December 31, 2004

Décimo dia

Foi um dia cheio. Depois do café-da-manhã, seguimos para a área de treinamento de tiro do trabalho do meu urso que, orgulhosamente, explicava como deveríamos usar a arma que ele escolheu para a nossa aula de tiro prático 101. E lá fomos nós, pessoas pacíficas, atirar em pobres homens-alvos de papelão. A Marcinha já contou essa história lá no Vida…, portanto não vou repetir.

O legal, foi que M. M descobriu que sabe atirar espetacularmente bem (vejam as fotos lá na Marcinha). Querida Marcinha deu dois tiros, mas sua mira não é lá essas coisas (ou será que ela ficou com pena do homem de papelão?). Eu dei um tiro e acertei no ombro do homem-alvo, o que, segundo meu urso, causaria sua morte, depois de longos minutos de agonia. Cruzes. Mas eu estava feliz mesmo assim, vai entender.

Na volta, passamos pelo escritório do meu urso, quando Marcinha teve a oportunidade de experimentar um dos orgulhos profissionais de Stefan: o seu colete a prova de balas (a pistola da foto é de plástico, don’t worry).

À noite, comemos um típico jantar inglês, criado pelo Casal M. No menu, rosbife, batatas e cenouras, repolho roxo (o único que não gostei), Yorkshire pudim e vinho francês. De sobremesa, Bread and Butter pudim. Estava DI-VI-NO. É ou não é um luxo ter seus convidados fazendo jantar especial pra você? Nossa, eu AMEI. Hohoho. Pra terminar a noite, assistimos a “O Brother, Where Art Thou?”, nosso favorito filme-dos-irmãos-Coen.

Comemoramos a chegada de 2005 com vinho borbulhante húngaro. Tava boooommmm… :c)

Filed under: M&M na Suécia — Maria Fabriani @ 18:29

December 30, 2004

Nono dia

Levei Marcinha pra visitar uma loja de móveis muito legal que tem aqui em Boden - não é Ikea, mas dá pro gasto. Os móveis da MIO são bonitérrimos, todos com precos astronômicos. No caminho pra loja, errei uma saída, e me vi na estrada para Luleå. Senti que Marcinha ficou meio nervosa, mas, como esse caminho eu conheco bem, contornei na próxima entrada, em Sävast, e pronto, estávamos no caminho certo.

Aí um esquilinho vermelho, peludinho, passou na frente do nosso carro - mas numa distância boa do carro. Ele conseguiu atravessar a estrada sem problemas. Claro que nessa altura do campeonato a Marcinha já tinha reparado que eu, na verdade, não tinha “errado o caminho”, mas tinha dado apenas uma voltinha a mais exatamente para que ela pudesse ver o esquilinho, lógico. :c) hohoho. Bonitinho né, queridoca? :c)

Depois de dar umas voltas, fomos alugar dois DVDs, o último Harry Potter e King Arthur (meu urso, um purista no que diz respeito ao rei Arthur, se irritou com as liberdades criativas do diretor. Eu gostei). Seguimos pro supermercado comprar umas coisinhas que faltavam (já repararam que nos amarravos num supermercado, né? :c))), visitamos a igreja de Boden (que é uma das mais feias que eu conheco) e fomos pra casa. À noite, comemos tacos e tomamos vinho sul-africano. De sobremesa, sorvete de manga. DI-VI-NO.

Filed under: M&M na Suécia — Maria Fabriani @ 18:13

December 29, 2004

Oitavo dia

Saímos cedo de casa para visitar três templos nesse oitavo dia. Não, calma, a galera não enlouqueceu não. Fomos primeiro à igreja de Gammelstad (20 minutos de carro de Boden), que foi construída por volta de 1400. É a coisa mais liiiiiiinda. Tivemos ainda a sorte de ter como guia Kjell (pronuncia-se chell), que nos contou, em inglês, sobre detalhes da história da igreja. Foi muito legal. Visite o site da igreja aqui. É show.

Demos uma volta de carro por Luleå, a maior cidade do extremo norte sueco. Passamos pelo centro com suas ruas lotadas (adoro!) e pela área da SSAB, uma superempresa de beneficiamento de aço (pra alegrar o coracão engenheirístico de Mr.M). O segundo templo visitado foi um supermercado (hohoho) enoooorme, com o sugestivo nome “Willy:s”, que provocou risinhos no Casal M - eu, uma lady com uma mente puríssima, nunca nem tinha unido o c* com as calcas. Hohoho.

Passeamos pelo Teknikens Hus, museu de tecnologia da Universidade de Luleå, onde Mr.M se deliciou com os experimentos mecânicos, químicos, astronômicos e que tais apresentados para um público que vai dos 8 aos 80 anos. De lá, saímos direto pruma volta nas lojas (eu me dei de presente um casaco irado - como diz meu irmão - e Mr.M comprou meias).

No final, visitamos o terceiro templo do dia: o System Bolaget, ou o templo do álcool na Suécia. Já escrevi sobre o Systemet, como são carinhosamente chamadas as lojas de birita suecas, aqui. Compramos vinhos sul-africanos e franceses, cervejas e vinhos borbulhantes (champanhe aqui é proibitivamente cara).

Já em casa, meu urso colocou o putzgrilla pra funcionar e fizemos hamburguers caseiros, com muito molho. Tava bom pra burro. Depois, assistimos à 84 Charing Cross Road, que eu AMO, você sabem, e que Marcinha também amou :c) E pra terminar a noite de uma forma inesperadamente feliz, ainda recebemos um telefonema do nosso querido amigo Cido, esse canceriano esperto, que foi o único a descobrir que Marcinha estava vindo pra Suécia. Cido, queridoco, foi tão legal falar contigo. Obrigada! Um beijo enorme! :c)

Filed under: M&M na Suécia — Maria Fabriani @ 17:34

December 28, 2004

Sétimo dia

Desde que o Casal M confirmou que viria nos visitar mesmo no Natal, eu e meu urso comecamos a pensar em possibilidades de programas legais, levando em consideracão o frio, a pouca luz do sol etc. Um dos programas que pensamos desde sempre ser possível, era uma visita à Pagla, uma estacãozinha de ski e divertimentos generalizados aqui em Boden.

Nosso intuito não era arriscar nossos pescocos (nem os de nossos hóspedes) em descidas arrojadas das montanhas daqui - até porque aqui em casa ninguém esquia bem. Além do mais, as “montanhas” de Boden não chegam a ser montanhas, mas pequenos montinhos… mas isso é detalhe. O que queríamos fazer mesmo era levar o Casal M para andar de pulka (já expliquei o que é pulka aqui).

O dia estava meio cinza, temperatura, um ameno zero grau. Chegamos lá mais ou menos na hora do almoco, vários equiadores treinavam no terreno preparado pela prefeitura. Saí com o Martin e Marcinha para tirar umas fotos, enquanto meu urso preparava a fogueira. Comemos nossos pedacos de salsicha sueca Falu (Falukorv, pros iniciados), torradas devidamente em galhos de árvore recolhidos no chão (calma, Greenpeace!) e tomamos chocolate quente.

Aí, chegou a hora de gastar as calorias nas subindo e descendo as montanhas. Casal M precisou de uma mãozinha do meu urso pra fazer a pulka sair do lugar, mesmo com minha querida amiga Marcinha, que é peso-pena. Depois, com a pulka já devidamente no lugar, no topo da montanha, todos os santos ajudaram. Foi hilário. Primeiro tentou Marcinha, sem muito sucesso. Aí veio Mr.M, e quase me atropelou. No final, desceram os dois juntos e, deu no que deu. HOHOHO.

Já em casa, depois de um banho quente, papo e mais papo, Marcinha fez bife a rolê com receita da Dona Wal e que ficou DI-VI-NO. Eu fiz o meu arrozinho de sempre e eles gostaram também (tenho que repetir isso porque, vocês sabem, não é sempre que uma cozinheira principiante como eu recebe elogios fervorosos de uma chef de primeira como a Marcinha, então segurem a onda e me deixem repetir, ok? hohoho). Meu urso contribuiu fazendo a sobremesa: shakes de sorvete de baunilha, leite e raspberries. Terminamos a noite assistindo a Extreme Makeover, que ninguém é de ferro. :c)

Filed under: M&M na Suécia — Maria Fabriani @ 16:32

December 27, 2004

Tsunamis

mpressionante as tsunamis na Ásia. As TVs daqui mostram sem parar a devastacåo causada pelo terremoto seguido pelas ondas fortíssimas às cidades de Índia, Sri Lanka, Phuket, Tailândia etc. Muitos suecos viajam exatamente para essas localidades agora, fugindo do frio, da neve e do céu cinza.

Ao mesmo tempo, aqui casa, no quentinho, onde quatro pessoas de três países diferentes dividem pouco mais de 80 metros quadrados, está tudo em paz. Aqui nåo chove, nem neva (muito). Mas faz frio. Hoje demos uma volta de veículo de neve pelas florestas de Boden e quase congelamos em 17 graus abaixo de zero - mas foi divertido.

Vejo a tragédia de milhares de pessoas na TV e fico culpada de nåo me sentir pior. Nem sei que dia da semana é hoje. Tô tåo feliz que nem tenho muito tempo pra pensar em escrever. Marcinha está fazendo feijoada (a panela ainda está borbulhando lá no fogåo, com fogo bem baixinho, e o apartamento inteiro cheira deliciosamente bem).

Ah! Obrigada pelos comentários nos posts abaixo. Recebi muitos cartões de natal eletrônicos e alguns emails que ainda nåo respondi. Agradeco a compreensåo. Ah, tåo legal. Agora eu e Marcinha estamos sentadas na minha sala, assistindo à “Ready, steady, cook” na BBC Prime. Que legal!!!!!! Beijo, desligo.

Filed under: M&M na Suécia,Vidinha — Maria Fabriani @ 18:07

Sexto dia

Já recuperadíssima (o que uma boa noite de sono não faz com a gente, né?) acordamos prontos para uma aventura. Meu urso pegou emprestado um veículo de neve do trabalho dele e saímos para aventuras invernais pelas montanhas de Boden. Stefan se sentiu vingado depois de quase quatro anos tentando me convencer a sair com ele num desses tanques especialmente criados para andar nas montanhas cobertas de neve. Eu sempre disse que não estava a fim, que estava muito frio, que eu tinha medo, que etc etc etc. Agora, com o Casal M aqui em casa, não podia inventar mais nenhuma desculpa. E lá fomos nós.

E, devo dizer, que fui uma boba de não ter ido antes. Que vista linda! Veja você mesmo, aqui e aqui. :c))) (fotos de Martin Leggett).

Já em casa, Marcinha fez uma feijoada deliciosa, eu fiz arroz (que eles gostaram MUITO, atencão!) e terminamos a noite assistindo a “Kelly’s Heroes”, um filme bacana, mas meio chato… Mas antes, o Casal M descobriu que tínhamos aqui em casa o canal de TV BBC Prime, e que às 19h30 EastEnders era transmitida. Pronto, a casa parou para saber das aventuras de Paul, Andy e cia. A novela, que existe a singelos 25 anos (!!!), não é lá essas coisas, I’m afraid. A dramaticidade não chega aos pés de uma Janete Clair, a maldade não pode ser comparada com a do Gilberto Braga e o romance nem lembra um Manoel Carlos. Mas, tenho que admitir, estou curiosa pra saber o que houve com Paul. Hohohohohoho.

Filed under: M&M na Suécia — Maria Fabriani @ 15:40

December 26, 2004

Quinto dia

Fomos pra Piteå, pra casa da sogra, onde comemoramos o annandag, ou o “segundo dia”. Comemoramos ainda o aniversário de Bob, pai do meu urso, apesar da sua ausência. Mais uma vez, comilanca (batatas gratinadas, entre outras coisas), muita gritaria, gato e cachorro. Martin ficou com dor de cabeca no final do dia.

Já eu, passei malíssimo na volta pra casa - não uso aqui a palavra que comeca com “v” e termina com “omitei” porque sou uma lady, vocês sabem, mas tava veeeerde. O vilão foi um remédio barra-pesada que tomei para dor de cabeca que só fez piorar e ainda me deixou quase sem estômago. Blérght! E, como desgraca nunca vem sozinha, o carro superaqueceu na volta pra casa. Tivemos de parar umas três vezes pela estrada pra tentar encontrar um posto de gasolina aberto.

Finalmente, já em casa, o carro devidamente equipado com um galão de glicol (antifreezing, não sei o nome em português, sorry), pude, por assim dizer, dar vazão ao chamado do meu âmago. Nossa, não me lembro da última vez que me senti tão rotten. O jantar se repetiu à minha frente, só que em ordem inversa… :c/

Filed under: M&M na Suécia — Maria Fabriani @ 15:35

December 25, 2004

Quarto dia

Estávamos tão cansados que nem saímos de casa. Se o fizemos foi pra dar uma volta ligeira (mas pra ser sincera nem me lembro mais). Assistimos a dois DVDs: show da Marisa Monte (linda! tananã! linda! tananã!) e a Fahrenheit 911, que ganhei de Natal do meu urso. Gostei mais do primeiro do que do segundo, ainda mais depois de saber que nem assistindo a esse documentário os americanos aprenderam como votar. :c/

À noite, Marcinha fez pirê de batatas (com os tubérculos que sobraram da orgia natalina), os rapazes fritaram os restos do presunto e eu me contentei com algumas almôndegas. Estava frio, estávamos estafados depois de um dia de Natal exaustivo. Fomos dormir cedo.

Filed under: M&M na Suécia — Maria Fabriani @ 15:30

December 24, 2004

Terceiro dia

Natal. Acordamos meio tarde (quase às 10 da matina) e já comecamos a preparar a casa para o dia. A família chegaria lá pelas 14h30, o que nos deixava pouco tempo para tudo o que precisava ser feito. Depois do café-da-manhã, sempre seguido de conversa e muuuuuuitas histórias do meu urso (que estava felicíssimo com a atencão do Casal M), Martin e Stefan foram buscar mesas e cadeiras, enquanto eu e Marcinha dávamos os últimos retoques na cozinha.

Logo depois chegou a família toda (éramos 11 pessoas no total, sendo três criancas, um cachorro e um gato). Não vou entrar em detalhes, mas só digo uma coisa: poderia ter aberto uma papelaria no dia 25 com todas as caixas e os papéis de presente deixados aqui em casa. :c) Josefin, de dez anos, foi um papai noel engracadíssimo. Comemos muito e bem. Os Petit Gateaux foram um completo sucesso (a receita ficou perfeita) e, no final, resolvemos dar uma volta pra ajudar o estômago a digerir a orgia alimentícia.

Saímos eu, Casal M, Veronica (irmã do meu urso) e a cachorrinha dela, Lona. A temperatura estava amena, um ou dois graus abaixo de zero (ou acima, já nem me lembro mais). Demos uma volta enooorme no quarteirão aqui e casa. Lona feliz da vida, pulando e fazendo pipi alternadamente na neve branquinha. Eu e o Casal M atrás. Quando voltamos pra casa, tivemos uma surpresa: estávamos presos do lado de fora do prédio.

Eu havia deixado a chave em casa por razões óbvias e nem me dei conta de que já era quase nove de noite, horário em que a porta da frente do prédio se tranca automaticamente todas as noites. Quando nos demos conta do acontecido, comecamos a (tentar) jogar bolas de neve na janela aqui de casa, para chamar a atencão dos quatro adultos e das três criancas, mas não conseguíamos. As neve, fresquinha, era tão leve que não conseguia alcancar a janela no terceiro andar. Eu bombardeei as janelas dos apartamentos dos vizinhos que, felizmente, não estavam em casa. No final, em meio a muitos risos, fomos “resgatados”, por Josefin, Emelie e Amanda, às gargalhadas. :c)

Vocês estavam curiosas sobre o que eu ganhei de presente do Casal M e que me deixou tão emocionada, né? Olha, ganhei um monte de coisas, meu urso também. Mas o presente que mais me tocou foram dois pratos. Isso mesmo. A história é essa: há um tempo atrás perguntei à Marcinha se ela sabia onde eu poderia encontrar uma louça da marca Enoch Wood, de origem inglesa. Eu havia crescido com a coleção dos pratos azuis e brancos da minha avó Celia e queria comprar alguns. A Marcinha achou meus pratos, mas como eles são atualmente peças de colecionador (leia-se inalcançálveis para o bolso do cidadão médio), ela me presenteou com esses os lindos pratos da coleção Blue Room, da Spode. Veja uma foto, aqui. Prestem atenção ao detalhe. Não é pra chorar de emoção e alegria? :c) Obrigada queridoca, de coração!

Filed under: M&M na Suécia — Maria Fabriani @ 14:04

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Filed under: De bem com a vida,M&M na Suécia — Maria Fabriani @ 13:48
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