December 30, 2006

Feliz Ano Novo!

Imagem do Leo Martins.

A expressão em sueco do dia é Gott Nytt År!, Feliz Ano Novo!

Filed under: De bem com a vida,Vidinha — Maria Fabriani @ 18:43

December 29, 2006

Alegria, alegria

inha juntado dinheiro durante mais de um ano (meu pai me ajudou com a passagem) e quando finalmente me sentei no meu assento no avião da Ibéria com destino a Madri em janeiro de 1993, era uma pessoa feliz. Ia passar um mês viajando de trem pela Europa. Estava meio apavorada, mas muito satisfeita. Aí olhei pro lado e comecei a conversar com uma mocinha francesa que foi ao Rio a passeio. Ela era uma daquelas viajantes mochileiras, meio hippies, que vemos andando pelas praias do Rio e nos bares do Baixo Gávea.

No meio da conversa, ela disse: “Não entendo como o Brasil não dá certo! Vocês têm tudo, riqueza, recursos naturais e um povo alegre e feliz!” Sobre nossas dificuldades desenvolvimentistas, dei os esclarecimentos gerais de praxe: desigualdade, corrupção, racismo etc. Mas o quê não consegui explicar à mocinha foi a “felicidade” das pessoas que ela encontrou. Até porque também nunca entendi de onde vem essa capacidade de rir que certas pessoas têm, mesmo quando a vida pode ser tão brutal. Ela me contou de seu encanto pela facilidade de estabelecer contato com as pessoas mais simples do Brasil, e de como era difícil fazer o mesmo na França.

Dez anos depois, já na Suécia, eu e meu urso vamos a um show de música. “Nunca vi um povo mais feliz!”, exclamou um sueco, amigo de um amigo do meu urso, por trás dos muitos véus do álcool, quando compreende de onde venho. Ele tinha acabado de voltar de duas semanas em Natal, capital do Rio Grande do Norte, cidade que cada vez mais se torna um enclave sueco no meio do nordeste brasileiro. Ele me olhou, meio que esperando uma resposta, uma confirmação. Eu disse que achava legal ele ter gostado, mas que nunca havia visitado a cidade.

Disse que vinha do sudeste, que infelizmente nunca tive oportunidade de visitar o nordeste, e que quando minha mãe foi de ônibus pra Salvador no verão no meio dos anos 80, eu não pude ir porque fiquei em recuperação em desenho geométrico. Todos esses detalhes só confundiram o cara, mas ele continuou: “Que praias! E as pessoas não param de sorrir! Como pode? Elas são tão pobres” A isso não tive resposta. Saí de fininho, o cara já discutindo alguma coisa diferente com outra pessoa, ambos envoltos numa constante bruma etílica.

É, de fato, uma incongruência completa. De onde vem essa “alegria” insistente, que aparece nos momentos mais inusitados? Como pode um povo (agora eu generalizo, mas vocês compreendem) mostrar tantos momentos de alegria vivendo num clima de injustiça, insegurança e pobreza? Essa alegria é real? Pra mim, que posso olhar com uma perspectiva estrangeira — quer dizer, sem estar submetida aos horrores da violência do cotidiano brasileiro — essa alegria, que pode existir ou pode ser um mito, é um mistério completo.

Será que a alegria tem a ver com a necessidade de “correr atrás” das coisas, o que dá um gostinho muito especial quando o objetivo é alcançado? Mas o que acontece àqueles que nunca alcançam objetivo algum, seja por incompetência ou por simples falta de oportunidade? Essa teoria também é contraditória aos resultados de uma pesquisa realizada por uma empresa de consultoria britânica que mediu o nível de felicidade de diversos países do mundo. A riquíssima Dinamarca chegou em primeiro, seguida por Suíça, Áustria e Islândia. A Suécia ficou em sétimo lugar e o Brasil nem aparece na pesquisa.

É, em se tratando de Brasil, alegria é assunto complicado.

D’après Marcus Gusmão.

A palavra em sueco do dia é mysterium, mistério.

Filed under: Elucubrações,Vidinha — Maria Fabriani @ 13:47

December 27, 2006

O fim de ano na TV

elevisão de final de ano é de matar. Afinal, seres humanos com o mínimo instinto de autopreservação não se sentam no sofá para assistir às aventuras natalinas de Chevy Chase e sua família caso possam evitar, certo? É isso ou shows de música horríveis, com gente esquisitíssima. Mas, procurando beeeem, pode-se até achar coisas interessantes. A tv estatal está mostrando, por exemplo, uma microsérie de três filmes sobre os “Snapphanar”, rebeldes da Skåne (extremo sul sueco, pertinho da Dinamarca) que, durante uma parte do século XVII, lutaram pela independência da região.

O interessante é que eles eram suecos e lutavam contra a Suécia, ao lado dos dinamarqueses. O resultado foram muitos banhos de sangue e histórias interessantes pra contar. Hoje de manhã escutei no rádio que o programa está mexendo com os brios dos suecos, mostrando que esse povo tem sangue correndo nas veias after all (sorry for the irony). Um dos ti-ti-tis mais interessantes é que a grande maioria dos nativos quer que a série seja apresentada com legendas. Isso porque o dialeto falado pelos moradores da região pode ser por vezes, uhm, um desafio, até mesmo para quem tem sueco como primeira língua.

Mas, mesmo querendo, não dá pra fugir das cantorias. Vai ter até a menina de 14 anos que concorreu pela Suécia no festival infantil de música (e não ganhou). É que aqui na Suécia, como alguns de vocês sabem, essa coisa de festival de música é levada muito a sério. A menina em questão, Molly Sandén, é linda e canta bem, porém não como uma menina de 14 anos, mas como uma diva capaz de dar dó de peito e agudos ameaçadores para os cristais da sala. Eu fico com pena, porque a festa infantil perde um pouco do charme pra mim.

Prefiro sempre as músicas apresentadas pelas crianças norueguesas e dinamarquesas. As norueguesas, invariavelmente meninas mínimas, lindas, cantam sobre o sol, o verão, sobre sorvete e chocolate. A coisa maaaaais linda. Já os rapazes dinamarqueses — por alguma razão são quase sempre meninos — cantam muitíssimo bem, flertam com a platéia o tempo todo e são liiiiiiindos de morrer. A música é muito mais moderna, bacana. Enquanto isso, a tal da Molly tenta imitar a louca local, Carola, uma “estrela” desde criança e que acredita que cantar é a mesma coisa que gritar.

A sorte é que não padecerei o ano novo em casa.

A palavra em sueco do dia é underhållning, entretenimento ou manutenção.

Filed under: Cinema e televisão,De bem com a vida,Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 15:57

December 26, 2006

O natal, a (falta de) neve e eu

o natal foi ok, tranqüilo. Dessa vez sem tempestades de neve como no ano passado. Na verdade, este ano quase que tivemos um natal sem neve. Aqui em Boden olho pela janela e vejo alguns centímetros de neve no chão — que não derreteram porque a temperatura ficou abaixo de zero nos últimos dias. A camada de neve, ainda que tímida para quem é acostumado com muitos metros todos os anos, serviu para não deixar os nativos por demais deprimidos. Já eu acho tudo ótimo.

Recebi alguns SMSs de amigas da universidade. A maioria com a mensagem padrão: “feliz natal pra família etc”. Mas quem estava passando as festas com a família ao norte de Umeå dizia claramente: “feliz natal de Gällivare, onde temos MUITA neve”. Imediatamente fiquei com pena da criatura, ilhada numa cidadezinha mínima, no meio do nada, coberta de neve e fria pra dedéu.

Mas aí o Nervo Simpático Adaptativo, que desenvolvi durante esses cinco anos de Suécia, se manifesta e eu entendo que a pessoa em questão está é dizendo como ela é afortunada por ter um “vit jul”, ou um “natal branco”, quer dizer, com neve. A maioria dos nativos acha chatíssima essa coisa da falta de neve; são muitos os que inclusive vêm pro norte para poder ter um natal “de verdade”.

Fomos pra casa da sogra da irmã do meu urso (afe), numa cidade distante uma hora e meia de carro daqui. As sobrinhas, uma mocinha linda de 13 anos e gêmeas lindinhas de 11, continuam três selvagens no que diz respeito a receber presentes de natal. Quanto mais melhor, num frenesi assustador. Parecem pequenos tubarões loiros, rasgando papel de presente como quem despedaça a perna de um surfista australiano.

Na mesa, porco com mostarda e doce de maçã (não como), salada de legumes com creme de leite (não como), salada de beterraba com creme de leite (não como), salada de frutas com creme de leite (não como), salada de arenque com creme de leite (não como), salsichão (não como), patê de músculo de vitela (não como), costelas de porco (não como), batatas cozidas na água (como), patê de fígado de ganso (como), salmão defumado (como), ovo duro (como), pequenas salsichinhas (como), pequenas almôndegas (como), pão e queijo (como).

Isso sem falar na sobremesa: uma estranheza chamada “Ris à la Malta”. Trata-se do nosso arroz doce, cuja receita une arroz cozido, o onipresente creme de leite e… açúcar. Sinceramente, não consigo compreender como seres inteligentes podem se aventurar num prato tão incongruente. Arroz, todos nós sabemos, é para ser ingerido salgado, correto? Bom, além disso, muitos biscoitos (uns seis diferentes) e café foram servidos no final da tarde/noite. E eu, no meu canto, senti que poderia ter dado minha alma pecadora por um pedaço de bacalhau.

Depois dessa orgia alimentícia (da qual não participei, note bem!), saímos eu e a irmã do meu urso, para um passeio com o cachorro dela. Não estava frio: apenas cinco graus negativos, sem vento. Andamos uns 40 minutos pela cidade quase que totalmente deserta e, claro, muito escura. A irmã de meu urso estava totalmente tranqüila, em seu elemento, jogando o brinquedo pro cachorro ir buscar. Eu, eternamente carioca, olhava com desconfiança para as muitas sombras escuras entre casas e ruas.

Mas tudo correu bem, claro. Ganhei presentes lindos e dei outros também bacanas, tudo financiado pela ajuda do governo aos estudantes — a qual terei de pagar de volta assim que terminar a faculdade (com emprego ou sem). Mas, nessa época do ano, quem se preocupa com o que virá, não é? Imediatismo é a palavra de ordem e eu assumo totalmente meu lado hedonista. Hoje ainda é feriado por aqui, o chamado annandag, ou literalmente “o outro dia”.

E 2006 está quase terminando. Viva!

A palavra em sueco do dia é anpassning, adaptação.

Filed under: De bem com a vida,Vidinha — Maria Fabriani @ 12:18

December 23, 2006

A express�o em sueco do dia é God Jul, Feliz Natal.

Filed under: De bem com a vida — Maria Fabriani @ 07:46

December 22, 2006

De bem comigo mesma

cabamos de voltar da casa de um casal amigo (ela brasileira, ele sueco + duas crianças lindas) onde comemos uma feijoada deliciosa. Batemos papo, rimos. Foi tão bom! Tem dias que preciso de tão pouco para me sentir bem, satisfeita, tranqüila. Por quê não sou sempre assim?

A segunda palavra do dia em sueco é tillfreds, satisfeita.

Filed under: De bem com a vida,Elucubrações,Vidinha — Maria Fabriani @ 21:02

O sueco do ano

s suecos adoram dar um prêmio. O mais conhecido é o Nobel, claro, mas existe uma série de outros. Um dos mais interessantes é o chamado “Årets Svensk”, ou “O sueco do ano”. Esse ano, a revista Fokus, que concede o prêmio, escolheu como vencedores o par Masoud och Shahnaz Garakoei (foto acima). A motivação do prêmio (numa tradução minha que tá mais pra interpretação livre) é essa:

“Masoud e Shahnas Garakoei agiram com uma coragem excepcional numa situação de perigo de vida. Mesmo com risco, eles defenderam os valores básicos da democracia, da lei e do direito. Suas ações mostram grande coragem e integridade e servem como uma inspiração para os outros.”

A explicação é a seguinte: Masoud och Shahnaz Garakoei são donos de um restaurante em Gotemburgo. Um belo dia, uma gangue de motociclistas — aqui nesse universo paralelo chamado Suécia, gangue de motociclistas é quase sempre sinônimo de bandidagem — foi ao restaurante e disse que se o casal quisesse “proteção”, teria de pagar caro.

O par não apenas se negou a pagar, como ainda testemunhou contra os bandidos no tribunal. Mas apesar das promessas da polícia de que eles teriam proteção, a vida do casal se transformou num inferno. Os bandidos queimaram o carro deles, ameaçaram matar os filhos do casal, levaram o par quase à falência. Mas Masoud och Shahnaz Garakoei continuaram a trabalhar em seu restaurante, a aturar as ameaças, e hoje pagam suas dívidas com o movimento de seu estabelecimento.

Perguntados por um jornal o que eles achavam de ter ganho o prêmio, eles se disseram orgulhosos de, como imigrantes, terem ganho o título de sueco do ano. Outro jornal perguntou como o par acha que a sociedade sueca se comportou. “Depende do que você considera sociedade”, ponderou Masoud. “Se você está falando da polícia e do governo, então eles não fizeram o que prometeram. Mas se você está se referindo ao povo em geral, posso dizer que a população foi de grande ajuda. As pessoas vieram ao nosso restaurante e comeram nossa comida, o que nos ajuda a pagar nossas dívidas.”

Particularmente, acho o prêmio o maior barato. Não apenas pelo título “sueco do ano” ter sido dado a um casal de imigrantes, mas principalmente pela coragem que Masoud och Shahnaz Garakoei mostraram. Verdadeiro exemplo de retidão de caráter apesar dos riscos. E isso depende da pessoa e independe completamente de sua raça e/ou cultura.

E hoje é o dia mais curto do ano, também chamado solstício de inverno. Hoje o sol nasceu às 10:03 da manhã e se porá às 13:08. Amanhã tem mais luz, depois mais luz, mais um pouco…

A palavra em sueco do dia é värme, calor (tanto calor humano, quanto calor físico).

Filed under: De bem com a vida,Eu ♥ a Suécia — Maria Fabriani @ 12:02

December 20, 2006

“Presente” de natal

Christmas' gift from my work: raindeer tongueltimo dia de trabalho antes do recesso de fim de ano. Hoje vai ter almoço de confraternização e depois estaremos livres para nos dedicar ao estresse natalino (não tem como fugir). Esse final dos trabalhos sempre é marcado pelo presente dado pela direção aos professores. Fui buscá-lo na segunda e tive um choque.

A coisa é que dentro do saco fechado com um laço de fita vermelha estavam duas peças de carne seca e uma salsicha. Até aí, tudo bem. Já sabia que o presente seria algo semelhante, já que foi mais ou menos isso que minhas colegas de trabalho ganharam no ano anterior. Mas nada poderia me preparar para o que veria.

O problema é que dentro do meu saco de natal com os dizeres “God Jul” (Feliz Natal) vi uma salsicha, um pedaço de carne seca e a língua de uma rena. Sim, você leu certo. A língua de uma rena. Fiquei chocada quando abri o saco e vi a língua seca, embalada num plástico a vácuo (Clique na foto acima e veja mais detalhes — obs.: link externo, para minha página no Flickr).

Claro que não vou ficar com o “presente”, já que mal consigo olhar pra ele, quanto mais comê-lo. Vou dá-lo a alguma companheira de trabalho e orar para que ela aceite. Agora imagina que “sorte” enorme a minha quando recebi exatamente a língua do pobre animal, já que sacos semelhantes com pedaços da rena esquartejada e seca foram distribuídos há mais de 50 pessoas.

Mas olha só! Se você que leu isso aqui ainda tem sete anos e espera ansiosamente a chegada de papai noel com seus presentes, não fique triste! Posso te garantir que o bom velhinho ainda tem um rebanho de renas para ajudá-lo no trabalho do dia 24, ok? (Sei lá, mas tenho a impressão de que deve ser mais complicado pros pais suecos manter a crença infantil no papai noel.)

Eu hein.

A palavra em sueco do dia é vegetarian, vegetariana.

Filed under: Europa & Escandinávia,Vidinha — Maria Fabriani @ 09:15

December 19, 2006

Finlândia rulez!

Coro de Reclamações de Helsinki. Ouça (tem legendas em inglês) e faça uma viagem rápida pela vida escandinava.

As palavras em finlandês do dia são Suomi, Finlândia e Ruotsi, Suécia.

Filed under: De bem com a vida,Europa & Escandinávia,Vidinha — Maria Fabriani @ 12:36

Explosão de cores

e tem uma coisa que a Sony sabe fazer é anúncio (além de câmeras fotográficas, laptops, walkmans, monitores etc etc etc). Ano passado foram as lindíssimas bolas coloridas pelas ruas de São Francisco. Esse ano o produto, o monitor Bravia, e o tema, Color like no other, são os mesmos, só que a resolução é bem diferente. Clique na figura abaixo e confira a propaganda que me faz não somente querer comprar vários produtos da empresa japonesa, mas que também me deixa feliz cada vez que o vejo na tv.

Impressionante, não? O anúncio levou dez dias para ser filmado e precisou do trabalho de 250 pessoas e uma quantidade incrível de tinta. A tinta foi entregue em caminhões de uma tonelada. Vinte pessoas misturaram as cores no local. O efeito é impressionante. Depois da festa, eles precisaram lançar uma verdadeira operação de limpeza que levou cinco dias e ocupou 60 pessoas.

A palavra em sueco do dia é reklam, anúncio.

Filed under: Cinema e televisão — Maria Fabriani @ 11:36
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