March 29, 2006

A maldade mora ao lado

E hoje estava estudando em uma das salas de leitura da biblioteca da universidade. Silêncio quase que absoluto. Ouvia-se apenas passos, casacos sendo retirados ou colocados, papel manuseado e a eventual música do celular (dos mal educados que não silenciam o bichinho ou o colocam no “tremedor”). De repente, uma menina sentada à minha frente, levanta a voz e anuncia:

Alô pessoal! A polícia prendeu o Hagamannen! Eles têm certeza de que prenderam o homem certo. Às 17hs a polícia vai dar uma coletiva à imprensa..

Um burburinho percorreu a sala de leitura inteira. Eu fiquei tão feliz que quase bati palmas. Mandei SMS para cinco amigas e mais para o meu urso com a notícia. Alívio!

Hagamannen é o apelido de um maluco que desde 1998 estu**ou e quase matou oito mulheres aqui em Umeå. Ele começou em 1998 exatamente num bairro aqui de Umeå chamado Haga, daí o nome: Hagamannen, o homem de Haga. O acusado, cujo nome não foi divulgado à imprensa como é costume aqui, é um homem “comum” de 33 anos, sueco, casado, pai de dois filhos pequenos e sem qualquer problema prévio com a polícia.

Entre 1998 e 2000 o Hagamannen atacou seis mulheres em Umeå. Uma comissão especial estabeleceu contato com mais de 10 mil pessoas. Ao todo 2 mil homens foram testados mas a polícia não conseguiu prender o criminoso. Depois do ataque ocorrido em 19 de março de 2000, o maluco parou até 10 de dezembro de 2005, quando atacou novamente. Os ataques foram sempre tão brutais (exemplo: ele arrancou uma orelha de sua última vítima com os dentes) que a polícia nunca teve problemas em assegurar pistas na forma de DNA etc.

A única coisa que faltava era encontrar um homem cujo DNA correspondesse ao DNA encontrado nos locais dos crimes. Depois do último ataque, em dezembro do ano passado, a polícia testou 777 homens em Umeå mas não conseguiu nada. Uma pessoa, ainda anônima, deu aos investigadores o nome do acusado, dizendo que ele parecia com o retrato-falado (foto acima) divulgado pela polícia. O DNA do sujeito foi testado e there was a match!

As mulheres aqui de Umeå, yours trully included, andavam apavoradas. Agora podemos respirar mais aliviadas. Duas companheiras de curso, Rebecca e Jenny, ambas com 33 anos, nascidas e criadas em Umeå, disseram a mesma coisa: “Imagina se eu conheço esse sujeito?!”

Update:: O nome do sujeito não apenas foi divulgado como também sua foto e a da família dele (mulher e dois filhos pequenos). A publicação, feita pelo sensacionalistíssimo jornal Expressen, está sendo muito criticada por colocar em jogo a vida da família do acusado, que ainda nem sequer é condenado.

A palavra em sueco do dia é fantombild, retrato-falado.

Filed under: Europa & Escandinávia,Jornal — Maria Fabriani @ 21:28

March 26, 2006

Batente

Acabou-se o que era doce.

A palavra em sueco do dia é helg, fim-de-semana.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 20:25

March 25, 2006

Eu, Jen e Nossa Senhora

Ainda no dolce far niente. Oprah, tarde de sexta, quando a tv3 sueca começou a repassar a última season do programa de entrevistas americano. Vinte anos de Oprah, com cenários novos e uma convidada especial: Jennifer Aniston, então às voltas com seu discutido divórcio de Brad Pitt. Jen, lin-da de mor-rer, conta, entre outras coisas, que está óóótima depois do divórcio de Pitt, que seu drink favorito é dirty martini, e que sua hora favorita do dia é o pôr do sol (tem até um álbum em que coleciona dez anos de imagens do pôr do sol…). Além disso, Jen conta um detalhe que ninguém sabia: ela não dorme.

!!!….!!!

Jen explicou dizendo que “pensa demais”, que faz planos ao invés de dormir. “Vejo que já é quase hora do sol nascer e aí penso: ah, daqui a pouco poderei levantar, ler o jornal e tomar meu café, that will be fun!” E aí ela não dorme. Eu durmo muitíssimo bem, ainda mais aqui em casa, na minha cama enoooorme, onde a temperatura ambiente nunca excede os 21 graus. Mas volta e meia, como qualquer um, minha cabecinha entra numa e desembesto a fazer planos, sonhar, imaginar. E aí, fica difícil dormir. E eu a-d-o-r-o acordar cedo, tomar café ouvindo rádio e depois ler o jornal. Pois então. Ela ainda não sabe, mas eu e Jen, Jen e eu, somos pals… Hehehehehe.

E quando eu digo que a Suécia é um país mooooito estranho, vocês acham que eu exagero. Pois bem. Hoje é o dia de “Marie bebådelsedag”, também chamado de “vårfrudagen” [vôrfrudóógen], literalmente “dia de nossa senhora”. O dia de hoje é comemorado em todas as culturas de origem cristã desde o século VII d.C. Aqui marca o fim do inverno e o começo da primavera. Mas, na boca popular, “vårfrudagen” virou “våffeldagen” [vôffeldóógen], o que quer dizer - PASMEM - dia do waffle. Então hoje come-se na Suécia inteira waffles cobertos de sorvete, creme de leite batido ou a tradicional geléia. No meu jornal tem até uma enquete na primeira página perguntando qual a geléia mais popular para se colocar no waffle de hoje. Morango está vencendo, seguido de perrtíssimo por Hjortron, uma frutinha local amarelinha e meio ácida, também chamada de amora-branca silvestre.

Fonte: Nordiska Museet (em sueco).

A palavra em sueco do dia é skådespelerska, atriz.

Filed under: Europa & Escandinávia,Jornal,Vidinha — Maria Fabriani @ 09:29

March 24, 2006

Insight

Bastou dois dias de dolce far niente em casa pra me lembrar do porquê de eu querer tanto voltar a ter uma carreira da qual possa me orgulhar fora de casa. Quanto mais tempo passo no meu lar doce lar, mais fico procurando as sujeirinhas, as manchas, a poeira acumulada. Aí, o pensamento é automático: “Como é que ele não vê essas coisas? Será que eu preciso vir pra casa para que a cozinha seja limpa? ” O início de uma revolta explodindo no meu plexo solar, na altura do estômago, uma raivinha nefasta começa a se espalhar… Aí, páro e me dou conta dos absurdos que estou dizendo, de como exijo do meu parceiro que seja exatamente como eu, que vejas as mesmas coisas, que tenha o mesmo padrão de exigência que eu tenho. E aí, tenho um insight. Olho em torno de mim e vejo um apartamento que se não brilha e cheira a detergente, está aceitavelmente limpinho e arrumado. Meu copo, antes meio vazio, passa a estar meio cheio. Largo a escovinha e o detergente, coloco uma música e venho escrever essas mal traçadas, porque sem dúvida eu ganho mais adotando os padrões dele do que the other way around.

A palavra em sueco do dia é medvetenhet, consciência.

Filed under: Elucubrações — Maria Fabriani @ 10:43

March 23, 2006

Variadas

Sempre que coloco batom (ou brilho), fico com a boca seca. Estranhíssimo. (Sim, brilho voltou à moda. Estou me sentindo muito mais jovem, meus cabelos cheiram a shampoo de maçã verde, nos meus pés sandálias de borracha com cheiro de chiclete. Nos meus ombros, ombreiras… Viva os anos 80!)

E estou de “férias” até segunda-feira. Preciso me lembrar constantemente de que não há livros pra ler, nem trabalhos para preparar. Quando me dou conta disso, passo a precisar me concentrar para decidir se levanto a mão para coçar o nariz ou se deixo pra lá…

Ontem, no ônibus, assisti a dois filmes: Polarexpressen (desenho animado com o Tom Hanks, uma droga sem tamanho, ainda mais dublado em sueco, blérgh!) e Wimbledon, com a Kirsten Dunst. Uma porcaria tão absurda que fiquei colada na cadeira e esqueci de ir ao banheiro pra saber se o cara ganha o torneio ou não… Ó vida.

E a primavera chegou. Oficialmente. Na vida real, a Suécia inteirinha, de cabo a rabo, ainda está coberta de neve, sendo que partes do extremo sul do país já deveriam estar verdinhos… Aqui no norte está oito graus negativos, mas temos sol, o que ajuda.

Steve Vaught, americano de 40 anos, desesperado por ser gordo demais, dá uma de Forrest Gump e atravessa os EUA a pé. Ele saiu de San Diego em abril do ano passado e está quase chegando ao seu objetivo, Nova York. Até agora Vaught já perdeu 140 quilos (!!!) em sua caminhada. Na bagagem ele tem Hesse, Camus, Homero e literatura zenbudista.

A palavra em sueco do dia é ledig, de folga.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 08:00

March 21, 2006

Na linha

E meu resfriado bienal chegou. Nariz entupido, espirros e a sensação de estar com a cabeça enrolada numa nuvem - densa - de algodão. Mas não tenho febre. Medi minha temperatura em dois dias seguidos, com termômetros diferentes, e o resultado foi sempre o mesmo: 36,5 graus. Meu urso já disse que quer medir minha temperatura quando eu não estiver mais resfriada. Ele acha que devo ter uma temperatura normal de 35 graus. Eu retruquei dizendo que não precisa ser Gil Grisson pra saber que essa temperatura é um pouco baixa demais e que eu ainda não morri. Hehehe. O lado positivo é que fico raramente resfriada. Na verdade, a gripe me pega apenas de dois em dois anos. A última que tive foi quando entrei na universidade, em 2004. Antes disso, tinha ficado doente quando voltei da minha primeira viagem ao Rio, em 2002. Resultado: depois de passar por essa chatice, estarei livre de resfriados até 2008. Nada mal! :c)

Mas nem todo o desconforto da vida me tira a oportunidade de me divertir. Então no sábado levei meu urso pra passear. Fomos ao cinema assistir a Walk the Line, com Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon. Adoramos! Urso ficou emocionado com o filme, ainda mais porque quando era adolescente ele encontrou Johnny Cash ao vivo, num bar da cidade de Missoula, Montana, EUA, onde fazia intercâmbio. O ano era 1984 e meu urso tinha saído com colegas de high school. Apesar de ter apenas 17 anos, ele conseguiu entrar num bar (ele me diz que entrou porque estava usando um chapéu de cowboy, hohoho). No palco, alguém dedilhava no violão e parecia ausente, sem se importar muito com quem chegava ou saía do bar. Meu urso perguntou, meio alto, quem era o vagabundo que “assassinava” o violão no palco. O bar ficou imediatamente silencioso. Foi quando o amigo americano tranqüilizou a massa: “Ele não sabe das coisas, ele é sueco”*.

Johnny Cash, o vagabundo que “assassinava” o violão, parece ter levado tudo na brincadeira. Ele tinha prisioneiros dos presídios americanos como um de seus públicos cativos (pun intendet) e tocou inclusive num presídio sueco. Ele disse: “I’ve played in a prison in Sweden. But I guess you haven’t been in a prison. Yet”. Meu urso passou desde então a adorar Johnny Cash. O filme todo ele passou sussurrando as letras que Joaquim e Reese cantavam tão bonitinho. E eu achei romântica a história de Johnny e June (tô com a Reese Witherspoon e não abro), os inúmeros pedidos de casamento, a casa na frente do lago etc. Não saí do cinema querendo comprar um CD do cantor americano (viciado em anfetamina por influência de Elvis Presley que, aliás, teria copiado seus acordes ousados do estilo lançado por Cash). Mas gostei muito do filme. Vale a pena. Agora, só falta ver Syriana, La Marche de l’empereur e Munich.

* Hohoho.

A palavra em sueco do dia é förkylning, gripe, resfriado.

Filed under: Cinema e televisão,Vidinha — Maria Fabriani @ 08:14

March 15, 2006

Hohoho


(Foto de LexnGer)

A palavra em sueco do dia é skämt, piada, brincadeira.

Filed under: De bem com a vida — Maria Fabriani @ 10:20

March 13, 2006

Técnicas de dominação

Uma coisa que sempre achei engraçada (e trágica) é como mulheres em geral têm a tendência de ser extremamente cruéis umas com as outras. Principalmente quando uma mulher conquista alguma coisa - um título, um emprego, um desejo, um homem, qualquer coisa boa - a coisa pega. Parece que temos mais facilidade para sentir inveja e raiva uma das outras do que os homens entre si. A impressão é que não vemos outras mulheres como companheiras mas principalmente como concorrentes que devem ser destruídas.

Uma colega de turma perguntou a uma professora o por quê dessa nossa mania de atacar mulheres enquanto agimos mais respeitosamente com homens. A professora, que é pesquisadora e feminista, afirma que esses ataques são um sinal claro: o espaço ocupado pelas mulheres na sociedade é tão limitado que quando uma outra mulher consegue chegar lá (seja lá onde for), ficamos automaticamente ameaçadas. Daí o ódio, a inveja desmesurada e o golpe. O espaço ocupado pela mulher, reafirma a professora, é concedido pelos homens porque nenhum outro homem foi competente o suficiente para conquistá-lo antes de nós.

Na faculdade, todos os cursos que fazemos têm um vínculo feminista, ou de gender, como é a denominação americana para a discussão da diferença entre os sexos que permeia todos os níveis sociais e econômicos da sociedade. Uma das teoréticas mais respeitadas na Suécia é Berit Ås, uma norueguesa de quase 80 anos. Ås foi a primeira mulher líder de um partido da história da Noruega e, enquanto na política, ela notou que seus colegas líderes partidários, todos homens, exerciam uma espécie de estratégia tácita e a desqualificavam sistematicamente.

Essa estratégia, observada e descrita por Ås em 1976, virou teoria feminista e recebeu o nome de Härskartekniker, ou seja Técnicas de Dominação. São elas:

1. Tornar a pessoa invisível
Fazer a pessoa se calar por meio de marginalização. Objetivo: ignorar a pessoa completamente.

2. Ridicularizar a pessoa
Manipular os argumentos da pessoa de forma a deixar claro que as idéias da pessoa são ridículas e desimportantes.

3. Omissão de informação
Não contar à pessoa informações importantes. Objetivo: marginalização.

4. Castigo duplo
Deixar a pessoa em uma situação em que não há possibilidade de acertar. Não importa o que você faz/diz, será sempre errado.

5. Atribuição de culpa e vergonha
Fazer a pessoa se envergonhar de suas características, ou insinuar que a culpa é da pessoa por algo que ela sofreu.

O lance é que as Técnicas de Dominação não são aplicadas apenas por homens, mas principalmente por mulheres provocadas pelo sucesso de outras mulheres. Ontem tava vendo um filme em que uma mulher afirmava que, se o mundo fosse governado apenas por mulheres, não haveria guerras. Eu du-vi-do. Nossas guerras seriam tão sanguinárias quanto as atuais. Ou mais.

Leia um documento em inglês explicando as técnicas de dominação de Berit Ås. (Fonte: The Centre for Gender Equality in Norway. Arquivo em .pdf)

A palavra em sueco do dia é elakhet, maldade, malícia.

Filed under: Universidade — Maria Fabriani @ 21:30

March 12, 2006

Na TV

E ontem, na TV estatal sueca, assisti a uma competição de atletismo na Rússia. Numa hora lá, os comentaristas nativos deixaram de falar sobre os esportistas e passaram a contar sobre seu animado vizinho, um comentarista italiano que, aos berros, anunciava que um atleta italiano havia conseguido uma medalha de bronze. Entre um risinho e outro ficamos sabendo, inclusive, que o italiano já havia quebrado uma caneta e seu celular na torcida por seu atleta. E eu tive que sorrir.

A palavra em sueco do dia é kul, divertido.

Filed under: Europa & Escandinávia,Vidinha — Maria Fabriani @ 13:56

March 11, 2006

Meninos, eu vi

Sim, eu vi. Eu vi Brokeback Mountain. Mas acho que não vi o que Tom e Chico viram, “Que todo o grande amor ainda é pouco, ainda é nada, eu vi/Amores que jamais verei/Meninos, eu vivi/Vivendo a poesia de verdade.” O que vi foi um filme míope, desfocado do amor dos dois cowboys e que insinua, mas que não chega a mostrar “a poesia de verdade” (apesar das cenas mais ou menos explícitas que, aliás, foram uma surpresa total, ainda mais se tratando de filme mainstream americano).

Minhas impressões, puramente emocionais, são: gostei da atuação de Heat/Ennis e Jake/Jack, que conseguiram me fazer acreditar no tesão de um pelo outro. Isso é um grande plus. Mas senti falta de ver o relacionamento dos dois evoluir mais claramente. Um dia eles mal se olham, no outro já estão rolando na grama. A história, retirada de um conto de Annie Proulx, não me agradou porque pula demais, não aprofunda nada, absolutamente não mostra abertamente os conflitos de dois homens apaixonados um pelo outro na sociedade wasp americana de então.

Claro, o objetivo do filme não era mesmo ser um tratado sociológico sobre o homossexualismo americano na década de 60. É divertimento, mas não chega a ser poesia. Não, não. Fiquei com impressão que a história era um patchwork de pequenas lembranças, de flashbacks de uma memória qualquer. Pra salvar minha experiência cinematográfica, torcia para ver Ennis e Jack juntos (linda a cena do primeiro reencontro na escada da casa de Ennis, depois de quatro anos), mas fiquei um pouco decepcionada com o resto da trama.

Em se tratando de Ang Lee, esperava algo mais semelhante a Sense and Sensibility, mas, claro, me ferrei. Tenho a impressão que o problema de Brokeback Mountain é justamente a enorme carga de expectativa que foi criada pela mídia. De fato, o filme não é o que promete (gay western), mas também não é ruim. No entanto, quem se contenta com histórias medianas e acha que o simples fato do filme ter sido realizado já uma grande coisa, presta, na verdade, um desfavor à causa gay, que precisa ser contada de forma franca, competente e poética.

Mas parece que o estúdio/diretor estavam ficando nervosos com a proximidade de Ennis e Jack e resolveram desfocar e contar as histórias periféricas também. Isso pra satisfazer, imagino, ao gosto simplório e quadrado do público médio mundial. Aí entraram na trama as famílias infelizes dos dois, os filhos, os sogros. Mas tudo assim rapidinho, só pra dar uma idéia. Nenhum conflito, só o tempo que passa. De repente ficamos sabendo que o caso de amor de Ennis e Jack já durava 20 anos e aí eu levei um susto. Parece que ambos ainda eram os dois garotões do início, sem nem sombra de suas vidas difíceis. Fiquei frustrada.

A palavra em sueco do dia é undermålig, de qualidade inferior.

Filed under: Cinema e televisão — Maria Fabriani @ 17:24
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