(Falta de) enlevo e libertação
Minha vida nesse momento é um deserto. Um deserto feito de números, fórmulas, probabilidades, valores médios, absolutos e suas freqüências. Nada é subjetivo. Tudo é claro e preciso. Socorro! Admito, no entanto, que acho interessante a capacidade da estatÃstica de ajudar a comprovar vários tipos de experiências cientÃficas, de remédios novos - sua capacidade de cura e suas contra-indicações - até quão desigual uma sociedade pode ser com seus próprios cidadãos.
Isso me agrada. A interpretação da estatÃstica, suas conclusões. O que é difÃcil de engolir é a aridez do processo matemático. Apesar disso, compreendo que é apenas sabendo de suas entranhas, das fórmulas, das proporções e cifras, que é possÃvel tirar conclusões corretas. Por isso, ainda não me revoltei completamente. Mas é por isso também que não escrevo aqui tão freqüentemente. Preciso de enlevo, conhecimento (não apenas matemático) e, porque não dizer, poesia.
E foi isso que encontrei num programa que acabei de assistir em um dos canais da SVT (TV estatal sueca). Foi um documentário produzido pela BBC sobre a música de Auschwitz, tocada por prisioneiros judeus e ciganos. O filme foi mostrado hoje em mais de 50 paÃses como um marco dos 60 anos de liberação do campo de concentração polonês. Foi em 27 de janeiro de 1945 que o Exército Vermelho libertou o que ainda restava dos prisioneiros de Auschwitz.
Muito tocante. Três sobreviventes, a cantora Eva, a cellista Anita e o tocador de acordeão Michael, contam suas lembranças, mostram seus números tatuados nos ante-braços e repensam como conseguiram sobreviver. Eles mostram um certo peso na consciência por terem feito música na porta do campo de concentração, enquanto centenas de pessoas desciam dos vagões e iam direto para os fornos, onde morriam. “Não se pensa em moral nessa hora”, defende-se Anita. “Estávamos todos preocupados em não morrer”.
Eva, judia da Hungria, estava faminta quando chegou a Auschwitz depois de quatro dias de viagem. A fome fez com que perguntasse se conseguiria um pedaço de pão se cantasse. A responsável pelo barracão das mulheres onde ela estava disse-lhe que sim. Ela começou então a cantar “Madame Butterfly”, de Puccini. Nessa hora a responsável pela orquestra do campo disse que ela iria cantar pra eles, o que lhe salvou a vida.
Seria bom ter certeza que os horrores dos campos de concentração nunca mais se repetissem. Mas sabemos que eles já se repetiram muitas vezes durante esses 60 anos. Exemplos não faltam: Srebrenica, na ex-Iugoslávia, Ruanda, Sudão e, em menor escala, Candelária, Carandirú etc etc etc. Será que nunca aprenderemos a lidar com nosso ódio? Será que o nacionalismo precisa existir em detrimento da integração pacÃfica dos povos?
No que diz respeito a mim, sairei dessa aridez toda em algumas semanas. Essa sensação de finitude me ajuda a suportar a frustração da matemática. Aliás, tenho até a impressão de que a culpa não é da matemática em si - bastante inofensiva até agora - mas de péssimas experiências pedagógicas com a matemática. Isso sim destruiu nossas possibilidades de um convÃvio civilizado. Vou até ali, escutar uma música, ler um livro, ver um filme, falar com um amigo, namorar, irrigar minha existência. Já já eu volto. Salut!
A matéria da BBC, aqui.

Você já se sentiu em estranho descompasso com o que a sociedade em geral pensa de você? Com o valores expressos por todos? Já sentiu uma angústia de não estar à altura de seus amigos (geralmente por sentir inveja), de seu namorado (por ciúme), de seu trabalho (por duvidar de sua competência)? Perdeu noites de sono tentando descobrir o motivo de não ser tão amiga daquela pessoa importante e/ou popular? Se você respondeu sim a uma dessas indagações, então você sofre do que o filósofo e escritor Alain de Botton descreve como “estresse de estatus”.
Falta de amor - o fato de permanecer descasado numa sociedade que presa a vida em família é uma “mostra” do pouco estatus da pessoa em questão, que não teria conseguido fisgar um par;
Esnobismo - precisa-se conquistar além de um parceiro, certa riqueza material para que possamos nos locupletar de coisas, nos mostrar caros e raros, exclusivos;
Expectativas - o aumento impressinante das possibilidades de consumo do pós-guerra forneceu uma possibilidade inédita em toda a história mundial de consumo e satisfação. O problema é que quanto mais se consume, menos feliz se fica;
Meritocracia - o valor de uma pessoa, seu mérito, era julgado a partir do efeito que essa pessoa tinha sobre outras pessoas, não de seu “valor de alma”; e
Então, caÃ. Disse que escreveria aqui quando pagasse o mico, então, conto: caà na frente do supermercado na esquina da minha casa aqui em UmeÃ¥, numa rampa coberta por uma camadinha fina de neve e por baixo, gelo lisinho. Agora estou aqui com a metade direita do meu derrière e com minha mão direita doloridos. Aliás, não sei se é apenas reflexo essa coisa de aliviar a queda com a mão, mas aprendi a fazer isso aos seis, sete anos, quando lutei judô.
A polÃcia sueca emitiu alarme nacional depois do desaparecimento de um executivo de uma das maiores lojas de departamento daqui. Fabian Bengtsson, presidente da 

