September 27, 2005

Strike a pose

Totalmente vi-ci-a-da no tal do Flickr. Adoro ficar vendo as fotos mais doidas, lindas, românticas e criativas de gente de todo planeta. Acho fascinante. Minhas fotos preferidas são de cachorrinhos, gatinhos (moooitos gatinhos), paisagens, flores e imagens do dia-a-dia (adoro mesas de trabalho, por exemplo). Mas também adoro ver as imagens do outono (que me ajudam a gostar dessa época do ano, apesar de tudo), as fotos “roubadas” de estranhos, os momentos únicos, encontros de amigos, festas, cores, muitas cores.

O mais engraçado é notar como as fotos mudam conforme a origem do fotógrafo. Os indianos são fotogênicos mesmo sem querer. Tem muitos sauditas no Flickr, quase todos de Dubai. As meninas tiram fotos de suas jóias e telefones celulares, que chamam de “my new baby”. Os meninos parecem apaixonados por seus carros fantásticos. Muitas fotos de americanos, dos furacões Catrina e Rita, de Europeus viajando pra tudo quanto é canto e do povo féxion: donos de gatos e artigos Apple variados, como PowerBook e o onipresente iPod.

Eu, que não sou féxion (de Mac só tenho grana pra comprar um Big Mac) e nem posso ter um gato (urso é alérgico), vou tirando fotinhos do meu dia-a-dia, os detalhes, as coisas bacanas. Tudo o que minha pequena câmera de 2.0 megapixels me permite. A única coisa que não é muito legal é que a (falta de) luz do outono não ajuda, o que deixa gente como eu, que não sabe trabalhar com flash (e nem com Photoshop), numa saia justa danada.

A palavra em sueco do dia é bild, imagem, foto.

Filed under: Variedades — Maria Fabriani @ 22:00

September 26, 2005

Fim de semana com Willy Wonka


Gene Wilder como o original Willy Wonka e seus Oompa Loompas

Fim de semana bom, com meu urso aqui e tudo. Vimos “Charlie and the Chocolate Factory” e amamos. Pela primeiríssima vez, ever, achei que o J.Depp fez um bom trabalho. Está excelente como o traumatizado Willie Wonka. Adoro a estética do Tim Burton e, se não me engano, acho que vi quase todos os seus filmes.

Vi o original milhares de vezes, todas na Sessão da Tarde da Globo. Ainda me lembro que gostava do casaco roxo do Gene Wilder. Esse filme me faz voltar no tempo, em tardes cariocas quentes, quando tudo o que precisava fazer era simplesmente ser. E se até isso representasse dificuldades, bastava ir até a cozinha e dar um beijo na minha avó. Pronto, problema resolvido.

O que gostei no filme novo:

O tratamento dado aos rostos dos atores principais, cujas peles parecem de porcelana. Sabe aquele efeito Photoshopístico meio irreal do qual toda modelo que se preza já foi vítima? Pois é, Burton usa uma técnica semelhante, o que só faz tornar o filme ainda mais fantástico. Note a pele do J.Depp nos diversos close ups.

O desenvolvimento que o Tim Burton faz com a história. No filme original, feito em 1971 com o fantástico Gene Wilder como Willy Wonka, tudo acabava quando Charlie se revelava um “bom garoto”, apesar do azedume de Wonka.

Os pequenos números musicais que os oompa loompas (encarnados por apenas um ator chamado Deep Roy, deliciosamente estranho) fazem quando as crianças petulantes, atrevidas e mimadas vão desaparecendo. Pena não ter a música mais importante: “Oompa Loompa, doompa di da…”

A estética “TimBurtiana” da cidade, o clima meio obscuro, a família de Charlie e seu pequeníssimo casebre torto, Helena Bonham Carter como a mãe de Charlie chupando o chocolate que ganhou do filho (por causa de seus dentes podrões).

A resposta do irritadíssimo e meio off the top Willy Wonka aos comentários chatos de Mike TeeVee. “Mumbler! Seriously, I cannot understand a word you’re saying!” e “Once again, you really shouldn’t mumble, ‘cause it’s really starting to bum me out!”. :c) Hahaha. Essas eu posso usar por aqui.

A palavra em sueco do dia é choklad, chocolate.

Filed under: Cinema e televisão,Vidinha — Maria Fabriani @ 12:29

September 23, 2005

Cansei.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 08:39

September 22, 2005

Doces contradições

Tô sempre por aqui, por mais que esteja complicado escrever muito. Ando meio cansada (aliás, muito cansada) e tenho a impressão que é um resfriadinho chato querendo me pegar. Bacana que vocês tenham gostado da tradução/versão do artigo. Continuo achando ótimas as idéias desse psiquiatra. E não apenas eu. Alguns dias depois que o artigo foi publicado, o editor da página de debate do meu jornal escreveu uma materinha contando do sucesso das idéias do psiquiatra.

Centenas de cartas, emails, telefonemas. Quase todas, conta o editor, a favor das idéias de David Eberhard. Pelo texto do editor, que descreveu algumas das palavras dos leitores que louvaram o artigo, há uma necessidade absurda dos nativos em sair dessa redoma protetora e encarar o mundo mais de frente. É claro, imagino eu, que não se defende aqui uma “brasilificação” do estado social sueco. Eles querem manter sim os privilégios de primeiro mundo que conquistaram.

Mas há, imagino, uma vontade de sair da mesmice. Uma necessidade de tentar algo novo, de fazer alguma coisa diferente do seu tempo, dos seus dias, da sua vida. Esse impulso, bem humano, pode ser visto, por exemplo, nas minhas colegas de universidade que resolveram se mandar pro Sri Lanka e pra Índia pra fazer seu trabalho de campo (semestre passado). Eu, que já esgotei minha cota de aventura, preferi ficar por aqui mesmo e estabelecer contatos no mercado de trabalho sueco (o que, em si, já é uma outra aventura, daquelas de meter medo. Mas isso é outra discussão).

O mais fenomenal nessa história toda, é que o que o psiquiatra escreveu pode ser observado pelo outsider mais atento, mas é difícil criticar o estado que fornece tanta “segurança” às pessoas. Na faculdade muitas vezes me vejo rindo internamente das críticas que colegas fazem do sistema social sueco. “Pelo menos vocês têm um sistema social”, penso eu. Mas o problema não está aí. O problema é quando esse sistema que foi criado pra ajudar, acaba sufocando a pessoa, desarmando seu ímpeto de desafio e esvaziando sua autoconfiança para vencer obstáculos.

Acabei de ler no jornal de hoje a carta de uma professora desempregada que trabalha algumas horas aqui ou ali como substituta, mas nada certo. Quando ela viu que uma empresa privada de fornecimento de mão-de-obra procurava professores, se inscreveu logo. Conseguiu trabalho quase que imediatamente. Mas qual não foi sua surpresa quando foi informada pelo governo que se continuasse a trabalhar provisoriamente iria perder seus direitos à A-kassa, que é uma espécie de “salário” que quem está desempregado recebe enquanto procura trabalho.

(Aqui vale uma clarificação: ela não estaria trabalhando fixo, empregada em algum lugar, mas funcionaria ainda como substituta, uma temp. O problema é que o governo não reconhece o direito do cidadão em se registrar nos chamados “vikariepool” privados, ou seja, em empresas privadas de empregos temporários, apenas em suas equivalentes estatais.)

Ela se viu obrigada a largar o trabalho, sair da empresa privada, escrever uma carta “pedindo desculpas por sua ignorância” (palavras dela) ao órgão regulamentador e voltar a ser desempregada. Tudo isso para não perder seu direito constitucional de receber uma porcentagem do seu último salário enquanto procura outro emprego. É por isso que eu sempre digo, a Suécia é uma Disneylândia burocrática e muito contraditória.

A palavra em sueco do dia é motsägelse, contradição.

Filed under: Europa & Escandinávia,Jornal — Maria Fabriani @ 12:37

September 18, 2005

Segurança paralisante

A pedidos, o artigo:

“Segundo uma pesquisa publicada alguns meses atrás “um em cada três suecos quer criar um limite de 15 anos de idade para assistir a jogos de futebol”. Dessa forma poderia-se, de acordo com quem participou da pesquisa, diminuir o risco de que essas crianças fossem recrutadas para as violentas gangues de times rivais. Esse é um exemplo do pânico nacional que se espalhou quando tentamos lidar com uma situação insegura ou a sedução que certos “rebeldes” sentem em fazer o que é proibido.

No início de junho foi publicada uma segunda pesquisa que, de pontos de vista distintos, é outro exemplo do mesmo fenômeno. De acordo com essa pesquisa, a maioria dos jovens que se forma na universidade escolhe o desemprego à possibilidade de se tornar pequenos-empresários, uma realidade repleta de riscos. Esses são, na minha opinião, apenas dois exemplos de um fenômeno que está tomando conta da Suécia por todos os lados: a síndrome nacional do pânico.

No meu trabalho como médico-chefe em psiquiatria em Estocolmo encontro diariamente pessoas completamente paralisadas por síndrome de pânico. Esse quadro psiquiátrico se caracteriza pela existência de um pânico irracional diante de situações normais. Uma conseqüência desse pânico é agorafobia, que por sua vez faz com que as pessoas não ousem fazer qualquer coisa fora da segurança de sua casa.

Essa é uma condição patológica, de acordo com os parâmetros psiquiátricos, mas infelizmente parece que ao invés de ser classificado como doença, o fenômeno tornou-se a base para quase todas as decisões de âmbito nacional. Nada pode ser perigoso ou inseguro. Durante as últimas décadas fomos inundados por decretos e proibições para tornar nossas vidas seguras e inofensivas.

Somos obrigados a usar cinto de segurança mesmo se ninguém além de nós mesmos se machuque caso deixarmos de usá-lo. Nossos filhos têm de usar capacete mesmo quando andam de bicicleta no jardim. Importamos leis contra qualquer fumacinha nos restaurantes e leis de proteção ao empregado que tornam quase que impossível demitir quem comete erros sérios no trabalho. Não há nada de errado em tentar cuidar de seus cidadãos. O problema é a proporção dos efeitos que acontecem quando perdemos a noção do que é razoável.

Exatamente como o paciente com pânico vê perigo em tudo o que realmente pode ser perigoso mas poucas vezes o é, a Suécia tem uma necessidade exacerbada de segurança e controle, quando o que realmente precisamos é de trabalho, um teto sobre nossas cabeças e amor.

Pedimos dispensa do trabalho e ficamos em casa por meses ou anos por causa de uma condição que apenas melhoraria caso tivéssemos uma ocupação interessante e pudéssemos voltar rápido ao trabalho (como por exemplo na maioria dos casos do esgotamento psicológico). Empregados de escritório são dispensados de forma regular por braços quebrados ou por outras lesões locais que não os impediriam de realizar muitas outras funções. De acordo com uma pesquisa publicada no início do ano, os trabalhadores ficam em casa 100% mais de tempo pelo mesmo diagnóstico do que há dez anos atrás. Dessa forma aprendemos que tudo pode ser evitado e nada precisa ser perigoso ou representar dor.

Um dos dogmas mais importantes na sociedade da segurança é que é perigoso competir, talvez o mais feio que podemos fazer. O fato de um aluno ser melhor do que um outro é tratado quase como uma mentira, mesmo quando nós todos sabemos que a realidade é exatamente essa.

E mesmo que todos nós saibamos disso, não podemos de jeito algum estimular o melhor aluno a competir. Pelo menos não nas matérias de colégio. A sociedade não quer mais que todos tenham as mesmas chances, mas que todos sejam igualmente bons, igualmente ruins, iguais. Se o pior não pode ser tão bom quanto o melhor então o melhor tem que ser tão ruim quanto o pior. Temos hoje em dia uma escola que, de acordo com vários relatórios científicos internacionais, não funciona. Os professores perderam todas as possibilidades de punir ou de premiar. Dessa forma, retiramos das crianças o direito básico de encontrar seus limites na vida e esquecemos que as elas amam competir. O ser humano não nasce na segurança. Segurança alimenta medo da mesma forma que a síndrome do pânico fortalece a necessidade de evitar perigos. Crianças conseguem viver com e devem enfrentar resistência, porque sem ela segue-se a lei do menor esforço e a vida perde seu sentido e objetivo.

A conseqüência disso é o que vemos quando as pessoas não agüentam ou querem trabalhar ou quando não ousam começar seus próprios negócios. Por que eles o fariam? O estado toma conta da gente da mesma forma.

Quando tudo desaparece por conta de uma tsunami ou de qualquer outra catástrofe, mostramos nossa incapacidade e paralisia nacional. Depois da Segunda Guerra Mundial a Suécia recebeu um grande número de refugiados dos campos de concentração. Eram pessoas que passaram pelo pior possível. Essas pessoas, apesar disso, se integraram muito rapidamente à sociedade e funcionaram no mercado de trabalho. Eles não eram enganados a acreditar em segurança. Eles tinham trabalho, comida, salário e um teto sobre suas cabeças. Eles nunca receberam um diagnóstico como PTSD (Post Traumatic Stress Disorder) e não foram recebidos por uma sociedade inexigente.

No meu trabalho encontro diariamente refugiados vindos de outros países. Em nenhum outro cenário a síndrome de pânico nacional fica tão evidente como quando essas pessoas são recebidas aqui. Eles vêm de ambientes inseguros e muitas vezes cheios de violência. Eles fogem da violência, mas encontram aqui, em contrapartida, uma segurança hiperexigente. Porque para aqueles que vêm pra cá é claro que o principal é ter trabalho, um sentido na vida.

Muitos dos que fugiram são pessoas engajadas politicamente e que têm uma força vital enorme. Algo que a inexigente sociedade sueca quebra rapidamente com sua bem-intensionada consideração.

Formalmente a conslusão é que a Suécia toma conta de seus cidadãos. Não somos maus, não exigimos nada demais, somos os mais bonzinhos de todos. Paradoxalmente, é essa sociedade sueca de pânico e igualdade que dirige a competição internacional para saber quem é o país mais bonzinho do mundo. Uma competição que leva à maior segurança possível para todos os participantes.

Muito se debateu sobre pais e mães submissos, que não dão limites aos filhos e fazem todas as suas vontades. Mas a sociedade submissa é um problema muito maior. A necessidade de se competir em segurança espalha a submissão como um vírus.

bubbleboy.jpgÉ claro que devemos proteger os nossos, mas viver é perigoso. Se não passarmos esse conhecimento aos nossos filhos eles crescerão dentro de uma bolha. Quando essa bolha estourar, tudo passará a ser duplamente perigoso. Se alguém nunca caiu e se machucou, a dor, quando ela vem, é insuportável. E a dor vem exatemente porque a segurança absoluta é irreal. Discute-se o aumento nos crimes de violência, dos casos de jovens que bebem e dirigem carros, além do consumo de drogas. Nos últimos anos enfrentamos uma série de crimes violentos que nos fizeram questionar como a psiquiatria funciona no país. Claro que podemos colocar a culpa pela violência dos últimos anos na falta de recursos para a psiquiatria, ou na Comunidade Européia ou ainda no fato de termos mais acesso a bebidas do que antigamente. Mas a questão é mais complexa do que isso.

A proibição à concorrência dá espaço à indiferença. Porque deixar de beber ou de usar drogas se nada do que se faz tem conseqüência? E caso haja conseqüências, temos sempre uma segunda chance porque a Suécia cuida de seus cidadãos.

Quem vai parar fora da sociedade sente o peso da exclusão. Vem daí a necessidade de procurar uma sociedade alternativa: a criminal. Lá a moral é “por que não vamos brigar se é brigando que conseguimos respeito?” Um respeito que é construído pelo medo. O único respeito que se pode conseguir na Suécia, já que a competição saudável de quem combina melhor com a sociedade é proibida. A única competição que existe hoje em dia é aquela em que quer descobrir quem pode dar as costas à sociedade.

Para nós outros não resta qualquer tensão. Somos todos seguros e nada pode nos trazer dor. Na sociedade sueca livre de dores começamos todos, exatamente como um paciente com pânico desenvolve agorafobia, a evitar tudo que é normal.

O país e seus habitantes precisam criar riscos grandes o suficiente, uma dose saudável de concorrência, porque a segurança é a falta de sentido. Nos transformamos todos em perdedores. Como um usuário de heroina aprende a amar sua droga, nos transformamos em viciados em segurança. Está na hora de combatermos nosso vício.”

DAVID EBERHARD
Médico-chefe em psiquiatria em Estocolmo.

Publicado na página de debate do Dagens Nyheter em 11 de setembro de 2005.

A palavra em sueco do dia é fullträff, no alvo ou em cheio.

Filed under: Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 16:27

September 16, 2005

Hoje é aniversário do meu urso amado, meu marido (ainda acho estranho isso), meu companheiro, meu chato, meu lindo, meu, meu, meu. Só meu. Jag älskar dig, baby. Grattis! :c)

A palavra em sueco do dia é födelsedag, aniversário.

Legal saber que há interesse, o artigo é muito legal mesmo. Estou trabalhando na tradução, que deve ficar pronta nos próximos dias. Tudo vai depender do tempo que tiver pra trabalhar.

Filed under: Aniversários — Maria Fabriani @ 09:34

September 15, 2005

Prova e segurança

Dia óóóóóóóótimo. Acordei cedo, fui encontrar com Elin-amiga-da-universidade na frente da faculdade para ir fazer a prova do curso de psiquiatria. Vamos sempre juntas pras provas, que são feitas fora do campus, num prédio especial apenas para provas longas. Mas essa de hoje foi curta (apenas uma hora) e eu quase gabaritei! Acertei todas as respostas, menos uma. Sucesso total, merci beaucoup. Agora só falta passar nas demais etapas do curso, seminários de leitura e de leis. Ufa.

Estou aqui escrevendo (ou tentando escrever, mais precisamente) um post sobre a mania de segurança da sociedade sueca, uma característica que eu já havia reparado mas que não ousava criticar. Domingo passado li na página de debate do meu jornal um artigo bem escritérrimo de um psiquiatra criticando a mania sueca de tomar conta de tudo e de todos, o que cria uma sociedade distituída de força vital, incapaz de ultrapassar conflitos, conquistar sonhos e enfrentar a vida de peito aberto.

É claro que pra quem me lê do Brasil e precisa lutar pra exatamente tudo na vida, pode parecer que o que escrevi acima é delírio, besteira ou simplesmente burrice. Mas o fato é que as pessoas aqui são tratadas a pão de ló a vida inteira, e quando se vêem na frente do primeiro obstáculo, pânico. Um exemplo: Na escola não existem provas até a criancinha completar 15, 16 anos. Quando baby sai pra vida real, seja na universidade ou no mercado de trabalho, com as exigências de competição que isso representa, nego deprime e fica utbränd (desgastado, “queimado” no sentido psicológico)

O raciocínio é muito mais profundo do que esses dois parágrafos aí de cima, e diz respeito à cultura sueca como um todo, ao maravilhoso sistema público de saúde e toda uma política de cuidado com o cidadão que não existe em nenhum outro lugar do mundo (bem, talvez na Noruega). O que o psiquiatra diz (e que eu concordo) é que toda essa generosidade sufoca a iniciativa individual. O lado bom dessa sociedade é que quando alguém está mal, há sempre ajuda. Mas quando uma pessoa brilha, ela é muitas vezes impedida de ser melhor do que os outros - pelo bem do grupo.

Pensei em traduzir o artigo, mas putz, é longo pra caramba, viu? Será que tem interesse?

A frase em sueco do dia é Du ska inte tänka att du är något. Literalmente não pense que você é alguma coisa, que você é importante (no sentido de quem você pensa que é?). Essa é a essência da chamada Jantelagen, uma “lei” cultural, que permeia a sociedade sueca de cabo a rabo. Você, por mais brilhante que seja, não deve mostrar seu brilhantismo, mas deve sempre procurar ser lagom, ou seja, suficientemente boa/bom. Nada de mais, nada de menos.

Filed under: Europa & Escandinávia,Jornal,Universidade — Maria Fabriani @ 15:03

September 14, 2005

Chuva, chuvinha, chuvona

lov.gifE não é que o outono chegou mesmo? Tá garoando desde cedo e não pára. Falei com Maria-amiga-sueca pelo telefone e ela me disse: “Nossa, está chovendo muuuito”. Hehehe. Ela nunca viu chuva de verão no Rio. O pior é que eu tenho que sair daqui a pouco. Se pudesse ficar em casa não acharia ruim. Ontem juntei uns trocadinhos (muitos trocadinhos) e fui ao cinema. Assisti a “Zozo”, filme do Josef Fares, diretor sueco com raízes no Líbano. É uma versão romanceada da vida dele, a fuga de Beirute em plena guerra no meio dos anos 80, a chegada na Suécia, a adaptação. Morri de rir e chorei também. Gostei muito.

No mais, tudo bem.

A palavra em sueco do dia é regn, chuva.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 12:17

September 13, 2005

She’s gone

Pois é, o capítulo vovó Celia terminou. Ela morreu. Depois de muitos anos (15 ?) se perdendo nos labirintos do Alzheimer, ela finalmente pode deixar as limitações do seu corpo. Recebi a notícia com uma mistura de tristeza, saudade, fatalidade e alívio. Fiquei triste porque minha vó foi tudo pra mim durante muito tempo da minha existência. Sinto saudades de conversar com ela e me recrimino por todas as vezes que briguei com ela, por estar cansada com sua curiosidade sobre a minha vida - o que, paradoxalmente, apesar de me irritar, me causava um sentimento de extrema ternura.

A fatalidade entra no esquema porque eu e minha mãe, que cuidou de minha avó todos esses anos, já sabíamos que o fim estava próximo, apesar de ela estar aparentemente bem e saudável. Fico aliviada em saber que ela está livre, finalmente, das limitações horrendas que essa doença causou na sua vida. Tenho certeza de que a vovó, ou seu espírito, ou sua alma, ou o que quer que seja, está bem lá em cima, reencontrando família, irmãos, amigos. O que resta aqui para mim são partes dela que fazem parte de mim, um gesto, um modo de pensar, uma atitude. Sinto uma tristeza leve, cor-de-rosa (sua cor favorita), pela falta de alguém que amou enormemente e foi amada em retorno.

Valeu, vó! :c)

A palavra em sueco do dia é farväl!, até a vista!

Filed under: Saudade — Maria Fabriani @ 13:00

September 12, 2005

vovo_celia_peq_ram.jpg

Celia Regis Bittencourt Fabriani
29 de julho de 1912 - 09 de setembro de 2005

Filed under: Saudade — Maria Fabriani @ 11:59
Next Page »
 

Bad Behavior has blocked 545 access attempts in the last 7 days.