December 29, 2005

A expressão em sueco do dia é Gott Nytt År!, Feliz Ano Novo!

Filed under: Pra frente é que se anda — Maria Fabriani @ 09:00

December 27, 2005

Bling bling, yo!

elo visto sou uma das poucas balzacas que ainda assiste MTV por essas bandas, yo! Bling bling, é uma gíria advinda do Hip Hop e que faz referência a jóias caras e a outros adornos brilhantes. O termo teria vindo da Jamaica, onde Bling Bling é uma onomatopéia do som produzido em desenhos animados quando a luz reflete em um diamante. Agora eu vou Pimp my ride, devolver os filmes no DVD que aluguei ontem* e depois retornar aqui pro meu Crib, to chill. Yo!

Fontes: os fantásticos Wikipedia e Urban Dictionary.

* “Batman Begins”, ótimo! Vocês sabem que tenho uma paixão envergonhada pelo Michael Caine, né? Pois é, não conta pra ninguém senão desminto tudo! :c) Agora, enjoei da pobre Katie Holmes, que não tem culpa de andar com gente esquisita. Mas, thats life. Não posso mais ver os filmes do Steven Spielberg porque ele só trabalha com o Tom Esquisitão Cruise, e eu não assisto filmes com esse infeliz. Alugamos ainda “Cold Mountain”, muito bom também, mas tristíssimo. A pobre Nicole Kidman quase me fez chorar um monte de vezes, o Jude Law é, como sempre, delicioso, apesar de meio sujinho. Gostei mesmo foi de ver a Renée Zellweger abrindo a boca e soltando seu sotaque sulista. Bacana.

A palavra em sueco do dia é slang, gíria.

Filed under: De bem com a vida — Maria Fabriani @ 12:55

December 26, 2005

Day after

ais um Natal veio e passou, graças. O meu começou com a angústia de sempre, aquele buraquinho no meio do estômago, coração apertado, aquela sensação de que tudo é tão impossivelmente errado, errado, errado! Ainda mais quando precisa-se sair de casa debaixo de neve, que não parou de cair durante três dias seguidos. Foi uma graça. No carro, dei minha chorada tradicional, não apenas pela saudade dolorosa que sinto, que é como uma dor de dente que não me deixa em paz, mas por puro medo da nevasca que fazia o carro balançar in a non-natural fashion.

Mas, apesar dos meus chiliques e graças à paciência sobrehumana do Senhor Seu Urso Polar, chegamos à casa da sogra e depois à da cunhada, sem problemas. Lá, três irmãs (a mais velha tem 13 anos e as gêmeas têm 11) nos receberam com sorrisos que me deram a alegria do natal de volta. Tudo bem que os sorrisos delas começaram quando viram nossa sacolona de presentes coloridos, mas, nada nem ninguém é perfeito, ora bolas. Meu coração congelado e sacolejado aqueceu de vez quando os dois cachorros da cunhada vieram nos receber, abanando o rabo.

A tarde-noite foi ótima. A comida estava uma delícia (salmão, almôndegas, molho, batatas cozidas, salsichinhas, sorvete com frutas, biscoitos com café etc etc etc) e deu até briga - o que, convenhamos, não pode faltar em se tratando de funções sociais que incluam toda a família (nem mesmo na pacata Suécia). Um dos presentes mais apreciados pelas três irmãs foi um jogo do programa Idol, em que se canta e recebe-se uma descompostura dos membros do juri, pré-gravados num DVD. Ganhei presentes lindos e necessários e até um bling bling do meu urso poderoso. Ha!

hoje faz um ano que a tsunami matou centenas de milhares de pessoas na Ásia. São quase 600 os suecos que perderam suas vidas na Tailândia e por isso há cerimônias de lembrança durante o dia inteiro na TV estatal nativa, além de cerimônias ao vivo em locais públicos no país inteiro. Meu respeito e solidariedade vai pra essas vítimas e suas famílias. Penso também nos tailandeses, srilankeses, indianos e indonésios (da província de Aceh) que perderam ab-so-lu-ta-men-te tudo com as ondas gigantescas. Tudo.

As fotos do natal estão aqui, onde pode-se ver, entre outras coisas, imagens de um fenômeno observado apenas nesse país e que batizei de “presente frenesi”. O nativo em questão, geralmente um menor de idade, entra em transe quando se vê em meio à presentes de natal. O impulso incontrolável é de rasgar tudo o que vê pela frente e jogar o papel ao lado do presente. O resultado é que machos e fêmeas em idade adulta, encarregados de recolher os papéis de presentes, acabam por jogar fora os presentes também. No final do dia, os nativos menores estão tão exaustos que não sabem o que ganharam de quem, nem tão pouco onde estão seus presentes, os quais invariavelmente podem ser encontrados no lixo, ao lado de restos de comida.

A palavra em sueco do dia é vila, descanso.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 12:45

December 22, 2005


A frase em sueco do dia é God Jul!, Feliz Natal!

Filed under: De bem com a vida — Maria Fabriani @ 16:29

December 21, 2005

Acabou!


ra não dizer que estou sem graça por estar me repetindo cada vez mais, escolho afirmar que o que faço aqui é estabelecer novas tradições. Uma delas é o post do dia de hoje. Todo o mês de dezembro, lá pro dia 21 ou 22, publico um post com o título “Acabou”, fazendo referência ao final da escuridão do inverno. Isso porque hoje é o dia mais curto do ano e, paradoxalmente, o mais feliz, pelo menos pra mim. A partir de amanhã voltamos a ganhar minutinhos de luz todos os dias, sendo que aqui na região norte ganha-se muitos minutos… Espero esse dia como uma criança que espera a chegada do papai noel, ou o dia do seu aniversário, com um leve sorriso nos lábios e a certeza de que uma surpresa muito boa está pra acontecer. Viva!

Hoje o sol nasceu às 09hs30min e se porá às 13hs41min. Amanhã, nascerá às 09hs31min e assim por diante… :c)

A palavra em sueco do dia é Vintersolståndet, solstício de inverno.

Filed under: Europa & Escandinávia,Pra frente é que se anda — Maria Fabriani @ 09:49

December 18, 2005

Último advento e o mico cinematográfico

inalmente, hoje é o quarto e último advento. Domingo que vem é dia de Natal e estaremos quase no fim de dezembro e desse ano. Não vejo a hora.

E ontem fomos assistir a “King Kong”, do Peter Jackson. Em uma palavra: O-D-I-E-I. A expressão de tristeza dos olhos castanhos de encantos tamanhos de Kong é, disparado, a melhor coisa do filme, que é longuíssimo. Um verdadeiro mico cinematográfico (pun intendet). Não vou contar nada da trama, mas Peter Jackson se manteve fiel à história contada na primeira versão, dos anos 30. Naomi Watts chora bonitinho, Jack Black é o canalha escancarado de sempre e o narigudo Adrien Brody só tem mesmo aquela expressão de espanto no rosto o filme todo.

Talvez, imagino eu, tenha gostado mais do filme (ou desgostado menos) se o cinema fosse melhor. Compramos os tíquetes com antecedência, última fila, centro. Na entrada, uma fila gigantesca impedia que gente organizada como nós entrasse direto. Esperamos 20 minutos para percorrer os últimos dez metros do saguão até o caixa. E como estamos na Suécia, a terra do (des)serviço, a menina da caixa vendia ao mesmo tempo bilhetes e também pipoca, refrigerante, balas, e ainda tentava empurrar cartões de descontos pros cinéfilos mais aficcionados.

Quando finalmente conseguimos sentar na sala, reparamos a temperatura elevada. O normal em lugares públicos aqui na Suécia são agradáveis 20 graus. Juro que na sala de cinema estava, no mínimo, uns 30. Todo mundo, antes de sentar, tirava todos os casacos (estava 14 graus negativos na rua) e demorava pra sentar. Resultado: o filme começou com 20 minutos de atraso. Pude realmente me identificar com Kong, cansado, atacado por aviões. No final do filme estava ligeramente em pânico, sem conseguir respirar direito por causa do calor. (Quem diria! Logo eu, uma carioca da gema!)

Eu podia estar roubando… Não sei se vocês notaram, mas adicionei aqui à esquerda, na coluna lilás, um botãozinho do PayPal. Minha intensão é deixar uma porta aberta para doações de quem vem aqui e gosta do que lê. Agradeço antecipadamente e de coração. A quem não queira doar, ou não possa, agradeço também e compreendo.





A palavra em sueco do dia é apa, macaco.

Filed under: Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 12:49

December 13, 2005

Mais luz!

oje é dia de Lucia (diz-se Lucíía) por aqui. E o que isso quer dizer? Como já escrevi antes, o dia de hoje é dedicado à memória de Santa Lúcia de Siracusa, morta em 304 d.C.

A imagem ao lado mostra a procissão que se faz em escolas e igrejas em toda a Suécia no dia de hoje. A moça da frente, com a coroa de velas na cabeça e a faixa vermelha na cintura, encarna santa Lucia. As outras são suas seguidoras. Aí vocês me perguntam: “Mas para um povo secularizado e pouco influenciado por religiões até que os suecos adoram festejar um santinho, né?”.

É… e não é. A festa de Lucia é mais do que o lance da santa. A coisa é que a festa de Lucia acontece todos os anos no dia 13 de dezembro porque esse era o dia do solstício de inverno no calendário juliano, utilizado pelos nativos até o ano de 1753. Então, na verdade, a “santidade” louvada pelos suecos é, nada mais nada menos, a chegada da luz. :c)

E por falar em festa, acho que vocês se lembram que escrevi algumas vezes aqui que os nativos fazem de tudo para proteger sua política de consumo de álcool, sobre a qual escrevi nos posts “A praia sueca” e “Álcool e a mãe manipuladora”. Pois é, acontece que a Suécia faz parte da União Européia, que tem uma visão com-ple-ta-men-te diferente da nativa sobre como o comércio de bebidas deve acontecer.

Agora, a empresa estatal que controla a venda de bebidas alcóolicas por aqui, o chamado System Bolaget, fez um site para “explicar” o modus operandi sueco no que diz respeito à regulamentação e venda da birita. Quer entender como as coisas funcionam por aqui? Clique em http://www.dearmrb.se e curta a historinha (contada em inglês pela adorável atriz Pernilla August, com um delicioso sotaque sueco).

Meu comentário: fico imaginando a reação de italianos e franceses, comedidos consumidores de biritas finas, com a mania nativa de encher a cara todos os finais de semana com o pior álcool possível. Nesse ponto, as referências se invertem e a nação sueca, tão conhecida por seu comedimento em absolutamente tudo, perde feio pros países de cultura euro-latina, reconhecidamente extremistas em quase tudo. Acho isso engraçado e paradoxal.

(Ao mesmo tempo, não posso deixar de me irritar um pouco com a vontade dos nativos de “explicar” para o Sr. Barroso (chefe da comissão européia) a política do álcool sueca. O tom da explicação me é bem familiar; aquela coisa de: “deixa eu te explicar bem de-va-gar-zinho porque você não entendeu”, como quem fala com uma criança ou um retardado mental. Essa ironia de quem é - ou se acha - superior parece ser um cacoete nacional.)

A palavra em sueco do dia é fest, festa.

Filed under: Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 09:45

December 11, 2005

Advento, Nobel e futebol

stamos quase lá, quase lá. Mais um domingo, mais um advento.

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E ontem foi a entrega do prêmio Nobel, com jantar, festa e tudo o que se tem direito. Vi pequenos trechos da cerimônia (já vi uma vez, já sei o que acontece, tinha outros programas bacanas pra ver no mesmo horário) e deu pra achar tudo bonito e elegante. Pena o Harold Pinter, doentíssimo, não ter ido receber o nobel de literatura. O discurso dele, que passou na TV daqui na quarta-feira, foi fenomenal. Baixou o sarrafo no Blair, que chamou de cordeirinho que abana o rabo e segue Bush. Daí pra baixo. Ou pra cima.

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Legal foi ver anteontem o sorteio da chave do Brasil na copa do mundo. O show alemão foi uma chavecada só, como manda a tradição. Os suecos suavam frio, com medo de cair no grupo do Brasil, mas acabaram pegando um grupo mediano. Me chamou a atenção a festa que a delegação australiana fez ao ser sorteada pro grupo brasileiro. Ou será que foram gritos de desespero? A verdade é que o Brasil precisa ter cuidado tanto com os aussies como com os croatas e a correria dos japoneses do Zico.

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E ontem, pela primeira vez na minha vida, fiquei com pena dos argentinos.

A palavra em sueco do dia é lottning, sorteio.

Filed under: Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 14:41

December 9, 2005

A média italiana aos olhos suecos

ntem à noite assisti a um programa semanal sobre mídia em um dos canais da TV estatal sueca, SVT. Gosto muito desse programa, que assisto desde que comecei a entender a língua. O assunto do dia era a imprensa mais ou menos livre da Itália. Vale explicar o background desse programa: há uns meses a TV estatal sueca iniciou uma campanha publicitária (veja imagem) dizendo que os canais do SVT eram completamente livres. Em oposição mostrava-se uma imagem do Putin na Rússia e do Berlusconi numa pose à la Benito Mussolini.

A campanha, lógico, deslanchou uma avalanche de protestos. Suecos mais em contato com seu bom senso se queixaram da falta de sensibilidade da campanha, que desmoralizava a imprensa de um país europeu para mostrar como a mídia local era boa. Mais uma vez os nativos lançavam mão da velha estratégia de mostrar as mazelas do outro para, em comparação, sobressair como melhor, puro, livre. Até mesmo a Itália se viu obrigada a reagir. Se não me engano o embaixador sueco foi chamado pra uma conversa em Roma.

Mas, voltando ao programa de ontem. Depois da correspondende sueca ter entrevistado jornalistas vetados pela censura de Berlusconi (que existe mesmo e é medonha), o apresentador iniciou uma entrevista com um sueco expert na mídia italiana. Aí, o cara diz assim: “A imprensa italiana pode não ter a mesma transparência da imprensa daqui, mas certamente tem muito mais abertura”. Como assim, quis saber o apresentador, confuso. “É que cada vez que abria o jornal pela manhã”, explicou o expert, “eu tinha arrepios em ler as acusações cruas e sérias escritas preto no branco. Parecia que uma guerra civil poderia acontecer todos os dias depois do café da manhã”.

Veja nessa página italiana uma tradução da campanha sueca. Hohoho.

A palavra em sueco do dia é fri, livre.

Filed under: Europa & Escandinávia,Jornal — Maria Fabriani @ 08:26

December 4, 2005

Segundo advento e tsunami

ais um domingo, mais um advento. E vamos seguindo com nossa corrida para acabar dezembro o mais rápido possível. Essa coisa do supermercadinho aqui da esquina ter fechado até que foi bom. Assim tenho uma desculpa para andar até o centro (distante uns dois quilômetros) ou até o supermercado no bairro adjacente ao meu (distante um quilômetro mais ou menos). Já abasteci meu estoque de docíssimas tangerinas natalinas. O problema é que acabo gastando mais dinheiro do que gostaria…

tsunami.jpg

Na quinta-feira uma comissão criada pelo governo socialdemocrata sueco entregou suas conclusões sobre como o primeiro-ministro e seu staff agiu (ou deixou de agir) durante as primeiras horas da catástrofe da tsunami, na Tailândia, no últimos dias de dezembro do ano passado, quando quase 600 suecos morreram. A crítica, que é seríssima, é também inédita. Nunca um gabinete socialdemocrata recebeu crítica tão clara e considerada “não-sueca”, no sentido de que identifica culpados poderosos e não distribui a culpa igualmente por todos os envolvidos. A situação é tão séria que o primeiro-ministro Göran Persson foi obrigado a pedir desculpas publicamente.

O problema é que a burocracia sueca, muito efetiva, também tem um problema sério (e bastante humano): ninguém quer assumir a responsabilidade caso uma decisão dê bode. Só que esse traço cultural (quem vive aqui sabe que os nativos não gostam de pedir desculpas) complicou a vida dos feridos nas praias da Tailândia, e de seus familiares aqui. A Suécia foi o último país a chegar às praias da Tailândia com times de ajuda. Cidadãos suecos foram ajudados por representantes de outros países mas principalmente pela população tailandesa, que acolheu muitos em suas próprias casas, lhes deu comida e descanso.

O problema maior é que a Suécia perde feio em comparação com a Itália e com a vizinha Finlândia, cuja ajuda foi quase imediata. Guido Bertolaso, responsável pela resposta em momentos de crises do governo italiano, decidiu no próprio dia 26 de dezembro, horas depois da tsunami, que fretaria um avião e voaria imediatamente para lá. No dia 26 o primeiro-ministro sueco não assistiu TV e a ministra do exterior, Laila Freivalds, foi ao teatro. Depois ela disse que nem sabia onde Phuket ficava (é uma das praias mais visitadas por suecos na Tailândia). A ajuda sueca, que depende do OK dessas duas pessoas, chegou apenas quatro dias depois.

Agora, a maioria dos suecos quer a demissão de algum membro do governo. O bode espiatório parece ser a antipática Laila Freivalds, cuja demissão é pedida por mais de 80% da população. Muitos querem que o primeiro-ministro também caia fora, mas a maioria parece entender que não é tão fácil fazer um fat cat como Göran Persson cair do trono. Até agora ninguém saiu do governo e parece que vai continuar assim até as eleições do ano que vem. “E o que é que isso tem a ver comigo?”, você pergunta. “Nada”, respondo. Mas queria apenas mostrar que até na Suécia, quem diria, as coisas podem sim acabar em pizza.

A palavra em sueco do dia é besvikelse, decepção.

Filed under: Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 13:47
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