Notícias do mundo virtual na Suécia
Blog :: Está a maior discussão sobre o fenômeno dos blogs, que só agora explodiu por aqui. Todos os jornais lançaram diários online de jornalistas cobrindo eventos especiais (festivais de música, shows, eventos esportivos, feminismo e dia-a-dia politico), o que, segundo os críticos, é uma chatice sem fim. “O mainstream da mídia ocupou mais um espaço editorial”, dizem uns. Colunas e artigos nos cadernos de cultura consideram o fenômeno dos blogs como um acontecimento inevitável - e nem sempre bem-vindo.
O último artigo que li a respeito foi escrito pelo jornalista Ola Larsmo, no jornal que assino. Ele desfia seu desgosto para com os blogs e cita até o filósofo e crítico teórico alemão Jürgen Habermas. Larsmo escreve que as novas mídias digitais mudam as circunstâncias para o que Habermas descreveu como a “esfera pública” e a “esfera privada”. Uhm, eu concordo. Mas será que isso é necessariamente algo negativo?
Tudo bem que o tablóide mais vendido do país exagerou e botou um reporter pra escrever um blog sobre seu desejo de parar de fumar. O deadline para o último cigarro seria dia 1 de junho. Não sei se ele conseguiu - achei o blog tão chato que deixei de ler. Mas a coisa era séria. O jornal lançou inclusive uma campanha para que os leitores também parassem de fumar (o que não é nada ruim). Eu acho engraçada essa discussão, apesar de ter uma visão muito pessoal do fenômeno bloguístico. Pra mim, blog é sinônimo de interação e, na maioria das vezes, prazer. Não uma exibição de poder.
Música :: A Suécia criminalizou a troca de música online. A partir de amanhã é formalmente proibido baixar e trocar música e filmes pela Internet. A lei, discutidíssima aqui, encontra muita resistência. Os serviços de armazenamento de arquivos criticam os métodos de combate ao “crime”, que envolvem blitzes e apreensão de servidores. Os usuários dizem que a lei serve apenas aos interesses das grandes gravadoras, que perdem grana com quem deixa de comprar o CD ou o DVD por ter acesso ao arquivo de graça, pela Internet.
A polêmica atingiu até o ministro da justiça, Thomas Bodström. Ele defende a lei, claro, mas juristas afirmam que a lei é ilegal. Isso porque está lá no texto que os pequenos usuários que tiverem baixado músicas e filmes online podem ser presos. O problema é que eles seriam localizados e identificados com a ajuda do número do seu IP, que funciona como uma espécie de identidade do computador. Acontece que esse número de IP é considerado um personuppgift, uma informação pessoal, cujo acesso é regulado por uma outra lei, que não permite o uso de informações pessoais para esse fim.
Nessa confusão jurídica, todo mundo continua baixando horrores, pirateando tudo quanto é filme e espalhando pela Web. A arma das gravadoras e dos estúdios de cinema é o chamado Spoofing: arquivos aparentemente genuínos mas que não contêm música ou filme são lançados nos servidores mais acessados. Em minutos, os arquivos se espalham pelo mundo todo. A gravadora da Madonna lançou uma série de arquivos fantasmas juntamente com o lançamento do último disco da cantora. Quando o usuário abria o arquivo, lá vem a voz da Madonna dizendo: “What the hell do you think you’re doing???”. Hohoho. Acho esse até mais legal do que as últimas músicas dela.
A palavra em sueco do dia é frihet [frirret], liberdade.

A segunda palavra em sueco do dia é mål [môôl], gol.
Pois ontem li uma notícia que me chamou a atenção: Sandra Backlund (foto), uma moça sueca de 27 anos que estuda para se tornar cientista política (statsvetare) na Universidade de Estocolmo, resolveu radicalizar e mudar seu sobrenome - eminentemente sueco - para Baqirjazhid, que ela criou com a ajuda da Internet. “Trata-se de uma ação política”, diz ela. “Pra mim é importante que todos os que se candidatam a um emprego compitam nas mesmas condições. As pessoas não são chamadas para entrevistas de emprego apenas por ter um sobrenome estranho. Isso mostra o quão bizarra é a base de dicisão de quem é empregador. [O nome] não diz nada sobre qual a formação acadêmica ou a experiência que a pessoa tem.”
A palavra em sueco do dia é Irritation, irritação.
Você sabe quando o seu companheiro chegou a um ponto crítico em sua obsessão pelo 

