July 29, 2005

Parabéns, vó!

vovo_celia_peq.jpg

Minha querida vovó Celia.

Hoje é aniversário da minha avó Celia, que está fazendo nada menos do que 93 anos. Vó, parabéns! Te amo MUITO. Um beijo enorme!

A palavra em sueco do dia é mormor [murmur], vovó (do lado da mãe, literalmente “mãe da mãe”).

Filed under: Aniversários — Maria Fabriani @ 07:41

July 28, 2005

Papos na Nigella

Absolutamente fascinada pelo fórum de discussão no site da Nigella, onde pessoas interessadas por comida em geral e tudo o que gira em torno de comida em particular, se encontram. Um dos meus favoritos: monica e seu tópico: “The Bitch is Back”, sobre a irritação com a ignorância dos empacotadores dos supermercados britânicos, que praticam a heresia de colocar na mesma sacola galinha crua e salame. Oh, dear.

Os nomes são outro achado. Dustbunny, Wildrose, Cake eater e, claro, Domestic godess, fazem a festa no meio de muita piada, comentários do dia-a-dia de cada uma e receitas, muitas receitas. Mas tem mais diversão. Natasha g escreve no tópico “Just to be nice”:

“Inspired by Clarebear’s strand about the paella, I was wondering what other people have eaten just to be nice.”

Eu já comi várias vezes apenas para não fazer uma desfeita para a(o) dona(o) da casa. Afinal de contas, que tipo de canceriana seria eu se não tivesse feito isso? :c) (Mas de “canceriana bocó” eu tenho pouco. Me ajudam muito nessa empreitada minha lua em Áries e Urano, localizado na minha primeira casa. Ambos me demovem da necessidade quase patológica de agradar. Afinal, para coroar tudo, meu ascendente é libra! Vai agüentar uma coisa dessas! Thanks god for Aries!)

Sou fã da Nigella já tem tempo. Leia meu primeiro texto sobre ela, aqui.

A palavra em sueco do dia é mat [móót], comida.

Filed under: Cinema e televisão — Maria Fabriani @ 06:37

July 27, 2005

Chatô e o trabalho

Estou me divertindo muitíssimo com o livro do Fernando Morais, “Chatô, rei do Brasil” (obrigada, Ka!). Leio agora sobre a conspiração que envolveu a eleição de 1930, além da revolução, com Chatô apoiando Getúlio Vargas. É muito interessante reafirmar o que nós, soldados-rasos da imprensa brasileira, já sabíamos: o jornalismo brasileiro nasceu de necessidades políticas. Nada mais. Essa coisa de reportar o que acontece, é puro romantismo.

Confesso que sempre fiz pirraça contra esse livro - visto que o estou lendo dez anos depois de seu lançamento! A explicação é simples: a obra era o livro de cabeceira dos meus colegas de turma na ECO, Escola de Comunicação da U.F.R.J., o que me fez, por rebeldia, nunca querer tocar num volume. A galera da ECO, a maioria gente muito boa, era ainda assim fundamentalmente diferente de mim (vários fatores que não vêm ao caso aqui).

Dan.jpg Sve.jpg Dan.jpg Sve.jpg

Mudando de assunto: Li um artigo de opinião no meu jornal de hoje dizendo que a lei sueca de proteção aos empregados, o sonho dourado de qualquer país socialista, está ajudando a enterrar o país numa recessão seríssima. A situação é complicada. É difícil demitir uma pessoa com emprego fixo, o que, aliás, é muito positivo. O problema é quando essa pessoa está de saco cheio de trabalho dela e não tem coragem de pedir demissão porque aí perde todos os direitos trabalhistas, sem contar na dificuldade de encontrar um outro trabalho fixo.

A taxa de desemprego bateu os 5,6% em 2005, o que é muito para um país pequenino como a Suécia. Ninguém contrata, poucos são os que investem. Empresas suecas, como Electrolux, demitem seus trabalhadores aqui e se instalam em países onde a mão-de-obra é mais barata e os impostos menores. O Banco Central sueco, totalmente independente do governo, resolveu baixar ainda mais a taxa de juros para tentar acelerar a economia. Sem muito sucesso.

É grande o número de pessoas que ficam “doentes” por conta dessa paralisia. A palavra está entre aspas porque na verdade as pessoas ficam é deprimidas com a situação que não muda e sentem-se impotentes para alterar sua vida de forma decisiva. Aí é que aparece um fenômeno muito sueco, o chamado sjukskrivning, ou quando a pessoa vai ao médico pedir para ficar em casa por estar “doente”. Essa “doença” pode ser corporal (gripe, perna quebrada etc) ou mental (desânimo, depressão, ansiedade). O problema aqui é que são governo e empregadores que arcam com as despesas desse processo, o que causa um ônus terrível para ambos os lados.

Há uma tentativa dos partidos de esquerda, especialmente o partido verde, de dar um ano livre, durante o qual a pessoa receberia apenas uma parcela de seu salário e poderia tirar folga ou tentar iniciar seu próprio negócio. Nesse meio tempo, o trabalho dela seria feito por um estagiário. Isso ajudaria a quem precisa mudar de ares e também a quem está à margem do mercado de trabalho. Mas esse projeto, assim como tantos outros, é financiado pelo governo, o que limita seu alcance.

Em comparação com o mercado de trabalho do Brasil, o único que conheço, o mercado de trabalho sueco parece um muro altíssimo e intransponível para quem não tem os contatos certos. Quem está dentro do terreno protegido pelo muro, está seguro, mas morre de chatice e depressão - porque mudanças não são admitidas, em nome da segurança! A quem está do lado de fora simplesmente não é permitida a entrada, porque as empresas não estão a fim de pagar impostos exorbitantes ao governo por cada pessoa empregada.

A Dinamarca, país-irmão, tem um mercado de trabalho semelhante ao americano (e ao brasileiro). É mais fácil perder o emprego, mas também muitíssimo mais fácil achar outro. Por outro lado, trata-se de um mundo muito mais selvagem. Quantas são as pessoas com mais de 55 anos que conseguem empregos decentes no Brasil? E nós, imigrantes, como é que ficamos? Sim porque tenho a impressão de que a situação dos imigrantes na Dinamarca não é melhor do que aqui do outro lado do Öresund… Ou será que é?

A palavra em sueco do dia é arbete, trabalho.

Filed under: Europa & Escandinávia,Livros — Maria Fabriani @ 14:01

July 26, 2005

Tra-lá-lá

maluco.gif

A segunda palavra em sueco do dia é galen [góólen], maluco.

Filed under: Pra frente é que se anda — Maria Fabriani @ 21:32

De canivetes e decepções

No primeiro dia em Londres, quando visitamos o London Eye, fomos submetidos a uma revista rigorosa, durante a qual precisamos abrir nossas mochilas (tínhamos chegado de trem para passar a noite) e mostrar tudo o que tinha dentro. Meu urso, sueco até a alma, carregava consigo um canivete, que nunca deixa seus bolsos. Nervosa, disse: “Você deixou o canivete em casa, né?”. A cara de nervoso dele me respondeu mais eloqüentemente do que mil palavras.

O guardinha achou o canivete e disse: “Well, well, well, what do we have here!”, numa voz meio de piada. O resultado é que meu urso acabou tendo que deixar o canivete com o guarda, em troca de um recibo. Essas revistas se repetiriam em todas as atrações da viagem, sempre com o mesmo resultado. Aí, quando voltei pra casa, li no meu jornal uma notinha que me chamou atenção novamente pros canivetes.

A repórter Jane Magnusson também viajara com seu canivete. Só que ela esqueceu de tirá-lo da bagagem de mão. O canivete foi então devidamente confiscado no check in no aeroporto e ela, claro, nunca o viu novamente. (Isso aconteceu comigo também quando voltei do Brasil pra Suécia em 2002, só que ao invés de um canivete, os guardinhas do Galeão enburraram com a minha pinça.)

Mas o mais interessante é que depois do ataque aos EUA em setembro de 2001 as únicas duas empresas fabricantes dos chamados canivetes suíços entraram em seríssimas dificuldades econômicas. Uma delas decretou falência no último mês de abril. A Victorinox parece ainda estar de pé, até porque o exército suíço continua fornecendo a todos os seus soldados um canivete cheio de ferramentinhas.

Aí, Magnusson termina sua pequena notícia com uma conclusão controversa: “O que é interessante, no entanto, é que o terrorismo nesse caso acabou por levar à [utilização e fabricação] de menos armas”. Eu, particularmente, prefereria um mundo cheio de canivetes e com menos extremistas de todos os calibres, raças e religiões.

É muito engraçada essa coisa de decepção. Sem perceber, construí uma persona aqui, através dos textos que escrevo no Montanha e isso, incrivelmente, está trabalhando ao meu desfavor. Fico até com a sensação de que não posso escrever o que quero, mas apenas o que vocês acham que eu devo, o que fica “bem” para mim, escrever. Olha, isso eu não faço não, tá? E tem mais: só se decepciona quem idealiza. Pés no chão, camaradas! E vamos em frente.

A expressão em sueco do dia é Strunta i det!, Deixa pra lá!

Filed under: Europa & Escandinávia,Irritação e ironia — Maria Fabriani @ 10:57

July 25, 2005

Hohoho

Iwin.jpg

:cD

a segunda palavra em sueco do dia é slut, fim.

Filed under: Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 19:47

Triste

Ainda estou penalizada pelo que aconteceu a Jean Charles de Menezes, o eletricista que morreu por engano em Londres. Tive pena porque, ao que parece, ele era uma pessoa de bem, trabalhador, com seus papéis em ordem. Ao mesmo tempo, no entanto, fico dividida em meio a razão e a emoção.

Instintivamente, sinto raiva da polícia britânica, que não foi capaz de fazer diferença entre um terrorista e um trabalhador. Mas, por outro lado, compreendo a decisão dos britânicos de atirar na cabeça, pra matar. Isso faz parte das novas direitrizes anti-terrorismo adotadas depois dos atentados de 7 e 21 de julho.

Jean Charles tinha tudo contra si: era evidentemente não-britânico; usava roupas demais pro verão inglês; morava numa região meio barra-pesada; não parou quando a polícia mandou; e teve ainda o azar de resolver correr em direção a uma estação de metrô, o alvo favorito dos terroristas, quando a decisão certa teria sido parar.

Vou escrever aqui pra deixar bem claro minha posição: lamento o ocorrido, mas acho que a polícia fez o que devia. Estive em Londres, vi como as coisas estavam tensas. Não é fácil compreender um ato selvagem desses - nem o dos terroristas nem muito menos o da polícia que, concordo, deveria ter tido mais sangue-frio. Mesmo assim, defendo meu ponto de vista lembrando da sensação de nervoso que senti andando de metrô pra cima e pra baixo.

Foi realmente lamentável o que aconteceu com o pobre do eletricista, mas olhando racionalmente, a polícia cumpriu o seu dever. Erradamente, claro, mas cumpriu.

Mas, não é apenas isso que me deixa dividida nessa história toda. Uma coisa que me deixou reticente foi o fato de o governo brasileiro ter “pedido explicações” sobre o acontecido à polícia britânica. A razão para minha irritação? Reproduzo o post da Bia Badaud:

O governo brasileiro vai pedir satisfações ao governo inglês a respeito do brasileiro morto ‘por engano’ pela polícia inglesa.

E os milhares de brasileiros inocentes mortos pela polícia brasileira, aqui no Brasil? Comé que vai ficar?

Discussão nos comentários. Mas, por favor, make sure that the brain is in gear before engaging the mouth - and mind the gap!

A palavra em sueco do dia é orättvisa [urétvíísa], injustiça.

Filed under: Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 10:40

July 24, 2005

Engenharia genética

Os primeiros indícios apareceram na Inglaterra, onde enfrentamos 30 graus e eu achei que ia morrer. Mas hoje confirmei: com toda a certeza, meu DNA mudou. Acabamos de chegar em casa depois de sair para comprar algumas coisas no supermercado. Está garoando, 13 graus. Eu, de jeans e camiseta, achei a temperatura uma delícia.

A palavra em sueco do dia é mutant, mutante.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 15:34

July 23, 2005

Vitriolica

Já tinha que ter saído de casa há horas, mas chove muito no reino de Carlos Gustavo e Sílvia. Paciência. Não há de ser nada. Santo Júpiter há de prover. Vamos em frente. Olha o que descobri num passeio na BBC:

jar_unkemptwomen_blogspot.com

Inglesa, ilustradora, blogger, vivendo atualmente em Portugal. Politicamente incorreta e deliciosamente talentosa. Fiquei morrendo de raiva de algumas coisas que ela escreveu lá, o que meio que me tirou o tesão, mas, me rendo, as ilustrações são ótimas. Vai ver que sou eu que não captei o humor da figura.

A palavra em sueco do dia é burk, pote, jarra.

Filed under: Variedades — Maria Fabriani @ 12:07

July 22, 2005

Quebrando a cabeça

Sou uma criatura de poucos vícios. Tirando chocolate, que evito antes das seis da tarde para me manter civilizada, nada me tenta mais do que o normal. Mas aí, a gente inventa de ir visitar uma amiga querida na Inglaterra, um país que está sendo conquistado por uma febre irreversível: o quebra-cabeça japonês SuDoKu - e me vejo completamente bouleversé.

Sudoku.gifMuitas vezes, enquanto andávamos de metrô e eu tentava me acalmar olhando para os tranqüilos cockneys lendo seus livros, indiferentes à ameaça de bombas e atentados, via muitas pessoas de caneta na mão, concentradíssimos, a rabiscar incansavelmente em pedaços de jornal.

Um dia, ao meu lado no metrô, uma senhora passou os 20 minutos da viagem debruçada sobre num diagrama quadrado, formado por 81 quadradinhos, onde podia-se ver alguns números já pré-impressos. Fiquei fascinada com aquilo. Numa visita à Borders de Bournemouth, vi que existiam até livros sobre o quebra-cabeça. E há também uma home page oficial, que fica em www.sudoku.com (em inglês).

O SuDoKu é um jogo feito de números, cujo objetivo é colocar números de 1 a 9 em cada quadradinho do quebra-cabeça, sendo que não se pode repetir números na horizontal, nem na vertical, nem no quadrado interior, formado por nove quadradinhos. O jogo é simplérrimo (mas difícil de explicar, como repararam pela tentativa acima). Não é necessário conhecimento matemático, mas paciência e pensamento lógico - o que por si só já pode ser bem difícil de se alcançar.

Eu ainda sou um fracasso total. Vivo errando alguma coisa e meus números sempre se enbolam. Meu urso é mais bem-sucedido, mas eu não falo nada senão ele fica impossivelmente convencido. :c) Mas é divertido mesmo tentar descobrir onde a sua escolha deu errado, até porque todos os quadradinhos são interligados e interagem (o que faz do SuDoKu um jogo filosófico). Já existe SuDoKu na Suécia, nos jornais mais populares. Mas a febre ainda não conquistou espaço na alma nativa, totalmente devota às palavras-cruzadas.

Leia na Wikipedia a explicação do SuDoKu em português.

A palavra em sueco do dia é mani, mania.

Filed under: Variedades — Maria Fabriani @ 11:38
Next Page »
 

Bad Behavior has blocked 1052 access attempts in the last 7 days.