August 31, 2006

Boa notícia

A notícia da semana é o sucesso de pesquisadores suecos na primeira fase de testes de uma vacina contra a AIDS. Hoje os resultados da pesquisa serão apresentados numa conferência na Holanda. Os testes, realizados em 40 suecos, mostraram que a vacina ativou a imunidade natural do corpo contra o vírus HIV em mais de 90% dos casos, num resultado jamais alcançado antes.

A vacina foi desenvolvida tendo como base o DNA do vírus. Pequeníssimos pedaços da massa genética de vários tipos do HIV foram extraídos e colocados na vacina. Isso foi necessário por conta das mudanças constantes que o vírus realiza, principalmente em regiões da África. A partir daí, a vacina é aplicada com uma pistola especial, sem a utilização de agulhas.

A pesquisa é ainda inicial. Os testes com os guinea pig suecos foram realizados para estabelecer se a vacina não causava efeitos colaterais inaceitáveis. O resultado foi muito positivo. Uma moça sueca que foi vacinada nessa fase da pesquisa disse ontem no noticiário da TV não ter tido qualquer efeito colateral. Ela decidiu se oferecer como guinea pig porque já estava com 40 anos, não podia ter filhos e queria deixar alguma coisa boa pro futuro da humanidade.

Bacana.

Não quero fazer discurso de esquerda, mas acho fantástico que os suecos tenham consciência de que se submetem a esse tipo de teste mais pelas pessoas pobres de outros países, principalmente da África, do que por seus próprios concidadãos. Isso sim é coragem.

A palavra em sueco do dia é försöksperson, pessoa sujeita a um experimento.

Filed under: Eu ♥ a Suécia,Europa & Escandinávia,Pra frente é que se anda — Maria Fabriani @ 09:24

August 30, 2006

Ha!

Uma das coisas que mais me encantam na vida, vocês sabem, é a peculiaridade dos idiomas com os quais tenho contato. Seja português, inglês, francês ou sueco, sempre há uma esquisitice digna de nota, um detalhe totalmente inesperado e surpreendente e que não é ensinado nos cursinhos de língua — nem mesmo nos oficiais. Coisas que só mesmo os nativos sabem e usam e que me deixam muitas vezes perplexa.

Exemplo: enquanto nós brasileiros escrachamos total com a expressão de questionamento surpreso “Que merda é essa?” (os educados dizem “Que diabos é isso?”), os suecos são ainda mais polidos e perguntam candidamente, “Vad sjutton är det här?”, sendo que “sjutton” [chútôn] só tem uma tradução. Quer dizer “dezessete”.

Isso mesmo. Os pacatos nativos, quando indignados com alguma coisa, se perguntam: “Que dezessete é isso aqui?”

(Agora, às mentes curiosas só resta a questão: por que dezessete e não dezoito, trinte e cinco, quinze ou três? Essa pergunta, acredite, já foi levantada por mim, sem muito sucesso, tanto aqui em casa como junto aos meus amigos nativos da universidade. Nunca obtive uma resposta objetiva.)

A palavra em sueco do dia é besynnerlig, peculiar.

Filed under: Europa & Escandinávia,Vidinha — Maria Fabriani @ 08:30

August 29, 2006

De volta à realidade européia

Um dos maiores orgulhos da sociedade sueca é sua abertura. Não se trata apenas de democracia total e irrestrita ou da visão de que todos os cidadãos são iguais perante a lei (o que pode ser discutido, mas no papel é assim). A abertura nativa se estende atá ao que para nós brasileiros parece um sonho inalcançável: a transparência burocrática.

Essa transparência, que aqui recebe o imponente nome de offentlighetsprincipen, ou Princípio da Publicidade (no sentido de ser público) determina que os cidadãos e os veículos de mídia - jornais e revistas, rádios ou TV - têm direito a ter acesso à gestão pública por meio de documentos advindos tanto do governo federal, estadual como municipal.

O Princípio de Publicidade de documentos se aplica a várias situações, como:

. Qualquer um pode ler os documentos públicos do governo;
. Os servidores públicos e outros que trabalham na coisa pública têm o direito de contar a outros sobre o que acontece no seu trabalho;
. Os servidores têm ainda possibilidade de dar informações à veículos de mídia;
. Entre outros, emails e até sentenças são documentos públicos.

Acho isso fantástico. O controle do olho público realmente ajuda a quem tem poder a não se deixar seduzir demais pelas facilidades que o dinheiro e a influência podem trazer. Isso não impede que a corrupção aconteça, mind you, mas são acontecimentos relativamente isolados e quando acontecem conseguem surpreender a maioria dos nativos. Em outras palavras, não é como os escândalos das sanguessugas e que tais que se seguem um atrás do outro no Brasil.

Mas, como tudo na vida, nada é completamente perfeito. Entre esses direitos previstos na transparência burocrática sueca está o direito de qualquer cidadão pedir uma lista com nomes de servidores empregados nos diversos órgãos públicos daqui. E foi exatamente isso que um homem associado ao movimento neo-naz***a nativo fez. Pediu uma lista com os nomes de todos os empregados do orgão no qual meu urso trabalha. A questão é quentíssima, saiu no jornal daqui de hoje e o serviço secreto já está antenado.

O problema não é apenas que ele pediu essa lista. O lance é que o órgão não tem como negar. Ninguém pode sequer perguntar ao cara a razão dele querer essas informações. O direito dele de obter essas informações independe de suas ligações políticas ou convicções, digamos, raciais. E tem mais: o cara é suspeito de pertencer a uma célula terrorista de extrema direita sueca. Ele teria participado da obtenção de nomes e horário de trabalho de policiais na região central da Suécia.

Meu urso, muito insatisfeito com a situação, mandou email pro seu chefe e pediu que suas informaçães não sejam liberadas. Conseguiu o apoio não apenas do chefe, mas dos colegas também.

E eu estou apavorada.

A palavra em sueco do dia é högerextremist, extremista de direita.

Filed under: Europa & Escandinávia,Jornal,Vida de imigrante — Maria Fabriani @ 17:01

August 26, 2006

Da janela

cartoon from www.weblogcartoons.com

Cartoon by Dave Walker. Find more cartoons you can freely re-use on your blog at We Blog Cartoons.

Filed under: Pra frente é que se anda,Vidinha — Maria Fabriani @ 10:11

August 25, 2006

Cheguei. Ontem à tarde.

Acho que tive um ataque de angústia no avião. Achei que ia morrer sufocada. Um horror. Quase chamei a aeromoça, mas não o fiz. Ao meu lado uma moça brasileira insistia em falar comigo e tentava fazer sua filha se calar num misto de alemão e português.

Mas ainda estou meio zonza.

Meus pés estão inchadíssimos.

Ainda me recupero emocionalmente. Tento me acostumar com tudo novamente, o horário, o clima, a vidinha, até ao teclado do computador. Tenho que ter paciência comigo mesma.

Meu urso é o único com quem um período de adaptação não se faz necessário. ;c)

E hoje é aniversário da minha mãe. Te amo, mãe. Parabéns. Um beijo! :**

Filed under: Aniversários,Pra frente é que se anda,Saudade,Vidinha — Maria Fabriani @ 15:36

August 9, 2006

?

Estou aqui pedindo desculpas a quem eu disse que ia ligar e não liguei, àqueles que ficaram magoados pela falta de contato, o que pode errôneamente ser interpretado como indiferença. Na verdade, estou é muito aflita para ficar com minha família, depois de quatro anos de ausência. Economizo meu tempo e fico borboletando em volta da minha mãe, brinco com minhas cachorrinhas, passeio com meu irmão e visito meu pai. Por favor, não me queiram mal. Estou apenas com muitas saudades da minha família e com pouco tempo para visitar/conhecer todo mundo. Obrigada.

Filed under: Rio de Janeiro, Brasil — Maria Fabriani @ 15:36

August 1, 2006

Internet, vouyeurs e eu

Olha, essa vida de usuária de Internet Café é mesmo wild. Do meu lado, no outro dia, sentou uma mãe com a filha de, no máximo, dois anos. “Agora você vai sentar aqui bonitinha!” ouvi a mãe dizer. Descrente, esperei. No segundo seguinte, senti o tênis da menina começar a me bater na coxa. Resolvi não interagir. Recolhi a perna e deixei pra lá. Insatisfeita, a menina tentou outro ângulo de ataque. “Olha o máuse, mãe! Olha o máuse!”, gritava a pequenina, que era uma graça, mas muito barulhenta.

No mesmo dia, uma paulista sentada ao meu lado falava altíssimo no celular e explicava a quem quiser ouvir que ela estava no Rio para o fim de semana. Depois ouvi as recomendações dela ao filho para que pegasse um agasalho uma vez que fazia frio no clube. Fiquei sabendo também onde e quando ela iria se encontrar com uma amiga para “bater papo” já que ela, como sabemos todos, estava no Rio todo o fim de semana. Vixe. Vivemos no paraíso dos voyeurs.

E agora, do meu lado, senta uma moça silenciosa, que sempre que abro fotos que chegam de amigos e parentes no meu email, dá uma espiada com um olho compriiiiido. Eu hein. Agora estou sentindo que alguém está fumando perto de mim e eu estou ficando doida. Por isso já vou. Ah, se tiver muitos erros aqui não me crucifiquem. O monitor está completamente bombado. Não enxergo nada. Escrevo por pura força de vontade.

Filed under: De bem com a vida,Rio de Janeiro, Brasil — Maria Fabriani @ 15:33
 

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