Tava precisando de algum reading material desde que terminei de ler o escafândro e a borboleta do Jean-Dominique Bauby. Porém, a tarefa de procurar livros, que sempre me foi agradável, acabou se mostrando bem difícil. Ando chatinha mesmo pra gostar de livros ultimamente. Além do mais, o fato de não ter fundos para fazer experiências muito ousadas também prejudica minha busca por algo interessante.
Então, dei uma olhada na minha wish list da livraria online que freqüento mas não achei coisa alguma que realmente quisesse ler. Livros sobre Alzheimers, sobre racismo, Joyce Carol Oates? Ahn, não. No entanto, vi dois legais: “How to Cure a Fanatic”, de Amos Oz, e uma biografia da Nigella escrita por Gilly Smith, “Nigella Lawson - A Very British Dish”.
O livro do Amos Oz eu vou comprar mais cedo ou mais tarde. Fiquei fã desde que li a biografia dele, “En berättelse om kärlek och mörker” (“Tale Of Love And Darkness”). Já a biografia da Nigella eu tenho minhas dúvidas. Veja bem, eu adoro a Nigella, adoro os programas domestic goddess que ela faz e a acho libertária a forma prazeirosa com que ela se relaciona com a comida.
Ainda assim, há algo que me impede de ler biografias de gente que admiro ou que simplesmente gosto. É que, cá pra nós, ninguém, quando olhado beeeeem de pertinho, é perfeito. E eu não quero perder a imagem bacana que eu tenho a Nigella. Não quero saber dos problemas que ela enfrentou, faço questão de continuar ignorante com relação às faltas dela, se é raivosa ou sem tem pé-chato ou mau hálito.
Não. Eu quero continuar acreditando que a Nigella está sempre linda e morena, as unhas bem-feitérrimas, a maquiagem linda, os cabelos escovados, as curvas da barriga, da bunda e do busto enobrecidas por cashmeres de cores vivas e com casaquinhos apertadinhos. De realidade basta o que eu vejo todos os dias quando olho no espelho.
Essa minha aversão por conhecer quem admiro começou quando eu tinha uns 13 anos mais ou menos. Nessa época fui à bienal de livros do Riocentro com o meu pai, que iria assinar um de seus livros no estande da Nova Fronteira (hoje ele está chiquérrimo, editado pela Companhia das Letras, ok? Te mete). Bom, naquela época eu estava fascinada pela Lygia Fagundes Telles. Tinha lido tudo dela e, naquele dia, ela também estava lá, no meio do seus pares, esperando para que a noite de autógrafos dela começasse. Meu pai foi me apresentar, dizendo que eu era fã etc.
Eu, morrrrreeeeeeendo de vergonha, mas felicíssima, estava achando tudo o máximo. Até que reparei que a Lygia Fagundes Telles estava bêbada. Ela me olhou, os olhos entreabertos, um copo de uísque na mão e disse alguma coisa. Não me lembro o que foi, porque estava tão decepcionada que não consegui prestar atenção. Agora, vejam só, não tenho nada contra quem bebe (quer dizer, até tenho, mas isso é outra história), mas ainda assim não esperava isso dela, compreende? Da minha, Lygia Fagundes Telles!
Até hoje, já velha de guerra e com alguns porres na bagagem, não consigo relativizar aquele dia, aquele encontro. Ainda não consigo perdoar a minha escritora. É por essas e por outras que eu simplesmente não tenho ídolos. (Quer dizer, eu AMO o David Bowie, já possuí um livro ilustrado sobre a vida dele, mas como não me lembro de nada, não tem problema, continuo gostando dele e achando que “Life on Mars” é uma das melhores músicas jamais escritas).
Mas a busca por um livro ainda continuava. Aí, fui ao supermercado (que novidade!) e vi um livro que está sendo vendido junto com um dos jornais sensacionalistas daqui, o Expressen. É um clássico sueco chamado “Dvärgen”, ou “O Anão”, de Pär Lagerkvist. O livro já estava na minha lista há tempos, inclusive na minha wish list, mas sei lá porque sempre ficava relegado. Aí vi que estava baratérrimo, como edição de baixo-custo, pras massas. Comprei e já comecei a ler. Está ótimo, até agora.
A palavra em sueco do dia é kändis, celebridade.