November 30, 2007

Carta para Max

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Meu filho, estou te escrevendo hoje porque ando me sentindo muito bem e acho que compreendi uma coisa ou outra. No início, minha cabeça era caos. Angústia, hormônios, mudança brusca, uma cesariana que eu não queria, a descoberta de miomas que me tiraram do eixo, medo de ficar sozinha, você fora de mim, saudades da barriga, da completude que eu nunca senti tanto e tão bem. Nós éramos um time e tanto, meu filho! Nunca na minha vida me senti tão maravilhosa.

Aí você nasceu.

E você era/é maravilhoso, uma continuação da beleza que eu já sonhava dentro de mim (com a ajuda do ultrasom) e uma criança calma, satisfeita, feliz. E a minha cabeça, contraditoriamente, pulou num buraco negro, minhas angústias triplicaram; medo de perder você (ainda tenho, mas menos), medo de perder seu pai (ainda tenho, mas menos), medo de perder minha liberdade (não tenho mais; só me sinto livre ao seu lado) etc.

Aí, aos poucos, a vida foi entrando em foco.

Comecei a entender minhas prioridades, a relativizar minhas angústias e a enxergar que glória que é você, meu filho. Quando olho pra você meu medo de te perder não mais me assusta. Você está aqui, comigo e o tempo pára. Estamos juntos. Eu sorrio pra você e sinto uma alegria pura de te dizer “Boa dia, amor!”. Recebo seu sorrizinho de volta, pego você no colo, quentinho da cama, e vou trocar sua fralda. E você, entre um bocejo ou outro, um beijo-lambidinha e outro, olha pra mim e sorri, faz um barulhinho e se enrosca no meu cabelo.

Meu filho, você me faz feliz. Obrigada.
Sua mãe, Maria.

A palavra em sueco do dia é brev, carta.

Filed under: Conquistas,De bem com a vida,Elucubrações,Max e a maternidade — Maria Fabriani @ 07:44

November 29, 2007

Hint, hint

Pra facilitar a vida do ocupadíssimo Noel, dicas de presentes que me deixariam feliz:

1) Viagem pro Rio pra mostrar Max pros meus pais e amigos;
2) Livros - Gomorra de Roberto Saviano; How to Cure a Fanatic de Amos Oz; Kom och hälsa på mig om tusen år de Bodil Malmsten; Molnfri bombnatt de Vibeke Olsson; Nu vill jag sjunga dig milda sånger av Linda Olsson; On Cats de Doris Lessing; The Emperor’s Children de Claire Messud; Uncle Tungsten: Memories of a Chemical Boyhood de Oliver Sacks; Imperial Life in the Emerald City: Inside Iraq’s Green Zone de Rajiv Chandrasekaran.
3) Um trabalho to be proud of.
4) Qualquer CD do Kent.

A palavra em sueco do dia é julklappar, presentes de natal.

Filed under: De bem com a vida,Livros,Música,Vidinha — Maria Fabriani @ 07:50

November 28, 2007

Not so bad

Quando eu já estava achando que os deuses do colágeno haviam me abandonado, achei o site The Shape of a Mother. E tudo ganhou a sua devida perspectiva. :)

A palavra em sueco do dia é lättnad, alívio.

Filed under: Max e a maternidade,Vidinha — Maria Fabriani @ 07:13

November 24, 2007

Miau

Pois é. Me transformei em gato de casa. Fico de pé, ao lado da janela, olhando pra fora com um olhar curioso. Aliás, tirar fotos da minha janela foi a atividade mais social da minha vida na última semana. Sete dias de espirros e ataques de tosse, dor de cabeça e nariz entupido, sem coragem de botar o pé pra fora de casa. Agora estou bem, obrigada. Max também está ótimo. Apesar de meus cuidados em lavar as mãos e o rosto antes de lidar com ele, ao que tudo indica, meu filho também pegou o resfriado. Era inevitável já que eu não agüento ficar longe dele por muito tempo. Porém, nada além do narizinho entupidinho. Amém. Nesse meio tempo fiz progresso com o conserto dos textos dos meus arquivos. Já estou terminando o mês de maio de 2006. Ufa! Volto quando tiver descongestionado a mente.

A palavra em sueco do dia é täppt, fechado, congestionado.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 07:12

November 19, 2007

Boden, 7:50 da manhã

Boden, 7:50 da manhã

A palavra em sueco do dia é upprymd, efervescente, esfuziante.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 08:02

November 18, 2007

Selvagem

Li a entrevista de Sean Penn concedida ao jornalista Nicholas Wennö do meu jornal e fiquei irritada. Não, não tenho nada contra o ator/diretor que, aliás, considero um dos poucos artistas de Hollywood com alguma coisa na cabeça além de cabelo. Mais do que isso, Penn tem é guts. É feio-charmoso e bacana, inteligente, engajado. Gosto dele. Mas aí li que ele dirigiu o filme “Into the Wild”, baseado no livro homônimo de Jon Krakauer. O filme está sendo/será/foi mostrado no Stockholm International Film Festival.

Li esse livro em 1998, em Nova York, onde passei um mês maravilhoso durante minhas primeiras férias de trabalho. Naquela época era repórter da Internet World e consegui passar trinta dias na Big Apple afiando meu inglês. Morei num quarto de estudante no Upper East Side e tive algumas das experiências mais bacanas da minha vida. Fui a um musical e odiei, chorei quando ouvi uma banda no Cotton Club no Harlem, testemunhei in loco o caso Clinton-Lewinsky, vi o Spike Lee no Madison Squire Garden durante um jogo de basquete entre o Indiana Pacers e o NY Knicks que assisti com um italiano gay e maluco, fui a um balé no Lincoln Center com váááários mineiros de Bêagá, assisti “As Good As it Gets”, “Titanic” e “Wag the Dog”, gastei uma fortuna em presentes pro meu irmão na lojinha do Museu de História Natural, passeei todos os dias pelo Central Park, fui a Nova Jersey comprar rip-offs num outlet e voltei pro Rio penniless.

Foi ótimo!

E o primeiríssimo livro em inglês que li, deitada na cama do meu quarto de estudante em Nova York, ouvindo as sirenes das ambulâncias onipresentes, foi justamente um exemplar de “Into the Wild”, que havia comprado na Barnes & Nobles one block away from my home e onde sempre dava uma passada ao sair do metrô, depois de um dia inteiro de aula de inglês, ministrada num edifício ao lado do World Trade Center. Fiquei impressionadíssima com a história de Chris McCandless, de 22 anos, que em abril de 1992, entra sozinho numa reserva natural do Alasca pra nunca mais sair. Ele tinha resolvido viver de forma simples, citava Thoreau e a filosofia de volta à natureza, aos básicos, à vida simples, de Russeau.

Fiquei irritada porque, quando me mudei pra Suécia, o “Into the Wild” foi um dos livros que eu doei e que, por isso, não me acompanhou até aqui. E eu queria reler a saga de McCandless. Afinal, apesar de não ser adepta de Thoreau, eu vivo, de fato, na tundra. (Update: não me aguentei e comprei o livro novamente. Vou me dar de natal. Nessa altura do campeonato, todas as desculpas valeriam. Hohoho)

A palavra em sueco do dia é obygd, lugar selvagem (= wilderness).

Filed under: Jornal,Livros,Saudade,Vidinha — Maria Fabriani @ 07:29

November 16, 2007

Parecidos?

Parecidos?

Cansei de ouvir: “Ah, seu filho é lindo! É a cara do pai, né?” O Max é uma mistura bem-sucedida, ok? E aqui está a prova. Essa aí sou eu, um ano de idade, muito prazer. E aí? O Max é a cara só do pai? E tenho o dito. :)

A palavra em sueco do dia é lika, parecido(a).

Filed under: De bem com a vida,Max e a maternidade — Maria Fabriani @ 08:57

November 15, 2007

De livros e de ídolos

Tava precisando de algum reading material desde que terminei de ler o escafândro e a borboleta do Jean-Dominique Bauby. Porém, a tarefa de procurar livros, que sempre me foi agradável, acabou se mostrando bem difícil. Ando chatinha mesmo pra gostar de livros ultimamente. Além do mais, o fato de não ter fundos para fazer experiências muito ousadas também prejudica minha busca por algo interessante.

Então, dei uma olhada na minha wish list da livraria online que freqüento mas não achei coisa alguma que realmente quisesse ler. Livros sobre Alzheimers, sobre racismo, Joyce Carol Oates? Ahn, não. No entanto, vi dois legais: “How to Cure a Fanatic”, de Amos Oz, e uma biografia da Nigella escrita por Gilly Smith, “Nigella Lawson - A Very British Dish”.

O livro do Amos Oz eu vou comprar mais cedo ou mais tarde. Fiquei fã desde que li a biografia dele, “En berättelse om kärlek och mörker” (“Tale Of Love And Darkness”). Já a biografia da Nigella eu tenho minhas dúvidas. Veja bem, eu adoro a Nigella, adoro os programas domestic goddess que ela faz e a acho libertária a forma prazeirosa com que ela se relaciona com a comida.

Ainda assim, há algo que me impede de ler biografias de gente que admiro ou que simplesmente gosto. É que, cá pra nós, ninguém, quando olhado beeeeem de pertinho, é perfeito. E eu não quero perder a imagem bacana que eu tenho a Nigella. Não quero saber dos problemas que ela enfrentou, faço questão de continuar ignorante com relação às faltas dela, se é raivosa ou sem tem pé-chato ou mau hálito.

Não. Eu quero continuar acreditando que a Nigella está sempre linda e morena, as unhas bem-feitérrimas, a maquiagem linda, os cabelos escovados, as curvas da barriga, da bunda e do busto enobrecidas por cashmeres de cores vivas e com casaquinhos apertadinhos. De realidade basta o que eu vejo todos os dias quando olho no espelho.

Essa minha aversão por conhecer quem admiro começou quando eu tinha uns 13 anos mais ou menos. Nessa época fui à bienal de livros do Riocentro com o meu pai, que iria assinar um de seus livros no estande da Nova Fronteira (hoje ele está chiquérrimo, editado pela Companhia das Letras, ok? Te mete). Bom, naquela época eu estava fascinada pela Lygia Fagundes Telles. Tinha lido tudo dela e, naquele dia, ela também estava lá, no meio do seus pares, esperando para que a noite de autógrafos dela começasse. Meu pai foi me apresentar, dizendo que eu era fã etc.

Eu, morrrrreeeeeeendo de vergonha, mas felicíssima, estava achando tudo o máximo. Até que reparei que a Lygia Fagundes Telles estava bêbada. Ela me olhou, os olhos entreabertos, um copo de uísque na mão e disse alguma coisa. Não me lembro o que foi, porque estava tão decepcionada que não consegui prestar atenção. Agora, vejam só, não tenho nada contra quem bebe (quer dizer, até tenho, mas isso é outra história), mas ainda assim não esperava isso dela, compreende? Da minha, Lygia Fagundes Telles!

Até hoje, já velha de guerra e com alguns porres na bagagem, não consigo relativizar aquele dia, aquele encontro. Ainda não consigo perdoar a minha escritora. É por essas e por outras que eu simplesmente não tenho ídolos. (Quer dizer, eu AMO o David Bowie, já possuí um livro ilustrado sobre a vida dele, mas como não me lembro de nada, não tem problema, continuo gostando dele e achando que “Life on Mars” é uma das melhores músicas jamais escritas).

Mas a busca por um livro ainda continuava. Aí, fui ao supermercado (que novidade!) e vi um livro que está sendo vendido junto com um dos jornais sensacionalistas daqui, o Expressen. É um clássico sueco chamado “Dvärgen”, ou “O Anão”, de Pär Lagerkvist. O livro já estava na minha lista há tempos, inclusive na minha wish list, mas sei lá porque sempre ficava relegado. Aí vi que estava baratérrimo, como edição de baixo-custo, pras massas. Comprei e já comecei a ler. Está ótimo, até agora.

A palavra em sueco do dia é kändis, celebridade.

Filed under: De bem com a vida,Livros,Vidinha — Maria Fabriani @ 12:48

November 14, 2007

Três meses

À toda

Fazendo preguiça

Três meses com o meu filho, Max. É tudo tão intenso que parece que estamos juntos há três anos. Hoje vamos tomar vacina (primeira dose contra a hepatite e todas as outras primeiras doses) e eu já estou tremendo nas bases. Depois eu conto como foi.

Update:: Foi tudo ótimo. Max chorou um pouco mas logo veio pro meu colo (ele estava no colo do pai na hora H) e tudo ficou bem. Foi também uma visita de rotina, para verificação do crescimento de Max. E ele está exatamente na curva, o que nos deixou muito felizes. Meu filhão está pesando 7.190 gramas e medindo 62 centímetros. Um meninão! :)

As palavras em sueco do dia são tre månader, três meses.

Filed under: Aniversários,Conquistas,De bem com a vida,Max e a maternidade,Vidinha — Maria Fabriani @ 06:20

November 11, 2007

Sonhar acordado

Resenha espetacular do livro “När ingenting särskilt händer” (aproximadamente “Quando nada de especial acontece”), de Billy Ehn e Orvar Löfgren no meu jornal. Ainda não tem link lá, mas quando tiver eu coloco (pra quem puder ler em sueco). O livro é uma investigação na liberdade criativa de quem sonha acordado — aquelas pessoas que andam de ônibus/trem/carro e parecem loooonge, com o pensamento lááááááá onde judas perdeu as botas.

Os autores são etnólogos (i.e. estudam historicamente os povos e suas culturas) e pediram pra seus estudantes na universidade para que escrevessem no que pensam quando estão esperando por algo. Na fila do supermercado, sentado no metrô, no ônibus, em casa… O resultado é uma miríade de pensamentos até certo ponto proibidos, que a maioria não teria coragem de contar pra quem está ao lado, caso fosse perguntado.

O que eu acho fascinante é que quando nada acontece é que você se abre pra dentro de você mesmo, quando as coisas que estão ali, as impressões, os problemas, os sentimentos positivos, aparecem. Quando a vida está muito agitada não há tempo para reflexão, para o eco, há apenas reação que não necessariamente precisa ser considerada. É aqui que há espaço para a consciência dar uma de joão-sem-braço e assim, como quem não quer nada, botar pra quebrar.

Uma estudante escreveu que ela, quando sentada no vagão do metrô, secretamente torcia pra que as pessoas atrasadas não conseguissem chegar a tempo. Eu sonho acordada o tempo todo. Sou capaz de grande concentração, mas quando estou relaxada, minha cabeça voa. Penso naquilo que não tive coragem de dizer, nas coisas que sei mas que não quero saber, no que gostaria de fazer mas não tenho coragem. É um vale-tudo delicioso e difícil, uma verdadeira válvula de escape.

A palavra em sueco do dia é medvetande, consciência.

Filed under: Elucubrações,Jornal,Livros — Maria Fabriani @ 13:50
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