A maldade mora ao lado
E hoje estava estudando em uma das salas de leitura da biblioteca da universidade. Silêncio quase que absoluto. Ouvia-se apenas passos, casacos sendo retirados ou colocados, papel manuseado e a eventual música do celular (dos mal educados que não silenciam o bichinho ou o colocam no “tremedor”). De repente, uma menina sentada à minha frente, levanta a voz e anuncia:
Alô pessoal! A polícia prendeu o Hagamannen! Eles têm certeza de que prenderam o homem certo. Às 17hs a polícia vai dar uma coletiva à imprensa..
Um burburinho percorreu a sala de leitura inteira. Eu fiquei tão feliz que quase bati palmas. Mandei SMS para cinco amigas e mais para o meu urso com a notícia. Alívio!
Hagamannen é o apelido de um maluco que desde 1998 estu**ou e quase matou oito mulheres aqui em Umeå. Ele começou em 1998 exatamente num bairro aqui de Umeå chamado Haga, daí o nome: Hagamannen, o homem de Haga. O acusado, cujo nome não foi divulgado à imprensa como é costume aqui, é um homem “comum” de 33 anos, sueco, casado, pai de dois filhos pequenos e sem qualquer problema prévio com a polícia.
Entre 1998 e 2000 o Hagamannen atacou seis mulheres em Umeå. Uma comissão especial estabeleceu contato com mais de 10 mil pessoas. Ao todo 2 mil homens foram testados mas a polícia não conseguiu prender o criminoso. Depois do ataque ocorrido em 19 de março de 2000, o maluco parou até 10 de dezembro de 2005, quando atacou novamente. Os ataques foram sempre tão brutais (exemplo: ele arrancou uma orelha de sua última vítima com os dentes) que a polícia nunca teve problemas em assegurar pistas na forma de DNA etc.
A única coisa que faltava era encontrar um homem cujo DNA correspondesse ao DNA encontrado nos locais dos crimes. Depois do último ataque, em dezembro do ano passado, a polícia testou 777 homens em Umeå mas não conseguiu nada. Uma pessoa, ainda anônima, deu aos investigadores o nome do acusado, dizendo que ele parecia com o retrato-falado (foto acima) divulgado pela polícia. O DNA do sujeito foi testado e there was a match!
As mulheres aqui de Umeå, yours trully included, andavam apavoradas. Agora podemos respirar mais aliviadas. Duas companheiras de curso, Rebecca e Jenny, ambas com 33 anos, nascidas e criadas em Umeå, disseram a mesma coisa: “Imagina se eu conheço esse sujeito?!”
Update:: O nome do sujeito não apenas foi divulgado como também sua foto e a da família dele (mulher e dois filhos pequenos). A publicação, feita pelo sensacionalistíssimo jornal Expressen, está sendo muito criticada por colocar em jogo a vida da família do acusado, que ainda nem sequer é condenado.
A palavra em sueco do dia é fantombild, retrato-falado.

E quando eu digo que a Suécia é um país mooooito estranho, vocês acham que eu exagero. Pois bem. Hoje é o dia de “Marie bebådelsedag”, também chamado de “vårfrudagen” [vôrfrudóógen], literalmente “dia de nossa senhora”. O dia de hoje é comemorado em todas as culturas de origem cristã desde o século VII d.C. Aqui marca o fim do inverno e o começo da primavera. Mas, na boca popular, “vårfrudagen” virou “våffeldagen” [vôffeldóógen], o que quer dizer - PASMEM - dia do waffle. Então hoje come-se na Suécia inteira waffles cobertos de sorvete, creme de leite batido ou a tradicional geléia. No meu jornal tem até uma enquete na primeira página perguntando qual a geléia mais popular para se colocar no waffle de hoje. Morango está vencendo, seguido de perrtíssimo por
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