Deliverance
Imagina se todas as crianças sacaneadas tivessem um talento desses?

Dia desses passou na TV “Der Untergang” e nós gravamos. Que filmaço! Não conhecia Bruno Ganz, que é espetacular. Deu pena* do coitado do Hitler, um homem torto, infeliz, sem qualquer contato com a realidade, que não podia acreditar que tudo o que fez deu errado. Filmaço. Vi um documentário uma vez, sei lá quando, que mostrava o grande desgosto de Hitler por nunca ter sido aceito numa academia de artes. Ele queria ser pintor e se achava muito refinado, mas nunca foi reconhecido. Com certeza não sou a primeira a pensar — ou a escrever — isso, mas imagina do que o mundo teria sido poupado caso ele tivesse tido uma vida mais fácil, menos tortuosa? Caso tivesse tido algum tipo de reconhecimento, de resposta emocional?

Sempre quis cantar. Quando era criança fazia shows incríveis pra parede do meu quarto. Meu repertório incluia Gal Costa, Rita Lee e Elis Regina. Mas principalmente Rita Lee. Cantei em festivais da música do meu colégio, fui do coral (primeira voz), mas tenho consciência que o som que sai da minha boca não é lá essas coisas; é normalzinho, sem nada demais. Mas isso não me impede de adorar cantores e cantoras com vozes maravilhosas. E, ainda hoje, todas as vezes que canto, qualquer que seja a música, aparecem lágrimas no meus olhos. E não são lágrimas de tristeza, mas sim de reconhecimento, de emoção do reencontro com a Maria essencial.
* Atenção! Não faço apologia ao nazismo em geral ou a Hitler em particular. O que escrevi diz respeito a um filme. E só. É melhor explicar antes de começar a receber emails furiosos de internautas doidos.
A palavra em sueco do dia é befrielse, libertação.
We have to bomb the rebel cities
E a escritora inglesa Doris Lessing 
A Suécia, se é que você ainda não sabe, não é um país perfeito. Está perto, mas não é perfeito. Senão, vejamos:
