Fui fazer uma prova de economia e ciências políticas, matérias combinadas. Sentei numa sala enorme junto com umas 100 pessoas e começamos a fazer a prova. Quando li as perguntas, não acreditei nos meus olhos. Não entendia nada do que estava sendo perguntado ali. E minha dificuldade não tinha nada a ver com o idioma.
Comecei imediatamente a chorar. As perguntas eram completamente sem pé nem cabeça, numa espécie de código acessível apenas aos iniciados nas artes matemáticas. Estava perdida. Uma das perguntas mais absurdas não tinha sequer texto, trazia apenas cifras que tinham algo em comum. Só faltava descobrir o quê.
Foi quando senti pela primeira vez um aperto na região do meu estômago, uma angústia difusa, que foi subindo, subindo, até chegar ao meio do meu peito e, depois, à garganta, onde se instalou. Chorei muito, me revoltei, fiquei irritada, chorei mais um pouco, pedi ajuda ao fiscal de prova. Nada parecia adiantar.
Pensei no terror de ter de fazer uma segunda prova caso não passasse. Essa é uma possibilidade que existe em todos os cursos. O problema é que essa prova é feita no meio do curso seguinte e, caso você não consiga passar, perde o direito a receber a ajuda financeira do governo. Bye bye aluguel, bye bye universidade.
Terminada a prova, entreguei o papel e me dirigi a um café que fica perto da universidade. Uma de minhas colegas, que eu sempre achei ser um amor de pessoa, estava sentada numa mesa às gargalhadas. Sentei-me com ela e comecei a dizer como a prova tinha sido difícil, o que me fez chorar ainda mais. Ela disse que a prova tinha sido facílima e me olhou com desdém.
Confusa, fui pegar meu carro no estacionamento. No parabrisa, notei três papéis amarelos, dobrados. Eram três multas por ter estacionado em local proibido. O pânico de antes voltou a se instalar, um medo absurdo de ser presa veio subindo até a garganta (apesar de racionalmente saber que apenas as multas não eram suficientes para tanto). Me sentei dentro do carro e chorei.
Foi aí que acordei, a bola da angústia ainda na minha garganta, às 7h18min da manhã de hoje, com as marteladas dos obreiros que fazem alterações no meu prédio. Se encontrar um deles nas escadas sou capaz de tascar-lhe um beijo. Na boca.
A palavra em sueco do dia é ångest [ôônguest], angústia.







