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Há exatos 20 anos o primeiro-ministro sueco Olof Palme era assassinado a tiros na esquina das ruas Sveavägen-Tunnelgatan, no coração de Estocolmo. Até hoje o crime não foi esclarecido; o principal suspeito, Christer Pettersson, morreu; e os oficiais que tomaram conta da investigação já se aposentaram. Mas a morte de Palme ainda é um mistério que desconcerta e incomoda muitos suecos. Há, como se poderia esperar, teorias de conspiração que dizem que o político socialista foi assassinado a mando de grupos mafiosos variados (da Iugoslávia, do Curdistão, da União Soviética e até dos EUA).
Há dois dias a TV estatal nativa mostrou um documentário no qual o repórter/documentarista passou quase cinco anos trabalhando com uma teoria: o assassinato de Palme teria sido um engano. Christer Pettersson teria sido contratado por um poderoso vendedor de drogas, Mr. X, para assassinar um rival. Pettersson, drogadíssimo, teria confundido Palme com seu alvo, Sigge Cedergren. Mas ninguém sabe se é verdade ou se é invenção. Sabe-se que um policial estaria envolvido no acerto de contas contra Sigge Cedergren, mas ninguém ousa dizer o nome com medo de represálias.
Me lembro vagamente da morte de Olof Palme. Tinha, então, 14 anos. Vi na televisão e fiquei sabendo, depois de conversar com meus pais, que ele era um democrata, um humanista, uma pessoa de bem. Ontem na TV os noticiários entrevistaram imigrantes chilenos que vieram pra Suécia na década de 70 protegidos por Palme contra a ditadura de Pinochet. Para eles, Palme é um herói. Para outros, pincipalmente suecos, ele era extremo. Achei interessante ler sobre as questões que ele levantava, suas críticas contra a guerra do Vietnã, contra as ações americanas na Nicarágua etc.
Ainda no segmento que vi no noticiário de ontem, vi um trecho de uma entrevista que Palme deu à TV americana. Quando perguntado sobre como ele continuava criticando outros países (leia-se os EUA) por suas políticas imperialistas sendo que a Suécia se dizia neutra, ele respondeu: “Somos neutros sim, mas isso não me impede de criticar abusos que outros países cometem”. Os chilenos entrevistados ontem disseram que sentem falta na política sueca atual de um estadista assim, que ousa desafiar as superpotências em nome de seus valores e ideais humanistas.
A palavra em sueco do dia é demokrat, democrata.
Outro dia estava almoçando com Elin, minha amiga da universidade. Ela me disse que tinha estudado espanhol no colégio e que tinha uma noção boa da língua, mas que a achava dificílima e trabalhosa para estudar. Eu disse que espanhol é difícil mesmo, mas tão difícil quanto sueco e suas maluquices gramaticais. Aí ela discordou e me deu um exemplo. “Em sueco”, disse-me ela, “você não precisa se importar com concordância. Aqui fala-se Han gick (Ele foi), De gick (Eles foi), Jag gick (Eu foi) etc. Em espanhol é uma loucura a quantidade de terminações de verbos, artigos, tudo mais.”
Ainda sobre o idioma sueco: 

