March 25, 2005

Pausa

Estou de férias. Logo logo voltaremos à programação normal. Obrigada pelos cartões e boa páscoa a todos. Beijo, desligo.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 18:32

March 21, 2005

Consolo

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Quando eu era criança minha avó Celia me levava sempre à praia à tarde, depois que o pior do calor tinha passado. Ela sentava num banco no calçadão e eu ia brincar na areia. Essa é uma das memórias mais felizes da minha infância. Eu fazia castelos de areia com areia molhada, cavava buracos, molhava os pés no mar, dava estrelas na areia e trabalhava como gandula pros jogos de vôlei de marmanjos e moçoilas.

Além disso, me lembro que uma das coisas que mais adorava fazer era quebrar as “pedras” de areia espalhadas pela parte mais quente da praia, geralmente longe do mar e perto do calçadão. Na verdade não eram pedras, mas pequenos e macios ajuntamentos de areia em forma de pedra. Me lembro que quando as esfarelava, podia sentir o calor da areia da parte interna do ajuntamento.

A neve também forma as mesmas “pedras” macias, com neve esfarelenta e meio molhada. Só que agora ao invés de esfarelar com a mão ou com a sola do pé, o faço com a minha botina super reforçada. O efeito é o mesmo e a sensação quase a mesma. Me serve de consolo. E eu, marmanjona de 33 anos, saio por aí, pisando e esfarelando pedrinhas de neve pelas ruas de Umeå. :c)

Filed under: Saudade — Maria Fabriani @ 15:52

March 20, 2005

Honra

jorden_maior.jpgPassei o dia de ontem num workshop promovido pelo BRIS, onde trabalho como voluntária. O tema do workshop era violência baseada em código de honra, o chamado Hedersrelateradvåld, que aqui na Suécia acontece geralmente em famílias de origem Kurda (partes da Turquia, do Iraque, do Irã etc). A palestrante, Hanna Cinthio, é sueca e inteligentérrrrrrrima. Ela é expert no Oriente Médio, fala árabe fluentemente, tem vários exames universitários ligados à região e anos de experiência local. Ela morou na Jordânia e nos territórios palestinos por muitos anos e é até casada com um palestino.

Uma das coisas mais interessantes que Hanna explicou é a estrutura da sociedade árabe, essencialmente coletivista, cuja menor unidade social é a família. Em sociedades individualistas, como a sueca, a menor unidade social é o indivíduo, a família não tem tanta importância. Até porque, o sistema de well faire daqui garante ao inidivíduo a possibilidade de não depender de nenhum familiar para sobreviver, o que não acontece em países da cultura árabe e do terceiro mundo. O estado é também menos importante; os problemas são resolvidos entre as famílias, onde o código de honra é importantíssimo.

E aquela história de que a cultura árabe (e dos países de terceiro mundo) seria inferior por ser baseada num sistema patriarcal? Hanna botou todo mundo pra pensar quando perguntou: “Onde no mundo inteiro há um sistema de governo ou politico-social que não seja patriarcal?” E, de fato, é a mais pura (e amarga) verdade. Seja rico ou pobre, burro ou inteligente, se tem uma coisa que une todos os povos da face da terra é que o poder é exercido por homens que estabelecem leis e criam sistemas baseados em suas próprias normas. O resto precisa se adaptar para poder sobreviver (foi interessante ver as caras dos suecos, que se acham o suprasumo da “igualdade”, nessa hora).

jorden.jpgMais legal ainda foi quando Hanna disse que o código de honra se fortaleceu quando os nômades começaram a possuir terras. De repente, passou a ser de suma importância estabelecer quem é pai de quem e quem vai se casar com quem. Foi nessa época que a sexualidade feminina começou a ser limitada e vigiada. O casamento, aliás, foi e ainda é um acontecimento eminentemente pragmático. E aí a gente pensa: “Nossa, mas esses árabes são uns bárbaros!” Bom, se olharmos pra história européia (e brasileira por conseqüência) veremos comportamentos muito semelhantes, casamentos arranjados para garantir a sobrevivência de fazendas e de negócios.

Outro dia estava lendo jornal e vi uma coisa que me fez pensar. Os jornais suecos têm uma seção de “Família” que é lidíssima (paradoxal, não é?) onde, entre outras coisas, comemora-se aniversários (geralmente números redondos, 30, 40, 50…) com uma pequena matéria sobre o aniversariante. Ao lado, há sempre uma tabela informativa, com nome, idade e coisas variadas como livros, hobbies etc. Uma dessas perguntas é “Família”. Um rapaz que estava comemorando seus 30 anos, respondeu assim: “Minha namorada, fulana”. Aí eu pensei: puxa vida, e a mãe e o pai do cara? E os avós? E os irmãos?

Meu urso riu das minhas perguntas e disse que ele iria responder assim:
Nome: Stefan
Família: Sim

E eu: “Poxa, mas nem a mim você ia citar????” :c)

Filed under: Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 11:49

March 17, 2005

Neve, cromossomos e o resto

Neva sem parar há dois dias. De primavera, nem um cheiro. Mas, apesar de ainda estar tudo muito frio e muito branco, devo dizer que adoro acordar de manhã, abrir a persiana e ver a neve cair. É meio mágico (mesmo depois de quase quatro anos de centímetros e mais centímetros de neve).

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E da série gastaram-milhões-em-pesquisa-pra-descobrir-o-óbvio: Cientistas decifram cromossomo que explica diferença entre sexos e estabelecem que as mulheres são mais complicadas do que os homens (Dããããããã).

“O cromossomo X é definitivamente o mais extraordinário no genoma humano em termos de seus padrões hereditários, de sua biologia única e da sua associação com doenças humanas”, disse Mark Ross, do Instituto Wellcome Trust Sanger, da Grã-Bretanha, que liderou o consórcio. Os cromossomos, que são encontrados no núcleo de cada célula, contêm os genes que determinam as características de um indivíduo. As mulheres têm dois cromossomos X, enquanto os homens têm um X e um Y.

A pesquisa, divulgada pela revista “Nature”, mostra que o Y é uma versão “desgastada” do cromossomo X, com apenas alguns genes. O cromossomo X também é maior que o Y e, pelo fato de as mulheres possuírem dois deles, um dos X é, em grande parte, inativo. O grau de inatividade do segundo cromossomo X varia muito de mulher para mulher.” (Reuters, copiado do Globon e da Alê)

Hahaha, ok, piadinha óbvia, mas pô, a gente merece: o cromossomo Y, que determina o sexo masculino, é a versão “desgastada” do cromossomo X, que determina o sexo feminino. Hahahahahahahaha. E mais: imagina ativar esse cromossomo X adormecido? Nossa, não ia sobrar pra ninguém.

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Conversa com uma conhecida:
Ela: E aí, continuas firme e forte?
Eu: Tô mais pra mole e fraca, mas eu continuo.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 13:33

March 16, 2005

Trabalho e lazer

Estou exausta. Minha camarada de curso Elin acabou de sair aqui de casa depois de mais de quatro horas de trabalho, durante os quais consumimos litros de café e devoramos meio bolinho pão-de-ló (que era pequenininho mesmo). Estamos trabalhando juntas nesse curso de qualidade e avaliação e escrevendo a prova final, que é um plano para se fazer uma avaliação (utvärdering ou utredning). Não faremos a avaliação, mas temos que planejar tudo, desde escolher o objeto de nossa pesquisa (escolhemos uma clínica de tratamento de crianças com deficiência de atenção) até escrever um plano de entrevistas, enquetes, perguntas, objetivos etc etc etc. Haja paciência, mas é interessante.

Terminei ontem de ler “Blonde” de Joyce Carol Oates. Gostei mas achei o livro longo demais (quase 900 páginas), ainda mais sendo a autora tão intensa o tempo todo. Coincidentemente assisti ontem a uma entrevista com a escritora americana na TV e confirmei o que já suspeitava: ela só escreve sobre mulheres que tenham sido vítimas de injustiças variadas. O último livro dela a ser lançado aqui, “Rape: a lovestory”, que é ficção, trata exatamente da problemática da violência sexual, com a culpa sendo colocada na vítima (que usou saia muito curta, que bebeu demais, que tem uma vida sexual ativa demais etc) e não no vilão. Oates diz até que a mulher que tem coragem de dar queixa da violência que sofreu é vítima de um segundo estupro, realizado pelo establishment que simplesmente se nega a acreditar na versão dela.

E agora, só pra aliviar, comecei a ler o “How To Lose Friends And Alienate People”, do inglês Toby Young. Ele foi repórter da Vanity Fair em Nova York e conta no livro seus dias de glamour e decadência na capital do mundo. Ainda estou no início e ele já está quase entrando de penetra numa efterparty da entrega do Oscar. Uma leitura dessas é engraçada porque mostra o lado podre dos nossos “ídolos” (Tom Cruise é um babaca mesmo, né?) e nos faz rir. (Imagino que esteja precisando ler alguma coisa inspiracional depois desse show de cinismo inglês, mas sabe do que mais? Não tô a fim. Comecei a ler um livro sobre boas energias - supostamente coisa séria - e simplesmente não consegui passar da primeira página. Achei tudo uma babaquice sem fim).

Filed under: Livros,Universidade — Maria Fabriani @ 16:51

March 15, 2005

Usch

Não é mole não.
It’s not easy.
Det är inte lätt.
C’est pas facile.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 20:58

March 14, 2005

Avaliações, avaliações, avaliações

E hoje começamos mais um curso: “Qualidade e Avaliação” (Kvalitet och Utvärdering), que durará duas semanas. Isso, mesmo, você leu certo, apenas duas semanas. Mas isso não impede que os professores aloprados viagem na maionese sueca. É incrível, mas está lá na lista de literatura que teremos de descolar cinco livros obrigatórios (dos quais já tenho três; um emprestado da biblioteca e outros dois copiados) e mais cinco livros auxiliares (que eu nem olhei que é pra não morrer de cansaço). É uma graça ou não é? Duas semanas, dez livros. Moleza. Melzinho na chupeta. Mamão com açúcar.

Começamos hoje com uma palestra infinitamente chata sobre qualidade nas avaliações feitas nas repartições públicas daqui. Essa coisa de utvärdering (mais conhecido como utredning), avaliação, é a expressão da alma burocrática sueca. TUDO se resolve por intermédio de uma avaliação. O serviço social não está satisfatório? Faz-se uma avaliação. O professor não atuou e o aluno deprimiu? Faz-se uma avaliação. Três presos fugiram da cadeia? Faz-se uma avaliação. O governo não atuou rápido o suficiente para acudir as vítimas da Tsunami na Ásia? Faz-se uma avaliação. E assim vai.

Em todas as empresas, sejam públicas ou privadas, faz-se avaliações para resolver todo e qualquer problema. Uma carta supostamente escrita por um empregado da Volvo andou circulando pela Internet, onde ele explicava como é o processo de decisão numa empresa sueca. Não posso dizer que o conteúdo da carta é verdadeiro, mas parece ser. É aquilo lá mesmo: reunião depois de reunião, muito café com bolinhos de canela nos intervalos, e mais blá-blá-blá. As decisões são tomadas depois de rodadas e mais rodadas de reuniões, planejamento, café e bolinhos.

Filed under: Universidade — Maria Fabriani @ 17:21

March 13, 2005

Day out

Ontem passei o dia en Skellefteå (diz-se Schléfteô), duas horas ao norte de Umeå, com minha amiga Maria. Passeamos no centro, entramos em (quase) todas as lojas, compramos pouquíssimo (eu consegui não comprar nada), tomamos café com sanduíches e nos divertimos muito. O dia estava lindo, mas gelado: dez negativos com muito vento. Já viu, né? Mais tarde, jantamos na casa dos pais do marido da Maria, numa cidadezinha mínima, no meio do nada, chamada Ånäset (Ôônéset). O menu foi carré feito no forno, servido com doce de maçã, e batatas cozidas. Incrível: comi e gostei. Tô virando sueca.

Já em casa, liguei a TV pra ver a final do Melodifestivalen e me decepcionei. Caroline* não ganhou (apesar dos nossos votos, meu e do meu urso) e nem Nanne Grönwall, que era minha favorita. O vencedor foi um rapaz bonitinho chamado Martin Stenmark, que cantou uma música ridícula chamada “Las Vegas”. Perdi a vontade de assistir à final do Eurovision, dia 21 de maio, quando Stenmark cantará pela Suécia junto com os representantes de quase todos os países europeus. É, acho que estou definitivamente “ensuecando”, porque começo a levar essa coisa de Melodifestivalen muito a sério…

* Para compreender, leia o post “Sambinha à la Suède”.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 12:54

March 10, 2005

Sonho

Acordei à cinco da matina com dor de cabeça. Tomei um dorflex e, quando acordei horas depois, estava tontinha da silva xavier. Depois do café-da-manhã tentei estudar, mas continuava me sentindo meio funky, então resolvi dar uma volta. Fui à livraria e comprei um caderno novo (sempre gostei de inaugurar um caderno novo, canetas novas, borrachas novas…). Mas nem isso ajudou. Não consegui estudar muito. Estava me sentindo exausta e ainda tonta. Quando fui tentar dar uma dormidinha, os vizinhos resolveram mudar todos os móveis de lugar. Depois de muito twist-and-turn, dor de cabeça, mãos e pés gelados, consegui dormir por uns 20 minutos. Sonhei que eu e meu grupo (essa coisa de grupo na universidade me atazana até quando durmo) tentávamos subir uma montanha enoooorme, coberta de gelo. Enquanto escalávamos usando sapatos especiais com pequenos ganchos nas solas, máquinas raspavam o gelo e passavam de baixo pra cima jogando sal. E eu lembro do nó no meu estômago frente à parede quase intransponível, gelada e escorregadia.

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A atriz Zilka Salaberry faleceu aos 87 anos. Ela fez parte da minha infância.

Filed under: Saudade — Maria Fabriani @ 19:01

March 9, 2005

Paciência

“Se vc escreve ‘olá!!!! lindo dia!!!!’ nego murmura que há tanta desgraça que é deselegante acordar feliz assim. Além de reclamarem veementes das exclamações.

Se vc escreve ‘acho isso ou aquilo feio’ nego sai de onde estava pra vir comentar que isso ou aquilo é lindo, que só almas sebosas não enxergam.

Se vc escreve bem é esnobe, se escreve mal é burro, se quer ajudar é piegas, se quer que se danem é insensível, se transcreve letras de músicas é sem assunto, se não escreve nada cadê você que sumiu, se elogia é puxa saco, se critica é mal amada.

Ou seja, qual a principal qualidade que um blogueiro muito lido precisa ter? Hm?

Paciência, muuuuuuuuuuuuuuuuita paciência…” (Bia Badaud, copiado da Cora)

É perfeito, ou não é?

Filed under: Irritação e ironia — Maria Fabriani @ 22:13
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