Quem diria, estatística é o maior barato!

Quem me conhece sabe que tenho urticária toda vez que chego perto de matemática. Quem me acompanha há algum tempo aqui no Montanha se lembra que quase tive um peripaque quando fui obrigada a estudar estatística na universidade, no terceiro semestre. Porém, tenho plena consciência da origem do meu trauma: as chatíssimas aulas com fórmulas inúteis e idiotices generalizadas a que fui obrigada a estar presente durante 11 anos. O trauma foi ainda maior por causa do fracasso contínuo em provas impossíveis; os resultados medíocres apesar de horas de estudos; a necessidade de fazer aulas extras.
Mas tenho a impressão - ou melhor, eu sei - que se a coisa dos números fosse mais colorida e interessante, eu teria sido uma aluna muito melhor. Pois bem. Tava outro dia zappeando na TV antes do almoço. Além de novelas americanas do estilo de “The Days of Our Lives”, filmes suecos em preto e branco e jogos imbecis de palavras, vi uma coisa que me interessou. Parei em um dos canais estatais nativos que mostrava um homem dando uma palestra sobre desenvolvimento humano. O assunto, interessantérrimo, ficou ainda mais fascinante quando observei o material utilizado por ele em sua apresentação.
Eram gráficos animados em Flash, com bolas e curvas coloridas andando pra cima e pra baixo, de acordo com a evolução ou, em alguns casos a involução, de todos os países do mundo durante décadas. Fiquei encantada. Cada país é representado por uma bolinha colorida, cujo tamanho depende da população do país em questão. Basta fazer uma pergunta como mortalidade infantil, renda per capita, número de telefones por 1000 habitantes que o gráfico mostra de forma fácil e rápida, país por país, através do anos. Pode-se ainda escolher apenas alguns países para se comparar. Estou há horas no site e ainda não me cansei. Na imagem acima mostra-se Brasil e Suécia em expectativa de vida (eixo vertical) e renda per capita (eixo horizontal).
O nome do lance é Gapminder e o objetivo deles é “Making sense of the world by having fun with statistics!” A frase, que parece uma impossibilidade em si, faz sentido, acredite se quiser. As estatísticas apresentadas nos gráficos do Gapminder vêm da divisão de estatística das Nações Unidas, além de vários outros órgãos medidores da evolução das populações de todos os países do mundo, como a World Health Organization e o Banco Mundial com seu índice de desenvolvimento humano. O projeto Gapminder nasceu de uma fundação sem fins lucrativos e está localizado aqui na Suécia, em Estocolmo. Com a ajuda de diversas universidades, eles lançaram o software Trednalyser, que transforma dados statísticos chatíssimos em animados gráficos coloridos e informativos. E o pessoal do Google, que de bobo não tem absolutamente nada, já adicionou o Gapminder à sua coleção de ferramentas.
A palavra em sueco do dia é kul, divertido.
Esse ano, assim como no Brasil, há eleições na Suécia. E pela primeira vez votarei aqui como cidadã naturalizada, o que me dá o direito de escolher desde os representantes locais nas chamadas “kommun” (tipo prefeitura, cédula branca), landstinget (veja mais detalhes no comentário do Patrik, cédula azul) até os representantes regionais no parlamento lá em Estocolmo, incluindo o primeiro-ministro (cédula amarela). Aí li hoje no jornal
Adoro a organização sueca! Para os interessados,
Meu pai me disse um dia que ficava aflito quando olhava pras minhas unhas. “É que você corta tudo muito rente demais!”, explicou. Tenho realmente mania de manter as unhas bem curtinhas, acho prático e bonito. Além disso, o fato de ter unhas curtinhas facilita minha vida quando escrevo (o que acontece todos os dias) e não provoca uma mania que tinha e que acho pavorosa: eu roía unha.
E foi o que aconteceu na noite de sábado para domingo na Grécia, onde a final foi realizada. Ela cantou bem, deu seus costumeiros dós-de-peito (gritaria danada) e conquistou um quinto lugar geral. Depois de saber o resultado final, ela estava danada da vida (hohoho). Mas quem ganhou foi o meu favorito, o grupo finlandês Lordi (foto), que cantou “Hard Rock Hallelluja” e arrebentou a boca do balão. Os integrantes da banda se vestiram como monstros e zumbis e deram um show! Em entrevistas prévias à final, o vocalista Mr. Lordi não falava muito. Quando os jornalistas reclamaram, ele retrucou: “Monstros não falam, apenas soltam grunhidos.” Depois da vitória, no entanto, ele deu uma coletiva num inglês corretíssimo e ainda vestido de monstro, disse que estava aliviado.
Versão em português no final do texto em sueco.
Om det finns en sak som jag älskar Sverige för är möjligheten man har för att diskutera allt. Till exempel, kvinnor som känner sig illa till mods när de ser lättpåklädda modeller i affischer på stan kan utan tveksamhet diskutera anledningen till att vi översvämmas av detta varje dag. I Brasilien, skulle jag säga att jag inte vill se nakna damer annonsera underklädder i varje hörn, skulle jag bli hånad och kallad inte bara häxa utan även ful kärring, tjockis och andra oöversättbara ord.
Se existe uma coisa que eu amo na Suécia é a possibilidade que se tem de discutir qualquer coisa de forma racional. Por exemplo, se as mulheres nativas se sentem mal quando são obrigadas a ver fotos de modelos quase nuas em todas as esquinas das grandes cidades daqui, elas podem levantar a questão e discutir a razão ou a necessidade desse excesso de nudez e sexualidade. Se eu ousasse fazer o mesmo no Brasil, seria objeto de escárnio e ganharia apelidos como bruxa, feia e gorda (ah, essa velha arma dos covardes).
