September 27, 2007

O primeiro sorriso

Max sorriu pra mim! Ai, meu deus.

(A história foi essa: estava sentada na cozinha, com Max no moisés. O pai cozinhava. Ele “conversava” comigo por intermédio daqueles barulhinhos deliciosos que só os muito pequenos fazem, uns gemidinhos gargarejantes. Aí, sorrindo, peguei a chupeta e toquei o narizinho, as bochechas, o queixinho. Todos os lugares ao redor da boca, uma área que sei ser muito sensível em bebês. Fiz isso duas vezes. Na primeira vez Max não entendeu nada. Abriu a boca (apesar de não gostar de chupeta) e esperou pela dita cuja, que não veio. Na segunda vez deu um “clique” lá na cachola dele, ele entendeu que eu estava brincando, os olhinhos brilharam e ele abriu o maior sorriso. Ele compreendeu! Aí o pai foi fazer a mesma coisa e Max sorriu pra ele também. Quase nos desmilingüimos em choro, meu urso e eu, olhando pra Max, que ainda não tinha ganho sua chupeta mas estava lá, gargarejando sua comunicação, contente.)

A palavra em sueco do dia é leende, sorriso.

Filed under: Conquistas,De bem com a vida,Max e a maternidade,Vidinha — Maria Fabriani @ 12:04

September 26, 2007

Generalidades

Difícil recomeçar a escrever depois de tanto tempo longe daqui. Sinto uma falta danada da época em que tinha tempo e energia para me dedicar diariamente aos textos do blog. Sinto falta do estímulo, de estar realmente interessada em alguma coisa a ponto de querer comentar com alguém. Quer dizer, são muitos os assuntos que me interessam no momento (cocô amarelo, nariz entupido, dor de estômago, dificuldade em soltar pum, pele seca etc) mas o tico de simancol que ainda me resta me impede de desperdiçar o tempo de vocês com discussões infanto-escatológicas. Então, deixo pra lá.

Mudando de assunto (mas nem tanto): recebi um email de um leitor querido que está se sentindo meio “de fora” desde que comecei a escrever sobre maternidade. É uma pena que ele se sinta assim (ainda mais ele, que é um dos meus leitores mais atentos) mas eu não sei o que fazer para mudar a situação. De fato, maternidade é uma coisa transformadora. É preciso estar lá para saber. Mas, tenho a impressão que paternidade também é uma experiência sem similar. Há diferenças entre os processos, lógico, entre si e de pessoa para pessoa, mas o encantamento, acho eu, é o mesmo.

E o blog reflete o meu momento, a maternidade que passa a limpo todos os meus sentimentos e as minhas visões de mundo. Amigas me avisaram dessa mudança, mas eu, cabeça-duríssima e ego-tripadíssima, disse que comigo não seria assim. Ha ha. Ainda não compreendo de onde vem essa ingenuidade e esse egocentrismo, que eu tento exterminar mas que vivem aparecendo que nem mato em terreno baldio. Aí eu releio o que já escrevi e acho tudo uma grande bobagem. Uma série de generalidades sem muito nexo. Não gosto de ser imprecisa quando escrevo, mas às vezes até a imprecisão é precisa.

Nota rápida: quem tem amigos de verdade, tem tudo na vida. TUDO.

A palavra em sueco do dia é vänner, amigos.

Filed under: Elucubrações,Max e a maternidade,Vidinha — Maria Fabriani @ 12:37

September 14, 2007

Um mês de vida


A foto foi tirada quando Max ainda tinha duas semanas. Hoje ele já está bem maior e bochechudo. De acordo com o último controle, meu filho mede 55 centímetros e está pesando 4.800 gramas. Viva!

Poema enjoadinho

Filhos… Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete…
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meus Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los…
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

Vinícius de Moraes, 1950, Los Angeles. (Obrigada, pai!).

A palavra em sueco do dia é en månad, um mês.

Filed under: Aniversários,Conquistas,Max e a maternidade — Maria Fabriani @ 08:37

September 9, 2007

A normalidade relativa de uma mãe cansada

E as descobertas continuam. Pra mim, ser mãe está sendo um exercício de sublimação. Tá com fome? Quer escrever no blog? Quer falar no telefone? Quer ler jornal? Ir ao banheiro? Tomar um banho? Tá com dor de cabeça e precisa de um analgésico? Quer fazer o tempo voltar atrás? Quer DORMIR? Sublima, minha filha, sublima, porque o filho precisa comer, arrotar, trocar a fralda, brincar e adormecer… até que o próximo ciclo se inicie.

E aí tem gente que acha que, pra variar, estou negativa. Já eu me acho mais pra realista, mas isso é uma questão de gosto - ou de compreensão da realidade. Tenho meus dias bons e meus dias ruins; volta e meia preciso de um recreio, outros momentos não consigo ficar longe do meu filho nem por um minuto. E a coisa mais estranha não é essa montanha-russa de emoções (clichê alarm!), mas a culpa que ela causa.

Sim porque você, querido(a) leitor(a) que está pra se tornar (ou já é) mãe/pai, não achou que é imune à culpa, certo? Pois é, eu, na minha infinita ingenuidade que já beira à idiotia, achei. Eu achei mesmo que era uma mulher madura e resolvida, que não ia cair na armadilha de me sentir culpada por querer um tempo pra mim, mas a verdade é que eu fico culpadíssima. E culpa, pra mim, é irmã gêmea da melancolia, da tristeza e da chatice.

Então, aí está, o coquetel cor-de-rosa da maternidade que é uma de-lí-ci-a mas que te dá uma enxaqueca tremenda depois. Aí fui ao médico porque essa “enxaqueca” estava mais forte do que eu imaginava. Queria ajuda. Só as perguntas dele, obrigatórias para o estabelecimento de um diagnóstico, já contribuiram pra que eu voltasse pra casa convencida de que não estava apenas com baby blues mas com um caso raro e severo de psicose pós-parto.

“Você sabe que temos amor e ódio dentro de nós”, disse-me o médico. “Sim, eu sei”, respondi. “O importante é saber distingüir o que pensamos do que fazemos”, disse-me ele, hesitou um pouco e perguntou: “Você pensa em machucar o seu filho de alguma forma?”. Levei um susto mas consegui responder algo como “Ehh… não, não”. Me lembrei então das noites mal dormidas em que a relação ódio-amor entrou em desequilíbrio dentro de mim, energizada pela montanha-russa hormonal em que o meu corpo se tranformou.

Aí fiquei com medo, medo, medo. Nessa linguagem freudiana meio marota do médico, a coisa “da presença do ódio e do amor dentro de nós”, deixa uma margem enorme para livre interpretação. Se você for uma pessoa dada à ansiedade, como eu, a impressão é que a porção ódio é invariavelmente superior à porção amor. E aí, como é que fica? Não ousei fazer essa pergunta ao médico porque fiquei com medo dele me mandar prum sanatório, o que representaria ficar longe do meu filho, então escolhi um caminho mais fácil e comecei a generalizar.

Disse que achava que estava muito frágil e insegura no meu papel de mãe, e ele disse que isso era normal. Aliás, todo mundo me diz que o que está acontecendo é normal, que vai passar logo (daqui a uns dois meses mais ou menos) e que, até lá, só me resta segurar a minha onda. Mas eu tenho que reclamar, você sabe. Então: essa coisa de ser normal me deixa um pouco de saco cheio. Sim, porque o fato de ser normal não diminui a intensidade da sensação, caramba. (Apesar de, confesso, me dar um consolo. Vai ver, não estou perdendo completamente a cabeça e logo logo tudo voltará ao… normal.)

Mas aí é que está. O normal que era antes já não é mais. Então cabe a mim encontrar a minha mais nova normalidade. O problema é que sou uma criatura intensa e tenho medo de assustar os pacíficos suecos com minhas sandices. Cresci fazendo análise e sou acostumada a ter espaço para lançar umas loucuras no ar, como balões meteorológicos, para logo depois relativizar, ratificar ou retificar minhas suspeitas. Imagina se eles acharem que estou lelé da cuca?

Bom, esse é um risco que eu tenho que correr. E é mais um medo a ser sublimado.

E o Pavarotti? Eu fechava os olhos e só o ouvia cantar, porque assim o impacto era ainda maior. Principalmente quando ele cantava Lucia de Lamermoor. Que pena.

A palavra em sueco do dia é galen, louco(a).

Filed under: Elucubrações,Max e a maternidade,Vidinha — Maria Fabriani @ 11:13
 

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