May 31, 2006

Quem diria, estatística é o maior barato!

Quem me conhece sabe que tenho urticária toda vez que chego perto de matemática. Quem me acompanha há algum tempo aqui no Montanha se lembra que quase tive um peripaque quando fui obrigada a estudar estatística na universidade, no terceiro semestre. Porém, tenho plena consciência da origem do meu trauma: as chatíssimas aulas com fórmulas inúteis e idiotices generalizadas a que fui obrigada a estar presente durante 11 anos. O trauma foi ainda maior por causa do fracasso contínuo em provas impossíveis; os resultados medíocres apesar de horas de estudos; a necessidade de fazer aulas extras.

Mas tenho a impressão - ou melhor, eu sei - que se a coisa dos números fosse mais colorida e interessante, eu teria sido uma aluna muito melhor. Pois bem. Tava outro dia zappeando na TV antes do almoço. Além de novelas americanas do estilo de “The Days of Our Lives”, filmes suecos em preto e branco e jogos imbecis de palavras, vi uma coisa que me interessou. Parei em um dos canais estatais nativos que mostrava um homem dando uma palestra sobre desenvolvimento humano. O assunto, interessantérrimo, ficou ainda mais fascinante quando observei o material utilizado por ele em sua apresentação.

Eram gráficos animados em Flash, com bolas e curvas coloridas andando pra cima e pra baixo, de acordo com a evolução ou, em alguns casos a involução, de todos os países do mundo durante décadas. Fiquei encantada. Cada país é representado por uma bolinha colorida, cujo tamanho depende da população do país em questão. Basta fazer uma pergunta como mortalidade infantil, renda per capita, número de telefones por 1000 habitantes que o gráfico mostra de forma fácil e rápida, país por país, através do anos. Pode-se ainda escolher apenas alguns países para se comparar. Estou há horas no site e ainda não me cansei. Na imagem acima mostra-se Brasil e Suécia em expectativa de vida (eixo vertical) e renda per capita (eixo horizontal).

O nome do lance é Gapminder e o objetivo deles é “Making sense of the world by having fun with statistics!” A frase, que parece uma impossibilidade em si, faz sentido, acredite se quiser. As estatísticas apresentadas nos gráficos do Gapminder vêm da divisão de estatística das Nações Unidas, além de vários outros órgãos medidores da evolução das populações de todos os países do mundo, como a World Health Organization e o Banco Mundial com seu índice de desenvolvimento humano. O projeto Gapminder nasceu de uma fundação sem fins lucrativos e está localizado aqui na Suécia, em Estocolmo. Com a ajuda de diversas universidades, eles lançaram o software Trednalyser, que transforma dados statísticos chatíssimos em animados gráficos coloridos e informativos. E o pessoal do Google, que de bobo não tem absolutamente nada, já adicionou o Gapminder à sua coleção de ferramentas.

A palavra em sueco do dia é kul, divertido.

Filed under: De bem com a vida,Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 15:42

May 30, 2006

Democracia low profile

Esse ano, assim como no Brasil, há eleições na Suécia. E pela primeira vez votarei aqui como cidadã naturalizada, o que me dá o direito de escolher desde os representantes locais nas chamadas “kommun” (tipo prefeitura, cédula branca), landstinget (veja mais detalhes no comentário do Patrik, cédula azul) até os representantes regionais no parlamento lá em Estocolmo, incluindo o primeiro-ministro (cédula amarela). Aí li hoje no jornal uma materinha interessante. O título: “Não esqueça de trazer sua identidade no dia da votação”.

Cuma? Pra votar os nativos não precisavam mostrar nada, nem uma identidadezinha?

Nix. Até as eleições de 2002 os eleitores suecos não precisavam comprovar sua identidade para ninguém quando votavam. Caso você acordasse de bom humor e resolvesse votar - o que depende única e exclusivamente da sua vontade, sem obrigação - bastava escolher a cédula do partido de sua preferência, fazer sua cruzinha e depositá-la na urna. A única coisa necessária é um cartão de votação, que cada eleitor recebe pelo correio algumas semanas antes do dia das eleições.

Esse ano as coisas mudaram por causa de um jornalista trambiqueiro (tsc tsc tsc…) que nas últimas eleições para os representantes suecos no Parlamento Europeu (acho que foi no ano passado…) votou por dez conhecidos de quem “pegou emprestado” o cartão de votação (que é entregue na hora do voto junto com a cédula). Os postos de votação são nos mais variados locais, desde galerias de arte, até supermercados, passando por bibliotecas, igrejas e até postos de gasolina.

Mas ainda tem mais. O mais interessante é que aqui pode-se votar pelo correio, antes mesmo do dia oficial das eleições (17 de setembro). Já no dia 30 de agosto quem quiser votar pelo correio poderá fazê-lo. Na página da autoridade eleitoral nativa informa-se que o voto por antecedência deve ser feito com o cartão de votação e a identidade e as cédulas devem ser colocadas em seus respectivos envelopes.

O que eu acho interessante nesse processo democrático low profile é que aqui parte-se do princípio de que as pessoas interessadas votarão corretamente e ninguém pensa muito em fraude. A diferença da realidade brasileira, onde a fraude eleitoral é um fantasma sempre muito presente e ativo, é tão gritande que me deixa perplexa. Será que algum dia ainda poderemos partir do princípio que o cidadão brasileiro médio fará tudo certo e não tudo errado?

Essa é, na minha opinião, uma das razões que explica o fato da Suécia ser primeiro-mundo, e o Brasil, terceiro.

Adoro a organização sueca! Para os interessados, a versão em inglês do processo das eleições daqui.

O verbo em sueco do dia é att mogna, amadurecer.

Filed under: Eu ♥ a Suécia,Europa & Escandinávia,Jornal,Variedades — Maria Fabriani @ 14:50

May 29, 2006

Unhas, amores e o ridículo

Meu pai me disse um dia que ficava aflito quando olhava pras minhas unhas. “É que você corta tudo muito rente demais!”, explicou. Tenho realmente mania de manter as unhas bem curtinhas, acho prático e bonito. Além disso, o fato de ter unhas curtinhas facilita minha vida quando escrevo (o que acontece todos os dias) e não provoca uma mania que tinha e que acho pavorosa: eu roía unha.

Olá, meu nome é Maria e eu sou uma roedora de unha. Parei há três anos. E o pior de tudo é que comecei por uma das razões mais idiotas do mundo: aos 9, 10 anos me apaixonei por um primo. Tudo o que ele fazia era um charme e tinha, claro, que ser copiado. Minha sorte é que ele não roubava nem se drogava, ele roía unha. Vejam só que coisa mais maluca. O pior é que ele hoje em dia, casadíssimo e pai, ainda morde suas cutículas.

Tem coisa mais idiota do que o que a gente faz por amor? Me lembro que me apaixonava por um menino novo toda a semana no colégio. Da minha turma de 40 (mais de metade meninos), me apaixonei por quase todos lá pela sexta série. A sétima e a oitava séries eu passei apaixonada por apenas um. O pior (ou mais romântico, depende do seu ponto de vista) é que todas essas paixões foram platônicas. (herrmm, quase todas).

Um dia, já no ginásio, enlouqueci por um rapaz um pouco mais velho. Ele era belíssimo, olhos azuis, nadador do time do colégio, tímido, um sorriso espetacular. E eu, uma schmuck sem tamanho, nunca consegui dizer nem oi pro cara, que provavelmente nunca soube da minha existência. Quer dizer, saber ele sabia, mas a verdade é que ele não estava nem aí. Até que um dia resolvi tomar coragem e jogar ping-pong com ele no recreio.

Olha, foi cômico. Dois times: eu e minha amiga K., da turma dele. Ele e um outro amigo. Quando assumi a raquete, não consegui passar uma bolinha que seja por cima de rede. O cara ficou lá, do outro lado da mesa, esperando. E eu, enlouquecida, tantava sacar - o que não é lá muito complicado em se tratando de ping-pong - e a bola simplesmente não passava do meu campo. Que vexame.

Ele sorriu, meio sem jeito, e eu, completamente desbaratada, desisti. Do ping-pong e dele. Ambos inalcançáveis.

A palavra em sueco do dia é generad, envergonhada.

Filed under: De bem com a vida,Vidinha — Maria Fabriani @ 14:41

May 27, 2006

Noite perfeita

Dia maravilhoso. Assistimos a “X-Men: The Final Stand” depois de jantar fora (comemoração pelo final de mais um bem-sucedido semestre na faculdade, pelo verão, pela vida, por estarmos juntos). O filme é espetacular, não conto muito que é pra não estragar a experiência de quem ainda não viu. A história é mais ou menos a mesma, mas os efeitos ficaram ainda melhores. Amei. Ah, dica: fique até o final do filme, até depois dos créditos todos passarem. Uma cena rapidíssima dá esperança aos fans da série. :c)

O restaurante chama-se Ban Thai, tem comida tailandesa, chinesa e sueca e fica em Luleå. Já tinhamos ido lá há algum tempo (jantar fora aqui é caríssimo) e gostamos. Resolvemos voltar pra ver se o nível continuava bom. Uma maravilha. Pedimos um menu para casais com entrada (rolinhos primavera com molho acre-doce), três pratos principais (carne com molho de amendoim, frango com vegetais e quatro camarões deep fry, além do arroz), e até uma sobremesa (banana deep fry com sorvete de baunilha). Uma coooooisa.

A cidade estava movimentadíssima. Centenas de carros americanos antigos desfilavam pelas ruas apertadinhas de Luleå. É que hoje teve encontro dos amantes de Cadilacs, Corvettes e Fords em geral. Se juntaram a eles os motoqueiros que invadem as ruas e estradas tão cedo o gelo desaparece do chão e a festa está formada. Resolvemos ir na sessão intermediária pra evitar confusão. Mas, apesar da presença da polícia, não vimos nada demais, apenas gente feliz consumindo cerveja e gasolina.

A palavra em sueco do dia é raggare, membro de uma gangue de jovens que gosta de dirigir carros americanos clássicos e grandes.

Filed under: De bem com a vida,Universidade,Vidinha — Maria Fabriani @ 20:43

May 24, 2006

Será?

cartoon from www.weblogcartoons.com

Cartoon by Dave Walker. Find more cartoons you can freely re-use on your blog at We Blog Cartoons.

A palavra em sueco do dia é kritik, crítica.

Filed under: Cinema e televisão — Maria Fabriani @ 15:42

May 22, 2006

Viva os monstros finlandeses!

Fim de semana corrido. Apesar de estar morrendo de vontade de escrever, simplesmente não tive tempo. Levei meu urso para o aeroporto (Estocolmo a trabalho), esperei minha sogra que veio me visitar no sábado e acabou dormindo aqui. Assistimos ao festival da música européia, aqui chamado de Melodifestivalen, votei como louca (três SMS:s) na Finlândia, liguei pro meu irmãozinho pra desejar feliz aniversário, a sogra se foi na tarde de domingo, quase morri de dor de cabeça, fui buscar urso no aeroporto e assistimos a “Match Point” e aí sim a morte foi quase certa, dessa vez por raiva por ter alugado um filme tão ruim (que diabos aconteceu com o Woody Allen?)

O Melodifestivalen foi nesse final de semana. Assim como a Marcia de Souza comentou, não escrevi sobre o evento esse ano, como fiz nos anos anteriores (maio de 2004, março e maio de 2005) por uma razão simples: a música que representaria a Suécia foi apresentada por uma cantora nativa que eu detesto com todas as minhas forças, a famigerada Carola. Ela é uma dessas pessoas que têm um ego gigantesco, que aprenderam que é preciso deixar claro a todos que ela se garante e que nada nem ninguém a atinge etc. Não que haja algo de errado em se ter boa auto-estima. O problema é quando esse tipo de pessoa acha que é um doce mas ao mesmo tempo mostra uma agressividade enorme com quem não se curva ao seu “brilho”.

E foi o que aconteceu na noite de sábado para domingo na Grécia, onde a final foi realizada. Ela cantou bem, deu seus costumeiros dós-de-peito (gritaria danada) e conquistou um quinto lugar geral. Depois de saber o resultado final, ela estava danada da vida (hohoho). Mas quem ganhou foi o meu favorito, o grupo finlandês Lordi (foto), que cantou “Hard Rock Hallelluja” e arrebentou a boca do balão. Os integrantes da banda se vestiram como monstros e zumbis e deram um show! Em entrevistas prévias à final, o vocalista Mr. Lordi não falava muito. Quando os jornalistas reclamaram, ele retrucou: “Monstros não falam, apenas soltam grunhidos.” Depois da vitória, no entanto, ele deu uma coletiva num inglês corretíssimo e ainda vestido de monstro, disse que estava aliviado.

“Antes não conseguíamos assinar um contrato com uma gravadora de jeito algum. Ou o problema eram nossas roupas ou nossa música”, explicou. Mas a julgar pela quantidade de pontos que eles receberam (com várias notas máximas), parece que os executivos das gravadoras finlandesas têm de entrar num curso intensivo de psicologia do mercado fonográfico europeu. Eu adoro Melodifestivalen, por razões que já escrevi aqui: a política misturada à música, as músicas cantadas nos idiomas locais (o que acontece apenas ás vezes infelizmente, já que a maioria das músicas é em inglês), o ambiente alegre e assumidamente cafona, as plumas e paetês, o exagero. Isso tudo me deixa feliz. Hehehe.

O bacana disso tudo é que a Finlândia participa do Melodifestivalen há 40 anos (!!!) sem quase nunca ter chegado nem perto dos primeiros lugares. Os noticiários da TV de ontem à noite mostraram cenas da extrema alegria finlandesa, gente nas ruas de Helsinki gritando, bebendo, sem acreditar no que havia acontecido. Parecia Brasil depois de vencer a copa. Uma pessoa disse: “Temos que comemorar agora porque é pouco provável que esse momento vá se repetir num futuro próximo”. Numa matéria do jornal sueco Svenska Dagbladet, os finlandeses confirmam a importância da vitória: “Segern är kanske större än livet”, o que quer dizer “A vitória é talvez maior do que a vida”.

Falando em música: hoje a TV 4 sueca vai mostrar a festa de premiação do Polar Music Price, conferido pelo rei sueco Carlos XVI Gustavo a músicos de todo o mundo. Foi esse o prêmio que o Gilberto Gil ganhou ano passado, lembram-se? Os premiados desse ano são o maestro russo Valery Gergiev e nada menos do que o grupo Led Zeppelin!

O verbo em sueco do dia é att provocera, provocar.

Filed under: Cinema e televisão,Europa & Escandinávia,Jornal,Música — Maria Fabriani @ 07:54

May 18, 2006

Förnuft och känsla

Versão em português no final do texto em sueco.

Om det finns en sak som jag älskar Sverige för är möjligheten man har för att diskutera allt. Till exempel, kvinnor som känner sig illa till mods när de ser lättpåklädda modeller i affischer på stan kan utan tveksamhet diskutera anledningen till att vi översvämmas av detta varje dag. I Brasilien, skulle jag säga att jag inte vill se nakna damer annonsera underklädder i varje hörn, skulle jag bli hånad och kallad inte bara häxa utan även ful kärring, tjockis och andra oöversättbara ord.

Det som pågår i Brasilien är en besatthet i att förlöjliga folkets (framförallt kvinnors) åsikter och att inte ge utrymme för en förnuftig diskussion som inkluderar till exempel vackra kroppar, feministiska vinklar och obehag som många kvinnor (och några män) känner när de bli ständigt påminda av vad de inte har. Jag skulle vilja att folk i Brasilien i allmänhet och i Rio de Janeiro i synnerhet kunde förstå detta och höja diskussionsnivån omkring sexualitet och kroppen.

Å andra sidan, lite galenskap kunde göra ett under för ett land som Sverige, som aldrig slutar att ifrågasätta allt rationellt. Ett exempel: fotboll. Här analyseras alla matcher, alla vinklar. Medan några tycker att det är löjligt att följa 22 män springa efter en liten boll, andra grämer sig för svenskspelarnas chanser, hoppas på en bra framträdande av den åldrande Henrik Larsson och den ständige skadade Fredrik Ljungberg, och vandrar mellan kärlek och hat i “Zlatanland”.

Jag är, som de sistnämnda, fångad i dessa yra av känslor (även om jag är redan såld på Zlatan och tycker han är fantastisk). Men, hej, jag är brasiliansk. Jag älskar obehindrat de djärva och “coola”, jag vill se mera spektakel och mindre förnuft. Jag vill vinna men inte med ett kompetent lag utan med ett lag av artister. Trots mitt röda svenska pass, mitt personnummer och min förkärlek för det organiserade Sverige, jag är i grund och botten brasiliansk. Inga tvekan om det.

Det jag vill är att kunna försjunka mig i ovillkorlig kärlek och hat för elva män; att kunna titta på TV:n med kärlek i blicken och låta mig översvämmas av tacksamhet för gud (eller Budda eller Allah eller Ronaldinho) för att mitt lag har vunnit en match till. Jag vill kunna se på motståndarlaget med vrede i ögonen och tycka att de är skit utan att behöva ifrågasätta min överdrift. Jag vill utlämna mig åt känslorna under 90 minuter och bli totalt utmattad efteråt.

Detta är fotboll Brazilian style.

Det portugisiska ordet för dagen är emoção, känsla.

Filed under: Copa 2006,På svenska — Maria Fabriani @ 09:14

Razão e sensibilidade

Se existe uma coisa que eu amo na Suécia é a possibilidade que se tem de discutir qualquer coisa de forma racional. Por exemplo, se as mulheres nativas se sentem mal quando são obrigadas a ver fotos de modelos quase nuas em todas as esquinas das grandes cidades daqui, elas podem levantar a questão e discutir a razão ou a necessidade desse excesso de nudez e sexualidade. Se eu ousasse fazer o mesmo no Brasil, seria objeto de escárnio e ganharia apelidos como bruxa, feia e gorda (ah, essa velha arma dos covardes).

Há uma mania no Brasil em se ridicularizar as opiniões alheias, principalmente as das mulheres, o que limita o espaço para discussões inteligentes sobre corpo e aparência, aspectos feministas e o desconforto que muitas mulheres (e alguns homens) sentem quando são relembrados constantemente do que não têm. Eu gostaria que o povo brasileiro em geral e os cariocas em particular pudessem entender isso e concordassem em elevar o nível das discussão sobre sexualidade e corpo.

Por outro lado, um pouco de maluquice faria maravilhas por um país como a Suécia, que nunca pára de questionar tudo racionalmente. Um exemplo: futebol. Aqui os especialistas analisam tudo, cada ângulo. Enquanto alguns acham ridículo ver 22 homens correr atrás de uma bola, outros sofrem ao considerar as chances dos jogadores suecos, esperam por apresentações decentes do quase idoso Henrik Larsson e do sempre machucado Fredrik Ljungberg, além de oscilar entre amor e ódio pelo marrentíssimo Zlatan Ibrahimovic.

Assim como o segundo grupo aí de cima, sou prisioneira desse turbilhão de emoções (e fã do Zlatan, que é fantástico). Mas, hej, eu sou brasileira. Eu amo sem limites os jogadores ousados e cool, eu quero ver mais espetáculo e menos razão. Eu quero vencer mas não com um time apenas competente, quero vencer com um time de artistas. Apesar do meu passaporte vermelhinho, meu número de identificação e meu amor pela Suécia organizadíssima, sou no fundo brasileira. Sem nenhuma dúvida.

O que eu quero é ficar imersa no amor e no ódio incondicional por onze homens vestindo camisas amarelas; poder assistir à TV com paixão nos olhos e deixar meu coração ser inundado pela gratidão a deus (ou Budda ou Allah ou Ronaldinho Gaúcho) por termos vencido mais uma partida. Eu quero olhar para o time adversário com ódio no olhar, achar que eles são uns merdas e não precisar questionar meu exagero. Quero me entregar às emoções durante o jogo, gritar, xingar o árbitro, jurar vingança ou beijar a tela e, depois de 90 minutos, sorrir (ou chorar) completamente exausta.

Isso é futebol Brazilian style.

A palavra em sueco do dia é känsla, emoção.

Filed under: Copa 2006,Elucubrações,Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 09:00

May 16, 2006

Fimes filmes filmes

Semana tranqüila, sem nenhuma exigência. Acabou que no final de semana alugamos três DVDs: o finlandês/sueco “Den bästa av mödrar”, o sueco “Ninas resa”, e o americano “Chaos”. Vimos o “Ninas resa” primeiro. O título, que em português fica “A viagem de Nina”, diz respeito à vida de Nina Rajmic, judia polonesa que sobreviveu ao gueto de Varsóvia, quase foi mandada para Treblinka e acabou na Suécia, onde se casou, teve filhos, se formou em medicina e viveu uma vida feliz, apesar dos horrores a que foi submetida. O filme foi feito pela filha de Nina, Lena Einhorn, e é muito emocionante. O livro com o mesmo nome, também escrito pela filha Lena, ganhou o Augustpriset, que é um dos prêmios suecos mais importantes para literatura comercial nativa.

Depois vimos o tal do “Chaos”… e, bom, é uma porcaria.

Mas aí vimos “Den bästa av mödrar”, que pode ser traduzido como “A melhor das mães” e amamos. O filme é liiiindo. A história, um dramalhão com tensão emocional escandinava, é essa: Eero, menino finlandês, é mandado para a Suécia durante a Segunda Guerra Mundial. Eero vai para um gård (= casa grande, numa fazenda ou pedaço grande de terra) no sul sueco, onde moram Signe e Hjalmar. Signe queria tomar conta de uma menina, o que fez com que ela não aceitasse Eero no início. Aí, depois de muitas lágrimas (no filme e fora dele), fica-se sabendo que Signe e Hjalmar eram pais de uma menininha, Elin, que morreu afogada. Quando Signe consegue contar isso a Eero, o coração dela se abre. Tanto que Signe quase não entrega Eero de volta para a mãe, quando a guerra tinha acabado. Eero não queria voltar pra Finlândia, mas foi obrigado.

A Finlândia nessa época não era um bom local para se morar. O país foi atacado ferozmente pelos soviéticos, o que não deixou aos finlandeses outra alternativa senão a aliança com a Alemanha Naz**ta. Nessa confusão, milhares de crianças foram mandadas para a “neutra” Suécia, onde escapariam os ataques aéreos soviéticos e a desgraça da guerra. No final, como todos sabem, a Alemanha perdeu a guerra e o governo finlandês se viu obrigado a fazer um acordo com a União Soviética (o que custou muito terreno finlandês, principalmente a Carélia), além de ter de lutar para se ver livre dos alemães. O filme é tristíssimo, mas lindíssimo. Imagens lindas do que me parece ser Österlen, na região de Skåne, extremo sul sueco. Serei obrigada a comprar esse filme em DVD para tê-lo na minha coleção.

A palavra em sueco do dia é underbar, maravilhoso.

Filed under: Cinema e televisão,Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 11:30

May 14, 2006

Comprovado!

Ensuequei!

A frase em sueco do dia é sandaler med sockar, sandálias com meias.

Filed under: De bem com a vida,Vidinha — Maria Fabriani @ 19:56
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