April 30, 2006

Notícias do Primeiro Mundo VI

Mulher poderá ser morta a pedradas depois de ser deportada

O marido de uma nigeriana a procurou por todos os cantos do mundo. No final, ele mandou um email para a Migrationsverket, o órgão de imigração sueco. A pessoa responsável pelo caso da mulher nigeriana, que de fato havia pedido asilo aqui, respondeu candidamente ao email do marido e confirmou que a mulher se encontrava na Suécia. A Migrationsverket na cidade de Hedemora compreendeu então seu erro e escondeu a mulher para evitar que ela fosse perseguida e morta em solo sueco. Ao mesmo tempo, a pessoa responsável por avaliar a possibilidade de visto da nigeriana resolveu deportá-la de volta à Nigéria.

A pessoa da Migrationsverket responsável pelo caso é obrigado por lei a manter sigilo sobre as informações da nigeriana. Além disso, ela tinha documentos que proibiam expressamente que qualquer tipo de informação fosse dada a outras pessoas. A Migrationsverket sabia disso através do advogado da nigeriana, que recebeu nos últimos dias uma decisão definitiva do órgão de imigração sueco dizendo que o pedido de asilo foi negado porque não se conseguiu saber com certeza sua identidade. A nigeriana não tem passaporte. Foi decidido então que ela deve deixar o país o mais rápido possível.

Tudo começou no norte da Nigéria, de onde a mulher veio. Ela era casada com um homem mais velho e poderoso. Eles viveram juntos durante cinco anos e a mulher não ficou grávida. Aí, ela se apaixonou por outro homem e ficou grávida logo em seguida. Enlouquecido, o marido foi à côrte nigeriana que aplica a lei radical Sharia. Segundo a lei da Sharia uma mulher adúltera deve ser morta por enforcamento ou a pedradas. Antes de chegar à côrte, a mulher fugiu junto com o namorado, que se esconde em outro país. O filho dos dois nasceu há 1 ano e meio em solo sueco.

O email que o responsável pelo caso da nigeriana no órgão de imigração sueco recebeu era claro: em grandes letras negras estava escrito: “Um caso de bigamia”. Na carta, o marido exige que a mulher seja enviada de volta à Nigéria para que seja punida. Em um segundo email o marido escreve que ele mandará seus homens receber a mulher no aeroporto. Ele diz que deixará a côrte Sharia tomar conta dela ou fará justiça com as próprias mãos. Durante seu casamento, o homem bateu na mulher, o que foi registrado na polícia. A mulher não tem mais possibilidades de apelar para modificar a decisão de deportação. Mesmo assim seu advogado entrou com novo pedido para ganhar tempo.

“Se ela fosse uma mulher sueca, ela já estaria morando numa casa segura com endereço desconhecido”, diz Urban Jägerskog, que trabalha no comitê de asilo da Cruz Vermelha na cidade de Söderhamn. (versão do artigo original de Annika Hamrud, publicado no jornal Dagens Nyheter, em 29 de abril 2006)

Fico tão revoltada com isso que nem sei o que dizer, sinceramente. Mas acho que vale a pena esclarecer algumas coisas para quem não sabe como as coisas funcionam aqui:

“A pessoa responsável pelo caso da mulher nigeriana, que de fato havia pedido asilo aqui, respondeu candidamente ao email do marido e confirmou que a mulher se encontrava na Suécia” —> Primeiro erro: quem trabalha na Migrationsverket é obrigado a assinar um contrato de sigilo completo. As informações sobre as pessoas que querem asilo são estritamente confidenciais e não podem ser divulgadas de forma alguma. Pra vocês terem uma idéia, quando fiz meu trabalho de campo no terceiro semestre, minha professora tentou me conseguir um estágio na Migrationsverket. O único problema é que eles disseram que eu não poderia trabalhar lá já que na época ainda não era cidadã sueca. A explicação é que as informações que passam por lá são sensíveis demais para ser abertas a quem não é sueco.

“o pedido de asilo foi negado porque não se conseguiu saber com certeza sua identidade. A nigeriana não tem passaporte.” —> Uma das coisas mais comuns em se tratando de pessoas que pedem asilo na Suécia (e, acho, em outros países europeus) é que eles já chegam aqui sem passaporte. Muitos são os que queimam as pontas do dedos para evitar que sua identidade seja controlada aqui. Isso porque a lei de asilo prevê que a pessoa deve pedir asilo ao primeiro país da comunidade européia que consegue entrar. Se, por exemplo, uma pessoa advinda da Turquia passa pela Alemanha antes de chegar à Suécia, ela deve ser mandada de volta à Alemanha e não tem sequer direito a pedir asilo aqui. Não é incomum, no entanto, que as pessoas fujam com a roupa do corpo para evitar prisão, tortura ou morte. O passaporte é então deixado pra trás.

Aí é problema do órgão de imigração sueco tentar estabelecer a identidade da pessoa que pede asilo aqui. Esse processo é demoradíssimo, complicado e controverso. Isso porque, para conseguir informações sobre uma pessoa, a migrationsverket geralmente entra em contato com as autoridades do país de origem - as mesmas autoridades que, muitas vezes, estavam perseguindo a pessoa. Essas autoridades, claro, cooperam dando informações completas e dizendo que não há nenhum problema com a pessoa em questão. O pedido de asilo é então negado pela Suécia, que envia a pessoa para perseguição, tortura, pobreza absoluta e até morte. É um jogo de mentiras: os suecos pedem informações; as autoridades do outro país as fornecem; os suecos fingem acreditar que está tudo explicado; exigem do país de origem uma promessa de que a pessoa não será perseguida, torturada ou morta; recebem a promessa; fingem acreditar e pronto, mandam a pessoa de volta.

“O filho dos dois nasceu há 1 ano e meio em solo sueco.” —> Ter um filho em solo sueco não é garantia de visto quando os pais são refugiados. Muito pelo contrário. Foi apenas no ano passado que o parlamento sueco aprovou uma lei provisória que faz obrigatória a análise meticulosa do pedido de asilo de famílias com crianças. Nas razões para se dar asilo a uma criança estão entre outras, há quanto tempo a criança vive aqui, se ela tem muitos amigos aqui, se a família está bem envolvida com a comunidade etc. Nada sobre o nascimento em solo sueco, que é totalmente irrelevante.

Leia as outras Notícias do primeiro mundo que publiquei em:
21 de maio de 2004;
7 de maio de 2004;
10 de setembro de 2003;
5 de julho de 2003;
15 de junho de 2003.

Hoje o rei sueco Carlos XVI Gustavo completa 60 anos.

A palavra em sueco do dia é absurd, absurdo.

April 26, 2006

Killing me softly

Uma amiga de universidade é uma das pessoas mais bacanas que conheci nos últimos tempos. Simpática, prestativa, interessada, bem-humorada, inteligente. Não escrevo o nome porque volta e meia ela visita o Montanha, mesmo sem entender bulhufas (acho que secretamente ela quer saber se eu escrevo sobre ela, hehehe). Mas essa minha amiga tem um problema: ela passa perfume demais. E pior: o perfume é fortíssimo. Bom, mas fortíssimo.

Outro dia estávamos sentadas em uma das salas-auditório da universidade, numa palestra chatérrima. Depois de meia hora, eu já não conseguia me concentrar mais no que a professora estava dizendo. Minha cabeça estalava de dor e meu estômago começou a se revoltar. Disse a ela que precisava ir ao banheiro e quando ela me olhou levou um susto. “Mas Maria, você está se sentindo bem? Você está pálida e com olheiras escuras!”

Até aquele momento, não tinha notado que era minha querida amiga, ao meu lado, que estava causando aquela reação fortíssima. Aí, quando olhei pra ela e recebi mais uma lufada de seu fortíssimo eau, compreendi imediatamente que estava era enjoadíssima com o perfume dela. E não disse nada. Fiquei sem jeito de dizer que o perfume era bom porém estava killing me softly.

Pior seria se ela cheirasse mal.

A palavra em sueco do dia é lukt, cheiro.

Filed under: Universidade,Vidinha — Maria Fabriani @ 07:01

April 23, 2006

No gelo

Fui mesmo assistir ao filme dos pingüins ontem à tarde. La marche de l’empereur é liiindo, romântico e até amedrontador (nunca poderia imaginar que uma foca leopardo poderia ser tão apavorante). Não conto mais nada que é pra não estragar a experiência de quem ainda não viu. Mas, putz, também não tinha idéia de que as pingüins-fêmeas eram tããão enlouquecidas… Acho que precisamos revisar a teoria que diz que os humanos são descendentes diretos dos macacos.

A palavra em sueco do dia é pingvin, pingüin.

Filed under: Cinema e televisão — Maria Fabriani @ 11:01

April 22, 2006

Trabalho social

Os últimos dias foram consumidos pelos preparativos de um utredning que meu grupo deveria entregar até ontem às dez da manhã. Passamos 11 horas da quarta-feira escrevendo as 35 páginas, divididas em utredning, formulários diversos, pareceres psicológicos etc. Na quinta, passamos outras dez horas dando os retoques finais e caprichando na ortografia.

Aí você se pergunta, “mas sobre o que ela está falando? O que é esse tal de utredning?” “Utredning” é sueco para relatório, investigação ou pesquisa, sondagem (geralmente todas as definições) e diz respeito à papelada necessária ao trabalho social. A palavra é mais completa do que o nosso “relatório”, daí minha mania com ela (sorry puristas). O caso estudado envolve uma criança mal-tratada pelos pais e que foi colocada numa família-adotiva aos três anos de idade.

Atenção: aqui, “família-adotiva” tem um outro nome, cujo significado é mais parecido com o do inglês foster home (porém não se usa mais a palavra sueca fosterhem, por sua conotação negativa). Crianças que precisam sair de casa por conta de maus-tratos dos pais são colocadas nas chamadas familjehem, literalmente “casas de família”, o que não quer dizer que serão adotadas. Apenas passarão lá o tempo necessário para que os pais biológicos tenham condições de viver com a criança sem maltratá-la.

De volta à nossa história: três anos depois, a mãe, livre das drogas há seis meses, resolveu ir buscar a filha assim, sem mais nem menos. A menina, agora com seis anos de idade, está apavorada e não quer ir de jeito nenhum, porque, claro, entende os pais-adotivos como sua verdadeira família. Aí entramos nós, os assistentes sociais, para estudar a situação, fazer um relatório que pesa os prós e os contras de se entregar a menina à mãe.

Aí você lê o que eu acabei de escrever e acha que estou maluca. Como assim prós e contras? A mãe maltratou a menina, pronto, acabou o direito de ser pai/mãe. Pois é, aqui na Suécia é diferente. É claro que os nativos não deixam os pais maltratarem os filhos, mas a coisa da adoção é muito rara (a não ser para casais que não possam ter filhos e que adotem uma criança de outros países como Colômbia, China ou Índia). As leis estabelecem que o objetivo é sempre tentar reabilitar os pais e proteger a criança para tentar reunir a família no futuro.

Posso contar tudo isso porque essa história é fictícia, e foi criada pela minha professora para que possamos treinar uma parte do trabalho social: defender o ponto de vista da autoridade social sueca em um julgamento. Então, em duas semanas, teremos um julgamento-treino com estudantes do sexto período de advocacia. Eles treinarão sua capacidade litigante (litigativa?) e nós, nossa capacidade de convencer o juíz que a menina precisa de mais tempo na casa dos pais adotivos para se adaptar à idéia de se mudar com a mãe biológica.

Vou te contar, é tão difícil explicar isso tudo em português! Muitas palavras essenciais para essa história não existem na nossa língua e preciso dar uma volta gigantesca pra explicar uma simples idéia. A coisa do utredning ou relatório, é a cara dos suecos. Tudo acaba (ou começa) em um utredning. Aconteceu algum problema (em qualquer área da sociedade), antes de mais nada, inicia-se um utredning.

Mas ontem, depois de entregar o relatório à professora, fui relaxar. Eu e minha amiga Elin fomos às compras no centro de Umeå. Comprei óculos escuros que, com um pouco de boa vontade, me deixam a cara da Jackie O. Hahaha. E hoje, outro dia lindo de primavera, acho que mais tarde vou ao cinema ver o filme dos pingüins.

A palavra em sueco do dia é lördag, sábado.

Filed under: Europa & Escandinávia,Universidade — Maria Fabriani @ 11:07

April 16, 2006

Filme e sonhos

Assistimos ontem a “The Constant Gardener”, o filme do Fernando Meirelles, com o Ralph Fiennes e a Rachel Weisz, que ganhou um Oscar esse ano por sua Tessa. Adorei. Adorei. Adorei. Fui dormir e acordei cedíssimo pensando no filme, depois de um sonho não muito divertido. O problema é que paralelamente comecei a ler nesse feriadão de páscoa “Abusado”, de Caco Barcellos, que me foi presenteado pela Grace já tem um tempo. Acho que foi realidade demais pruma pessoa só. O engraçado é que basta eu começar a ler em português, nesse caso sobre uma realidade apavorante tão próxima à minha (ou o que costumava a ser minha), que começo a sonhar em coisas pavorosas.

Em comparação, quando leio em sueco ou inglês, não costumo me lembrar dos meus sonhos.

A palavra em sueco do dia é realitet, realidade.

Filed under: Cinema e televisão,Livros,Saudade — Maria Fabriani @ 06:10

April 13, 2006

Pequeno F.A.Q.

Recebo mensalmente alguns emails de moças e rapazes que me perguntam sobre a Suécia, como é viver aqui etc. Os rapazes querem vir trabalhar, as moças pensam em morar mais perto de seus namorados nativos. Se pudesse, juro que responderia a todos pessoalmente, mas o tempo não dá. Então, me perdoem aqueles que me escreveram comentários tão atenciosos e elogiosos. A resposta que posso dar é bem geral, mas vai de coração. Se quiserem mais detalhes, é só deixar um comentário. Obrigada por compreender.

Então, para poder responder a vocês e aos outros curiosos que volta e meia vêm parar por essas praias, comecei a escrever uma página nova, com um F.A.Q. sobre coisas da Suécia, como é vir pra cá, as coisas ótimas, as boas, as ruins e aquelas que precisam ser sublimadas. Mas, quanto mais escrevia, mais infeliz ficava. O texto todo tinha um tom de aula, uma coisa absurda. Não me reconheci. O humor, que trabalhei tanto para descobrir nos meus textos, sumiu. Fiquei amarga e cínica. Levei um susto comigo mesma. Por isso, desisti da página, mas fiz um resumo do essencial.

Negócio é o seguinte: sua felicidade depende da sua consciência.

Tenha consciência do que está fazendo, do que está deixando pra trás.
Tenha consciência da necessidade de estar aberta(o) para experiências radicais e nem sempre agradáveis.
Tenha consciência da saudade estúpida que você poderá vir a sentir (não é certo que sentirá, as pessoas são diferentes).
Tenha consciência da importância do seu trabalho na sua vida (porque aqui é quase certo que você não poderá exercê-lo, pelo menos não imediatamente).
Tenha consciência de que as regras brasileiras de convivência, trabalho e barulho do not apply here.
Tenha consciência, enfim, do que te faz feliz.

E siga em frente. Tome a decisão e vá.

Ou fique.

A vida é difícil aqui ou em qualquer lugar do planeta. O sonho dourado do primeiro mundo é relativo e multifacetado. Lembre-se que terás de voltar a ser analfabeta(o), que dependerás do seu namorado(a), que terás pouquíssimo dinheiro. Tenha consciência de seus limites, de até onde você pode ir. Por outro lado, muitas vezes só descobrimos nossos limites (e nossa força de vontade) exatamente nessas situações extremas. Digo por experiência própria: demorou, mas está sendo uma de-lí-ci-a conquistar meu espaço novamente, fazer meus próprios amigos, batalhar minha vida, meus contatos.

Mas se você simplesmente quiser ignorar tudo isso aí de cima e cair de cabeça, tudo bem.

Foi isso o que eu fiz. :c)

No mais:
1) Suecos são, em geral, honestos, pontuais e bonitos.
2) São também incrivelmente provincianos.
3) Alguns são ignorantes, outros mesquinhos, poucos maus, como qualquer ser humano, aliás.
4) Mas a grande maioria é gente boa.
5) Brasileiros em geral são muito bem recebidos e tratados como algo exótico, divertido. Isso é bom, principalmente na época de Copa do Mundo.
6) Prepare-se no entanto para enfrentar certas dificuldades quando tentar dizer que o Brasil é bom em alguma outra área que não seja futebol e mulheres bonitas. Alguns nativos dizem em alto e bom som: “Mas aqui na Suécia, fazemos diferente”. Diferente, nesse contexto, quer dizer melhor.

Pra vocês que perguntam sempre: são poucos os dicionários sueco-português no mercado daqui. Eu tenho o dicionário “Svensk-portugisisk ordbok” de May Thunholm. A edição, de 1984, foi feita por Almqvist & Wiksell International Sverige, e tem o ISBN de número 9122007172. A única coisa é que esse dicionário funciona apenas se você já tem uma base mais ou menos sólida de sueco. Isso porque só existe a tradução de palavras em sueco para português, não o contrário. Você pode comprar esse dicionário na Bokus (site em sueco).

A palavra em sueco do dia é frågor, perguntas.

Filed under: Europa & Escandinávia,Vida de imigrante — Maria Fabriani @ 10:21

April 10, 2006

Tra-lá-lá

Dias e mais dias sem escrever, a vontade aumentando, mas a cabeça também doía que era uma beleza, a faculdade num ritmo alucinado, então fui deixando pra lá. Nos dias que passaram aconteceram muitas coisas. Nem me lembro mais de todas. Uma das melhores foi a chegada de Alice, filha da Carol “Shaerazade” Porto. A coisa mais liiinda essa menina de boquinha de coração. Seja bem-vinda, florzinha! :c)

Aí vim pra casa e a dorzinha de cabeça explodiu numa enxaqueca absurda e completa (não preciso dar detalhes, né?). Há três dias ando devagar pelo apartamento. As paredes, a luz e os sons reverberam enlouquecidamente no espaço atrás dos meus olhos. Numa volta pela MarinaW descobri estar em boa companhia: Sigmund Freud, Darwin, Cervantes, Nietzsche, Tolstoy e Chopin, todos sofriam de enxaqueca. Seria ótimo se a intensidade da enxaqueca fosse sinal de capacidade mental. Quem sabe? Ainda estou no meio dos meus 30, com um pouco de trabalho ainda posso criar teorias inéditas, escrever livros fantásticos e, porque não, compor uma sinfonia inesquecível.

A esperança é a última que morre, é ou não é? Antes dela morrem alguns milhares de neurônios exauridos.

A palavra em sueco do dia é huvudvärk, dor de cabeça.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 17:51
 

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