July 28, 2006

A festa

Não faz muito tempo escrevi aqui sobre como é dif�cil suportar o comedimento sueco no que diz respeito à entrega nativa à paixão futebolística. Me lembro de ter escrito que aquela apatia me dava nos nervos ou algo nessa linha. Hoje, depois de mais de um mês no Rio, sou obrigada a, uhm.., revisitar minhas opiniões a esse respeito. Nao retiro o que disse: realmente acho que os suecos são, por vezes, contidos demais, mas tenho a impressão que estava exagerando quando condenei isso.

Nesse mês e meio, cresci, fiquei mais sábia e madura e estou hoje pronta a dizer que o melhor mesmo é o caminho do meio, loucura na hora certa, nem antes, nem depois (se é que essa incongruência é possível). Cheguei a essa fabulosa conclusão depois da vitória de quarta passada do Flamengo sobre o Vasco, pela Copa do Brasil. Acontece que moro perto da Carlos Góes, rua do meu querido cinema Leblon e do famoso bar Clipper, onde os fãs de futebol se reúnem para comemorar as vitórias de seus times e chorar as derrotas.

Na quarta-feira passada o Flamengo quebrou um jejum de 16 anos e se habilitou para disputar a Libertadores. Foi razão suficiente para uma comemoração que durou até às quatro da manhã, com direito à gritaria, canções de guerra, batucada e muitos — mas muitos mesmo — rojões. Apesar de ser tricolor, não tenho nada contra o Flamengo. Já até fiz uma tentativa mal-sucedida de virar a casaca, por conta de uma amiga de colégio cuja família me levou pra assistir à despedida do goleiro Raul no Maracanã. Assistimos ao jogo no meio da Raça.

Se não me tornei urubu naquele dia é porque não estava no meu caminho ser rubro-negra.

O problema, como disse antes, não é o Flamengo, mas sim alguns flamenguistas. A festa da madrugada da última quarta-feira não seria problema caso os flamenguistas pudessem se contentar em beber todas e cantar todas e explodir todas até a uma, uma e meia da matina. Depois disso, pede-se um pouco do saudável comedimento sueco. O problema não seria tão sério se eu morasse sozinha com minha mãe e o marido dela. Ocorre que dividimos o apartamento com duas cachorrinhas muito velhinhas, uma delas cujos nervos ficaram depauperados depois da explosão de alegria rubro-negra.

Juro: lá pelas três e meia da manhã, sentindo o coraçãozinho disparado de Luz, a pequenina poodle de mais de 12 anos de idade, contra o meu peito, sua respiração acelerada e o corpo trêmulo, comecei a pensar que uma bomba atômica, um scud teleguiado ou, melhor, uma bomba química de efeito controlado, até que não seria uma má idéia.

No mais, meu urso já chegou um casa lá em Boden e eu sinto a falta dele todos os minutos do dia. Jag saknar dig varje dag, varje timma, varje minut. Jag älskar dig, min polar björn!

Filed under: Irritação e ironia,Rio de Janeiro, Brasil — Maria Fabriani @ 15:16

July 17, 2006

Os modernos

Um dos meus filmes favoritos é o clássico “Blade Runner”. Li o livro de Philip K. Dick há anos mas prefiro a versão dark de Ridley Scott, com o unicórnio e tudo o mais. Uma das melhores e mais diferentes coisas do filme, entre muitas, eram as pessoas estranhas, as raças misturadas, numa estranhesa total. Ninguém era o americano ou o japonês ou o latino típico. E isso, pra mim, era, de alguma forma, provocativo, novo e moderno. Me lembro de ter pensado quantos séculos passariam para que pudéssemos ver um povo assim.

Aí, vim pro Rio e olhei em volta.

E a lista de sucos/frutas continua a crescer. Já adicionamos pitanga (eu gostei, urso, não), cupuaçú (amei, urso também) e graviola (gostamos). Frutas: urso adorou fruta-do-conte (não é das minhas favoritas) e provou jaboticaba na feira (achou bom mas nada demais, eu adooooro). Falta agora açaí. No mais, em Paraty, o apresentei às delícias dos doces caseiros. Ele se amarrou no pé-de-moleque porque ama amendoim. Além disso, estou resfriada e cheia de picadas de mosquitos. :c(

Depois eu volto com mais.

Filed under: De bem com a vida,Rio de Janeiro, Brasil — Maria Fabriani @ 18:38

July 15, 2006

Viva!

E hoje apago mais uma velinha: 35 anos. Obrigada ao Cido, querido amigo, que desaparece mas está sempre aqui, e à Pururuquinha, minha flor, que nunca se esquece. Obrigada mesmo. Vocês aqueceram meu coração com as mensagens no post abaixo. Estamos em Paraty, uma das cidades mais lindas do mundo. Ontem fizemos um passeio de escuna que foi a coisa mais linda da face da terra. Nadamos com peixes, caímos nas águas cristalinas da Praia Vermelha, comemos peixe com molho de camarão, fomos sorteados e ganhamos uma caipirinha, nos divertimos muuuito. Hoje tem outro passeio, esse pra fazer trekking (é assim que se escreve?), ver cachoeiras e visitar alambiques. Já combinei com meu urso que não saímos de Paraty sem uma garrafa da famosa pinga local. Aliás, ontem, meu urso ficou em awe: ele viu golfinhos brincando (ou caçando) no mar.

Filed under: Aniversários,De bem com a vida,Rio de Janeiro, Brasil — Maria Fabriani @ 13:58

July 10, 2006

Italia

E viva a Italia. Mas eu precisei ficar me lembrando a toda a hora que estava torcendo para o time italiano, porque achei que os les vieux jogaram um pouco melhor. A Italia ganhou no equilibrio do time todo, cujo talento eh um pouco acima da media. Buffon, o goleiro, eh o melhor deles. Se nao fosse ele, a Franca tinha vencido com aquela cabecada certeira do Zidane e, quem sabe, ateh evitaria o espetaculo da expulsao. Mas a classe de Zizu e de Henri eram tao patentes que chegava a desequilibrar.

As especulacoes agora sao para saber o que Materazzi (nao sei se o nome eh esse mesmo) teria dito. O Bial disse ontem que o italiano xingou a irma de Zidane, historia repetida no Globo de hoje. Nos jornais suecos, alem dessa teoria, outras coisas aparecem como provaveis, a saber, Materazzi teria humilhado a mae do atacante frances ou ainda o chamado de terrorista. Como sei que alguns italianos teem simpatias de extrema direita (nao sei se eh o caso dp jogador envolvido), essa ultima teoria nao eh de todo absurda.

Eu acho uma pena que ele tenha perdido a cabeca daquela forma, mas posso ateh entender, no calor do momento e tal. Bom eh que ele foi escolhido o melhor jogador da copa mesmo assim. Um profissional como ele merecia. No mais ainda estamos rodando de um lado pra outro. Daqui a pouco eu volto com mais. Beijo.

Filed under: Copa 2006,De bem com a vida,Rio de Janeiro, Brasil — Maria Fabriani @ 19:45

July 7, 2006

Vida besta

Passamos a semana em Búzios e encontrei o paraíso na terra. Andamos muito de van, comemos mucho bem, fomos à praia, dormimos, comemoramos o primeiro ano de casados. Quanto à copa: assisti ao jogo do Brasil contra o Zidane em Búzios, fiquei meio melancólica, mas logo depois passou. Achei que os Argentinos mereciam ter ido pras finais contra os portugueses do Filipão. Estamos cheios de fotos, mas a moçoila aqui esqueceu de trazer o cabo que conecta minha câmera ao computador, tsc, tsc, tsc. Beijo, inté.

Ps.: Nasceu a Joana, filhota da Angélica!!!!! Parabéns queridoca! Um beijo e muita saúde pra pequenininha!

Filed under: Conquistas,Copa 2006,De bem com a vida,Rio de Janeiro, Brasil — Maria Fabriani @ 20:12

July 1, 2006

1 ano

Um ano de casados.

A frase em sueco do dia é Jag älskar dig!, Eu te amo!

Filed under: Aniversários,Conquistas,De bem com a vida,Rio de Janeiro, Brasil — Maria Fabriani @ 07:39
 

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