February 28, 2005

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Hoje o Montanha

completa três anos de existência.

Viva!!!

Filed under: Aniversários — Maria Fabriani @ 08:35

February 27, 2005

Totus Tuus

Fiquei emocionada ao ler ontem no meu jornal uma matéria sobre o papa, aqui chamado de Johannes Paulus den andre, descrevendo sua doença mais importante, o Parkinsons. Sem poder falar depois da traqueotomia, o papa pediu um bloco para escrever algumas palavras assim que tinha acordado da anestesia. Quando seus ajudantes olharam o que ele havia escrito, leram: “O que vocês fizeram comigo?”, e depois, “Sou ainda completamente seu!”

A primeira frase é fácil de se entender. A segunda é dirigida à Nossa Senhora, a quem o papa é devoto desde sempre, mas mais intensamente depois do atentado nos anos 80 em que quase perdeu a vida. Sinto uma admiração enorme por pessoas como o papa, que se entregam tão completamente à fé a uma causa boa, a uma energia positiva. Queria ser assim também. Gosto de Nossa Senhora, e é pra ela que eu me viro quase sempre, mas tenho dúvidas. Gosto da idéia da fé, mas não gosto da Igreja.

Fui criada numa família católica disfuncional. Ninguém ia a igreja mas todo mundo rezava pro seu santo preferido. Minha avó materna gosta de Santo Antônio e Nossa Senhora; meu pai é devoto de Nossa Senhora de Fátima (acho que herança da minha avó paterna); meu avô gostava de São Francisco. Minha mãe teve uma época em que adorava o papa e até saiu às ruas quando ele veio ao Brasil pela primeira vez. Ela cantava: “Abenção, João de Deus… Nosso povo te abraça.. Tu vens em missão de paz… Sê bem-vindo… e abençoa esse povo que te ama!”

Eu já disse isso aqui e repito: não gosto nada das posições extremamente conservadoras do papa em relação à homossexualidade, ao aborto, ao sexo e à camisinha. Por isso, me declaro uma católica rebelde, porém que tem idade suficiente pra saber a perda que o mundo terá quando João Paulo II morrer.

Filed under: Pra frente é que se anda — Maria Fabriani @ 17:09

February 26, 2005

Missão cumprida

love.jpg Estou em paz comigo mesma. Passei o dia estudando, li partes do livro do curso de método qualitativo e resolvi duas questões de uma prova antiga (deixei uma para amanhã). À tarde, li, analisei, codifiquei e criei perguntas a partir da entrevista que uma pessoa do meu grupo fez. Tudo isso para terça-feira, quando temos seminário.

Mas a razão de estar em paz não diz respeito apenas ao fato de eu ter estudado, mas sim à realização de uma tarefa do início ao fim. Tinha me proposto trabalhar neste fim de semana com essas perguntas da prova antiga e tentar analisar a entrevista. Realizar o que estava programado (mesmo dando espaço pra uma ou duas escapadelas), dá uma satisfação enorme.

Fico em paz comigo mesma, com a minha companhia. Preparo um café da tarde bem forte (mais misturo leite), como uma maçã argentina deliciosa, afago meus cabelos levemente em sinal de carinho, me sinto bem dentro da minha pele. Tenho que escrever sobre isso porque esses momentos são raros, muito raros.

Sei que ainda falta muito pra terminar de estudar esse assunto, outras provas antigas, uma dezena de perguntas, muitos capítulos do livro (que ainda é um labirinto quase intransponível pra mim). Mas gosto dessa idéia de concentração no momento, na missão à frente. Gosto de esquecer do resto e dar um passo hoje, aqui. O resto a gente vê amanhã.

Filed under: De bem com a vida — Maria Fabriani @ 17:46

February 25, 2005

Dica

Tá em casa, sozinha, sem nada melhor pra fazer do que ver tevê. De repente pinta aquela vontade de comer um chocolatinho. O que você faz? Das duas uma: ou come um chocolatinho, ou escova os dentes e logo depois bebe um copo d’água. Juro que ajuda. (Até porque já está tarde, frio pra caramba e eu não tenho mais coragem de sair à rua pra comprar chocolate)

Hoje fui à cidade novamente, com minha amiga Maria e filhota Sandra, de pouco mais de um ano. Foi divertidíssimo, mas eu pequei. Pequei, pequei, pequei. Não, nada a ver com comida. O problema é que não me agüentei e comprei mais um livro. Estava baratinho pra caramba, apenas 75 coroas - mais ou menos 10 dólares. (E assim eu sigo me iludindo).

É o livro da série em quadrinhos sueca Rocky, de Martin Kellerman. O protagonista, Rocky, é ácido, cínico, egoísta e profundamente sueco - com todas as contradições que isso representa. É simplesmente MUITO engraçado.

Agora não tem nada pra se ver na TV, nada mesmo. Só pras cês terem uma idéia a melhor coisa atualmente é um programa de competição com música, chamado “Så ska det låta” (algo como “Assim é que se fala”), que é a versão sueca do “Qual é a música” (só que não tem o Pablo pra fazer mímica com o rosto pintado.. hehehe).

Oh, well. Agora eu vou lá beber meu copo d’água. Ta..ta.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 20:34

February 24, 2005

Alegria pura

tulipas_amarelas.jpg

Acabei de fazer algo que nunca havia feito antes: comprei um buquê de tulipas amarelas pra mim mesma no supermercado. A razão? Ah… Simples: PASSEI NA PROVA DE ESTATÍSTICA!!!!!!!!!! :c)))



Ah, que delícia de sensação! Livre! Estou livre dessa maluquice! Ahhhhhh!!!! Conquistei 27 pontos de 40 possíveis. Para passar precisávamos de 20. Minha felicidade aumenta ainda mais quando olho pras minhas tulipas, que são intensamente amarelas. Eu as carrego por todos os cômodos da casa: na cozinha, onde almocei; no quarto, onde li jornais antigos; agora na sala de jantar, onde escrevo; e aqui no Montanha, como um agradecimento a vocês todos que me deram a maior força. Valeu! :c)

Acabei de voltar da cidade onde fui comprar um fichário pra arquivar minhas anotações do curso de estatística. Só que a papelaria é ao lado da minha livraria favorita. Eu, feliz da vida, não resisti - ou melhor, nem tentei resistir - e comprei dois livros: “Blonde”, de Joyce Carol Oates (uma biografia romanceada de Marilyn Monroe), e “How to lose friends an alienate people”, de Toby Young (um livro-reportagem sobre o tempo em que o britânico Young trabalhou como repórter na revista Vanity Fair americana, com muita fofoca, intriga e o humor cínico britânico).



Oi, viva eu
oi viva tu
viva o rabo do tatu. UHU! :c)

Filed under: Conquistas,Universidade — Maria Fabriani @ 20:35

February 23, 2005

“Row, row, row the boat
Gently down the stream
Merrily, merrily, merrily, merrily
Life is but a dream”

Folksong

Filed under: Elucubrações — Maria Fabriani @ 09:33

February 22, 2005

Livros e frio

E hoje finalmente o inverno chegou. O termômetro tá marcando 21 graus negativos na sombra. No sol, 14 negativos. Brrrrr. Ontem o dia inteiro tivemos quatro graus negativos, o que é totalmente possível. Agora isso… Well, c’est la vie, eller hur?* :c) E hoje comeca a liquidacão anual de livros em todas as livrarias suecas, a chamada Bokrea**. É uma festa! Só é pena que eu não tenha um centavinho furado. Aliás, não entendo a lógica desse povo em programar uma liquidacão pro dia 22, quando a populacão em peso (inclusive estudantes famintos, como eu) só recebem seus salários no dia 25 ou depois. É sacanagem ou não é? Depois eu digo que esses suecos são bichos estranhos e tem gente que ainda implica comigo. Não vou nem sair de casa pra ir ver o movimento senão fico deprê. Aliás, é até bom estar tão frio. Assim eu fico em casa, leio o livro chatíssimo do curso de método qualitativo e sossego o facho. Tchau.

* Well, inglês = Bom; c’est la vie, francês = é a vida; eller hur, sueco = não é.

** Bok, (búuk) = livro; rea é parte de realisation, que quer dizer liquidacão em português.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 09:26

February 21, 2005

Assalto

Esqueci de contar: o supermercadinho aqui na esquina de casa (se lembra, Marcinha???) sofreu uma tentativa de assalto a mão armada e tudo na sexta-feira passada, lá pela hora do almoco. Um homem mascarado entrou na loja e foi logo pedindo dinheiro da caixa, que entrou em pânico, comecou a gritar e se jogou no chão (eu, hein).

Mas a estratégia até que deu certo. O ladrão meio que se apavorou e saiu correndo do local sem levar nada. Mais tarde estabeleceu-se que o meliante era imigrante, mas mais do que isso não se diz no noticiário da TV. Vocês sabem que todos os dados que podem identificar uma pessoa suspeita são sigilosos até a pessoa se condenada (se for condenada), né?

Acabei de voltar do supermercadinho, onde fui comprar manteiga e leite, em falta aqui em casa. Enquanto me dirigia à gôndola de laticínios, localizada no lado esquerdo da loja, passei por um senhor que conversava sobre a tentativa de assalto com o gerente. Não deu pra escutar muita coisa, mas ouvi algo que já esperava ouvir de alguém.

Ele disse, em tom de constatacão: “Então, foi mesmo um filhodaputa de um imigrante…” (Em sueco fica menos forte, “Det var alltså en jävla invandrare..”.) Bom, o que dizer? Fiquei com vontade de ir lá dizer pro cara que nós. imigrantes, não somos todos ladrões, mas de que ia adiantar? Em vez disso, peguei meu leite e a manteiga e fui pagar, como qualquer cidadão de direito faria.

Detalhe: na hora em que o assalto estava sendo cometido, meu urso, em sua hora de almoco, decidia, já sentado no carro, se ia dar uma passadinha no supermercado, que fica pertíssimo de nosso apartamento, para comprar queijo e salami pro seu sanduíche. Ele me disse depois que decidiu não ir por pura preguica. Viva a preguica!!!

Filed under: Europa & Escandinávia — Maria Fabriani @ 12:44

February 20, 2005

Matou aula e foi ao cinema

Então, deixei as mocorongas pra trás lá em Umeå e vim pra Boden, que a vida é muito curta. Tenho aula na terca, mas vou matar. É que a aula não é obrigatória e trata-se de um ensaio de entrevista. Nada de deixar os alunos tentarem descobrir sua própria técnica, no sir, aqui é tudo ensaiado, cronometrado, programado. Não é a toa que tanta gente se mata…

Well, agora estou sendo má. Claro que essa não é a explicacão - pelo menos não a única. Bom, tenho a impressão que essa aula eu posso deixar pra lá que não vai me fazer falta… Vim na sexta pra casa, mas parei antes em Piteå. No caminho o amortecedor do ônibus quebrou e viemos sacudindo por uma hora na estrada (a viagem toda leva quatro horas).

Ontem alugamos dois filmes, Shrek 2 e Eternal sunshine of a spotless mind. Adorei ambos. O Antonio Bandeiras como Puss*, o gato de botas, é a coisa mais linda desse mundo (veja a foto aqui!). Até quando ele lambe suas partes baixas, é um charme absoluto. E os olhos castanhos do gato? Noosssa… O filme é, aliás, do Eddie Murphy e do Antonio Bandeiras. Não tem pra ninguém. O que dizer sobre o Eternal sunshine…? Só assistindo mesmo pra entender.

* Puss é uma palavra no vocabulário sueco e quer dizer “beijo”, acredite se quiser. Quando você diz tchau no telefone pra alguém que conhece bem e tem intimidade, diz “Puss, puss!”. Hoje em dia eu já esqueci, mas no início achava gozadíssima essa palavra, que em português tem associacões beeeeem diferentes.

Filed under: Vidinha — Maria Fabriani @ 18:11

February 18, 2005

Na polícia

E o curso de estatística acabou. Me dei mais ou menos bem na prova, como era de se esperar, mas tenho esperança de conseguir o mínimo de pontos necessários pra passar, o que pra mim já é uma vitória. Agora é esperar pelo resultado, que deve demorar mais uma semana. Começamos na terça-feira um curso de Método Qualitativo, no qual aprenderemos como entrevistar pessoas para nosso trabalho de campo e projeto final de curso.

É interessante saber que existe tanta teoria acerca do ato da entrevista, coisa que nunca estudei apesar de ter sido jornalista atuante por sete anos depois de formada. Desenvolvi minha técnica própria no dia-a-dia, depois de observar coleguinhas, adaptar minha linguagem ao ambiente da entrevista e tentar domar (sem muito sucesso) minha falta de paciência com secretárias-protetoras-de-chefes-importantes, sem tempo de responder às perguntas de repórteres insistentes.

Interessante como que a formação de jornalista no Brasil nem sequer chega perto de treinar seus alunos na arte de fazer uma boa entrevista (pelo menos não se fazia isso no meu tempo). Parece que o consenso é que há coisas que se aprende muito melhor e mais rapidamente na rua, quebrando a cara. Os suecos, bem mais arrumadinhos, te fazem ler mil livros sobre as teorias de entrevistas, sobre como se engajar (ou não), como perguntar, que tipos de perguntas fazer etc. Uma coisa.

Meu grupo de trabalho é péssimo. Pedi pra professora pra fazer o trabalho sozinha, mas ela não aceitou e ainda me olhou como que se estivesse vendo um ET pronto pra phone home através de uma antena parabólica feita de brinquedos quebrados. Só faltou me oferecer M&Ms. Bom, tudo na universidade aqui na Suécia se faz em grupo, com exceção das provas, claro. Essa coisa de grupo é boa às vezes, reconheço, mas na maioria dos casos você fica mesmo refém da mediocridade alheia.

Meninas novinhas e muito tímidas, sem qualquer jogo de cintura (que não é prerrogativa de brasileiros, concordo, concordo, mas, convenhamos, é quase). Nos decidimos por entrevistar mulheres que estudam em cursos dominados por alunos do sexo masculino, como o curso de formação de policiais. Essa coisa de gender tá muito na moda aqui. Todos os cursos têm uma parte em que se tenta estudar a perspectiva feminina e/ou de discriminação feminina.

Fomos as três pro prédio do curso de polícia, adjacente ao nosso prédio, e lá fui eu, de sala em sala, perguntando se algumas das moças se interessariam em falar conosco. Consegui a minha entrevistada na segunda tentativa e ainda descolei mais duas para as demais mocorongas do meu grupo. Elas estavam maravilhadas. “Como é que você consegue entrar assim, num grupo de pessoas, e simplesmente perguntar tudo?” Me desculpem os tímidos e envergonhados, mas quem tem boca vai a Roma, viu?

Tô me gabando sim. Tô sim. Isso é uma coisa que faço bem, muito bem. Minha entrevistada, cujo nome o sigilo não me permite divulgar, estuda pra ser polícia porque sempre foi seu sonho e porque quer trabalhar com a unidade canina, já que ama animais. Antes desse curso ela estudou sociologia por três anos, mas largou. Não pude deixar de pensar: “Que diferença da PM carioca!!!” Se bem que a polícia daqui também tem suas maçãs podres (MUITO podres, diga-se de passagem), exatamente como em qualquer lugar do mundo.

Mas hoje já tá muito tarde pra discutir isso.

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E hoje, dia 18, é aniversário do meu pai, Armando. Um beijo, pai. Muitas saudades, sempre.

Filed under: Universidade — Maria Fabriani @ 00:59
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