Tempestade
Nossa, que ventania. Ventou e nevou intensamente o dia inteiro e ainda não parou. Passei o dia olhando pela janela (quando tinha tempo) e com medo de sair de onde estava. No final do dia combinei com meu urso que iria buscá-lo no trabalho, porque o carro estava comigo. Além disso, precisávamos fazer compras porque a geladeira estava praticamente vazia.
Raspei o pára-brisa, entrei e liguei o motor. Botei a ventilação no máximo e lá fui eu. Assim que me vi na rua, depois de ter saído do estacionamento, as janelas começaram a embaçar. Comecei a ficar nervosa, a respiração acelerou e aí é que os vidros embaçaram de vez. Resultado: passei pelo trabalho do meu urso e não consegui achar a entrada.
Tudo estava branco e eu não enxergava um palmo à minha frente. Já em pânico e com um carro colado na minha traseira (devia estar enfurecido com a minha lentidão), consegui achar uma rua tranqüila, depois de uns 500 metros de onde deveria ter entrado, onde consegui parar o carro. Aí vieram as lágrimas. O pára-brisa enbaçou furiosamente. Liguei pro meu urso e disse onde estava e que não conseguia enxergar nada.
Estava totalmente paralisada. Mas ele veio, andando, no meio da tempestade.
Já no supermercado, enchemos uma cestinha com coisas básicas: pão, uma peça de filé mignon, verduras e legumes, água mineral com gosto de manga (um luxo, mas what the hell), um pacote de queijo cottage sabor azeitona, sucos de fruta concentrados, amendoins, pêras e lá fomos nós pagar. Era minha vez de assumir as despesas, então disse pro meu urso escolher um pocketbook, porque ele foi um amoreco indo me buscar e não fazendo graça das minhas lágrimas no carro. Ele parou de colocar as compras na esteira rolante e foi escolher seu livro enquanto eu me dirigi para o caixa.
A conta foi alta e eu me lembro de ter pensado: “Ah, foi por causa da carne!” Depois de estacionar o pobre do carro na garagem e de chegar à nossa porta por intermédio da entrada do porão (que de tão agradável foi batizada de Mordor), começamos a verificar o correio e a desempacotar as compras. Assistimos a Star Trek (com o maravilhoso Patrick Stewart como Jean-Luc Picard) e, depois do noticiário da noite, fomos fazer o jantar. Mas qual não foi nossa surpresa quando descobrimos que havíamos deixado a carne, as verduras e os legumes na cestinha lá no supermercado.
Eu, que já estava mais pra lá do que pra cá, arriei na cadeira, fiz beicinho e queria ligar pra Pizza Hut do Leblon pra encomendar meu jantar. Nada além disso, disse eu, serviria. Já estava de saco cheio da ventania, do frio, de tudo. Meu urso, mais acostumado com minhas intempéries invernais, improvisou e fez pequenas pizzas com o que tínhamos em casa: pão de forma congelado, dois tomates, queijo, sal e azeite. Ficou ótimo.
E eu aprendi duas coisas hoje:
1) quando for dirigir no meio do inverno perto do pólo fucking norte, não saia do estacionamento imediatamente depois de ligar o carro. Deixe o pára-brisa embaçar e desembaçar. Demora, mas vocêevita, na melhor das hipóteses, ter de parar no meio da rua e começar a chorar como um bebê aos 35 anos de idade.
2) não faça compras no final da sexta-feira, depois de uma semana extenuante.
A palavra em sueco do dia é nötning, desgaste.



A Suécia é mesmo um lugar peculiar. Aqui, ter empregada doméstica é sonho de muitos e luxo de poucos. Isso porque os impostos altíssimos de quem é empregador tornam impossível a contratação de uma pessoa apenas para cuidar da casa ou dos filhos. Os sindicatos são fortíssimos e o salário mínimo de mínimo só tem o nome. Por isso, mais e mais gente de classe média alta contrata au pairs estrangeiras e paga muito pouco, geralmente por debaixo dos panos.
Às 13 hs de hoje, quinta-feira, a 



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