
Chegou a hora de contar a novidade que mudou minha vida nos últimos quatro meses e meio.
Sim, eu estou grávida. Pela primeira vez na minha vida, estou esperando um bebê que dança aqui dentro de mim, dorme, engole líquido amniótico e faz pipi. Durante esse tempo, não consegui pensar em muitas outras coisas além do meu baby, aqui dentro de mim (fico repetindo isso porque acho simplesmente a coisa mais maravilhosa do mundo).
Mesmo com a cabeça a mil, fui forçada a pensar na universidade, a me concentrar, a estudar, mas quando minha mente se cansava dos livros, eu viajava com meu baby. Blog? Nem pensar. Aflita, queria saber se o coraçãozinho batia. Na semana 12 de gestação, ainda em fevereiro, fomos fazer um ultrasom. E ali estava meu baby, dando tchauzinho, ainda com muito espaço pra se mover. E essa a imagem que vocês podem ver aí em cima. Não são muitos os que entendem, mas eu já vejo que meu baby é lindo.
E que o coração dele bate.
Na semana 15 de gestação, dia primeiro de março, fizemos uma amniocentese para saber se a contagem dos cromossos 13, 18 e 21 estava normal. O exame é oferecido a todas as grávidas de 35 anos ou mais. Nós aceitamos fazê-lo. Cinco dias depois, no dia 6 de março, recebemos a maravilhosa notícia de que tudo estava bem com nosso baby. E ainda mais: descobrimos que estávamos esperando um menininho. Batizamos imediatamente nosso filho de Max, e choramos de emoção.
Eu estava em Umeå, no meio de uma loja tentando achar uma calça jeans de grávida para mim (a barriga ainda não era tão pronunciada, mas eu queria me prevenir) quando meu urso me liga, estourando de felicidade, de orgulho e de emoção. Nosso filho era saudável e era um menino. O exame, a agulha gigantesca, o medo de perder meu baby, as dores, a incerteza. Tudo passou. Comecei a chorar no meio da loja, um sorvete na mão esquerda e o telefone na mão direita. As vendedoras olhavam desconfiadas pra mim.
Meu filho é saudável. E é um menino!
Hoje, 15 dias depois, fomos fazer mais uma ultra pra ver se tudo está bem. Estou na semana 19 de gestação (quer dizer, 18 semanas completas mais um dia), quase entrando no quinto mês. Vimos meu filho lá dentro de mim, meio que dormindo, pés, mãos, braços e pernas, o rostinho, a coluna e até mesmo a bexiga cheia de líquido. A enfermeira disse que ele tinha bebido um monte de líquido amniótico. De repente, ele se mexe. E eu choro.
E o coração batendo.
Nunca me senti tão humildemente agradecida ao verificar um simples movimento muscular involuntário. Às vezes paro pra pensar que viagem magnífica que está acontecendo. É tudo tão surreal, é como se eu tivesse acertado na loteria dez vezes consecutivas. É meio mágico. É o mais próximo do que eu jamais cheguei de um milagre. Me sinto incrivelmente privilegiada de ter a possibilidade de carregar meu filho dentro de mim, de cuidar dele, de me cuidar por causa dele.
Nosso Max deverá vir no meio de agosto, lá pro dia 18. Pois é, a maior coincidência com o baby da Lu, que é uma lutadora que conseguiu ultrapassar um everest de dificuldades e agora está feliz da vida, esperando seu primeiro baby.
Minha história não é dramática. Começamos a tentar engravidar pela primeira vez em outubro de 2006. Dia 11 de novembro de 2006 fiquei menstruada e tristíssima. Mas um mês depois, dia 14 de dezembro, reparei que sentia cheiros fortíssimos no apartamento (que estava bem limpinho) e que sentia refluxos ácidos no estômago (o que não é comum). Como minha menstruação estava atrasada, achei uma boa testar. Deu positivo. Eu e meu urso entramos meio que em choque. Fizemos mais três testes, tudo para ter certeza. Deu tudo positivo.
Queria poder abraçar a Lu, abraçar meus pais (que sabem de tudo desde o início), abraçar todo mundo e dizer que coisa maravilhosa aconteceu comigo. Nunca podia imaginar que fosse me sentir assim, apesar de saber de fontes seguras que ficamos meio enlouquecidas quando um baby está a caminho. Eu simplesmente estou em permanente estado de graça. Penso em Max quase 24 horas por dia. Leio tudo o que posso, me informo, me preocupo, mas no fundo, nunca estive mais feliz em toda a minha vida.
PS.: Demorei pra contar porque sou uma criatura angustiada e não queria botar o carro na frente dos bois. Além do que, isso é uma notícia altamente pessoal. Por outro lado, resolvi contar aqui porque pretendo manter o Montanha-Russa e simplesmente não poderia mantê-lo se não pudesse, de quando em vez, falar do meu filho.
A frase em sueco do dia Min son är en frisk pojke!, Meu filho é um menino saudável!