June 27, 2006

É hoje!

É, meus amigos, Gana precisa compreender que tem que nos deixar tocar a bola e fazer gols. Que precisa pegar leve com o Ronaldão Fofudão, liberar o Ronaldinho Gaúcho e obedecer direitinho à zaga de Lúcio e Juan. Disso depende a sanidade mental de 186 milhões de almas (obrigada Fabius). Mas, como os ganeses estão pouco se lixando para a nossa sanidade mental, esperamos um jogo complicado daqui a algumas horas. Eu estou com medo que eles nos surpreendam. E isso eu digo aqui, baixinho, que é pra ninguém ouvir e dizer que estou gourando a seleção. Tomara que queime minha língua.

Não paramos em casa. Pelo menos duas vezes na semana meu urso tem como objetivo experimentar um suco de frutas natural diferente. Já foi abacaxi (bom), abacaxi com hortelã (refrescante), goiaba (estranho, não gostou), limonada suíça com mel (booommm), maracujá (bom, mas já conhecia), laranja com cenoura (o que mais gostou até hoje) e cajú (meio estranho). É bacana porque vamos à loja de sucos e ele me diz para eu surpreendê-lo. Quando pedi o laranja com cenoura ele quase teve um treco, mas ficou surpresíssimo com o sabor. :c) Gostou de empadinha e de pastel. E adoooora chopp. Hohoho.

Ando tendo dificuldades para marcar encontros com meus amigos aqui no Rio. Pra quem já consegui ligar, tento marcar encontros daqui a uma semana, sempre de olho na minha agendinha. O problema é que aqui ninguém tem muita certeza do que fará amanhã, muito mais em uma semana. Ontem dei boas gargalhadas com uma amiga gaúcha (mas que adotou o Rio há 20 anos) quando tentei marcar um encontro pra semana que vem, no sábado. Acho que ensuequei mais do que é clinicamente aconselhável…

No mais, choveu ontem e parece que choverá hoje também. Por mim, tudo bem. O importante é poder ir à esquina pra comprar um guarda-chuva barateco e discutir o preço em português.

Depois eu volto.

Filed under: Copa 2006,De bem com a vida,Rio de Janeiro, Brasil — Maria Fabriani @ 14:28

June 22, 2006

Cidade, futebol e celular

Rio de Janeiro — Cá estou eu novamente. Aviso aos navegantes: não tenho acesso a computadores onde estou hospedada, de forma que preciso arranjar tempo e $$$ para acessar o Montanha de um internet café. A sorte é que tem um barateco (R$ 4/hora) quase aqui na esquina. A explicação é pra quem fez contato e espera que eu ligue ou responda. Por favor, tenham paciência, ok? Além do que, os dias têm sido tão lindos que mal paramos em casa.

Outro dia fomos à cidade pra ver o Centro Cultural do Banco do Brasil e a Casa França Brasil. Tudo fechado, lógico, porque não me toquei que era segunda-feira (aliás, dia da semana só pra saber os jogos do Brasil). Mas adorei andar de metrô até a estação da Carioca e me lançar na massa de gente andando pela Rio Branco. Fomos, então, ver se a Candelária estava aberta. Estava. Entramos, sentamos no meio pra apreciar a beleza e eis que uma sineta toca e o padre entra pronto para rezar uma missa. Achamos que era feio sair e ficamos.

Aí, depois de alguns minutos, ele pede duas pessoas para ler trechos da bíblia. Ninguém se manifestou. Eu não agüentei ver o padre lá na frente, esperando, e fui. Li um texto de uma página e meia, sobre Jezebel e Acab. Stefan, confuso, não sabia do que se tratava. Quando fui ler no altar, com microfone, ele achou que eu ia lá pedir pro padre nos casar novamente, dessa vez no religioso. Hohoho. Not a chance! Aí depois fomos almoçar na Confeitaria Colombo. A coisa mais liiiiinda! Depois fizemos o tour do teatro municipal e tomamos dois chopps no amarelinho.

Dia perfeito, viu?

No mais, hoje tem Brasil contra o Japão de Zico e eu (junto com 200 milhões de brasileiros) ainda esperamos pelo famoso desencante da seleção do Parreira. Não vi o show argentino contra a Sérvia, mas vi pelas manchetes dos jornais que foi uma coisa de louco. Perdi inclusive o jogo da Suécia contra a Inglaterra (estava no Outbeck comendo brownie de chocolate — hohoho). Me disseram que foi um jogaço, com a Suécia merecendo ganhar. Fiquei com pena porque agora estamos praticamente fora. Sim, porque ganhar da Alemanha, em casa, é impossível.

Graças a uma amiga queridíssima, que me emprestou um aparelho extra, teremos um celular aqui. O único problema é que ontem a tarde tentei três vezes fazer o cadastro do diabo do telefone para começar a usá-lo (meu urso já está com os principais sintomas de abstinência celular) mas a linha de conexão com o atendimento ao consumidor da TIM caiu três vezes. Tem coisas que não mudaram muito por aqui e que me deixam com uma nostalgia amarga dos tempos da Telerj, se lembram? Pois é.

Depois eu volto.

Filed under: Copa 2006,De bem com a vida,Rio de Janeiro, Brasil — Maria Fabriani @ 13:59

June 16, 2006

Nós no Rio

Rio de Janeiro — Pois é, depois de quatro anos de ausência, cá estamos nós no meu Rio, curtindo a copa, as ruas decoradíssimas, o céu azul, o mar, água de côco. Vimos de Air France e tudo correu bem. Tínhamos um certo excesso de bagagem, o que iria nos custar mais de duas mil coroas (uma fortuna), mas as mocinhas do guichê foram simpáticas e, depois de reorganizar algumas coisas, não precisamos pagar nada.

Os vôos, mais de 24 horas pulando de aeroporto em aeroporto (Lulea-Rio via Estocolmo e Paris), foram surpreendentemente agradáveis. A comida e o serviço da Air France surpreendentemente satisfatórios. Chegamos na hora combinada, cinco e vinte e cinco da matina de terça-feira, num Rio verde e amarelo, nervoso, se preparando para a partida contra a Croácia.

Hoje, num taxi voltando pra casa, o rapaz me prometeu que o Brasil vai ser campeão, mesmo depois da goleada de seis a zero da Argentina em cima da Sérvia. Eu duvido, mas ele estava tão certo que eu acabo acreditando. Meu urso está aqui também, absorvendo português, feijão com arroz e chicletes Trident de canela. Ontem à noite fomos assistir ao “Código Da Vinci” e quase saímos no meio.

Na volta, num 512 (ônibus Leblon-Urca) virei parceira de conversa do trocador, que queria conversar sobre macumba. Até me mostrou um terreiro novo ali no coração do Humaitá, uma formosura. Stefan, do meu lado, não entendia nada, mas estava se divertindo (having fun!) com aquela conversa sem pé nem cabeça. No mais, o Rio continua lindo, perigoso, sujo e simpático, exatamente como o deixei há quatro anos.

Depois eu volto com mais.

Filed under: Copa 2006,De bem com a vida,Rio de Janeiro, Brasil — Maria Fabriani @ 20:32

June 13, 2006

Saudades



Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades

Rio, seu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito pra mim

Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
RIO, EU GOSTO DE VOCÊ

As fotos são, respectivamente, de Ciska Tobing, Jorge Cardoso, Olivier e Eugene Zhukovsky.

A palavra em sueco do dia é Brasilien, Brasil.

Filed under: De bem com a vida,Rio de Janeiro, Brasil — Maria Fabriani @ 11:25

June 12, 2006

Fly Me to the Moon

Fly me to the moon
And let me play among the stars
Let me see what spring is like
On Jupiter and Mars
In other words hold my hand
In other words darling kiss me

Fill my life with song
And let me sing forevermore
You are all I hope for
All I worship and adore
In other words please be true
In other words I love you
(Música de Bart Howard)

A palavra em sueco do dia é lycka, alegria.

Filed under: De bem com a vida,Música — Maria Fabriani @ 16:49

June 11, 2006

Goddammit

Ah, nem me falem. O título do jornal online acima resume a sensação geral: que pesadelo de início! Estou morta de vergonha, ainda mais depois de ter escrito tanto sobre Fredrik Ljunberg, Zlatan, Henrik Larsson e cia. Nossa, eles não conseguiram encontrar um furinho se quer na retaguarda trinadensca (ou seja lá como eles se chamam). Assisti ao jogo todo, gritei, me irritei, xinguei o juiz. Mas nada deu resultado.

Os nativos, assim como eu, estão hoje de cabeça grande, frustrados, sem saber o que aconteceu. Minha impressão é que os caras entraram em campo certíssimos da vitória, preparados para uma festa de gentlemen, em que os tobaguenses iriam gentilmente ceder a vitória como go’ ol’ chaps que são. O problema é que enquanto os suecos estão indo com a farinha, a malandragem trinidílica está voltando com o pirão.

E como os trinidadinos enrolaram! Jesuuuuuuiiis. O locutor sueco quase teve uma síncope (sueca, bem discreta) mas fazia questão de informar aos telespectadores que o goleiro tobagâncio levava 50 segundos só para colocar a bola em jogo. Aí o treinador trinitobáquico ia lá e trocava um jogador, enquanto outro caía no chão com dores mortais. Olha, foi uma tortura assistir ao jogo, sinceramente.

A todos vocês que torceram pela Suécia por consideração a mim, agradeço muitíssimo. Considerem-se liberados para torcer contra a Suécia daqui em diante. Compreenderei a situação. O próximo jogo, contra o Paraguai, vai ser o que os nativos chamam de um rysare. A tradução direta dessa palavra é terror, no sentido de filmes. No contexto futebolístico não é muito diferente.

Os ingleses deram uma sorte danada com o azar do Gamarra, que apesar disso ainda é um dos meus beckes favoritos. Mas eu gostei do Beckham, do Cole, dos chutes a gol do Lampard e do Crouch. Aliás, ficava aflita quando a câmera mostrava as pernas do grandão, parecia um saco de ossos prestes a desmoronar, cruzes! E os hermanos argentinos deram show. Só vou dizer uma coisa: estou com medo.

E hoje tem, entre outros, Portugal x Angola. Segundo a Maura, os angolanos estão levando a partida contra seus antigos colonizadores muito a sério. Quem foi que disse que futebol é chato, hã?

A palavra em sueco do dia é baksmälla, ressaca.

Filed under: Copa 2006,Irritação e ironia,Jornal — Maria Fabriani @ 08:37

June 10, 2006

O mundo, o futebol e eu

E a Alemanha venceu. E bem. Mas vem cá, deixar um time meia-sola como a Costa Rica fazer dois gols — ainda mais na estréia da copa do mundo e em casa — é meio patético. Mas eu acredito que os alemães são daqueles que “crescem com a competição”. Se não der uma zebra muito completa, Klinsmann & Cia vão até as finais. Mesmo sem o bobão do Ballack que eu não acho que seja o rei da cocada preta como todos acreditam. Já o Equador não deixou a Polônia jogar — o que, aliás, não é muito difícil.

É dolorido assistir esporte na TV sueca, como vocês já sabem. Não porque os caras e moças que comentam sejam burros, não não, nada disso. O problema é que eles ousam abordar os pontos fracos do Brasil e fazer previsões não muito favoráveis ao time do Parreira. Me dói o coração! Tudo bem que a metade da população brasileira faz a mesmíssima coisa lá no Brasil. Mas eles podem. Os caras daqui não podem. Várias vezes me sentei aqui pra escrever emails enfurecidos às redações da TV dizendo que eles estão é com inveja, mas logo vi que estava perdendo as estribeiras e me acalmei.

E hoje tem festa e alegria. Lárárá. Daqui a pouco tem Inglaterra e Paraguai. E aí, eu digo: gosto dos paraguaios, mas prefiro os ingleses. Até porque eles têm um time bom e podem mostrar inspiração em alguns lances. Depois é hora dos meus suequinhos mostrarem a ginga que têm (ai jisuis!!!). Mais tarde, é a vez da Costa do Marfim tentar uma vitória pra cima dos argentinos. Vamos torcer, afinal, a Costa do Marfim é vice-campeã da liga africana. Em teoria não é impossível, mas, sejamos realistas, muito pouco provável.

Aliás, falando dos jogos de hoje, uma curiosidade: um dos jogadores novos da Inglaterra, o altíssimo (2.02 m) Peter Crouch, ocupou o banco do time sueco de segunda divisão IFK Hässleholm há seis anos. “Ele era completamente imprestável no jogo aéreo”, entregou Alexander Söderberg, um dos colegas de time de Crouch. Li uma matéria num jornal online (sorry, esqueci onde) em que Crouch dizia que vai fazer sua dança de robô se fizer um gol. Ele afirma que Beckham lhe disse que a spice-esposa Victoria tinha gostado. Então ele fará novamente. Vamos torcer.

Aí você vem aqui, lê os parágrafos acima e pensa: “Poxa, será que ela só vai falar de futebol no próximo mês?” A resposta é: “Não.” Mas escolhi tratar de futebol hoje porque, depois de ter lido o jornal, fiquei sem vontade de escrever sobre assuntos mais atuais. Senão, vejamos: poderia escrever sobre o fato da militante pela paz Aung San Suu Kyi ter sido internada em um hospital em Burma depois de anos de prisão domiciliar (recentemente prolongada pela junta militar burmesa) onde ela estava doentíssima com diarréia.

Ou poderia escrever sobre os ataques brutais mútuos entre palestinos e israelenses, que perpetuam a violência entre duas nações que querem ocupar o mesmo pedaço de terra. Ou ainda sobre um artigo que li no caderno de cultura do Dagens Nyheter em que pesquisadores descobriram o flirte do movimento trabalhista sueco do início do século com a então muito popular eugenia da raça. Ou, poderia escrever sobre o pas det deux entre Lula e Ronaldinho, um dizendo que o outro é gordo e o outro dizendo que o um é bêbado. Ou poderia adotar uma linha mais light e escrever sobre a filha de Brangelina ou o manny da Britney Spears.

Nãããooo, eu prefiro futebol.

A imagem desse simpático robozinho vermelho foi copiada do Toplinks.

A palavra em sueco do dia é kalas, festa.

Filed under: Copa 2006,De bem com a vida,Jornal — Maria Fabriani @ 11:41

June 9, 2006

Maria-chuteira

Assim como qualquer mortal digitalizado, recebo centenas de spams todos os dias. São emails que me oferecem de tudo: desde prostitutas russas a adolescentes asiáticas, verificação do meu já cancelado CPF, aumento gratuito do meu pênis, milhares de dólares em troca de um pequeno adiantamento a ser depositado numa conta em Lagos, Nigéria, imensas quantidades de Prozacs e Viagras a preços módicos, os quais me deixariam falida e completamente enlouquecida caso fossem ingeridos de acordo com a volúpia dos vendedores online.

Até que um dia, você leva um susto. Acha que leu um spam e, depois de ler e reler o email uma dezena de vezes através dos véus do sono e do cansaço, compreende do que se trata. E fica incrivelmente contente. Hoje foi um desses dias. Lá fora, o céu está cinzentíssimo, 13 graus. Venta. Meu urso acorda às seis e meia para ir pro trabalho, eu acordo junto e, hoje, não consigo dormir novamente. Lá pelas sete, desisto de conciliar o sono. Vou ao banheiro. Na cozinha, coloco a água do chá para ferver, ligo o rádio e venho pra frente do computador verificar meus emails.

Aí percebo que Marcus Gusmão, um leitor querido do Montanha, fez uma doação por intermédio do PayPal em agradecimento pelos anos de leitura. A quantia, explica ele, é equivalente “ao preço de um livro de qualidade, em edição popular.” E eu fico tão feliz, tão orgulhosa — e tão amedrontada porque agora eu tenho um paying customer — que nem sei o que escrever. Minha alegria nem é tanto pelo dinheiro, mas mais pela sensação deliciosa de ser apreciada. Valeu, Marcus!

(Dito isso, não quero que o que acabei de escrever envergonhe quem (ainda) não doou. Sou grata ao Marcus, claro, mas sou grata a vocês todos também, mesmo anônimos não-pagantes.)

E hoje começa a copa do mundo, se é que você aí do outro lado da tela mora em Tanganica e ainda não notou. Estou tão contente! Já marquei na minha agendinha os jogos do Brasil e os da Suécia na primeira fase e não há cristo que me faça perdê-los. Não tenho paciência pras chatas de galocha que andam por aí dizendo que detestam futebol e que acham essa histeria um porre. Eu acho que essa gente é que é um porre. Tenho uma vontade enorme de celebrar meu país em uma das únicas ocasiões em que somos incontestavelmente melhores do que qualquer outra superpotência mundial.

Mas, como a realidade é dura e inevitável, é bom ter consciência de que as chances do Brasil são apenas razoáveis. Aqui na Suécia os nativos dizem em uníssono que somos os favoritos. Eu, escolada na universidade futebolística da angústia do meu pai, sei que vencer a copa na Europa é quase impossível, ainda mais na Alemanha. O Brasil é, aliás, o único país sulamericano que venceu um campeonato no continente europeu. Foi em 1958, aqui na Suécia. Depois disso, os europeus ganham na Europa e os sulamericanos nas Américas (e na Ásia). Chegamos perto de quebrar esse tabu em 98, na França, mas vocês se lembram a zebra que deu.

Eu, portanto, estou entrando nessa de coração. Abro os trabalhos às 18hs, horário sueco, para assistir aos donos da casa contra os costa-riquenhos. Nem precisa se esforçar pra imaginar para quem estarei torcendo. Costa Rica na cabeça. Mas, eu sei, tenho um lance pelos underdogs… Depois, às nove da noite tem Polônia e Equador. Dá-lhe Equador, claro. Amanhã, sábado, tem jogo da Suécia contra Trinidad-Tobago. E eu torço pelos suecos, lógico. Só que o time nativo perdeu seu goleiro titular que se machucou num treino. Vamos ver no que vai dar. Já estou nervosíssima.

A palavra em sueco do dia é partaj, festa.

Filed under: Conquistas,Copa 2006,De bem com a vida — Maria Fabriani @ 09:33

June 8, 2006

Abuso

Estava dando uma volta pelos meus links favoritos quando vi isso aqui no Urban Dictionary. Você conhece alguém que casa com a descrição abaixo?

Porch Dog
A person who frequently attacks others in speech or writing, but who poses no intellectual threat whatsoever. The motivation of this type of person can usually be accurately construed as a desire to be obnoxious and offensive.

Origin: The phrase “porch dog” is used to refer to dogs that sit on front porches and bark (vigorously and fruitlessly) at passersby, but who pose no physical threat.
Yeah, that guy has a scathing response to just about everyone who posts in this forum. He’s a real porch dog.

Infelizmente, eu conheço.

O verbo em sueco do dia é att orka, agüentar, suportar.

Filed under: Irritação e ironia — Maria Fabriani @ 15:38

June 7, 2006

Circulando

Que coisa, estou sem a menor vontade de dizer nada, ao mesmo tempo em que sinto falta de escrever (gosto do puro movimento dos meus dedos no teclado). Na verdade, estou cheia de coisas pra escrever mas nada que possa ser publicado aqui. A propósito, li ontem no blog de Bodil Malmsten, uma escritora sueca que mora na França, uma frase interessantírrima. Ela disse:

“Det är inte mig själv jag lämnar ut när jag skriver, det är mina ord.”

Ou seja: “Não me exponho quando escrevo, o que exponho são minhas palavras.”

Quer coisa mais perfeita? O que se escreve não é necessariamente eu, mas apenas as palavras que me descrevem ou que descrevem as situações narradas por mim. Quem sabe se essas são “realidade” ou “ficcão”? Se bem que Bodil (o nome, para brasileiros, é cômico, eu sei) é profissional, com muitos livros publicados (ainda não li nenhum, mas quero muito) e sabe como fazer essa separação do real e do ficcional, o que pra mim é um passo muito além da minha zona de conforto.

Por isso, além de escrever isso aqui, estou fazendo pão. É sempre bom manter as mãos ocupadas quando a cabeça está em desordem. Dessa vez me aventurei numa receita italiana, para fazer ciabatta. Vamos ver no que vai dar (ficou bom! A foto ao lado não me deixa mentir). A massa ficou exatamente como o Jamie Oliver explicou que uma massa de pão deve ficar: com a consistência da barriga de uma mulher. (Esse menino é campeão!)

O que mais? Ah, sim, Zadie Smith esteve aqui pra lançar o a tradução para o sueco do seu “On Beauty”, que chama-se “Om skönhet”. Minhas últimas coroinhas, que já achavam-se seguras na conta bancária, começam a temer pelo pior. Mas ando me contendo muito nos últimos dias. Nem visito mais minhas lojas online prediletas que é pra não cair na tentação e provocar um furo no meu orçamento. A luta continua, companheiros!

E mais: se lembram daquela pobre mulher nigeriana que seria mandada de volta à Nigéria para ser morta pelo marido “traído” por causa da incopetência das autoridades de imigração suecas? Pois é, ela conseguiu o visto permanente para morar na aqui. Essa é a boa notícia. A má notícia é que ela continua se escondendo porque o marido “traído” prometeu matá-la mesmo assim. Ainda mais agora que ele tem certeza de que da Suécia ela não sai mais. Saiba do que estou falando, aqui.

E hoje tomei um remédio de emergência porque fiz uma estripulia ontem e não queria me dar mal. Já havia tomado o mesmo remédio antes, e passei sempre muito mal. Dessa vez, estou ótima. Por isso, daqui em diante, não leio mais bulas informativas sobre os possíveis efeitos colaterais dos remédios que eventualmente precise ingerir. Reparei que sou extremamente sensível à auto-sugestão, o que pode me render, com merecimento, o apelido “Maria-vai-com-as-outras”.

Ontem o dia nacional foi bacana. A entrevista foi legal (assim que der coloco o link de áudio lá no post de baixo). Na hora do almoço fui a um dos parques de Boden ver a salva de 21 tiros de canhão e quase morri de susto com as explosões. O legal é que mais e mais pessoas aderem às festividades da data. Por outro lado, há sempre a presença dos ultra-nacionalistas (pra não escrever aquela outra palavra horrível), até mesmo aqui na pacata Boden. E teve carnaval de crianças, a coisa maaaaais linda.

A palavra em sueco do dia é bröd, pão.

Filed under: Elucubrações,Vidinha — Maria Fabriani @ 12:48
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