March 28, 2007

Novos tempos

O novo horário de verão começou na noite de sábado pra domingo. Agora estou cinco horas à frente do Rio. Não tenho problemas em mudar de horário, apesar de ter dormido mal na noite de domingo pra segunda (mas também tinha outra explicação, que descobri mais tarde). Aí, pensando no novo horário, em que ganhamos mais uma hora de luz dentro da noite escandinava, cada vez mais clara, vi que não fico mais comparando o horário fictício com o oficial. Isto é, quando acordo às oito da manhã, não penso que “na verdade” são sete horas.

Acho que aceitar o horário de verão é como emigrar de forma bem-sucedida. Tudo o que era antes é parte de você; seu corpo inteiro reclama da mudança no início, quer voltar atrás, sente saudades do tempo passado, compara tudo e vive meio que num limbo entre o que era e o que é. Você acha que nunca vai se acostumar de verdade. Que tudo é confuso, mistura de curiosidade e saudade. Mas aí, depois de um tempo (anos), você esquece o horário antigo, e passa a viver no novo. A harmonia chega de repente. E é, aliás, muitíssimo bem-vinda.

Traquinagens domésticas. Botei na máquina de lavar uma pequeníssima quantidade de roupa: quatro fronhas, duas peças de roupa íntima e um par de meias. Acabei de pendurar tudo e qual não foi a minha surpresa quando descobri que um pé de meia está faltando. Esse é um mistério que sempre me deixa injuriada. Como é que são sempre as minhas meias lindas e cor-de-rosa que desaparecem? E hoje meu urso nem está aqui pra levar a culpa (ele já perdeu um par e tingiu um outro de azul). A máquina engoliu o diabo da meia, porque não a encontro de jeito nenhum.

A palavra em sueco do dia é sommartid, horário de verão.

March 22, 2007

Sorvete é coisa séria (ou a hipocrisia de uma nação)

GB Glace “Girlie” Ahhh, Suécia, Suécia. Esse paisinho tão especial e, por vezes, meio caricato e provinciano, a ponto de ser quase absurdo. O verão está chegando, e com ele, os novos lançamentos de sorvetes — uma mania nacional. Só que o que seria dos nativos sem uma polêmica? A GB Glass, que corresponde à nossa Kibon, acabou de lançar seu novo sorvete, Girlie (foto), uma estrela cor-de-rosa com gosto de hallon (frutinha vermelhinha, prima distante do morango).

Você acha isso controverso? Pois é, eu também não. Mas os suecos acham. Dezenas de blogs e jornalistas mainstream criticam o sorvete, por discriminar os meninos. Hã? Cuma? Pois é, eu também não tinha entendido nada. Aí li hoje o comentário de uma jornalista do meu jornal, Karin Rebas, que disse achar “uma pena que os meninos não sejam também alvo de criações engraçadas, coloridas e cheias de gliter — seja no que diz respeito a roupas, brinquedos ou sorvete.”

E o pior é que essa polêmica glacial não é a primeira. Na primavera-verão de 2005 foi a vez de uma criação da mesma GB Glass causar mal-estar em muitas pessoas. Tratava-se de um sorvete negro, chamado Nogger Black. Os suecos politicamente corretos pularam na cadeira e se enfureceram. Uma empresa multinacional não podia batizar um sorvete negro com um nome tão ligado à discriminação racial! Foi uma polêmica danada. E o sorvete, pasme, sumiu de circulação.

Enquanto os nativos se enfurecem por causa de um sorvete cor-de-rosa, milhares de pessoas morrem no Sudão, no Iraque e na Palestina. Enquanto os nativos se enfurecem por causa de um sorvete negro, imigrantes têm dificuldade em conseguir um emprego ou alugar um apartamento na Suécia por conta de seus sotaques e de seus nomes. Enquanto tudo isso acontece, homossexuais nativos não podem doar sangue, que não é aceito pelas autoridades de saúde daqui (alô alô seu síndico! a noção de “grupos de risco” acabou há 20 anos!)

A palavra em sueco do dia é glass, sorvete.

Filed under: Europa & Escandinávia,Vida de imigrante — Maria Fabriani @ 09:38

March 21, 2007

Vad blir det för mat?


Desde que parei de enjoar voltei a ter prazer em assistir aos muitos programas de culinária mostrados na TV sueca. Dia desses assisti ao primeiro episódio do Jamie at Home, que é o Jamie Oliver cozinhando na casa dele, com produtos orgânicos do seu próprio quintal. O maior barato. Amei uma salada de batata que ele fez que leva batatas frescas pequenas (ou cortadas em quatro), azeite de primeira, sal, pimenta, alcaparra e dill. Não sei as proporções, mas isso não deve ser problema. Dá pra fazer essa a olho nu que não tem erro.

Aí, ontem, estava de bobeira depois do almoço e liguei a TV. Dei uma zapeada e fui parar num canal pago da TV sueca (TV4 Plus) em que um ator conhecido aqui, Per Moberg, cozinha divinamente. O programa é engraçadíssimo. Isso porque ele é ator e está se lixando pras regras dos programas tradicionais de culinária. Ele está sempre descabelado e suando e sequer prepara os ingredientes com antecedência; ele vai fazendo assim meio que nas coxas, uma coisa depois da outra, sem qualquer ordem.

Ontem ele fez uns bifes grelhados, que serviu com legumes feitos no forno com uma coisa chamada sidfläsk, que pra mim se parece muito com bacon. De sobremesa ele fez sorvete de svartvinbär, que é, acho, conhecida pelo mundo como blackcurrent. O engraçado é que ele vai fazendo as coisas e vai provando com os dedos, que ele prontamente lambe e continua a cozinhar. O tal do bacon ele cheirou tanto que acabou encostando o treco no nariz.

Aí ele perde o fio da meada e pára de falar e fica olhando pra câmera. O telefone toca (o programa é gravado na casa dele, que é um antigo castelo e tem uma cozinha ma-ra-vi-lho-sa), a filha entra na cozinha para “ajudar”, o cachorro vem dar um passeio porque o tal do bacon tá cheirando bem demais etc. Eu adoro! Em contraste, vi uns últimos programas da Nigella e a achei diferente, com um sorriso meio forçado… Imagino se não é uma mudança sutil pra agradar à audiência americana? Uma pena. Gostava dela mais British (quer dizer, menos wholesome, mais cínica e engraçada).

Eu e minha amiga Maria (que não é minha outra personalidade. Minha amiga Maria existe, é sueca, estuda comigo e é mãe de duas crianças) sempre brincamos dizendo que nossos filhos teríam problemas em fazer como os filhos de mulheres que sabem cozinhar bem. Esses felizardos sempre podem voltar pra casa “porque nada é melhor do que a comida da mamãe”. Nossas crianças poderão, no máximo, louvar as saladas de alface que fazemos, os tomates cortadinhos, os croutons… :)

Não sou uma expert, mas reuni nesses cinco anos alguns posts em que relatei minhas aventuras culinárias mais avançadas. Clique na categoria Receitas e verifique.

A palavra em sueco do dia é kock, cozinheira(o), chef.

Filed under: Cinema e televisão,De bem com a vida,Eu ♥ a Suécia — Maria Fabriani @ 09:37

March 20, 2007

A normalidade em perspectiva

Dia desses acordei lá no meu quartinho alugado em Umeå, nauseada e ainda com um pouco de dor de cabeça. Tomei um copo de chá com uma torrada e fui pra universidade. Ainda passando meio mal (enjoei da nona semana de gestação até dias atrás) verifiquei que havia me enganado no horário da primeira aula. Estava uma hora adiantada. Como sentar em um dos cafés da universidade estava fora de cogitação (os cheiros eram fortíssimos para o meu então delicado estômago) entrei na livraria do compus.

Aí vi que eles estavam com liqüidação de livros pocket (os mais baratecos). Dei uma browseada e descobri “Att föda” de Gudrun Abascal, com a capa linda de um bebê visto de cima, segurando o pezinho (foto). O nome, que para nós brasileiros é meio esquisito, nada tem a ver com o ato de, hum, geração da criança, mas diz respeito ao parto e quer dizer mais ou menos “Dar a luz”. Li que a autora tem mais de 30 anos de experiência como parteira aqui na Suécia. Achei que ainda estava um pouco cedo para ler sobre o parto, tipos de anestesias e angústias finais (já que lutava para segurar minha onda ainda no início da gravidez), mas comprei o livro mesmo assim.

Aqui todas as grávidas tem contato com parteiras durante a gravidez e o parto. Médicos são chamados apenas quando o parto apresenta alguma complicação. As parteiras suecas são enfermeiras especializadas em saúde materna e infantil. A partir daí existe uma série de especializações, como enfermeiras especializadas em fazer ultrassom etc. Se não me engano uma enfermeira estuda três anos e meio na faculdade e depois, se quiser se especializar no papel de parteira, precisa fazer mais um ano de curso universitário.

Não li o livro todo. É tanta informação, tantas escolhas, que eu ainda preciso de tempo para digerir. Mas gostei de muitas coisas no livro. Entre elas, as diferenças em definição do que é um parto normal para diferentes categorias médicas aqui na Suécia. A saber:

O obstetra acha que o parto é normal quando nenhuma complicação de origem médica ocorre; já a parteira diz que dar a luz é normal, mesmo com complicações. O psicólogo afirma que o parto é uma crise de desenvolvimento normal, que influencia o desenvolvimento emocional da mulher/mãe. O antropólogo diz que o mundo moderno complica o processo do nascimento. Sociedades diferentes criaram uma grande variedade de processos de dar a luz para marcar seu estatus cultural. Já o sociólogo afirma que o parto não é um processo normal, mas social, que depende da personalidade da mulher e das circunstâncias na hora do nascimento.

Eu não sei o que acho. Tenho a impressão que normal é ter a criança, seja de que forma for. Ainda não penso no parto e evito assistir a (interessantíssimos) documentários sobre partos arriscados. Por mais que esteja curiosíssima, acho que o que acontece com as mulheres americanas dos documentários me deixa um pouco mais frágil. Então essa coisa de gravidez é assim: você é bombardeado de informação mas, ao mesmo tempo, precisa se contentar em tomar conhecimento de um limitado número de dados. Senão a cabeça pira. Afinal, ignorance is bliss. Sometimes.

A palavra em sueco do dia é barnmorska, parteira.

Filed under: Elucubrações,Gravidez — Maria Fabriani @ 09:36

March 18, 2007

Sol social-democrata

Mona SahlinOntem o dia foi difícil, mas hoje está mais fácil. Foi ontem também que o partido social-democrata sueco elegeu pela primeira vez em 118 anos de história uma mulher como chefe. Mona Sahlin (foto) dirige agora o maior partido socialista escandinavo e vai fazer oposição ao governo direitista moderado. Agora, mais do que nunca, votarei nos social-democratas. Na eleição passada eu votei neles por obrigação — não queria um governo de direta, mas nas eleições locais meu voto foi para o partido verde.

Eu, mesmo sem muita experiência com a social-democracia sueca, achava o partido identificado demais com o poder, sem muito contato com as raízes do movimento. O partido social-democrata sueco surgiu, claro, da base trabalhadora nacional. Durante as últimas eleições no entanto, os moderados roubaram descaradamente o discurso vermelho e até começaram a se chamar “o novo partidos dos trabalhadores”. Imaginem o PSDB ou, pior, o PFL, se dizendo a mais nova versão do PT. Foi com isso que eles venceram as eleições.

Sim, porque por mais que a elite sueca das grandes cidades seja em sua maioria de centro direita, ainda bate no peito de todo o cidadão nativo uma noção de igualdade que flerta com os ideais social-democratas, os quais são a base da construção cultural do ser sueco. Agora é diferente. Mona Sahlin pode dar ao partido nova energia para conquistar novamente o eleitorado das grandes cidades, onde os moderados são fortíssimos. Não sei como ela vai fazê-lo. Só sei que estarei lá para ajudar. You go girl!

Mona Sahlin não é novidade como líder do partido. Em 1995 ela quase chegou lá, mas alguém fuxicou nas contas de trabalho dela (o que é totalmente legal aqui) e descobriu que ela usou o cartão de crédito do governo, no qual era ministra, para comprar, entre outras coisas, um chocolate Toblerone. Acreditem se quiser: bastou isso pra ela abandonar suas ambições políticas e sair do governo. Três anos depois ela voltou, também como ministra (foi a ela que eu escrevi uma carta aberta lááá em 2002, hahaha) e agora ela chegou onde queria.

Hoje o dia está lindo. Frio, porém lindo. O sol nasce cedinho e eu com ele. Agora o sol bate a tarde inteira na frente do apartamento. E isso é o mais engraçado: se fosse no Rio, esse apartamento seria menos valorizado por ficar do lado mais “quente” da rua. Aqui, é exatamente o contrário. Já disse que a primavera é a coisa mais maravilhosa que existe? Ahhh…

A palavra em sueco do dia é politik, política.

Filed under: Conquistas,Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 09:33

March 17, 2007

O grande medo

André Jordan, http://www.abeautifulrevolution.com/blog/ Sempre fui uma criatura um tanto quanto angustiada. Nunca tive muitas certezas. Volta e meia achava que por mais que tudo estivesse bem, ainda dava tempo de tudo dar errado. Aí me descobri grávida. Foi uma surpresa, apesar de ter sido uma surpresa esperadíssima e planejadíssima. Mas desde então me sinto constantemente amedrontada. É medo de que algo dê errado, que algo influencie meu corpo de forma negativa e que prejudique meu filho, que algo simplesmente não funcione como deveria.

Esse “algo” é um mistério. Não tenho idéia do que poderia ser, mas tenho certeza de que ele existe e é real. Tento trabalhar comigo mesma pra seguir os conselhos de meus pais e do meu urso, pilares de certezas, e não dar trela à angústia, não chamar energias negativas. Imagino meu filho em cada anúncio de fralda e de detergente em pó que vejo, em cada pequerrucho que encontro pela rua. Imagino os cheiros (os bons e os ruins), o dia-a-dia, o choro, o sono, o abraço, o beijinho. Penso nas roupas, nos brinquedos, na bicicleta.

E é nesse momento que me dou conta de quanto o meu filho é real pra mim. Aí o medo volta como uma tsunami que me engolfa totalmente e me faz parar de pensar em Max. É paralisante. No livro sobre gravidez que comprei em dezembro passado, li que é por agora que Max começará a desenvolver sua audição. Todo mundo diz que eu tenho que falar com ele. Eu tento. Digo, em português: “Oi, meu filho…” e imediatamente começo a chorar. Espero que ele desenvolva a capacidade de ler pensamentos porque é assim que eu consigo me comunicar com ele.

A parteira que cuida de mim disse que meu urso precisa ter muita paciência nesses nove meses, que a mulher é emocionalmente frágil etc. Quando ela disse isso, olhei pro meu urso e pensei: “Coitado, será que ele agüenta ter ainda mais paciência do que ele já tem?” A resposta é sim. Não tem sido fácil. Mais do que nunca, ando todos os dias numa montanha-russa de emoções. Vou dormir exausta diariamente. O medo é maleável e assume as formas mais diferentes, tudo para dificultar minha vida.

Tenho medo de ficar barriguda e de não ficar barriguda; da dor do parto e de não sentir mais nada; dos movimentos de Max na minha barriga e de não senti-los mais; de ir fazer um ultrassom e constatar algo de errado. En fin. Essa loucura, tenho a impressão, não é apenas minha, mas de muitas outras mulheres que, como eu, estão à beira de uma mudança radical em suas vidas. Quer dizer, só à beira não. Eu me sinto como a Dorothy, no meio de um tornado em Kansas, indo pra algum lugar desconhecido.

Mas de quando em vez consigo parar esse redemoinho de medos. Me dou conta de que é uma criação minha, que eu me entrego fácil demais à essa famigerada fragilidade emocional. Aí eu consigo respirar, sorrir, ler, pensar em outras coisas, fazer planos. Olho pro meu urso e tento adivinhar os traços que meu filho vai herdar (as covinhas, espero!), olho no espelho e encomendo uma série de melhorias para a próxima geração. Sinto minha barriga endurecer à altura do umbigo e percebo que o útero faz ginástica para segurar a onda de Max, que cresce.

E aí, fico humildemente agradecida por tudo.

A palavra em sueco do dia é hopp, esperança.

Filed under: Gravidez — Maria Fabriani @ 08:30

March 16, 2007

Um ursinho está a caminho!

Chegou a hora de contar a novidade que mudou minha vida nos últimos quatro meses e meio. Sim, eu estou grávida. Pela primeira vez na minha vida, estou esperando um bebê que dança aqui dentro de mim, dorme, engole líquido amniótico e faz pipi. Durante esse tempo, não consegui pensar em muitas outras coisas além do meu baby, aqui dentro de mim (fico repetindo isso porque acho simplesmente a coisa mais maravilhosa do mundo).

Mesmo com a cabeça a mil, fui forçada a pensar na universidade, a me concentrar, a estudar, mas quando minha mente se cansava dos livros, eu viajava com meu baby. Blog? Nem pensar. Aflita, queria saber se o coraçãozinho batia. Na semana 12 de gestação, ainda em fevereiro, fomos fazer um ultrasom. E ali estava meu baby, dando tchauzinho, ainda com muito espaço pra se mover. E essa a imagem que vocês podem ver aí em cima. Não são muitos os que entendem, mas eu já vejo que meu baby é lindo.

E que o coração dele bate.

Na semana 15 de gestação, dia primeiro de março, fizemos uma amniocentese para saber se a contagem dos cromossos 13, 18 e 21 estava normal. O exame é oferecido a todas as grávidas de 35 anos ou mais. Nós aceitamos fazê-lo. Cinco dias depois, no dia 6 de março, recebemos a maravilhosa notícia de que tudo estava bem com nosso baby. E ainda mais: descobrimos que estávamos esperando um menininho. Batizamos imediatamente nosso filho de Max, e choramos de emoção.

Eu estava em Umeå, no meio de uma loja tentando achar uma calça jeans de grávida para mim (a barriga ainda não era tão pronunciada, mas eu queria me prevenir) quando meu urso me liga, estourando de felicidade, de orgulho e de emoção. Nosso filho era saudável e era um menino. O exame, a agulha gigantesca, o medo de perder meu baby, as dores, a incerteza. Tudo passou. Comecei a chorar no meio da loja, um sorvete na mão esquerda e o telefone na mão direita. As vendedoras olhavam desconfiadas pra mim.

Meu filho é saudável. E é um menino!

Hoje, 15 dias depois, fomos fazer mais uma ultra pra ver se tudo está bem. Estou na semana 19 de gestação (quer dizer, 18 semanas completas mais um dia), quase entrando no quinto mês. Vimos meu filho lá dentro de mim, meio que dormindo, pés, mãos, braços e pernas, o rostinho, a coluna e até mesmo a bexiga cheia de líquido. A enfermeira disse que ele tinha bebido um monte de líquido amniótico. De repente, ele se mexe. E eu choro.

E o coração batendo.

Nunca me senti tão humildemente agradecida ao verificar um simples movimento muscular involuntário. Às vezes paro pra pensar que viagem magnífica que está acontecendo. É tudo tão surreal, é como se eu tivesse acertado na loteria dez vezes consecutivas. É meio mágico. É o mais próximo do que eu jamais cheguei de um milagre. Me sinto incrivelmente privilegiada de ter a possibilidade de carregar meu filho dentro de mim, de cuidar dele, de me cuidar por causa dele.

Nosso Max deverá vir no meio de agosto, lá pro dia 18. Pois é, a maior coincidência com o baby da Lu, que é uma lutadora que conseguiu ultrapassar um everest de dificuldades e agora está feliz da vida, esperando seu primeiro baby.

Minha história não é dramática. Começamos a tentar engravidar pela primeira vez em outubro de 2006. Dia 11 de novembro de 2006 fiquei menstruada e tristíssima. Mas um mês depois, dia 14 de dezembro, reparei que sentia cheiros fortíssimos no apartamento (que estava bem limpinho) e que sentia refluxos ácidos no estômago (o que não é comum). Como minha menstruação estava atrasada, achei uma boa testar. Deu positivo. Eu e meu urso entramos meio que em choque. Fizemos mais três testes, tudo para ter certeza. Deu tudo positivo.

Queria poder abraçar a Lu, abraçar meus pais (que sabem de tudo desde o início), abraçar todo mundo e dizer que coisa maravilhosa aconteceu comigo. Nunca podia imaginar que fosse me sentir assim, apesar de saber de fontes seguras que ficamos meio enlouquecidas quando um baby está a caminho. Eu simplesmente estou em permanente estado de graça. Penso em Max quase 24 horas por dia. Leio tudo o que posso, me informo, me preocupo, mas no fundo, nunca estive mais feliz em toda a minha vida.

PS.: Demorei pra contar porque sou uma criatura angustiada e não queria botar o carro na frente dos bois. Além do que, isso é uma notícia altamente pessoal. Por outro lado, resolvi contar aqui porque pretendo manter o Montanha-Russa e simplesmente não poderia mantê-lo se não pudesse, de quando em vez, falar do meu filho.

A frase em sueco do dia Min son är en frisk pojke!, Meu filho é um menino saudável!

Filed under: Conquistas,De bem com a vida,Gravidez — Maria Fabriani @ 07:36
 

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