May 31, 2005

Filmes, livros, blog e coluna

No sábado fomos assistir a “Star Wars III - Revenge of the Sith”, e adoramos. Eu AMO todos os filmes, especialmente os três primeiros. Mas sabe que esse é quase tão bom quanto os feitos nos anos 70/80? A-do-re-i.

Terminei de ler o livro do Leif GW Persson. Bacana, mas sem muitas surpresas. Pra quem me lê da Suécia e adjacências sabe que o Leif GW Persson är professor de criminologia, superrespeitado no meio policial e é até uma personalidade da TV. Ele faz parte do programa “Efterlyst”, que caça ladrões e gente ruim de todos os tipos com a ajuda das pistas dos telespectadores.

O último livro que me surpreendeu completamente foi “Shutter Island”, de Dennis Lehane (que li em sueco, com o título “Patient 67”). Espetacular.

Teve uma pessoa que me perguntou, nos comentários do post abaixo, sobre os “saami” - povo que habita partes do norte de Noruega, Suécia, Finlândia e Rússia. Assim que a poeira baixar (estou no meio do processo final do semestre na faculdade), escreverei sobre isso, ok?

Tem coluna nova! Sobre medo de morrer e… celulares.

Filed under: Cinema e televisão,Livros — Maria Fabriani @ 10:16

May 25, 2005

Relatório da Anistia Internacional

In March, after considering Sweden’s 15th and 16th periodic reports under the UN Convention against Racism, the Committee on the Elimination of Racial Discrimination adopted its Concluding Observations. Among the Committee’s concerns were the lack of statistical data on the ethnic composition of the population; reports that few hate crimes led to prosecutions and that relevant legislation was not applied; difficulties faced by a large part of the Roma community in areas such as employment, education and housing; unresolved issues relating to Sami land rights; persistent discrimination against immigrants in relation to social and economic rights; and the possibility of expulsions without a right of appeal under the Special Control of Foreigners Act.

Mais, aqui.

Filed under: Europa & Escandinávia,Vida de imigrante — Maria Fabriani @ 17:49

Insight

Cada vez mais tenho a impressão de que me mudei pra Argentina da Escandinávia.

Filed under: Vida de imigrante — Maria Fabriani @ 10:14

May 24, 2005

Que sono!

Acordei quase às 11 da manhã hoje, o que é raridade. Acho que a última vez que dormi até tão tarde ainda era adolescente… Mas, estava tão cansada ontem (fisica e emocionalmente) que acho que precisei desse descanso. Continuo meio zonza e acho difícil acreditar que já são mais de quatro da tarde. Cadê o dia de hoje que eu não vi passar? Meu urso, que está de folga por ter trabalhado no final de semana, me acordou pra mostrar que uma carta que escrevi pra editoria de opinião do meu jornal foi publicada hoje. Por tanto, se você mora na Suécia, pode ler em sueco (e estiver interessado, óbvio), veja o Dagens Nyheter de hoje. As cartas não aparecem online, sorry, folks. Tem uma família de passarinhos que mora no teto da nossa pequena varandinha. O macho, muito pomposo, canta que é uma beleza. :c)

Sobre o lance da Embratel (Valeu pela dica, Lia!). Então, obrigada a todos vocês que deixaram comentários ontem com a dica da Embratel, cujos serviços eu tentei usar, mas não consegui. Liguei para 020 79 90 55, que é o número da Embratel em Estocolmo e segui as instruções da voz automática. Mas, quando digitei o telefone do meu pai, a voz me informou que o número não era válido. Digitei, na primeira tentativa, 21 + telefone do meu pai e não consegui, número inválido. Na segunda tentativa, coloquei um zero na frente do código de área, mas o número ainda não era “válido”. Na terceira tentativa requisitei ajuda de um humano, mas a ligação caiu. Aí, desisti. Como estava cansada e aflita pra falar com meu irmão, liguei com a linha de telefone fornecida pela nossa empresa de banda larga. Paguei apenas 0.89 öre (centavos daqui) por minuto, o que é uma pechincha. O que será que eu fiz errado?

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 16:39

May 23, 2005

Feliz Aniversário, Carlos!

Hoje é aniversário do meu irmão, Carlos, que está fazendo 14 anos. Parabéns, meu irmão! Nos falamos mais tarde. (Eu sei, eu sei, a foto é beeeem antiga. Mas tenho duas razões de tê-la publicado: primeiro porque o scanner aqui de casa pifou e segundo porque eu ADORO essa sua foto linda).

Update => Dia muito cheio e emocionante: eu e meu urso fizemos uma pequena feijoada para os tios dele que vão ao Brasil em dezembro. Tudo saiu como planejado e eles adoraram o feijão. No final, vimos minhas fotos do Rio. Às dez da noite liguei pro meu irmão e consegui não chorar, apesar do aperto no coração. Sei que escrever isso parece clichê, mas escrevo aqui a sensação literal que tive há pouco, um peso no meio do peito, uma saudade monumental. Difícil de controlar, mas eu consegui não chorar.

Aí, pra completar a noite, fui ver a entraga do Polar Priset ao Gilberto Gil. Festa linda, cheia de gente vestida em smoking e longos, inclusive o Rei, a Rainha (que cantarolou uma música do Jorge Benjor e conversou a noite toda com o Gil em português) e a princesa coroada. Teve também show de Lisa Nilsson e Håkan Hellström, artistas suecos ligados ao Brasil e que cantaram em português. Aí, quando Lisa Nilsson e Simone Moreno cantaram “Aquele abraço” e “Andar com fé”, eu não aguentei. Chorei. Tô chorando até agora. Pelas escolhas que fiz, pelas felicidades novas, mas também pela ausência de outras.

“Andá com fé eu vou, que a fé não costuma falhá”.

Comecei a assistir a um documentário suíço sobre a Maria Bethania, que gravei ontem, mas não consegui terminar de ver. Preciso dar um tempo na emoção. Acho que vou assistir à CSI New York (que também gravei enquanto os tios de meu urso estavam aqui em casa) pra ver se durmo melhor. Assassinato (de mentirinha) é muito melhor do que saudade (de verdade).

Liguei para a nossa operadora de telefonia, que é a maior do país (e mais comum) pra saber como fazer para ligar a cobrar pro Brasil (num oferecimento Telepapai). Qual não foi a minha surpresa quando fui informada que o serviço de ligações a cobrar foi desativado em setembro de 2004. Isso mesmo: se você mora ou está visitando a Suécia num precisa nem tentar ligar a cobrar porque você não vai conseguir. Esse serviço não existe mais aqui.

Estou boba até agora. Perguntei pra menininha do serviço do consumidor se eu morava em Uganda ao invés de um dos países mais desenvolvidos do mundo. Ela ficou muda, sem saber o que dizer. Se bem que, por outro lado, posso até tentar compreender essa loucura. Aqui telefonia é coisa tão banal, parte normal das despesas do lar nativo, que tenho a impressão que os suecos não têm necessidade de ligar a cobrar. Talvez eles sejam ricos demais pra precisar disso. Será?

Filed under: Aniversários,Música — Maria Fabriani @ 07:49

May 22, 2005

Mãe Dinah

Tô pensando em começar a anunciar meus serviços de consultoria. Mas se não der certo, posso tentar ser vidente. Sim, a Grécia ganhou o Melodifestivalen e eu acho que foi certíssimo. Música boa (My Number One), intérprete fantástica, show muito bom. A Suécia, cuja música ficou em décimo nono lugar e no ano que vem vai ter que lutar por um lugar na final, contribuiu pra vitória de Helena Paparizou dando seus 12 pontos (máximo possível) à cantora.

Fotos!

Update: Claro que tive que explicar ao meu urso o que “Mãe Dinah” quer dizer em português, além do siginificado literal. Quando fui traduzir “vidente”, a melhor palavra que pude encontrar no meu vocabulário de sueco foi spökärring, que quer dizer mais ou menos “mulher velha espancadora”. Meu urso ainda está aqui do meu lado, às gargalhadas. Claro, sueco é assim mesmo. Uma escorregadela em uma vogalzinha, um som fora de tom e pronto: tudo errado. A palavra que estava procurando era spåkärring… Uhrrmmm, ok, piadinha sem muita graça pra quem não entende ou fala sueco (ou pra quem nunca sofreu pra aprender gíria num idioma estrangeiro). Mas, vá lá.

Filed under: Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 00:45

May 21, 2005

Direitos humanos num sábado morno

No dia de hoje, um ano atrás, escrevi sobre a vergonhosa retirada dos egípcios Ahmed Agiza e Muhammed Al Zery do solo sueco por agentes da CIA com a benção do departamento de estado local. Pois ontem o rádio, a TV e os jornais daqui noticiaram que o comitê anti-tortura das Nações Unidas condenou a Suécia na questão Agiza-Al Zery. O comitê acusa a Suécia de ter violado a convenção contra a tortura, criada e defendida pelas Nações Unidas.

O problema é que a Suécia escolheu acreditar na promessa do governo egípcio de que Agiza e Al Zery não seriam torturados, mesmo sabendo que tortura é método recorrente nas prisões do país, ainda mais depois de 11 de setembro 2001. Essa “ingenuidade” sueca, que muitos preferem chamar de uma vontade de fechar os olhos aos direitos humanos para fazer a vontade dos EUA, é que influenciou o julgamento do comitê. O Human Rights Watch vai um passo adiante e diz abertamente num estudo que o governo sueco estava plenamente consciente de que Agiza e Al Zery seriam torturados e ainda assim liberou o transporte dos dois para fora do país.

Mudando de assunto. Sem a menor vontade de fazer nada. NA-DA. Meu urso viajou a trabalho de manhã cedinho. Ele me acordou pra dizer tchau mas eu estava tão zonza de sono que não consegui dizer nada. O bom é que consegui dormir novamente. Ele acabou de passar aqui em casa pra me dar um beijinho e se mandou novamente. Dei meus chicletes de morango pra ele, que não gosta de mastigar coisa alguma a não ser comida, mas estava com a boca seca de tanto falar. O tempo também não ajuda. Tudo bem que tá 16 graus mas e o vento? Pra quê? Pelo menos não está chovendo. Alltid något.

Acabei de ler o Håkan Nesser e gostei muito, apesar de ter sacado um lance vital no complô no meio do livro - e ter meio que estragado o resto. Só se fala do Melodifestivalen. Que a Suécia vai perder feio, que vai ter de entrar no qualifying no ano que vem etc. Eu acredito que a Grécia ainda tem as maiores chances, mas os noruegueses estão ganhando espaço e devem receber a maioria dos votos suecos. Isso porque os países não podem votar em suas próprias músicas, mas apenas em outras. Vizinho vota em vizinho, compreende? Suecos sempre votam por noruegueses e vice-versa. (Mais uma vez: imagina se o Brasil votaria pela Argentina? Nunquinha da Silva Sauro).

Filed under: Europa & Escandinávia,Vidinha — Maria Fabriani @ 15:42

May 20, 2005

Maçã

bot128698.jpgVocê sabia que maçãs soltam uma substância um gás chamado etilênio etileno que apressa a maturidade de outras frutas como bananas e pêras, por exemplo? Não devemos armazenar maçãs junto a vegetais, mas se quisermos que outras frutas amadureçam mais rápido, basta colocar uma maçã no meio delas.

Eu adoro maçãs.

Filed under: Variedades — Maria Fabriani @ 14:54

May 19, 2005

Mais música

Hoje é a semi-final do festival de música Eurovision (aqui chamado de Melodifestivalen). Na noite de hoje competem 25 países por um lugar na final. Os dez países que receberem mais votos seguem para a final, no sábado. E se lembra que eu escrevi logo ali em baixo que a Noruega era imprestável em festival de música? Pois é, engulo minhas palavras. A música com que o país concorre esse ano é um sarro de engraçada. O grupo, chamado Wig Wam (veja foto acima), é uma mistura do Kiss com o Scorpions, só pra cês terem uma idéia (se lembram da língua do Gene Simmons?).

01_sweden01_050517.gifEm comparação, a Suécia já está classificada pra final e não precisa participar desse qualifying, mas os especialistas dizem que Martin Stenmark (o lindinho do meio na foto ao lado), defensor das cores nativas, não tem uma chance sequer. Eu concordo. Vocês que vêm sempre aqui sabem que eu me irritei muito com a música vencedora da eliminatória sueca. O vencedor, bonitinho que só ele, delivers, mas a música é ri-dí-cu-la. Quer ver o vídeo da música, gravado, claro, em Las Vegas? Clica aqui. Vê e depois me explica, se puder, a razão da existência daquele coelhinho branco no vídeo.

Pra variar, o festival de música virou um evento político (leia mais sobre isso aqui). E calhou de ser na Ucrânia, onde uma revolução pacífica derrotou no ano passado um dos últimos presidentes remanescentes da antiga União Soviética. A música que defenderá o país, incluive, é um rock-hip hop revolucionário. Mas o presidente ucraniano, Viktor Jusjtjenko, mesmo tendo sido eleito democraticamente e dizendo representar um novo tempo, queria recorrer a um artifício tipicamente soviético para inaugurar os trabalhos: fazer um discurso na abertura do evento principal, o que foi devidamente vetado pela direção do festival, que, aliás, é sueca.

E quem vai ganhar, perguntam-me vocês, em insustentável agonia. Do alto dos meus dois anos de experiência em festivais europeus de música, afirmo que a vencedora será a Grécia, cuja música é defendida pela lindíssima sueco-grega Helena Paparizou (ela nasceu e foi criada na Suécia, de pais gregos).

Filed under: Europa & Escandinávia,Música — Maria Fabriani @ 10:01

May 18, 2005

Ópera

Eu adoro música. Gosto de vários estilos, dos clássicos dos anos 70 e 80, R&B, samba (não-pagode) e, claro, MPB. Gosto também de ópera e de clássicos (Adagio de Albignoni é um dos meus favoritos, apesar de ser meio deprê, e entre as árias, Nessun Dorma, cantada durante o Turandot de Puccini). Sim, eu gosto de ópera. Cresci ouvindo “A Flauta Mágica” de Mozart e incontáveis árias interpretadas por Maria Callas (foto ao lado - pra mim ela é única, não tem pra ninguém).

Meus pais sempre tiveram muito bom-gosto no que diz respeito a música. Meu pai é mais pro jazz, Chet Baker, Miles Davis etc. Minha mãe sempre gostou de ópera. Me lembro inclusive que tivemos de devolver um canário que compramos porque o passarinho cantava enlouquecidamente, numa espécie de competição com as sopranos todas as vezes que mamãe escutava seus discos nas manhãs de sábado e domingo na nossa casa de vila em Botafogo.

Ainda no Santo Inácio (colégio carioca) onde passei dez anos da minha vida, comecei a cantar no coral. Me lembro que não conhecia ninguém muito bem, mas incentivada por vovó, acabei indo. Eu tinha uns 11, 12 anos. No primeiro dia assisti à aula de fora, antes de fazer um teste pra determinar se era primeira, segunda ou terceira voz (acabei sendo primeira voz, mais fininha, tipo soprano, o que apenas mostra como a professora era incompetente).

Antes, o coral ia apresentar uma música. Conhecia de vista uma menina magrinha que já fazia parte do coral e fiquei surpresa por vê-la ali. O nome dela era Elisabeth e ela tinha uma voz meio débil, muito infantil. Nunca me esqueço que quando ela abriu a boca pra cantar - como solista - eu quase chorei de emoção. Que voz, que força!

Me lembro nitidamente que fiquei envergonhada de ter ficado tão emocionada. Não consegui entender o porquê daquela emoção que apareceu no meio do meu estômago, assim que a Beth começou a cantar. Fiquei tão envergonhada que não me lembro da música que ela cantou… e olha que eu sei cantar até hoje as músicas que aprendi no coral, até mesmo uma cantiga de ninar em alemão (oh!).

Um domingo bobo desses estava zapeando pelos canais de TV e dei de cara com um programa do estilo “Idol”, só que ligado à ópera. Os candidatos tinham de cantar na frente de especialistas e o vencedor ganharia um papel numa ópera a ser encenada em Londres. Apesar de não gostar de reality shows, não consegui deixar de assistir.

Estudantes, executivas, professoras, assistentes sociais, agentes de turismo, todos se submeteram ao treinamento duro e se saíram muito bem. Mas a melhor de todas foi Jane Gilchrist, que até antes de participar do show era caixa de supermercado. Vi no site do Channel 4 que ela ganhou o concurso juntamente com uma outra concorrente.

Que voz! Minhanossasenhora. Não sou educada o suficiente in those matters pra entender de acordes, sutilezas musicais ou que tais. Sou daquelas que sabe apenas apreciar algo bom. Meu gosto é, antes de tudo, instintivo. Por isso mesmo acho ópera o maior barato, porque na verdade, o interessante não são apenas os dó de peito de sopranos, tenores e contraltos, mas antes de mais nada, como esses artistas cantam - a emoção depositada em cada sílaba. Acho que o que me atrai em ópera no final das contas é o excesso, a falta de limites.

Quando vi e ouvi essa Jane Gilchrist cantando fiquei muito emocionada. E o melhor é que ela sempre quis cantar, mas acabou se casando cedo, tendo filhos etc e o sonho foi deixado de lado. E eu adoro quando sonhos se tornam realidade. A-D-O-R-O.

Já escrevi sobre ópera aqui.

Filed under: De bem com a vida,Música — Maria Fabriani @ 15:35
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