que me mudei para o WordPress deu uma ziquizira nos meus arquivos e todos as letras acentuadas desapareceram. Me dá dor no coração ir ler o que escrevi nesses cinco anos e ver tudo meio quebrado, sem ordem. Então estou começando do começo. Abro todos os posts, corrijo um a um, salvo e vou em frente. Como não tenho assim muito tempo, estou fazendo progresso porém va-ga-ro-sa-men-te. Até agora já consertei fevereiro, março e abril de 2002.

E por falar em assuntos cibernéticos (ih… hoje estou corny), há uma verdadeira mania agora na Suécia com o tal do Facebook. Todo mundo têm que ter, assim como o MySpace. Esse último eu acho pavoroso, uma confusão total de texto, design confuso, uma poluição visual danada. Já o Facebook é mais “limpinho”, mas inteligente. Só entrei porque uma amiga da faculdade que mora em Umeå me convidou e porque assim mantenho contato com outras amigas da faculdade. Mas confesso que não tenho problemas em ser fiel ao Montanha…

Aliás, renovei meu site de livros. Agora, o Livros Livros Livros está com endereço novo e cara nova. De fato, o WordPress é muitíssimo superior a qualquer uma das ferramentas de publicação que existem hoje. E olha que eu já testei muitas. Além do mais, as templêites são muito mais bonitas e agradáveis. Escolhi uma absurdamente clean para o Livros Livros Livros. E tô adorando aquilo lá. Só não mudo o Montanha porque adoro o meu layout.

A palavra em sueco do dia é dator, computador.

Filed under: Rebinboca da Parafuseta,Vidinha — Maria Fabriani @ 20:30

November 3, 2007

Um beijinho e um bacilinho

Imagina só. Beijar seu filho não faz apenas bem à saúde mental e emocional de vocês dois, mas inclusive à física. Essa foi a conclusão da pesquisadora sueca Caroline Nilsson, do Karolinska Institutet em Estocolmo. Os beijinhos dos pais fortalecem a imunidade dos bebês e diminuem o perigo do desenvolvimento de alergias.

Isso porque quem beija, transmite bacilos. A pesquisadora diz que é positivo que os pais contagiem os filhos com infecções viróticas simples, já que crianças não apresentam sintomas fortes até os dois anos de idade. Nilsson acompanhou 300 crianças, de recém-nascidos a dois anos de idade. Ela constatou uma relação direta entre a existência de anticorpos pras infecções EBV e CMV e o aparecimento de alergias.

Já estava preparada para escrever que, se depender de mim e do meu urso, nosso Max está protegido de todas as alergias da face da terra, porque passamos o dia inteiro numa beijação louca. Mas aí, fui procurar que diabo eram o EBV e o CMV e olha o que eu achei: o vírus EBV, ou Epstein Barr Vírus, é o responsável pela mononucleose infecciosa. Já o CMV, ou citomegalovirus, pertence à família do herpesvírus, a mesma dos vírus da catapora, herpes simples, herpes genital e do herpes zoster.

Nãããããooooo! Péraí, cara-pálida! Esses EBV e CMV são uns cabras muito violentos. E eu não tenho essa coisarada aí de cima não! Sou pobre mas sou limpinha! Qualé, meu.

A palavra em sueco do dia é puss, beijo.

Filed under: De bem com a vida,Jornal,Max e a maternidade — Maria Fabriani @ 07:59

November 2, 2007

De ditadores e borboletas

Um dia meu pai me disse que quase não lia mais ficção e que preferia ensaios. Naquela época achei aquilo meio doido. Pensei: “Imagina! Quem sou eu sem a imersão num bom romance/aventura/terror?” Hoje compreendo. Ainda gosto de ficção, mas tem que ser ficção muito boa pra ganhar meu interesse. Prefiro histórias reais (ainda que, quem sabe, um pouco “romanceadas”), de gente real, com idéias reais e interessantes.

Aí li no meu jornal sobre os livros do historiador Simon Sebag Montefiore e decidi que seria uma boa testar. Montefiore escreveu dois livros sobre Stalin, “Stalin: The Court of the Red Tsar” (2004) e “Young Stalin” (2007), que é uma continuação do primeiro livro. Feliz da vida com minha descoberta, encomendei o primeiro na minha livraria online e esperei. Alguns dias depois, chegou o tijolão, de 852 páginas.

Comecei a ler e, nas primeiras páginas, já vi que seria dureza. Fiquei aflita quando abri o livro e vi uma lista com todos os “personagens” citados. “Não preciso ler isso”, pensei. Afinal, a lista incluía um monte de nomes russos (cheios de consoantes). Prossegui mas não fui muito longe. Montefiore descreve cada detalhe, cada carta, cada suspiro de Stalin e de quem vivia ao seu lado. Definitivamente fascinante, mas também muito pesado de se ler.

Aí me lembrei de um documentário que vi há uns tempos atrás sobre crianças suecas superinteligentes. Uma delas era uma menina bonitinha que tinha mania de ler. Só que ela era muito particular com os livros que escolhia. Ela disse que os melhores livros eram os que não ultrapassavam um certo número de páginas. Não me lembro quanto, mas sei que ela mostrou mais ou menos o tamanho do livro que ela acha perfeito, e não era um tijolão.

Olhei pro Stalin de Montefiore e suspirei, cansada.

Aí, dia desses, assisti ao Kobra, meu programa de cultura favoritíssimo, e anotei uma dica de leitura: “Scaphanore et Le Papillon” de Jean-Dominique Bauby. O autor era o poderoso editor da revista Elle francesa quando sofreu um derrame massivo e ficou totalmente paralizado. Ele foi vítima do que se chama de locked-in syndrome, isto é quando a pessoa, ainda totalmente lúcida, fica presa no corpo imobilizado pelo derrame.

Só o fascínio desse destino absolutamente terrível já seria o suficiente para chamar minha atenção. Bauby, completamente paralizado, conseguia se comunicar com o mundo por intermédio de um olho. E tem mais: ele escreveu o livro piscando “sim” a cada letra, de cada palavra, de cada frase, de cada uma das 144 páginas. Uma coooooisa. O livro foi lançado na França em 6 de março de 1997. Bauby morreu dois dias depois.

É claro que comprei e já comecei a ler. Enquanto isso, Stalin, chocado, berra com Molotov em irritação por Hitler ter tido o topete de querer invadir a Rússia.

A palavra em sueco do dia é fjäril, borboleta.

Filed under: De bem com a vida,Livros,Vidinha — Maria Fabriani @ 08:49
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